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E agora de novo o efeito manada no feijão

Todo ano a gente assiste ao mesmo filme no mercado de feijão. Na colheita, o preço despenca porque todo mundo corre para vender. Meses depois, falta produto e o preço sobe. E aí? Reclamam e plantam até nas floreiras.
Essa sazonalidade de preços não é segredo para ninguém. É o ciclo natural de uma cultura com janelas de produção bem definidas. Mas o que realmente me surpreende é ver produtor preparado, inteligente, ainda dizendo que “não sabia” que isso ia acontecer.
Vamos falar sem rodeio: não dá mais para aceitar essa história de que é surpresa o preço cair na colheita. Quando o preço está alto na hora de plantar, todo mundo planta mais. É óbvio que na hora de colher ele vai cair. Não tem truque nisso. O problema é agir como se fosse um susto na hora de fechar negócio.
Esse comportamento coletivo — o famoso efeito manada — custa caro. Quando os primeiros começam a vender, o medo de ficar com o feijão parado se espalha e vira uma corrida para liquidar tudo de qualquer jeito. Resultado? Preço lá embaixo. Depois, na entressafra, quando falta produto, o mercado paga mais — mas quem vendeu cedo não aproveita nada disso.
“Ah, mas o mercado é assim mesmo.” Não, não é uma maldição inevitável. A sazonalidade existe, claro. Mas dá para se preparar melhor. E quem não se prepara vai continuar vendendo barato demais.
Primeiro passo? Planejamento financeiro. Muita gente vende porque precisa do dinheiro na hora. Precisamos falar mais sério sobre crédito, reserva de caixa e até organização coletiva para ter poder de negociação.
Outro ponto é a armazenagem. Hoje não falta opção. Quem não tem silo próprio pode alugar, pode se associar a cooperativas ou usar câmaras frias, que estão cada vez mais disponíveis para feijão, garantindo qualidade e alongando o prazo de venda. Armazenar não é luxo, é estratégia para escapar do colapso de preços na colheita.
E informação de mercado? Isso não é mais desculpa. Tem o índice Cepea/CNA, que mostra preço em diversas praças. Tem o Clube Premier do Ibrafe, que entrega informação estratégica todo dia, com visão nacional e até internacional. Hoje quem quiser se informar tem como. Decisão baseada em boato ou no preço da venda do vizinho é rasgar dinheiro.
E, por favor, vamos falar sério sobre ferramentas de comercialização. Contratos a termo, barter, — não é só para “produtor grande”. É para qualquer um que queira reduzir risco. É planejamento. “Ah mas não tem para feijão”, já começou a ter sim. O que precisa é posicionamento em defesa destas ferramentas. Brigar por elas, enviar feito meme para todo lado. Falar dela em seus grupos de whatsapp ir no seu sindicato brigar por elas.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: enquanto a gente continuar refém do efeito manada, vai vender mal na safra e reclamar do preço na entressafra. Para mudar isso, é preciso vontade de encarar a realidade, investir, cooperar e se profissionalizar de verdade.
O feijão não é só tradição de plantio, ele é essencial na mesa do brasileiro. E precisa ser um bom negócio para quem planta. Mas isso só vai acontecer quando pararmos de repetir os mesmos erros e adotarmos estratégias mais inteligentes.
Está na hora de ter essa conversa, sem filtro. Para o bem do produtor, para o bem do setor.
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.
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No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.
As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.
No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.
Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.
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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.
Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.
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O maior patrimônio do agro
O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.
Essa conquista não pode ser colocada em risco.
O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.
Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.
A legislação não é o problema
Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.
Não impede.
A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.
Então, por que a população continua aumentando?
Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.
O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.
É hora de mudar a estratégia
Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.
O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.
Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.
O custo da omissão
O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.
Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.
Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.
Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.
E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.
Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.
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A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.
Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
Com informações de Estadão Conteúdo.
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