Sustentabilidade
Arroz/RS: Com previsão de 861 mil hectares, semeadura ganha ritmo sob manejo de umidade – MAIS SOJA

Arroz: O estabelecimento da safra está em fase inicial. Houve maior avanço da semeadura nas áreas da Fronteira Oeste, e iniciam-se as operações em outras regiões produtoras. A ocorrência de chuvas volumosas vem condicionando o ritmo de implantação, exigindo drenagem de áreas para permitir a continuidade das operações e evitar dificuldades no estabelecimento das lavouras já semeadas. Os rizicultores intensificaram as operações de preparo, a sistematização, a dessecação e o manejo das áreas destinadas ao cultivo, incluindo sistemas de pré-germinado e semeadura em solo seco. Na Região Sul, os níveis de reservação de água dos mananciais e barragens foram recompostos pelas precipitações ocorridas durante agosto.
A área projetada de cultivo pelo IRGA para Safra 2026/2027 alcança 861.779 hectares, e a produtividade inicial estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.741 kg/ha.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a semeadura avançou significativamente entre 14 e 18/09. Nas áreas atingidas por maiores volumes de chuva, as operações se concentram na retirada da água dos talhões para permitir a continuidade do plantio e evitar problemas de germinação e emergência. Também foram realizadas aplicações de herbicidas dessecantes para viabilizar o plantio direto, além de aplicações de herbicidas pré-emergentes e de dessecantes no estádio de ponto de agulha, visando manter a cultura livre de plantas daninhas no início do ciclo.
Em Quaraí, a área semeada alcança 20% da estimativa municipal e, em Uruguaiana, 15%. Em Dom Pedrito, município tradicionalmente responsável pela maior área de arroz da Região da Campanha, o plantio iniciou em ritmo lento, alcançando 1% dos 34.000 hectares previstos.
Na de Pelotas, o plantio foi iniciado. A estimativa inicial para a safra indica 167.818 hectares na região. Grande parte das áreas já está sistematizada e nivelada, com marachas
implantadas e plantas de cobertura dessecadas, aguardando condições adequadas de solo para a continuidade da semeadura.
Na de Santa Rosa, em Santo Antônio das Missões, a expectativa é de manutenção da área cultivada em relação ao ano anterior em cerca de 400 hectares. Em Garruchos, a área prevista foi significativamente reduzida e deverá ficar próxima de 25 hectares, deixando de
representar uma cultura de expressão municipal.
Na de Soledade, aceleraram os trabalhos de manejo das áreas destinadas ao arroz prégerminado, e nas áreas de semeadura em solo seco iniciaram-se as operações de dessecação.
Comercialização (saca de 50 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,81%, passando de R$ 78,76 para R$ 79,40.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Chuva volta com força ao Centro- Oeste, mas calor ameaça disparada da soja; até quando?

As chuvas acima da média registradas nas últimas semanas melhoraram as condições para o início da safra de verão 2026/27 em importantes regiões produtoras do país. A recuperação da umidade do solo favorece o avanço da semeadura e o estabelecimento inicial das lavouras de soja e milho. O cenário ainda é desigual e Mato Grosso permanece como principal ponto de atenção.
De acordo com dados da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola baseada em dados de satélite, Mato Grosso recebeu chuvas acima da média em setembro, mas a umidade do solo ainda permanece baixa. As precipitações não foram suficientes para recompor totalmente o déficit hídrico acumulado anteriormente.
A perspectiva é de melhora no início de outubro. O modelo europeu ECMWF indica aumento das chuvas no estado, o que pode proporcionar uma recuperação mais expressiva da disponibilidade de água no solo.
Em Goiás e áreas próximas, a situação é mais favorável. A umidade do solo apresentou recuperação significativa e, em algumas regiões, está acima da média observada nos últimos anos. Para o início de outubro, o ECMWF prevê intensificação das chuvas, cenário que pode ampliar a disponibilidade hídrica e beneficiar a semeadura, a germinação e o estabelecimento das lavouras de soja e milho.
Calor pode limitar recuperação da umidade
Apesar da melhora nas condições de umidade, as temperaturas também entram no radar. Os modelos climáticos apontam para registros acima da média nas principais regiões produtoras, com o modelo americano GFS indicando anomalias mais intensas no Centro-Oeste.
Segundo Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily, o comportamento das temperaturas será importante para definir a velocidade de recuperação da umidade.
“Caso o calor ocorra associado a menores volumes de chuva, o aumento da demanda evaporativa poderá limitar a recuperação da umidade, principalmente em Mato Grosso”, explica o analista.
A previsão também apresenta divergências entre os modelos para o período de 25 de setembro a 2 de outubro. Enquanto o ECMWF indica precipitação abaixo da média em grande parte do Centro Oeste, o GFS aponta condições mais úmidas, especialmente em Goiás e em partes de Mato Grosso e Minas Gerais.
A combinação entre a incerteza na regularização das chuvas e as temperaturas elevadas mantém Mato Grosso no centro das atenções para o avanço do plantio da soja e do milho de verão.
Chuvas atrapalham colheita da cana no Sudeste
No Sudeste, as chuvas contribuíram para a recuperação da umidade do solo, com melhora mais evidente em São Paulo. Para a agricultura, o excesso de precipitação também traz efeitos negativos.
Na principal zona canavieira paulista, episódios de chuva têm provocado interrupções frequentes na colheita da cana de açúcar.
Desde o início de setembro, vários eventos registraram volumes superiores a 8 milímetros em um único dia, incluindo episódios acima de 20 milímetros. Em situações como essas, as operações podem ser interrompidas no dia da chuva e, dependendo das condições do campo, também no dia seguinte.
Para o início de outubro, novos episódios acima desse patamar são previstos, o que pode provocar interrupções pontuais e reduzir o ritmo de moagem.
Excesso de chuva e frio colocam trigo em alerta
No Sul do país, o cenário é diferente do observado em parte do Centro Oeste. Volumes elevados de chuva foram registrados nos últimos dez dias, principalmente no Rio Grande do Sul e no Paraná.
Desde agosto, os acumulados de precipitação de 2026 estão significativamente acima da média e superam os registrados na maior parte dos últimos anos. Com novas chuvas previstas até o início de outubro, aumentam os riscos de doenças, dificuldades nas operações de campo e perda de qualidade dos grãos conforme o trigo avança para as fases de maturação e colheita.
Temperaturas baixas também exigem atenção
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as mínimas atingiram valores muito baixos nos últimos dias. Caso tenham ocorrido geadas nas regiões produtoras de soja, lavouras em estágios reprodutivos mais avançados podem ter sido afetadas.
No nordeste gaúcho, setembro foi marcado por forte oscilação das temperaturas mínimas, com registros próximos de 0°C no início do mês. Mais recentemente, a média das mínimas voltou a cair e chegou a aproximadamente 4°C.
O episódio mais recente foi menos intenso do que o observado no começo de setembro. Para os próximos dias, o ECMWF prevê elevação das temperaturas, reduzindo o risco associado ao frio no curto prazo.
Enquanto a chuva começa a devolver umidade a áreas importantes do Centro Oeste e abre espaço para o avanço da safra de verão, a distribuição irregular das precipitações e o calor mantêm Mato Grosso sob observação. No Sul, o excesso de água combinado às baixas temperaturas exige maior atenção dos produtores de trigo.
Sustentabilidade
Rural Clima prevê avanço das chuvas e condições para plantio no Centro-Oeste em outubro – MAIS SOJA

As chuvas devem ganhar amplitude sobre o Centro-Oeste na virada de setembro para outubro, criando condições para o avanço do plantio, embora ainda com distribuição irregular. A avaliação é da agrometeorologista Ludmila Camparotto, da Rural Clima, que também alerta para possibilidade de temporais no Sul entre o fim de semana e o início da próxima semana.
Segundo Ludmila, áreas do oeste da Bahia, Tocantins, Piauí, Maranhão, Pará e norte de Mato Grosso já podem registrar pancadas nesta sexta-feira (25), ainda de forma irregular. No fim de semana, um sistema que avança pela Argentina em direção ao Uruguai e ao Rio Grande do Sul pode provocar chuvas mais intensas e temporais.
O alerta abrange áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Paraguai e sul de Mato Grosso do Sul. “Temos uma atmosfera bastante instável e com potencial para provocar alguns temporais”, afirmou. Há possibilidade de ventos fortes e, pontualmente, outros eventos associados a tempo severo.
Entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, o sistema deve avançar sobre áreas de Rondônia, Mato Grosso, São Paulo, sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e sul de Goiás, levando instabilidades para grande parte da região central.
Para a produção agrícola, Ludmila avalia que, apesar da irregularidade, as chuvas podem ser suficientes para permitir o início e o avanço do plantio em algumas áreas. “Acredito que dando condições ao avanço dos plantios, desenvolvimento, uma condição boa de desenvolvimento inicial das lavouras”, explicou.
Goiás aparece entre as áreas que podem iniciar os trabalhos de campo no começo de outubro. No entanto, a agrometeorologista ressalta que não são esperadas chuvas generalizadas e volumosas em todas as regiões. A irregularidade deve continuar ao longo do mês, com períodos de menor precipitação entre a segunda e a terceira semana de outubro.
No Sul, a tendência é de chuvas mais abrangentes e com maiores volumes. No Sudeste, as precipitações podem beneficiar culturas como café e citros, mas também dificultar a colheita de cana-de-açúcar e afetar hortaliças.
No Nordeste, algumas áreas do Matopiba e a faixa litorânea também podem receber chuvas, inicialmente de forma irregular e com volumes menores. A partir da segunda quinzena de outubro, a expectativa é de aumento gradual da abrangência das precipitações em áreas do norte de Minas Gerais e Bahia.
Fonte: Agência Safras
Autor:Pedro Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Ceema: Reação nas cotações e ajuste na oferta marcam o mercado do milho – MAIS SOJA

As cotações do milho ensaiaram uma reação neste último mês, saindo de US$ 5,10/bushel no dia 27/08 para US$ 5,43 no dia 21/09. Posteriormente, o mercado cedeu um pouco, com o bushel fechando a quinta-feira (24) em US$ 5,26, contra US$ 5,30 uma semana antes. Por sua vez, a média de agosto fechou em US$ 4,69/bushel, sendo ela 5,6% superior à média de julho.
O mercado externo do milho acusa pouca alteração diante de uma comprovada redução na safra dos EUA, cuja colheita já iniciou. O relatório do USDA, do dia 11/09, apontou uma produção final estadunidense em 401,3 milhões de toneladas, ficando ela 5,4 milhões de toneladas abaixo da projeção de agosto e 31 milhões abaixo da produção registrada no ano anterior. Já os estoques finais estadunidenses, para o ano 2026/27, ficariam em 39,8 milhões de toneladas, perdendo dois milhões em relação ao indicado em agosto.
A produção mundial ficaria em 1,290 bilhão de toneladas, sendo oito milhões de toneladas a menos do que o indicado em agosto. E os estoques finais mundiais atingem 272,1 milhões de toneladas, perdendo 2,5 milhões em relação a agosto.
Dito isso, a colheita do milho, nos EUA, atingia a 13% da área no dia 20/09, contra 11% na média histórica. Já os embarques semanais de milho, por parte dos EUA, na semana encerrada em 17/09, atingiram a 1,9 milhão de toneladas, superando o esperado pelo mercado. Este volume semanal foi o maior para esta semana nos últimos 44 anos. Japão e México responderam, juntos, por 58% do milho embarcado na semana indicada Em tal contexto, e mesmo diante das turbulências externas, é a pressão da colheita estadunidense que vem impedindo de as cotações do milho subirem mais.
O mercado, agora, acompanha se o clima nas regiões produtoras não venha atrapalhar a colheita estadunidense. Isso porque, segundo o USDA, o consumo mundial do cereal poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas em 2026/27.
E no Brasil, os preços internos também melhoraram, com as principais praças gaúchas trabalhando com R$ 61,00/saco, enquanto as demais regiões do país praticaram valores entre R$ 51,00 e R$ 66,00/saco.
Por enquanto, a exportação brasileira ainda enfrenta problemas no ritmo de negócios, pois os preços nacionais são menos competitivos do que os dos correntes. Espera-se que para meados de outubro a situação melhore. Isso porque, assim como no cenário mundial, o quadro nacional é de uma demanda firme, diante de uma oferta em recuo. Mas, a reação, se houver, não será linear, pois o mercado mundial precisa absorver a entrada da safra dos Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro acompanha o ritmo das exportações, o câmbio, a demanda interna e, principalmente, a disposição de venda dos produtores. Mesmo assim, se espera uma melhoria nos preços internos do cereal neste restante do segundo semestre. Tanto é verdade que, na B3, os contratos para o primeiro semestre de 2027 estão rondando os R$ 80,00/saco. Pelo sim ou pelo não, outubro será decisivo para dar uma direção ao mercado mundial e nacional do milho.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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