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17 de julho de 2026

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EUA devem confirmar novo tarifaço contra o Brasil; como fica o agro?

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Foto: Pixabay

O governo dos Estados Unidos deve confirmar a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros, mas sinalizou um aumento da lista de exceções, conforme apuração da CNN Brasil. A informação foi transmitida pelo chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, a interlocutores do governo brasileiro.

Segundo esses interlocutores, Greer indicou que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final sobre as novas taxas. O avanço da medida ocorre após o encerramento das negociações bilaterais na terça-feira (14), em Washington.

De acordo com os relatos obtidos pela CNN, o representante do USTR deu as discussões por encerradas e queixou-se da postura do Brasil.

A mobilização de emergência das entidades do agro

O “novo tarifaço”, proposto pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA coloca em jogo bilhões de dólares em exportações e mobiliza as principais lideranças do agronegócio nacional.

Na semana passada, a iminência do prazo final desencadeou uma série de reuniões estratégicas de emergência entre os principais representantes dos exportadores brasileiros e as autoridades de comércio exterior.

Os debates contaram com forte participação de lideranças nacionais, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), além de entidades do setor cafeeiro, como o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Juntas, as representações setoriais intensificaram a articulação junto ao governo federal e à embaixada americana para tentar mitigar os impactos das possíveis barreiras. O foco dessas discussões na última semana foi duplo:

  1. Defesa contra bitributação: Alinhar os argumentos jurídicos que contestam a legalidade das investigações americanas.
  2. Mitigação de riscos colaterais: Avaliar o impacto das barreiras sobre o fluxo logístico e buscar alternativas de mercado internacional, caso as taxas sejam aplicadas.

Essas entidades reforçaram que a imposição de barreiras desestruturaria cadeias de suprimentos globais que dependem diretamente da regularidade e da alta qualidade do produto brasileiro.

O que está em jogo na decisão de hoje?

A proposta atual do governo norte-americano prevê uma tarifa adicional de 25% baseada em alegações de práticas comerciais desleais. No entanto, o cenário monitorado de perto pelas entidades do agro ao longo da última semana aponta para um risco ainda mais severo:

  • A sobretaxa de 25%: Tarifa base sob a Seção 301.
  • O adicional de 12,5%: Uma segunda frente de investigação, focada em supostas fragilidades brasileiras no combate ao trabalho forçado, pode somar mais 12,5% de imposto.
  • Pior cenário: Caso as duas tarifas sejam cumulativas, os produtos brasileiros afetados poderão enfrentar uma barreira alfandegária de até 37,5%.

Exceções e pressão no limite do prazo

Apesar da postura agressiva de Washington, a intensa articulação diplomática e o peso de entidades, como o Cecafé, ajudaram a blindar setores estratégicos.

No desenho atual do projeto, itens fundamentais do agronegócio nacional, como o café verde e a carne bovina, além de peças de aeronaves e terras raras, foram mantidos fora da lista de produtos diretamente afetados pela sobretaxa de 25%.

Por outro lado, o setor de café solúvel, derivados de cana-de-açúcar, madeira e rochas ornamentais (como granito e ardósia) seguem sob forte ameaça na decisão que será anunciada em definitivo nas próximas horas.

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Estudo projeta mais 1,4 milhão de hectares desmatados sem Moratória da Soja

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Um artigo publicado na revista Science aponta que o fim da Moratória da Soja pode resultar no desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos. Segundo o estudo, o volume representa 14% acima das taxas históricas de desmatamento. As ações judiciais sobre o tema devem voltar à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto.

De acordo com os autores, essa perda florestal produziria cerca de 745 milhões de toneladas de CO2 equivalente, volume comparado no estudo ao total das emissões anuais do Canadá. A Moratória da Soja é um acordo voluntário entre empresas, sociedade civil e governo que impede a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia a partir de 2008.

O trabalho reúne pesquisadores do WWF Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e de instituições universitárias de Wisconsin e Illinois, nos Estados Unidos. A publicação também indica que o fim do acordo pode ampliar a pressão sobre regiões com potencial de expansão agrícola e vulneráveis à especulação fundiária. A estimativa apresentada é de impacto potencial sobre até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas, especialmente em áreas com perspectiva futura de expansão de infraestrutura.

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Os autores também analisaram os efeitos já observados da Moratória da Soja. Nos primeiros dez anos, o mecanismo reduziu em 35% o desmatamento em áreas de risco para expansão da soja, com perda florestal evitada estimada em 1,8 milhão de hectares.

No campo econômico, o estudo avaliou o argumento de que o acordo teria limitado oportunidades para produtores. Os dados indicam impactos diretos restritos: cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente depois de 2008, e a maior parte não estava localizada em propriedades produtoras de soja. A pesquisa também identificou 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e aptas para a cultura na Amazônia.

Os pesquisadores compararam ainda os preços pagos aos produtores em municípios abrangidos pela Moratória e em regiões vizinhas não submetidas ao acordo. Segundo o estudo, o mecanismo não afetou a remuneração dos produtores nem provocou distorções de mercado.

No campo jurídico, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou em 5 de janeiro de 2026 a desfiliação oficial da Moratória da Soja. Em junho, terminaram as negociações conduzidas no STF, e as quatro ações que contestam a legalidade do pacto foram devolvidas aos ministros relatores para julgamento. O plenário da Corte deve começar a analisar os processos no dia 12 de agosto, incluindo a liminar do ministro Flávio Dino e as ações sobre a validade de uma lei de Mato Grosso ligada a incentivos fiscais e doações de terrenos públicos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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Queda de 95% na produção de laranjas na Flórida trouxe lições de combate ao greening a SP

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Foto: David Bartels/ USDA-APHIS

A Flórida foi referência mundial em citricultura por décadas. Na safra 2003/04, por exemplo, a produção foi de 242 milhões de caixas de laranja. Pouco mais de 20 anos depois, a projeção para a temporada 2025/26 é de 12,9 milhões de caixas, queda de 95%.

O greening, doença sem cura que compromete os pomares, foi o principal responsável por esse colapso. Agravada por eventos climáticos extremos, a doença expulsou produtores da atividade e transformou uma potência citrícola em dependente de suco importado.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, ressalta que o alerta norte-americano pesa diretamente ao território paulista. Na safra atual, o cinturão citrícola paulista e do Triângulo/Sudoeste Mineiro produziu 292,94 milhões de caixas, cerca de 76% da produção brasileira estimada.

“O Brasil responde por mais de 70% das exportações mundiais de suco de laranja, com São Paulo no centro dessa cadeia. Proteger os pomares paulistas é defender uma liderança construída com pesquisa, capacidade industrial e organização produtiva”, destaca.

Ele lembra que em novembro de 2023, a gestão paulista instituiu o Comitê Estadual de Combate ao Greening, reunindo cinco secretarias, institutos de pesquisa e o setor produtivo.

Melo Filho diz que pela linha do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap Combate ao Greening), foram liberados R$ 6,9 milhões no ciclo 2024/25 para a renovação de pomares. A atuação envolve ainda universidades, a Fapesp e, como parceiros privados, o Fundecitrus e o CitrusBR.

Na frente científica, o CPA Citros mobiliza R$ 90 milhões, em aportes públicos e privados, para acelerar novas soluções de manejo. “Um dos pilares dessa estrutura é o Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, que reúne o maior banco de germoplasma de citros do país”, enfatiza.

Fiscalização de mudas

O secretário afirma que também houve reforço na fiscalização. Segundo ele, em 2025, a Defesa Agropecuária esteve em mais de 17,5 mil estabelecimentos e retirou de circulação mais de 60,3 mil mudas. Nos casos previstos em lei, houve a eliminação de plantas contaminadas para proteger pomares vizinhas.

Conforme Melo Filho, foram destinados R$ 3,6 milhões para a contratação de novas equipes de fiscalização e monitoramento, com atuação regionalizada.

As regras são adaptadas à realidade de cada região. Em maio de 2026, São Paulo tornou obrigatório o cadastro das propriedades com plantas cítricas e criou o monitoramento quinzenal do psilídeo, inseto que é o principal vetor do greening.

Desta forma, os municípios são classificados pela incidência da doença. Atualmente, 75% deles são classificados como locais de alta incidência para a doença. Assim, regras mais amplas são aplicadas onde é baixa e normativas mais concentradas em plantas jovens onde é alta.

“Esse conjunto de medidas está freando o greening em São Paulo. Em 2025, pelo segundo ano consecutivo, houve desaceleração no ritmo de crescimento: o aumento anual caiu de 55,9%, entre 2022 e 2023, para 16,5%, entre 2023 e 2024, e 7,4%, entre 2024 e 2025”, enumera o secretário.

De acordo com ele, nos pomares mais jovens, a incidência caiu 51,4% nas plantas de zero a dois anos e 17,1% nas de três a cinco anos, reflexo de mais cuidado na escolha das áreas de plantio e melhor controle do inseto vetor.

Melo Filho enfatiza que defender a citricultura é proteger empregos, investimentos e a capacidade brasileira de abastecer o mundo. “O exemplo da Flórida mostrou o custo de agir tarde”, constata.

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Pesquisadora do Inpa recebe prêmio internacional por estudo com samburá de abelha amazônica

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Foto: divulgação/
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)

A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi a vencedora do prêmio MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy, concedido pela International Bee Research Association (Ibra).

O reconhecimento veio pela publicação do artigo “Suplementação com o samburá reduz a glicose de jejum e modula a microbiota intestinal em modelo animal de obesidade induzida” e pela avaliação da sua produção científica por uma comissão composta por um pesquisador representante de cada continente.

A cerimônia ocorreu no dia 18 de junho, durante o encerramento do ISSB IBRA 2026 – International Symposium on Stingless Bees, realizado online, na Grécia. O prêmio é concedido a jovens cientistas que se destacam pela excelência científica no estudo dos produtos das abelhas sem ferrão.

Sobre o estudo

O estudo pré-clínico é o primeiro a demonstrar que o samburá (o pólen das abelhas sem ferrão) produzido por uma espécie de abelha amazônica reduz a glicemia de jejum e modula bactérias específicas do intestino em modelo animal de obesidade.

“A modificação da microbiota intestinal foi associada à melhoria do metabolismo sistêmico da glicose, indicando grande potencial do samburá para uso por pessoas com diabetes”, explica Kemilla Sarmento.

Para a pesquisadora, o prêmio é um incentivo para ampliar os estudos sobre produtos de abelhas sem ferrão, ainda pouco explorados no Brasil e no mundo.

“Não tem muitas pesquisas sobre o samburá, embora a gente tenha mais de 500 espécies de abelhas sem ferrão no mundo todo. O potencial é enorme aqui na Amazônia. O Amazonas é o estado com a maior diversidade de abelhas sem ferrão, então ainda há muito a conhecer sobre o samburá de cada espécie. Me sinto muito feliz e honrada em receber esse prêmio”, comemorou.

O Inpa mantém uma coleção viva de abelhas sem ferrão e uma linha de pesquisa sobre produtos de abelhas nativas, com foco em nutrição, saúde e bioeconomia.

Trajetória

A pesquisadora Kemilla Rebelo ingressou no Inpa há cerca de um ano, trazendo uma carreira acadêmica consolidada como docente da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

A pesquisa que resultou em sua premiação é fruto de sua trajetória e foi desenvolvida ao longo de sua formação doutoral na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), período em que realizou parte dos estudos na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Sua trajetória contou com o apoio de reconhecidas instituições de ciência e tecnologia, incluindo a concessão de bolsa pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

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