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2 de novembro de 2026

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Em que os nossos jovens estão pensando?

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Há uma pergunta que Mato Grosso precisa fazer com mais frequência — não apenas nas escolas, universidades ou durante as campanhas eleitorais: em que os nossos jovens estão pensando? Não apenas em que profissão desejam seguir ou quanto pretendem ganhar, mas que vida desejam construir, que cidade imaginam para si e, sobretudo, se pretendem construir esse futuro aqui.

Mato Grosso vive uma circunstância aparentemente confortável. O Estado apresentou, em 2024, a menor taxa anual de desocupação do país, de 2,6%, e a maior taxa de ocupação entre as pessoas de 14 anos ou mais, de 68,4%. No primeiro semestre de 2025, foram criados mais de 32 mil empregos formais, muitos ocupados por jovens.

Mas emprego não é sinônimo de futuro. Pesquisa do British Council, realizada em 2025 com 3.248 jovens brasileiros de 16 a 35 anos, mostra que 70% sonham com o empreendedorismo. Entre os principais problemas no trabalho aparecem salários abaixo das expectativas, apontados por 66%, e jornadas longas, mencionadas por 56%. Entre as prioridades para o poder público estão mais oportunidades de emprego e estágio e uma educação mais prática, voltada ao trabalho.

O dado sugere algo importante: o jovem não está necessariamente recusando o trabalho; está procurando autonomia, sentido e possibilidade de construir uma vida própria. Mato Grosso precisa prestar atenção nisso.

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Temos uma economia que oferece oportunidades, mas precisamos perguntar se nossas cidades oferecem condições para que essas oportunidades se transformem em projetos de vida.

Um jovem pode encontrar emprego em Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, Sorriso ou Lucas do Rio Verde e, ainda assim, partir porque não encontra universidade, cultura, esporte, lazer, segurança, transporte ou perspectivas profissionais compatíveis com suas ambições.

É nesse ponto que a discussão sobre juventude passa a ser também uma discussão sobre cidade. Cuiabá precisa compreender que disputar talentos será uma das grandes questões das próximas décadas.

Não basta formar bons profissionais se eles precisarem deixar a cidade para encontrar ambientes mais favoráveis. Uma capital que pretende ser centro de serviços, tecnologia, saúde, educação e negócios precisa também ser uma cidade na qual o jovem queira viver.

O empreendedorismo revela outra mudança. Segundo o Sebrae Mato Grosso, 32% dos empreendedores do Estado têm entre 18 e 34 anos — mais de 160 mil pessoas. É uma juventude que não deseja apenas procurar uma vaga; parte dela quer criar o próprio trabalho, a própria empresa e a própria fonte de renda.

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Isso deveria mudar nossa maneira de pensar políticas públicas. Precisamos aproximar escola, universidade, formação profissional, empresas e empreendedorismo. E precisamos reconhecer o jovem não como alguém que simplesmente deve ser conduzido, mas como alguém capaz de produzir, empreender, criar e participar das decisões sobre o lugar onde vive.

A educação continua sendo decisiva. O Ideb de Mato Grosso avançou no ensino fundamental em 2025, mas permaneceu estável no ensino médio, com índice 4,4. É justamente nessa passagem para a vida adulta que precisamos preparar melhor nossos jovens para trabalhar, empreender e fazer escolhas conscientes.

Há também uma dimensão cívica. Em 2026, o TRE-MT estimou que cerca de 157 mil mato-grossenses entre 15 e 17 anos não estavam inscritos na Justiça Eleitoral. Apenas aproximadamente 59 mil tinham título eleitoral. O dado não permite saber o que esses jovens pensam politicamente, mas mostra o tamanho do espaço existente para aproximá-los da vida pública.

Talvez devêssemos parar de perguntar por que os jovens não se interessam pela política e começar a perguntar o que estamos oferecendo a eles para que a política lhes pareça importante.

A mesma pergunta vale para a cidade. Se queremos que um jovem se interesse por Cuiabá, precisamos construir uma Cuiabá pela qual valha a pena se interessar. Se queremos que permaneça em Mato Grosso, precisamos oferecer não apenas trabalho, mas possibilidades.

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Mato Grosso passou décadas construindo sua força econômica. O próximo passo talvez seja menos visível, mas não menos decisivo: construir um ambiente em que as pessoas que nasceram aqui — e aquelas que escolheram vir para cá — desejem permanecer e realizar seus projetos.

Porque a maior riqueza de um Estado não está apenas naquilo que ele produz, mas na capacidade de formar pessoas capazes de produzir o futuro.

Antes de perguntar quanto Mato Grosso produzirá daqui a vinte anos, talvez devêssemos fazer uma pergunta mais simples: quando chegarmos lá, os nossos jovens ainda desejarão estar aqui?

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*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

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Gefron e PRF apreendem 130 kg de cocaína em Glória D’Oeste

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Operação resultou em uma prisão e gerou um prejuízo estimado em R$ 3,2 milhões às facções criminosas

Uma operação conjunta entre o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizada no município de Glória D’Oeste (a 130 km de Cuiabá), nesse domingo (1°.11), resultou na prisão de um suspeito e na apreensão de 130 kg de cloridrato de cocaína (a forma mais pura desse entorpecente).

A droga estava dividida em 120 tabletes, escondidos em diferentes compartimentos de um Jeep Cherokee. A apreensão dos entorpecentes e do veículo gerou um prejuízo de R$ 3,2 milhões às fações criminosas.

Aos policiais, o motorista preso relatou que receberia R$ 5 mil para levar a droga até São Paulo, mas não informou a origem da droga. O suspeito, o carro e os entorpecentes foram entregues da Delegacia Especializada de Fronteira (Defron), da Polícia Civil.

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Fiscalização na fronteira

Sob gestão da Secretaria de Segurança Pública, o Gefron atua há 24 anos na prevenção e combate ao tráfico de drogas, roubos, sequestros e outras modalidades de crimes nos municípios fronteiriços e do entorno da fronteira do Brasil do a Bolívia.

Entre janeiro e setembro deste ano, a equipe especializada apreendeu 26,3 toneladas de drogas no Estado, volume 22% maior do que toda a apreensão registrada nos 12 meses de 2025. Somente em 2026, o Gefron também levou à prisão 324 suspeitos, em 199 ocorrências. Ao todo, o prejuízo estimado às facções foi calculado em R$ 371 milhões.

Para contribuir com as ações do Gefron, a população pode denunciar de forma anônima pelos telefones: 0800 646 1402 e (65) 99668-7655, este último por ligação e mensagem de Whatsapp. Também está disponível o telefone 181 (Disque Extorsão), focado em ações de facções criminosas, com garantia de sigilo do denunciante.

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Polícia Civil de MT realiza mais de 430 operações entre janeiro e outubro deste ano

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Os dados demonstram resultados expressivos no combate às facções criminosas em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso apresentou, entre janeiro e outubro deste ano, resultados expressivos no combate à criminalidade em todo o Estado, refletindo a eficiência do trabalho investigativo da instituição. Neste período, foram realizadas 434 operações policiais, com uma média de 43 ações por mês, que resultaram na prisão de 1.314 pessoas suspeitas de envolvimento em crimes.

O interior do estado concentrou, até o momento, o maior volume de operações, com 253 ações deflagradas pelas Delegacias Regionais. As unidades da Diretoria de Atividades Especiais realizaram outras 119 operações, enquanto as equipes da Diretoria Metropolitana foram responsáveis por 61 operações. O desempenho reflete o fortalecimento da atividade investigativa, do planejamento operacional e da integração entre as unidades.

As ações também contaram com apoio da Diretoria de Inteligência e dos Núcleos de Inteligência das unidades policiais de todo o Estado, com objetivo combater crimes relacionados a facções criminosas, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, estelionato, roubos, furtos, corrupção e crimes fazendários, ambientais, entre outras modalidades delitivas.

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Entre janeiro e outubro, a Polícia Civil também cumpriu 7.619 mandados de prisão e realizou cerca de 22 mil prisões em flagrante em Mato Grosso.

A delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel, ressalta que a operação é resultado de um trabalho complexo, qualificado e estruturado, que começa muito antes de sua deflagração, envolvendo coleta de informações, análise de dados, produção de provas e planejamento estratégico.

“O planejamento técnico é fundamental para que uma operação seja desencadeada de forma coordenada e eficiente, garantindo que as equipes atuem de maneira integrada e que os objetivos estabelecidos em cada investigação sejam alcançados”, afirma.

Os resultados também foram impulsionados pelo reforço e crescimento contínuo do efetivo da instituição. Em abril deste ano, a Polícia Civil recebeu 124 novos servidores, sendo 55 investigadores e 69 escrivães. Este também foi o mês que registrou o maior pico de operações no ano, com 60 ações deflagradas em todo Estado. Entre 2019 e 2025, a Polícia Civil nomeou outros 381 novos servidores.

Desde o início do ano a instituição realiza a Operação Pharus, um planejamento estratégico da Polícia Civil no âmbito do programa Tolerância Zero, do Governo do Estado, direcionado ao combate às facções criminosas em Mato Grosso.

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A denominação “Pharus” é derivada do latim e significa “farol”, uma estrutura que remete à emissão constante de luz e ao direcionamento na escuridão. A escolha dessa nomenclatura visa representar simbolicamente a presença e a firmeza do Estado na identificação e na repressão às facções criminosas.

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Homem é morto a tiros pelo próprio irmão em bar de MT; briga política pode ter motivado crime

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Testemunha contou à polícia que os dois estavam afastados por divergências políticas; suspeito fugiu após os disparos e é procurado

Uma desavença entre irmãos terminou em morte na manhã de domingo (1º), em Paranaíta, a 838 quilômetros de Cuiabá. Gilmar Rodrigues da Silva, de 52 anos, foi assassinado a tiros pelo próprio irmão, Laercio Antônio da Silva, de 60 anos, dentro de um bar na comunidade Santa Marta, no assentamento São Pedro.

Segundo o boletim de ocorrência, Laercio começou a insultar Gilmar, que não reagiu às provocações. A vítima chegou a se levantar para deixar o estabelecimento, mas foi surpreendida pelo irmão, que sacou um revólver da cintura e abriu fogo.

Gilmar foi atingido três vezes, sendo uma na mão esquerda e duas no tórax. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

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O que chama a atenção é o possível pano de fundo político da tragédia. Uma testemunha contou aos policiais que os irmãos já não mantinham contato por divergências ideológicas. De acordo com o proprietário do bar, Laercio se identificava com a esquerda, enquanto Gilmar era alinhado à direita.

A Polícia Civil investiga se a rivalidade política teve relação direta com o assassinato.

Após o crime, Laercio deixou o estabelecimento com a arma em mãos e fugiu em uma caminhonete Fiat Titano preta. O veículo foi localizado abandonado no bairro Renascer, em Alta Floresta. Informações repassadas à Polícia Militar indicam que o suspeito teria seguido a pé.

Equipes policiais também estiveram na residência de Laercio, mas não encontraram ninguém. Até o momento, ele permanece foragido.

A Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) realizaram os procedimentos necessários no local. O caso segue sob investigação.

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