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MP amplia renegociação de dívidas, mas setor diz que medida ainda não resolve endividamento

A Medida Provisória nº 1.376, publicada pelo governo federal em edição extra do Diário Oficial da União na noite de quarta-feira (15), cria um novo programa de renegociação de dívidas para produtores rurais e cooperativas afetados por perdas recorrentes causadas por eventos climáticos extremos e pela queda da renda no campo. O texto amplia as possibilidades de renegociação, autoriza a criação de um fundo garantidor para o crédito rural e incorpora propostas defendidas por entidades do setor produtivo.
Apesar dos avanços, a avaliação das entidades ligadas ao setor produtivo é de que a medida ainda não representa uma solução definitiva para o endividamento acumulado nos últimos anos. Entre os principais pontos de preocupação estão a manutenção do pagamento dos juros durante o período de carência, os limites financeiros das linhas de renegociação e critérios que podem restringir o acesso de parte dos produtores aos benefícios.
As novas regras ainda dependem de regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN), mas a expectativa é de que ofereçam um alívio para produtores que enfrentam dificuldades financeiras após sucessivas perdas de renda.
O presidente da Aprosoja Mato Grosso e da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, afirma que a publicação da medida atende parte das reivindicações apresentadas pelas entidades, mas considera que o texto ainda precisa ser aperfeiçoado durante a tramitação no Congresso Nacional.
“O produtor precisava de uma resposta imediata, e parte dessa resposta chegou com a publicação da Medida Provisória. Reconhecemos os avanços incorporados ao texto, muitos deles defendidos pelas entidades representativas do setor. Mas o problema do endividamento rural ainda não foi solucionado de forma definitiva”.
Novas regras ampliam possibilidades de renegociação
A MP estabelece condições diferentes conforme a intensidade das perdas registradas entre 2019 e 2025.
Na regra geral, produtores e cooperativas que comprovarem redução de pelo menos 30% da renda bruta em duas ou mais safras, provocada por eventos climáticos extremos ou pela queda dos preços agrícolas, poderão renegociar suas operações em até oito anos. A primeira parcela do principal será paga após dois anos, mas os juros continuarão sendo cobrados durante todo o período de carência.
As taxas serão de 6% ao ano para operações do Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais produtores, com limites de R$ 400 mil, R$ 2 milhões e R$ 4 milhões, respectivamente.
Nos casos de perdas mais severas — redução mínima de 40% da renda bruta em três ou mais safras em decorrência de eventos climáticos extremos — o prazo poderá chegar a dez anos. As taxas passam para 5% no Pronaf, 8% no Pronamp e 11% para os demais produtores, com limites de R$ 500 mil, R$ 2,5 milhões e R$ 8 milhões.
A medida também contempla operações de investimento, custeio, comercialização e industrialização que atendam aos critérios previstos no texto, incluindo financiamentos contratados até o fim de 2025 e operações que se tornaram inadimplentes a partir de 2024.
Endividamento continua preocupando o setor
Embora veja avanços na proposta, o setor produtivo avalia que o cenário financeiro dos produtores ainda exige medidas mais amplas.
Em Mato Grosso, dados apresentados pela Famato mostram que cerca de 5% do crédito rural está inadimplente, o equivalente a aproximadamente R$ 5,25 bilhões. Para o superintendente da Famato, Imea e AgriHub, Cleiton Gauer, esse percentual não representa todo o nível de endividamento existente no Estado.
“O cenário hoje no estado de Mato Grosso é de cerca de 5% do crédito inadimplente, que totaliza cerca de R$ 5,25 bilhões. O que chama a atenção é que esse dado é inferior ao dado Brasil, mas ele não necessariamente se explica de maneira tão simples”, afirmou em recente entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. A taxa de inadimplência no crédito rural no Brasil atingiu 7,4%, conforme os últimos dados do Banco Central.
Segundo Gauer, parte dos financiamentos utilizados pelos produtores ocorre fora das linhas registradas pelo Banco Central. “O produtor se financia de outras formas, principalmente com o mercado financeiro, e nem todo esse crédito passa por dentro do Bacen. Então ele pode não estar sendo contabilizado e pode também ter um número maior que nós observamos nesse índice”.
O superintendente observa que o quadro se torna mais preocupante quando são considerados outros indicadores de crédito. “Quando a gente soma esses três tipos de indicadores, nós temos cerca de 18% aqui no estado de Mato Grosso que realmente é um ativo problemático e que principalmente essa dívida vai passar para frente para as próximas safras, para que o produtor consiga cumprir e honrar os seus compromissos”.
Fundo garantidor abre caminho para ampliar acesso ao crédito
Além das regras de renegociação, a Medida Provisória autoriza a criação de um fundo garantidor para operações de crédito rural, mecanismo que pode facilitar a concessão de financiamentos ao dividir parte do risco entre governo, instituições financeiras e produtores.
A proposta prevê a participação da União como cotista do fundo, juntamente com produtores rurais, bancos e outros entes federativos. De acordo com o Ministério da Fazenda, o aporte inicial federal poderá chegar a R$ 2 bilhões.
A expectativa do setor é que, com a divisão do risco das operações, as instituições financeiras reduzam a exigência de garantias e ampliem a oferta de crédito aos produtores. A avaliação, no entanto, é que o alcance do mecanismo dependerá da regulamentação e da forma como o fundo será capitalizado.
Para a Aprosoja Mato Grosso, o instrumento teria efeito mais amplo se fosse permanente e pudesse atender produtores em diferentes momentos de dificuldade financeira, não apenas aqueles atingidos por eventos climáticos extremos. A entidade defende que o fundo também sirva como suporte em períodos de queda dos preços agrícolas, aumento dos custos de produção e restrição de crédito.
Texto ainda deve passar por aperfeiçoamentos
Além da criação do fundo garantidor, a MP prevê que as operações renegociadas sejam tratadas como novos financiamentos para fins de classificação de risco, reduzindo o impacto negativo da renegociação sobre o histórico de crédito do produtor. O texto também autoriza a revisão das garantias, permitindo sua redução quando houver excesso em relação ao saldo devedor ou sua complementação quando necessário.
Mesmo com essas mudanças, as entidades defendem ajustes durante a tramitação da medida provisória no Congresso Nacional, principalmente em relação ao pagamento dos juros durante a carência e aos limites estabelecidos para as linhas de renegociação.
Lucas Costa Beber afirma que o trabalho continuará nas próximas etapas de discussão da proposta. “Continuaremos trabalhando para aperfeiçoar a medida durante sua tramitação no Congresso e construir uma política permanente de crédito rural que preserve a capacidade de investimento, produção e geração de alimentos no Brasil”.
Enquanto o CMN não regulamenta a operacionalização das novas linhas, a orientação é para que os produtores procurem suas instituições financeiras, verifiquem o enquadramento nas regras da MP e solicitem simulações completas antes de aderirem às operações de renegociação.
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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.
No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.
Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.
Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.
Umidade do solo entra na decisão
O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.
O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.
“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.
A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.
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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.
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As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.
Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.
Exportação disputa arroz com indústrias
Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.
O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.
Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul
A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.
Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.
Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.
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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.
Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.
Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.
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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.
No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.
Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.
Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.
Fonte: Estadão Conteúdo
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