Business
Alerta: atrasos no seguro rural podem elevar custos ao produtor, diz FGV Agro

Os atrasos nos pagamentos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) podem provocar um efeito em cadeia que vai muito além das seguradoras. É o que aponta uma a técnica do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), da FGV Agro, referente a julho.
Segundo o estudo, a falta de previsibilidade nos repasses do governo federal coloca em risco o funcionamento do programa e pode resultar em seguros mais caros e menor acesso dos produtores à proteção contra perdas climáticas.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
De acordo com a análise, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ainda tinha cerca de R$ 141 milhões pendentes de pagamento às seguradoras referentes a apólices contratadas em 2025. Como as empresas concedem o desconto da subvenção ao produtor no momento da contratação e só depois recebem o reembolso do governo, o atraso faz com que elas precisem bancar temporariamente esse valor.
Como isso afeta o produtor?
Na prática, o estudo explica que a insegurança financeira pode fazer as seguradoras reverem sua atuação no mercado. Entre as possíveis consequências estão:
- redução da oferta de seguros;
- prêmios mais caros;
- critérios mais rígidos para contratação;
- menor cobertura para determinadas culturas e regiões.
Em alguns casos, caso o governo não confirme o pagamento da subvenção, a seguradora pode até cobrar posteriormente do produtor a parte do prêmio que havia sido descontada no momento da contratação, conforme previsto nas condições contratuais da apólice.
Problema vai além do orçamento
A nota técnica afirma que a principal fragilidade não está apenas na falta de recursos, mas também na forma como o programa funciona.
Hoje, o prazo para o governo pagar a subvenção começa a contar somente após uma etapa administrativa realizada no sistema do programa. Segundo os autores, isso permite que o pagamento seja adiado mesmo depois de o seguro já ter sido contratado pelo produtor, aumentando a incerteza para todo o mercado.
Além disso, a FGV Agro destaca que os cortes no orçamento do PSR reduziram significativamente os recursos disponíveis em 2026, justamente quando ainda havia pagamentos pendentes do ano anterior.
Risco para toda a cadeia do agro
O estudo ressalta que a instabilidade não afeta apenas produtores e seguradoras. Corretores, resseguradoras, cooperativas e instituições financeiras também dependem da previsibilidade do programa para operar.
Segundo a nota, quando o governo atrasa os pagamentos ou reduz os recursos do seguro rural, aumenta a percepção de risco do mercado. Como consequência, o custo do seguro tende a subir e a disponibilidade de cobertura pode diminuir, reduzindo a proteção da atividade agropecuária diante de eventos climáticos extremos.
Recomendações
Para reduzir o risco institucional do PSR, a FGV Agro recomenda:
- regularizar os pagamentos pendentes das apólices de 2025;
- divulgar um cronograma público dos pagamentos;
- aumentar a transparência sobre a execução orçamentária do programa;
- revisar as regras contratuais para tornar os prazos de pagamento mais objetivos;
- recompor o orçamento do seguro rural e fortalecer os recursos destinados ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Na conclusão, o Observatório afirma que a previsibilidade é fundamental para manter a confiança no programa e garantir que o seguro rural continue sendo um instrumento de gestão de risco para o produtor, em vez de ampliar a insegurança financeira em anos de maior ocorrência de eventos climáticos.
O post Alerta: atrasos no seguro rural podem elevar custos ao produtor, diz FGV Agro apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Estudo projeta mais 1,4 milhão de hectares desmatados sem Moratória da Soja

Um artigo publicado na revista Science aponta que o fim da Moratória da Soja pode resultar no desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos. Segundo o estudo, o volume representa 14% acima das taxas históricas de desmatamento. As ações judiciais sobre o tema devem voltar à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto.
De acordo com os autores, essa perda florestal produziria cerca de 745 milhões de toneladas de CO2 equivalente, volume comparado no estudo ao total das emissões anuais do Canadá. A Moratória da Soja é um acordo voluntário entre empresas, sociedade civil e governo que impede a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia a partir de 2008.
O trabalho reúne pesquisadores do WWF Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e de instituições universitárias de Wisconsin e Illinois, nos Estados Unidos. A publicação também indica que o fim do acordo pode ampliar a pressão sobre regiões com potencial de expansão agrícola e vulneráveis à especulação fundiária. A estimativa apresentada é de impacto potencial sobre até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas, especialmente em áreas com perspectiva futura de expansão de infraestrutura.
Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!
Os autores também analisaram os efeitos já observados da Moratória da Soja. Nos primeiros dez anos, o mecanismo reduziu em 35% o desmatamento em áreas de risco para expansão da soja, com perda florestal evitada estimada em 1,8 milhão de hectares.
No campo econômico, o estudo avaliou o argumento de que o acordo teria limitado oportunidades para produtores. Os dados indicam impactos diretos restritos: cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente depois de 2008, e a maior parte não estava localizada em propriedades produtoras de soja. A pesquisa também identificou 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e aptas para a cultura na Amazônia.
Os pesquisadores compararam ainda os preços pagos aos produtores em municípios abrangidos pela Moratória e em regiões vizinhas não submetidas ao acordo. Segundo o estudo, o mecanismo não afetou a remuneração dos produtores nem provocou distorções de mercado.
No campo jurídico, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou em 5 de janeiro de 2026 a desfiliação oficial da Moratória da Soja. Em junho, terminaram as negociações conduzidas no STF, e as quatro ações que contestam a legalidade do pacto foram devolvidas aos ministros relatores para julgamento. O plenário da Corte deve começar a analisar os processos no dia 12 de agosto, incluindo a liminar do ministro Flávio Dino e as ações sobre a validade de uma lei de Mato Grosso ligada a incentivos fiscais e doações de terrenos públicos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
O post Estudo projeta mais 1,4 milhão de hectares desmatados sem Moratória da Soja apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Queda de 95% na produção de laranjas na Flórida trouxe lições de combate ao greening a SP

A Flórida foi referência mundial em citricultura por décadas. Na safra 2003/04, por exemplo, a produção foi de 242 milhões de caixas de laranja. Pouco mais de 20 anos depois, a projeção para a temporada 2025/26 é de 12,9 milhões de caixas, queda de 95%.
O greening, doença sem cura que compromete os pomares, foi o principal responsável por esse colapso. Agravada por eventos climáticos extremos, a doença expulsou produtores da atividade e transformou uma potência citrícola em dependente de suco importado.
O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, ressalta que o alerta norte-americano pesa diretamente ao território paulista. Na safra atual, o cinturão citrícola paulista e do Triângulo/Sudoeste Mineiro produziu 292,94 milhões de caixas, cerca de 76% da produção brasileira estimada.
“O Brasil responde por mais de 70% das exportações mundiais de suco de laranja, com São Paulo no centro dessa cadeia. Proteger os pomares paulistas é defender uma liderança construída com pesquisa, capacidade industrial e organização produtiva”, destaca.
Ele lembra que em novembro de 2023, a gestão paulista instituiu o Comitê Estadual de Combate ao Greening, reunindo cinco secretarias, institutos de pesquisa e o setor produtivo.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Melo Filho diz que pela linha do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap Combate ao Greening), foram liberados R$ 6,9 milhões no ciclo 2024/25 para a renovação de pomares. A atuação envolve ainda universidades, a Fapesp e, como parceiros privados, o Fundecitrus e o CitrusBR.
Na frente científica, o CPA Citros mobiliza R$ 90 milhões, em aportes públicos e privados, para acelerar novas soluções de manejo. “Um dos pilares dessa estrutura é o Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis, que reúne o maior banco de germoplasma de citros do país”, enfatiza.
Fiscalização de mudas
O secretário afirma que também houve reforço na fiscalização. Segundo ele, em 2025, a Defesa Agropecuária esteve em mais de 17,5 mil estabelecimentos e retirou de circulação mais de 60,3 mil mudas. Nos casos previstos em lei, houve a eliminação de plantas contaminadas para proteger pomares vizinhas.
Conforme Melo Filho, foram destinados R$ 3,6 milhões para a contratação de novas equipes de fiscalização e monitoramento, com atuação regionalizada.
As regras são adaptadas à realidade de cada região. Em maio de 2026, São Paulo tornou obrigatório o cadastro das propriedades com plantas cítricas e criou o monitoramento quinzenal do psilídeo, inseto que é o principal vetor do greening.
Desta forma, os municípios são classificados pela incidência da doença. Atualmente, 75% deles são classificados como locais de alta incidência para a doença. Assim, regras mais amplas são aplicadas onde é baixa e normativas mais concentradas em plantas jovens onde é alta.
“Esse conjunto de medidas está freando o greening em São Paulo. Em 2025, pelo segundo ano consecutivo, houve desaceleração no ritmo de crescimento: o aumento anual caiu de 55,9%, entre 2022 e 2023, para 16,5%, entre 2023 e 2024, e 7,4%, entre 2024 e 2025”, enumera o secretário.
De acordo com ele, nos pomares mais jovens, a incidência caiu 51,4% nas plantas de zero a dois anos e 17,1% nas de três a cinco anos, reflexo de mais cuidado na escolha das áreas de plantio e melhor controle do inseto vetor.
Melo Filho enfatiza que defender a citricultura é proteger empregos, investimentos e a capacidade brasileira de abastecer o mundo. “O exemplo da Flórida mostrou o custo de agir tarde”, constata.
O post Queda de 95% na produção de laranjas na Flórida trouxe lições de combate ao greening a SP apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Pesquisadora do Inpa recebe prêmio internacional por estudo com samburá de abelha amazônica

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi a vencedora do prêmio MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy, concedido pela International Bee Research Association (Ibra).
O reconhecimento veio pela publicação do artigo “Suplementação com o samburá reduz a glicose de jejum e modula a microbiota intestinal em modelo animal de obesidade induzida” e pela avaliação da sua produção científica por uma comissão composta por um pesquisador representante de cada continente.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
A cerimônia ocorreu no dia 18 de junho, durante o encerramento do ISSB IBRA 2026 – International Symposium on Stingless Bees, realizado online, na Grécia. O prêmio é concedido a jovens cientistas que se destacam pela excelência científica no estudo dos produtos das abelhas sem ferrão.
Sobre o estudo
O estudo pré-clínico é o primeiro a demonstrar que o samburá (o pólen das abelhas sem ferrão) produzido por uma espécie de abelha amazônica reduz a glicemia de jejum e modula bactérias específicas do intestino em modelo animal de obesidade.
“A modificação da microbiota intestinal foi associada à melhoria do metabolismo sistêmico da glicose, indicando grande potencial do samburá para uso por pessoas com diabetes”, explica Kemilla Sarmento.
Para a pesquisadora, o prêmio é um incentivo para ampliar os estudos sobre produtos de abelhas sem ferrão, ainda pouco explorados no Brasil e no mundo.
“Não tem muitas pesquisas sobre o samburá, embora a gente tenha mais de 500 espécies de abelhas sem ferrão no mundo todo. O potencial é enorme aqui na Amazônia. O Amazonas é o estado com a maior diversidade de abelhas sem ferrão, então ainda há muito a conhecer sobre o samburá de cada espécie. Me sinto muito feliz e honrada em receber esse prêmio”, comemorou.
O Inpa mantém uma coleção viva de abelhas sem ferrão e uma linha de pesquisa sobre produtos de abelhas nativas, com foco em nutrição, saúde e bioeconomia.
Trajetória
A pesquisadora Kemilla Rebelo ingressou no Inpa há cerca de um ano, trazendo uma carreira acadêmica consolidada como docente da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
A pesquisa que resultou em sua premiação é fruto de sua trajetória e foi desenvolvida ao longo de sua formação doutoral na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), período em que realizou parte dos estudos na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.
Sua trajetória contou com o apoio de reconhecidas instituições de ciência e tecnologia, incluindo a concessão de bolsa pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O post Pesquisadora do Inpa recebe prêmio internacional por estudo com samburá de abelha amazônica apareceu primeiro em Canal Rural.
Agro Mato Grosso12 horas agoAprosoja MT amplia atuação em defesa do produtor e fortalece representatividade
Sustentabilidade9 horas agoEl Niño acende alerta para a cultura do arroz no Brasil – MAIS SOJA
Agro Mato Grosso13 horas agoUPL avança em ranking do INPI com depósitos de ativos de propriedade industrial
Business9 horas agoBNDES aprova R$ 60,5 milhões para ampliar armazenagem da Coamo no Paraná
Business12 horas agoMP amplia renegociação de dívidas, mas setor diz que medida ainda não resolve endividamento
Agro Mato Grosso13 horas agoNem todo pulgão-dos-cereais reage igual ao calor extremo
Sustentabilidade15 horas agoSafra 2026/27: entenda como fósforo acumulado no solo pode reduzir os custos com fertilizantes – MAIS SOJA
Featured7 horas agoDenúncia anônima leva PM a prender homem armado em feira municipal de Nobres
















