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6 de agosto de 2026

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Mato Grosso deve colher 54 mi/t de milho; falta de armazéns e preço em queda preocupam

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Mato Grosso deve colher uma das maiores safras de milho da história: 54 milhões de toneladas. É o que aponta a nova estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Mesmo sendo uma boa notícia, o setor produtivo segue apreensivo quanto à rentabilidade, pressionada pela falta de armazenagem e queda no preço do grão.

A colheita do cereal segue em andamento, tendo alcançado na última sexta-feira (4) 40,20% da área semeada, como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso. Apesar do avanço semanal de 13,21 pontos percentuais, este foi insuficiente para alcançar os 76,28% da área colhida na safra 2023/24 no mesmo período analisado, assim como a média histórica de 59,36%.

Em partes das regiões, o excesso de chuvas durante o ciclo atrasou o cronograma e, por isso, máquinas ainda são vistas em campo.

“Choveu bem. Raras regiões tiveram problemas, a não ser um ataque de lagartas, principalmente, no início. Mas, transcorreu muito bem. Então, as produtividades estão muito boas em relação ao que o produtor estava acostumado nas primeiras áreas. A diferença só é as áreas plantadas por último nas áreas marginais em que vamos ter uma produção maior do que no ano passado e outros anos”, pontua o vice-presidente Oeste da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antunes de Melo.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Chuva ajuda na produtividade

Ao mesmo tempo em que a chuva atrasou os trabalhos em campo, ela beneficiou as lavouras. De acordo com o Imea, o resultado é histórico com rendimento acima do esperado.

“O estado produziu nesta temporada na safra de milho 126,25 sacas por hectare. Um recorde de produtividade. Um incremento de mais de 7% em relação a nossa última estimativa, a qual já estávamos trazendo um recorde na produtividade aqui no estado, e uma produção que deverá alcançar 54 milhões de toneladas, mais de 14% em relação à safra passada”, comenta à reportagem o superintendente do Imea, Cleiton Gauer.

Os números da temporada 2024/25 de milho segunda safra em Mato Grosso foram constatados com a conclusão do projeto Imea em Campo. Foram 36 dias percorrendo cerca de 19 mil quilômetros dentro do estado e coletadas 538 avaliações em 82 municípios.

A comitiva cruzou o estado para colocar lupa na produtividade e trazer precisão cirúrgica às estimativas.

“Foi uma rodada de campo bastante completa. Vimos cenários distintos. Algumas regiões com o potencial muito positivo e outras com o estado bem aquém do que já vimos em anos anterior”, relata o analista do Imea, Henrique Schaff Eggers.

De acordo com o analista, as regiões médio-norte, oeste e sudeste são as que possuem o maior destaque positivo em relação à produtividade de milho nesta safra. Contudo, ao se analisar as regiões norte e nordeste estas apresentam resultados aquém do desejado.

“As chuvas foram bastante positivas em alguns fatores. No entanto, atrasaram alguns plantios. Teve questões de chuvas até na colheita, o que atrasou um pouco mais o andamento. Mas, em contrapartida, elas foram muito positivas em relação ao peso dos grãos. Nós temos um ano com os pesos dos grãos nunca vistos em anos anteriores”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Armazéns lotados e preço do milho em queda

Só que a promessa de uma safra cheia também acende um sinal de alerta, segundo especialistas e produtores, para dois fatores: a falta de armazenagem e a desvalorização do grão. Um cenário que pressiona o agricultor e já preocupa em relação ao próximo ciclo da cultura.

Conforme o vice-presidente Oeste da Aprosoja Mato Grosso, Gilson Antunes de Melo, para cobrir o custo o produtor precisa de aproximadamente de 117 a 20 sacas de milho.

“Quem conseguir armazenar e conseguir vender mais no final do ano, começo do ano que vem, vai conseguir alguma coisa. Mato Grosso é deficitário. O Brasil é deficitário de armazenagem. E, se essa safra se concluir do jeito que está indo, vai faltar muito armazém. Vamos ter novamente os caminhões nas estradas armazenando a nossa safra até os portos”.

O vice-presidente Oeste da Aprosoja Mato Grosso salienta ainda que a deficiência de espaço para armazenar o cereal impacta ainda mais na comercialização, “porque o preço baixa”.

“O produtor que está sem armazém é obrigado a vender agora. Ele está totalmente sem margem no milho e o produtor quando tem menos dinheiro no bolso ele retira investimentos e, consequentemente, há diminuição de produção e mais refém do clima”.

Ainda conforme Gilson, diante da situação com o milho os produtores podem migrar para outras culturas que exigem menos investimentos, como o sorgo.

Até o momento, Mato Grosso já comercializou cerca de 50% da safra de milho, segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer.

“O desafio não é só nesta temporada, mas na próxima. O produtor está finalizando, mas de olho na safra que vai começar em setembro e também na safra de milho que vai começar no próximo ano”.

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Foto: Leandro Balbino/Canal Rural Mato Grosso

Cadeia da carne sente reflexo do milho

E, o reflexo dessa incerteza com a próxima temporada cruza a porteira. Na cadeia da carne, que tem o milho como principal ingrediente da ração, cada saca produzida a menos no campo pode custar mais caro no cocho.

Na avaliação do médico veterinário da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Júnior César Santos, estudos como o Imea em Campo fazem toda a diferença na cadeia produtiva da proteína animal.

“O custo de produção da suinocultura está totalmente alinhado com a alimentação e o milho representa bastante. E, se tivermos uma redução nessas áreas plantadas podemos ter uma diminuição na oferta do milho e isso pode elevar o nosso custo de produção”.

Na bovinocultura a realidade da produção tem mudado gradativamente com uma maior presença dos grãos na alimentação dos animais, salienta o diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi.

“Hoje já temos além dos confinamentos, que chegam a 15% da nossa engorda de bovinos, a terminação intensiva a pasto e a recria intensiva a pasto, e alguns projetos na cria intensiva a posto, dependente de grãos. Então, acaba sendo um dos insumos muito importante para a cadeia. E, ela é impactada cada vez que você tem um decréscimo na produção, cada vez que você tem um impacto do mercado internacional, a questão das guerras, da nossa instabilidade na recepção de fertilizantes que serão utilizados nas lavouras. Tudo isso acaba impactando o nosso custo de produção também”.

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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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