Business
Do campo ao cuidado: quando a soja transforma vidas

A rotina de Sebastião Fernando Jacinto, 55 anos, mudou completamente há cerca de dois anos e meio, quando recebeu o diagnóstico de câncer de próstata com metástase óssea. Entre sessões de radioterapia, quimioterapia e o acompanhamento da equipe médica, outro cuidado passou a fazer parte do tratamento: a alimentação. Pouco tempo depois de receber alta hospitalar, ele iniciou uma suplementação nutricional à base de proteína de soja.
Desde então, a bebida integra sua alimentação com acompanhamento da equipe de nutrição oferecida pela Associação dos Pacientes Oncológicos de Rondonópolis (APOR). Sebastião lembra da diferença que sentiu principalmente nos primeiros meses. “Essa fonte de proteína da soja deu muita energia no meu caso. Eu comecei a tomar vitaminas de manhã e à noite”.
Ao longo de oito sessões de radioterapia e dez de quimioterapia, ele percebeu que a suplementação ajudava a enfrentar os períodos de maior desgaste físico. “Você toma ela e não sente fraqueza. Você se sente alimentado”.
Hoje, o consumo ocorre conforme orientação da nutricionista da APOR, responsável por acompanhar sua evolução clínica. “Eu vou continuar tomando, mas faço acompanhamento com a nutricionista. Vou esperar a determinação da profissional. Hoje eu não tomo mais todos os dias, tomo duas vezes por semana”, comenta ao Canal Rural Mato Grosso.

Mais do que substituir o leite
Embora muitas pessoas associem a soja apenas à substituição do leite de vaca, o alimento vem conquistando espaço em diferentes estratégias nutricionais. Pessoas com alergia à proteína do leite, intolerância à lactose, algumas doenças gastrointestinais, além de vegetarianos e veganos, estão entre os públicos que podem se beneficiar do consumo.
De acordo com a nutricionista Laynara Porto Villas Bôas, a soja reúne características que fazem dela uma importante fonte de proteína vegetal. “A soja é uma excelente fonte de proteína vegetal de alto valor biológico, contendo aminoácidos essenciais”. Ela explica que, além da bebida, alimentos como tofu, proteína texturizada e proteína isolada também podem compor uma alimentação equilibrada.
Entre as bebidas vegetais disponíveis no mercado, a de soja é uma das que mais se aproxima do leite em relação ao teor de proteína. Ainda assim, a especialista orienta que o consumidor observe a composição do produto, dando preferência às versões sem excesso de açúcar e enriquecidas com cálcio e vitamina D.
A procura por proteínas vegetais também vem crescendo. Laynara observa que esse movimento tem levado a indústria a ampliar as opções disponíveis ao consumidor. “A soja deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ocupar um espaço importante na nutrição clínica e preventiva. O importante é avaliar a qualidade do produto, individualidade do paciente e o contexto alimentar como um todo”, frisa a especialista.
Ao mesmo tempo, ela destaca que muitos mitos ainda cercam o alimento. Um dos mais conhecidos envolve uma suposta alteração hormonal causada pelo consumo da soja. “Esses conceitos não são sustentados para o consumo alimentar habitual em pessoas saudáveis”, afirma.
Alimentação que devolve qualidade de vida
A mudança na alimentação também fez diferença para a terapeuta ocupacional Elaine Silvestre. Durante anos, ela conviveu com desconfortos intestinais, náuseas e estufamento sem descobrir a causa. Passou por cinco gastroenterologistas e realizou diversos exames até que, durante uma consulta com uma endocrinologista, recebeu o diagnóstico de intolerância à lactose.
A partir dali, alimentos preparados com leite passaram a ser substituídos por versões produzidas com bebida de soja e outras proteínas vegetais. “As bebidas geralmente são de soja. Gosto de algumas marcas. Há uma sem açúcar que uso quando eu quero fazer uma lasanha, um estrogonofe ou alguma coisa assim. E há uma outra que eu gosto mais para tomar no café da manhã com o café”, conta.
Ela explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que a mudança exigiu adaptação, mas os resultados apareceram rapidamente. “Desde que passei a ingerir a bebida à base de soja mudou muito minha vida. Total, eu não passo mal. Não tem estufamento, não sinto náusea mais”. A melhora permitiu que ela voltasse a ter uma rotina alimentar sem os desconfortos que enfrentava diariamente. “Se eu não como nada à base da lactose, só proteína da soja e os seus derivados, eu fico totalmente bem”.
A estudante Olívia Linhares, de 12 anos, ainda está vivendo esse processo de adaptação. A intolerância à lactose foi descoberta há poucos meses, depois que ela procurou atendimento médico por causa de dores e inchaço abdominal. “Achava que podia ser algo ligado ao glúten, porque uma amiga comentou que sentia o mesmo, mas para a minha surpresa o exame que deu intolerância foi o de lactose”, relata.
Depois do diagnóstico, ela passou a testar diferentes alternativas ao leite tradicional. Além das bebidas vegetais, começou a utilizar suplementos produzidos com proteína de soja para complementar a alimentação. “O médico falou que a proteína é essencial para a alimentação e o leite é uma, então busquei opções para fazer a substituição. Uma coisa que tenho testado para ajudar a complementar a ausência da proteína do leite é o Soy Protein, que é o mesmo que o Whey Protein, mas de soja. Gostei muito do sabor morango”, diz.
A adolescente conta que o maior desafio tem sido mudar hábitos presentes desde a infância. “É muito difícil ter que alterar a minha rotina alimentar, pois tudo praticamente leva leite”. Situações simples, como sair com as amigas para tomar um sorvete, passaram a exigir novas escolhas. “Aqui em Rondonópolis há locais que fazem zero lactose, mas parece que falta algo”.
Casos como os de Elaine e Olívia mostram uma realidade cada vez mais frequente nos consultórios. Para Laynara Porto Villas Bôas, a proteína da soja pode ser indicada não apenas como substituta do leite de vaca, mas também em dietas vegetarianas e veganas, em estratégias para aumentar o aporte proteico e como suporte nutricional em situações clínicas específicas. Ela ressalta, porém, que a recomendação deve considerar as necessidades de cada paciente e que pessoas com alergia à soja precisam evitar o alimento.

Nutrição que acompanha o tratamento
Na Associação dos Pacientes Oncológicos de Rondonópolis (APOR), a alimentação é tratada como parte do cuidado oferecido aos pacientes. A suplementação à base de proteína de soja integra esse acompanhamento quando há indicação clínica, sempre após avaliação individualizada da equipe de nutrição.
A nutricionista Emilly Mello explica que a suplementação contribui para aumentar o aporte calórico e proteico, favorecendo o ganho de peso e de massa muscular em pacientes que apresentam perda nutricional durante o tratamento. “Ela é uma suplementação que tem todos os aminoácidos, que ajuda no ganho de peso, no ganho de massa muscular, no aporte calórico e proteico”.
Ela observa que, em muitos casos, a proteína da soja também apresenta melhor tolerância digestiva do que a proteína do leite de vaca, especialmente entre idosos e pacientes submetidos a tratamentos oncológicos. “Às vezes, com o tratamento, a digestão fica mais prejudicada, então acaba que a proteína da soja acaba sendo uma alternativa melhor para eles”.
A indicação, porém, não é automática. Emilly explica à reportagem que cada paciente passa por avaliação nutricional e que alguns casos exigem maior cautela, como pessoas com alergia à soja ou pacientes com determinados tipos de câncer de mama receptor hormonal positivo. Nesses casos, a equipe analisa cuidadosamente a necessidade da suplementação antes da prescrição.
Além dos indicadores clínicos, a nutricionista acompanha a evolução dos pacientes no dia a dia. “A gente vê que ele já chega mais animadinho, está se locomovendo melhor, está conversando, está mais animado. Com a avaliação nutricional, a gente tem certeza que deu certo a suplementação”.
Da lavoura à mesa de quem mais precisa
Na APOR, o atendimento vai além do acompanhamento médico. A entidade oferece assistência multiprofissional a pacientes oncológicos de Rondonópolis e de outros 19 municípios da região, com serviços de fisioterapia, psicologia, nutrição, enfermagem, assistência social e reabilitação.
O presidente da associação, Antônio Miguel Weber dos Santos, lembra que a instituição nasceu em 2009, a partir da iniciativa de um grupo de voluntários sensibilizados com a situação de pessoas que precisavam se deslocar para tratamento. No início, o trabalho era voltado principalmente ao apoio social. Com o passar dos anos, a estrutura foi sendo ampliada até se transformar em um centro de atendimento multiprofissional.
Hoje, os pacientes chegam encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Quem regula as vagas é o SUS. Nós só prestamos o serviço”, explica Antônio. O atendimento é de segunda a sexta-feira e totalmente humanizado. A entidade possui Certificação de Entidade Beneficente (Cebas) e é a única de Mato Grosso a possuir a habilitação de Serviço de Referência em Diagnóstico Mamário – SDM Porte III do Ministério da Saúde dentro do SUS.
Foi nesse trabalho diário que a suplementação nutricional passou a ocupar um papel importante para parte dos pacientes acompanhados pela equipe.
A nutricionista Emilly Mello afirma que as doações de bebida de soja recebidas por meio do Agrosolidário, programa social da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso), passaram a fazer diferença justamente porque muitos pacientes não conseguem comprar suplementos alimentares durante o tratamento. “Tem sido de grande ajuda essa doação, porque nem todo paciente tem como comprar as suplementações que a gente passa geralmente”.
Ela explica que, muitas vezes, o tratamento provoca perda de peso e de massa muscular, tornando a suplementação uma aliada importante da recuperação. Quando esse alimento chega por meio de doações, o paciente consegue manter o acompanhamento nutricional por mais tempo.
O agro que chega à cidade
Criado pela Aprosoja Mato Grosso há 16 anos, o Agrosolidário destina a bebida produzida a partir da soja através do “Soja é Vida” para hospitais, casas de apoio, creches, escolas, instituições sociais e entidades que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. O projeto, além da bebida de soja, também fornece apoio financeiro por meio de programas sociais e culturais pelas vertentes ‘Soja é Cultura’, ‘Soja é Esporte’ e ‘Soja Social’.
Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, a iniciativa demonstra que a cadeia produtiva da soja pode gerar impactos que vão além da economia.
“A soja é uma proteína de altíssima qualidade. Hoje, se você pegar o extrato da soja, ele chega próximo a 50%, algo em torno de 46% do teor de proteína. Isso faz com que tenha um alto poder nutricional comparado com a carne que em média tem de 20 a 25%, ou seja, ajuda as pessoas no ganho de massa muscular, principalmente para idosos, para mulheres”.
Ele pontua ainda que no caso das mulheres, para além da alimentação, há medicamentos que levam soja em suas composições. “É um alimento que é riquíssimo, muito utilizado na Ásia e agora no Ocidente também cada vez mais tem crescido a demanda e o seu consumo”, salienta ao Canal Rural Mato Grosso
Segundo o presidente da Associação, o Agrosolidário nasceu justamente para aproximar essa produção de quem mais precisa. “O Agrosolidário é uma contribuição dos produtores através da Aprosoja diretamente, onde parte do nosso orçamento é reservado para fazer esses trabalhos sociais”.
Lucas destaca que milhares de pessoas já foram beneficiadas pelas doações realizadas desde a criação do programa e afirma que a expectativa é ampliar esse alcance nos próximos anos.
A vertente mais conhecida do programa Agrosolidário é a “Soja é Vida” devido às doações da bebida de soja. Somente no primeiro semestre de 2025, de acordo com informações da entidade, o projeto já enviou mais de 16 mil unidades de bebidas de soja, para cerca de 79 instituições de Mato Grosso e o Distrito Federal.
A bebida de soja é em pó e pode ser preparada com água, além de ser utilizada no preparo de vitaminas e diversas receitas, como bolos, tortas e dentre outras. A bebida está disponível nos sabores natural, chocolate, morango, uva, banana, maracujá e laranja.
Sebastião Fernando Jacinto talvez nunca tenha imaginado que um dos principais grãos produzidos em Mato Grosso faria parte da própria recuperação. Ao recordar o período mais difícil da doença, ele resume o significado que aquela bebida passou a ter em sua vida. “Ela te dá um ‘up’”.
Do campo onde a soja é cultivada até a mesa de pacientes em tratamento, pessoas com intolerância à lactose e instituições que oferecem assistência em saúde, o grão percorre um caminho que vai muito além da produção agrícola. Em Mato Grosso, ele também chega às cidades como alimento, cuidado e qualidade de vida.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Do campo ao cuidado: quando a soja transforma vidas apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Soja pode perder 55% da produtividade sem controle de pragas e doenças, aponta estudo

Estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a Croplife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas, mostrou que as lavouras de soja no país teriam perdas de até 55% na produtividade, caso não fossem protegidas contra pragas, doenças e ervas daninhas.
De acordo com a pesquisa, uma redução da produção poderia causar impactos negativos na economia brasileira e nos preços de produtos ao consumidor.
A soja, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responde, junto com o milho e a cana-de-açúcar, por 76% do consumo de defensivos no Brasil.
Doenças nas lavouras
O estudo feito pela Universidade Federal de Viçosa trabalhou com simulações envolvendo quatro doenças (entre elas a ferrugem-asiática e a mancha-alvo), cinco pragas (como a mosca-branca) e nove plantas daninhas.
Os pesquisadores analisaram três cenários, lavouras sem qualquer controle de pragas, com controle parcial (que garantiria até 40% de proteção da plantação) e com controle ótimo (80% de proteção).
A universidade estimou que, com controle ótimo, a produtividade por hectare pode chegar a 72 sacas. O controle parcial garantiria uma produtividade de 52 sacas, ou seja, 28% a menos que o controle ótimo. Sem qualquer controle, seria de apenas 32 sacas, o que significa uma perda de 55%.
Com isso, de acordo com o estudo, para compensar as perdas com a falta de controle fitossanitário, seria necessário plantar uma área adicional de 33,5 milhões de hectares, ou seja, quase do tamanho do estado de Goiás. A perda média, em cenário sem manejo (na comparação), chegaria a 121,3 milhões de toneladas, com um valor estimado de R$ 223,5 bilhões.
Com o cenário de controle ótimo, a receita brasileira simulada com exportações de soja chega a US$ 44,2 bilhões. Sem controle, recua para US$ 26,6 bilhões, uma diferença potencial de US$ 17,6 bilhões por safra, segundo o estudo.
A redução da oferta poderia gerar uma alta estimada no preço da soja de até 49%. Haveria, com isso, um aumento de cerca de 0,26 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo IPCA, uma vez que a alta da soja teria impactos nos preços de produtos como óleo, leite e ovos.
“Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final, por exemplo, de óleo de soja e do farelo, que é um subproduto da soja. Consequentemente, ia ter uma mudança no preço da carnes, carnes de porco, de frango, porque tudo isso está na cadeia de produção da soja”, destaca a pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho.
O estudo considera quatro métodos de controle fitossanitário, que podem ser usados para evitar perdas nas lavouras: a biotecnologia (como os organismos geneticamente modificados), o melhoramento genético, os bioinsumos e os defensivos químicos, além do manejo integrado, que mistura dois ou mais desses métodos.
Business
Licenciamento ambiental para arroz irrigado é alvo de disputa judicial em SC

A exigência de licenciamento ambiental para o cultivo de arroz irrigado em Santa Catarina é alvo de uma disputa judicial que envolve produtores rurais, cooperativismo e Ministério Público. O setor produtivo teme aumento de custos e burocracia, enquanto o órgão defende medidas para prevenir possíveis impactos ao solo, à água e à vegetação.
O julgamento da ação no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) foi suspenso em 21 de outubro, após um pedido de vista. O relator apresentou voto parcialmente favorável ao pedido do Ministério Público, mas a análise ainda não foi concluída.
Produtores temem aumento de custos
Em Jaguaruna, no sul catarinense, o produtor rural Márcio Goulart Rebelo cultiva cerca de 120 hectares de arroz em uma propriedade familiar. Ele afirma que já precisa cumprir exigências relacionadas ao uso da água e à irrigação e avalia que a retomada do licenciamento pode elevar os custos da atividade.
“Essa licença ambiental, se voltar, só gera custo para nós, gera custo, transtorno, oneração. Então fica ruim, né? A gente já está desmotivado, custo alto, preço baixo”, afirma.
Santa Catarina produziu cerca de 1,3 milhão de toneladas de arroz na safra 2024/2025, em aproximadamente 145 mil hectares.
Para o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, a discussão precisa considerar os controles ambientais já aplicados à atividade e as características das propriedades familiares.
“A atividade já está submetida a diversos controles ambientais. Exigir uma nova licença sem comprovação técnica de sua necessidade significa aumentar custos e criar insegurança a quem produz”, afirma.
Segundo Zanatta, a exigência pode comprometer a continuidade de algumas propriedades, dificultar a sucessão familiar no campo e elevar o custo dos alimentos para o consumidor.
Ministério Público aponta riscos ambientais
A discussão judicial começou após a Resolução 250/2024 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) retirar o cultivo de arroz irrigado por inundação e os canais de irrigação da lista de atividades sujeitas ao licenciamento ambiental.
Em junho de 2026, uma nova resolução do conselho voltou a incluir essas atividades na lista. Para o cultivo de arroz, porém, foi prevista uma exceção para áreas consolidadas de pequenas propriedades rurais.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) questiona na Justiça a mudança que dispensou o licenciamento e aponta possíveis impactos ambientais decorrentes da atividade.
De acordo com o procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MPSC, Isac Belota Sabbá Guimarães, a abertura de canais de irrigação pode exigir a retirada de mata ciliar e a movimentação do solo, além de representar riscos à fauna e à flora.
“Ninguém está aqui querendo dificultar a atividade do rizicultor, longe disto, mas apenas cuidar da prevenção, cuidar do meio ambiente”, afirma.
Ministério Público admite alternativa técnica
O procurador avalia que o órgão ambiental pode apresentar uma alternativa técnica ao licenciamento, desde que seja capaz de prevenir os impactos ambientais. Ele também defende mais agilidade nos procedimentos de fiscalização.
“A própria apresentação pelo órgão ambiental de um parecer técnico que formule um meio adequado de substituir o licenciamento. Há alguma forma de prevenir impactos ambientais? Se o Consema nos apresentar isto, eu creio que será muito satisfatório”, diz.
Guimarães acrescenta que os procedimentos do órgão fiscalizador precisam ser mais ágeis, para evitar sobrecarregar os produtores rurais.
O julgamento no TJSC permanece suspenso, sem decisão definitiva sobre a ação. A reportagem procurou o Consema para esclarecer a aplicação das regras e a posição do conselho, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Business
Pesquisa aponta que truta de cor amarela pode ser mais produtiva que variedade comum

Na criação de peixes, a regra geral é que os animais que mantêm a coloração original da espécie (linhagem selvagem) sejam mais robustos e cresçam mais do que variantes com mutações genéticas como o albinismo, que muitas vezes prejudicam o desenvolvimento. No entanto, um experimento do Instituto de Pesca com trutas-arco-íris (Oncorhynchus mykiss) revelou uma exceção a esse padrão biológico.
Os pesquisadores descobriram que a truta amarela (fruto de cruzamento com a linhagem albina) ultrapassa no longo prazo o peso da linhagem selvagem, que é parda com pintas pretas.
Embora essa variedade comum do peixe cresça mais rápido nos primeiros meses de vida, a amarela acelera na reta final e atinge cerca de 300 gramas no ponto de abate comercial, superando com folga os 237 gramas da truta selvagem e os meros 145 gramas da variante albina (totalmente branca).
“O desempenho do fenótipo amarelo foi uma surpresa, porque o selvagem é normalmente o que cresce mais. Os animais albinos geralmente têm uma menor eficiência na conversão de alimento em músculo e em outros parâmetros.
A selvagem até cresceu mais no início do experimento, mas o crescimento desacelerou após 120 dias”, conta Vinicius Vasconcelos Silva, primeiro autor do estudo, realizado durante seu doutorado no Instituto de Pesca e na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), em Pirassununga.
O estudo integra o projeto “Avaliação do crescimento muscular de linhagens de trutas-arco-íris”, coordenado por Vander Bruno dos Santos, pesquisador do Instituto de Pesca.
“A diferença na coloração tem potencial para aquicultura, podendo gerar diferentes produtos a partir da mesma espécie, mas principalmente para a pesca esportiva. Existe uma demanda por peixes diferentes em estabelecimentos de pesque e pague”, afirma Santos.
Os experimentos foram realizados no Núcleo Regional de Pesquisa em Salmonicultura Dr. Ascânio de Faria, em Campos do Jordão, unidade do Instituto de Pesca mais adequada para o cultivo de espécies de clima temperado.
Como foi o experimento
Os animais foram criados em tanques com a mesma temperatura, qualidade de água e alimentação. Eles foram pesados aos 60, 120, 180 e 270 dias. Nessa reta final, as trutas costumam atingir o tamanho padrão de consumo no Brasil (cerca de 250 gramas), ideal para uma porção individual.
Todos os filhotes (alevinos) avaliados nasceram do cruzamento de cinco machos brancos com 80 fêmeas comuns (pardas com pintas pretas). A reprodução foi feita em laboratório, misturando manualmente os óvulos e o esperma.
No total, nasceram cerca de 8.200 peixes, divididos de forma equilibrada entre as cores branca, amarela, azul-cobalto e a comum. Para as avaliações de peso, os cientistas selecionavam 90 animais de cada cor.
Até o quarto mês de vida, a truta comum foi a que ganhou mais peso, chegando a 54 gramas em média, contra apenas 33 gramas da branca (que teve o pior resultado em todas as fases). No entanto, aos seis meses, o jogo virou: enquanto a comum estava com 119 gramas, a amarela assumiu a ponta com 123 gramas, diferença que se ampliou até o final da pesquisa.
O papel dos genes de cor
As causas para o baixo desenvolvimento das trutas brancas ainda são investigadas, mas estudos anteriores já apontaram algumas hipóteses. Um estudo apoiado pela Fapesp e publicado em 2020 na revista Plos One mostrou que as trutas azuis e brancas têm a hipófise menor. Essa glândula é o “motor” que regula o metabolismo e o crescimento.
“Outros trabalhos sugerem que os genes ligados à cor podem afetar negativamente tanto o crescimento quanto as defesas do organismo”, lembra Santos.
Segundo essas pesquisas, a falta de melanina na pele (característica do albinismo) prejudica a ação de um hormônio envolvido não só na cor, mas também na inflamação, na fome e na energia. Isso afeta o apetite, a resposta ao estresse e a imunidade do peixe.
Superar essas limitações genéticas e produtivas é essencial para expandir o mercado nacional de trutas, que hoje atende a um público fiel com uma produção de cerca de 1,6 mil toneladas anuais.
Para agregar valor e atrair novos consumidores, os pesquisadores também apostam no potencial da “truta salmonada” que ganha cor e propriedades nutricionais parecidas com as do salmão por meio de uma ração especial. O grupo do Instituto de Pesca trabalha agora para aumentar o valor nutricional da espécie.
Featured19 horas agoCorpo de Bombeiros de MT divulga orientações de segurança para motoristas no feriado de Finados
Sustentabilidade19 horas agoAnálise semanal do mercado da soja: cotações, em Chicago, continuaram derretendo nesta última semana de outubro – MAIS SOJA
Business21 horas agoProjeto cria política de proteção climática para agricultura familiar
Business20 horas agoo que esperar do governo Lula para o agronegócio?
Sustentabilidade17 horas agoAnálise semanal do mercado: em pouco mais de um mês o milho perdeu quase um dólar de seu valor em Chicago. – MAIS SOJA
Featured20 horas agoRoubos de veículos caem 22,3% em Mato Grosso entre janeiro e setembro
Business22 horas agoFruticultura avança 29% em Minas Gerais em dez anos, aponta Emater-MG
Featured17 horas agoPM apreende 386 porções de drogas e prende dois suspeitos em Juína
















