Sustentabilidade
Mercado brasileiro de soja deve manter negociações moderadas com queda em Chicago – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de soja deve manter o ritmo moderado de negociações, sem perspectiva de aceleração dos negócios. Nos últimos dias, mesmo diante de fatores favoráveis, o mercado não apresentou reação significativa. Para esta quinta-feira (15), o cenário deve se repetir, com a queda dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) pressionando os preços. A alta do dólar comercial oferece algum suporte, mas não deve ser suficiente para estimular um volume maior de negócios.
Ontem (14), o mercado brasileiro de soja apresentou poucas movimentações, com baixa liquidez e pequenos ajustes positivos nas cotações de algumas praças. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que os produtores seguem praticamente fora das negociações, concentrados no plantio da safra nova.
Na Bolsa de Chicago, o mercado apresentou volatilidade, mas registrou leves perdas, sem quedas expressivas. Os prêmios tiveram pequenos ajustes, enquanto o mercado físico permaneceu com liquidez apertada.
“O foco está totalmente no plantio da safra nova, com o produtor praticamente fora do mercado”, observa Silveira. Segundo o analista, também não houve reporte de negócios envolvendo a nova safra.
No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos avançou de R$ 147,00 para R$ 147,50, enquanto em Santa Rosa (RS) passou de R$ 148,00 para R$ 148,50. Em Cascavel (PR), as cotações permaneceram em R$ 144,50. Em Rondonópolis (MT), os preços seguiram em R$ 142,00, enquanto em Dourados (MS) a saca avançou de R$ 140,00 para R$ 140,50. Já em Rio Verde (GO), a cotação continuou em R$ 140,00.
Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca permaneceu em R$ 155,50. Em Rio Grande (RS), as referências avançaram de R$ 156,00 para R$ 156,50.
CHICAGO
- A Bolsa de Mercadorias de Chicago opera com perda de 0,41%, o contrato novembro/26 está cotado a US$ 12,72 por bushels.
- O mercado opera em baixa, pressionado pelo avanço da colheita no Meio-Oeste dos Estados Unidos, que amplia a oferta disponível. A queda do petróleo em Nova York reforça o movimento negativo. As perdas, contudo, são limitadas pela retomada das compras da oleaginosa norte-americana pela China.
- O clima predominantemente seco na última semana permitiu acelerar os trabalhos no campo, após atrasos provocados pelas chuvas no início do outono. Embora as precipitações registradas no meio desta semana tenham interrompido temporariamente a colheita, a previsão indica condições mais secas nos próximos dias. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 46% da safra norte-americana de soja havia sido colhida até domingo, acima da média de 44% projetada pelos analistas consultados pela Reuters.
CÂMBIO
- O dólar comercial registra ganho de 0,36% a R$ 5,0485. O Dollar Index registra recuo de 0,40% a 102,137 pontos.
INDICADORES FINANCEIROS
- As principais bolsas da Ásia fecharam em forte queda. China, -1,59%. Japão, -4,90%.
- As principais bolsas na Europa operam mistas. Paris, +0,26%. Frankfurt, -0,50%. Londres, +0,77%.
- O petróleo opera em predominante baixa. Novembro do WTI em NY: US$ 95,21 o barril (+0,12%). As demais posições caem.
AGENDA
Quinta-feira (15/10)
- 13:00 Esmagamento de soja dos EUA em setembro/Nopa.
- 13h00 EUA: Relatório semanal da EIA sobre estoques de petróleo referente à semana de 9 de
- outubro.
- 15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.
- 15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.
- 16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.
- 16:00 Custos de produção de soja, milho e algodão do MT/Imea.
Sexta-feira (16/10)
- 06:00 – Zona do euro: Balança comercial de agosto.
- 06:00 – Zona do euro: Indice Harmonizado de Preços ao Consumidor (HICP) de setembro.
- 09:00 – Indice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de agosto/BC.
- 09:30 – Dados de exportação semanal de grãos dos EUA/USDA.
- 16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.
Fonte: Agência Safras
Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Vassourinha-de-botão apresenta elevado potencial de dano e difícil controle em pós-emergência – MAIS SOJA

Com crescente expensão no território brasileiro, a vassourinha-de-botão, espécies Borreria verticillata (L.) G.Mey. (sinonímia Spermacoce verticillata), Borreria spinosa Cham. & Schltdl. (sinonímia Spermacoce spinosa) e Mitracarpus hirtus (L.) DC., têm integrado o grupo das principais e mais complexas plantas daninhas das lavouras agrícolas.
No sistema soja–milho, plantas que permanecem na área podem rebrotar após a colheita e chegar à dessecação da cultura seguinte em estádio avançado, dificultando o manejo (HRAC-BR, 2026). Mesmo sem apresentar relatos de resistência a herbicidas no Brasil, é consenso que algumas espécies da vassourinha-de-botão apresentam certo nível de tolerância ao herbicida glifosato (Correia, 2024). Essas características dificultam ainda mais o controle efetivo da vassourinha-de-botão na pós-emergência das culturas, tornado indispensável a adoção de ferramentas integradas para um controle mais eficiente dessa planta daninha.
Figura 1. Vassourinha-de-botão (Borreria spinosa).
Quando não controlada adequadamente, a vassourinha-de-botão pode causar perdas expressivas na produtividade da soja em decorrência da matocompetição, com reduções de até 4,4% para cada planta daninha por metro quadrado. Os prejuízos tendem a se intensificar com o aumento da densidade da infestação, comprometendo significativamente o rendimento da cultura (Lourenço, 2018).
A eficiência do controle pós-emergente da vassourinha-de-botão depende da escolha do herbicida e do momento de aplicação. Os melhores resultados têm sido observados quando as pulverizações são realizadas nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta daninha, preferencialmente entre duas e quatro folhas. À medida que a planta avança para os estádios de quatro a oito folhas, a eficácia dos herbicidas pode diminuir drasticamente, com reduções de até 25% na eficiência de controle (Ikeda et al., 2025).
Para aumentar a eficácia do controle da vassourinha-de-botão e reduzir a população dessa planta daninha, uma estratégia é inserir herbicidas pré-emergentes no programa fitossanitário da cultura. Esse grupo de herbicidas atua diretamente no banco de sementes do solo, reduzindo os fluxos de emergência da vassourinha-de-botão, possibilitando a ampliação do período anterior a interferência e o estabelecimento da cultura do limpo (livre da matocompetição inicial).
Na cultura da soja, as principais opções registradas para o controle pré-emergente da vassourinha-de-botão B. verticillata (sinonímia Spermacoce verticillata), contemplam herbicidas a base de misturas comerciais de metribuzin + S-metolachlor, fomesafen + S-metolachlor, pyroxasulfone + flumioxazin, diclosulam + halauxifen e pyroxasulfone (princípio ativo isolado) (Ikeda et al., 2025).
Vale destacar que, além de reduzir os fluxos de emergência da vassourinha-de-botão, os herbicidas pré-emergentes, especialmente os de amplo espectro, contribuem para suprimir a emergência de outras espécies daninhas, favorecendo o desenvolvimento inicial da soja. Essa estratégia é particularmente importante nos estádios iniciais da cultura, quando as plantas apresentam menor capacidade competitiva. Dessa forma, os pré-emergentes assumem papel central no manejo de plantas daninhas, sobretudo de espécies de difícil controle em pós-emergência, como a vassourinha-de-botão.

Referências:
CORREIA, N. M. TOLERÂNCIA DIFERENCIAL DE ESPÉCIES DE VASSOURINHA-DE-BOTÃO AO HERBICIDA GLYPHOSATE. XXXIII Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas e XXV Congresso Latinoamericano de Malezas, 2024. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1168752/1/Tolerancia-diferencial-de-especies.pdf >, acesso em: 15/10/2026.
IKEDA, F. S. et al. MANEJO DE VASSOURINHA-DE-BOTÃO (Borreria spinosa) NA SUCESSÃO SOJA-MILHO. Embrapa Agrossilvipastoril, Documentos, n. 11, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1174732/1/2025-cpamt-doc-11-fsi-manejo-vassourinha-de-botao-sucessao-soja-milho.pdf >, acesso em: 15/10/2026.
LOURENÇO, M. F. C. MANEJO QUÍMICO DE VASSOURINHA-DE-BOTÃO (Spermacoce sp.) NA CULTURA DA SOJA. Dissertação de Mestrado, Instituto Federal Goiano Campus Urutaí, 2018. Disponível em: < https://sistemas.ifgoiano.edu.br/sgcursos/uploads/anexos_1/2019-02-06-11-32-38MARCOS%20FELIPE%20DE%20CASTRO%20LOUREN%C3%87O.pdf >, acesso em: 15/10/2026.

Sustentabilidade
IBGE estima safra de grãos recorde em 2026: 354,5 milhões de toneladas – MAIS SOJA

A estimativa de setembro para a produção de grãos em 2026 aumentou 2,4%, para 354,5 milhões de toneladas, na comparação com 2025 (346,1 milhões de toneladas).
Em relação a agosto de 2026, a previsão ficou praticamente estável, com variação de 0,4% – aumento de 1.566.233 de toneladas.
As informações constam do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (15).
A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em setembro de 2026 é recorde para a série histórica do IBGE.
A área a ser colhida está estimada em 83,2 milhões de hectares, aumento de 1,6 milhão de hectares (2%) na comparação com a área colhida em 2025 (81,6 milhões de hectares). Em relação ao mês de agosto de 2026, a área a ser colhida cresceu 143.672 hectares (variação de 0,2%).
Arroz, soja e milho
O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo que, somados, representaram 93% da estimativa da produção e respondem por 87,3% da área a ser colhida.
Para a soja, a estimativa de produção foi de 175 milhões de toneladas, acréscimo de 5,4% em relação ao ano anterior. A área a ser colhida cresceu 1,3%.
A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,2 milhões de toneladas, queda de 11,4%. A área a ser colhida também diminuiu 12,6%.
Quanto ao milho, a estimativa foi de 143,3 milhões de toneladas (1,6 milhão de toneladas acima de 2025, avanço de 1,1%). A estimativa é de 29,7 milhões de toneladas de milho na primeira safra (alta de 15,5%) e 113,6 milhões de toneladas de milho na segunda safra (queda de 2,0%). A área a ser colhida do milho cresceu 2,5%, sendo 8% no milho primeira safra e 1,1% no milho segunda safra.
Demais grãos
A estimativa de setembro para a produção do trigo em 2026 ficou em 5,9 milhões de toneladas (24% a menos do que em 2025).
A estimativa do algodão herbáceo (em caroço) ficou em 9,5 milhões de toneladas (queda de 3,9%) e a do sorgo em 6 milhões de toneladas (alta de 11%). A estimativa para o feijão é de queda de 6,6% na produção.
Fonte: Agência Brasil

Sustentabilidade
Região do Norte do Brasil já começa plantio de soja dividida entre expectativa e temor com custos e clima

O plantio da soja para a safra 2026/27 começou oficialmente no Tocantins em 1º de outubro, após o encerramento do vazio sanitário. Apesar da abertura da janela de semeadura, os trabalhos ainda avançam de forma pontual, enquanto os produtores aguardam a regularização das chuvas para ampliar as operações no campo.
Principal cultura agrícola do estado, a soja ocupa cerca de 1,6 milhão de hectares no Tocantins, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além de movimentar a economia rural, o grão abastece cadeias que vão da produção de óleo, farelo e rações para alimentação animal à fabricação de biocombustíveis e ao fornecimento de matérias-primas para a indústria.
Neste início de ciclo, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Tocantins (Aprosoja Tocantins) acompanha o andamento da semeadura nas regiões produtoras e as condições enfrentadas pelos agricultores. Entre os principais desafios estão a irregularidade das chuvas, os custos de produção, os juros elevados e as dificuldades de acesso ao crédito.
Segundo o vice-presidente da entidade, Thiago Facco, as precipitações recentes permitiram o início do plantio em algumas localidades, mas a maior parte das áreas ainda aguarda condições favoráveis.
“Em algumas microrregiões, principalmente no Vale do Araguaia e em pontos específicos do estado, tivemos chuvas com volumes significativos que permitiram o plantio. Mas, na grande maioria, ele ainda não começou. Apesar da abertura da janela, nosso período considerado ideal começa a partir de 15 de outubro. Os produtores seguem aguardando mais chuvas”, explica.
A janela de plantio da soja em áreas de sequeiro segue até 15 de janeiro de 2027. Neste momento, a distribuição das precipitações e a umidade do solo são determinantes para o avanço da semeadura.
Custos e crédito preocupam produtores
Além das condições climáticas, o cenário econômico aumenta a cautela no planejamento da safra. Juros elevados, restrições de crédito e endividamento estão entre os fatores que pressionam os produtores neste início de ciclo.
“A expectativa é de bastante apreensão. Temos uma taxa de juros muito elevada, dificuldade de crédito e um nível de endividamento grande entre os produtores. É uma safra que começa bastante desafiadora”, afirma Facco.
O comportamento do clima nos próximos meses também será decisivo para o desenvolvimento das lavouras. A possibilidade de impactos associados ao El Niño está entre as preocupações do setor, que ainda considera prematuro consolidar uma estimativa de produção para a temporada.
“Hoje, sem dúvida, o clima e os custos de produção são as maiores preocupações. Existe uma incerteza muito grande sobre como o El Niño pode atuar, qual será a intensidade e em quais regiões ou períodos poderá causar impactos”, acrescenta.
Mesmo diante das incertezas, a expectativa da Aprosoja Tocantins é de que a área cultivada com soja permaneça próxima de 1,6 milhão de hectares, com crescimento discreto em relação à temporada anterior.
“A área vinha crescendo, mas neste ano devemos ter um pequeno aumento, principalmente em áreas que já estavam planejadas pelos produtores. Os produtores seguraram bastante as novas aberturas”, afirma.
Apesar dos desafios, Facco destaca a disposição dos agricultores para iniciar mais um ciclo de produção. “O produtor é muito resiliente. Mesmo diante de todos esses fatores adversos, seguimos firmes para plantar mais um ano, com a expectativa de conseguir boas colheitas”, conclui.
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