Agro Mato Grosso
Bilhete de R$ 29 milhões: o que acontece quando uma aposta é impressa com defeito

Caso em Sinop (MT) levanta dúvidas sobre procedimentos de lotéricas quando apostas apresentam falhas na impressão
A disputa judicial por um bilhete premiado da Mega-Sena, avaliado em R$ 29 milhões, busca esclarecer quem tem direito à aposta, que saiu com defeito na impressão em uma casa lotérica de Sinop (MT). O caso também envolve uma investigação sobre a retirada do bilhete do estabelecimento e levanta questionamentos sobre as regras aplicadas quando uma aposta é emitida com falha. O prêmio permanece bloqueado desde 2023, aguardando a conclusão do processo.
O prêmio de R$ 116.232.513,11 foi sorteado em agosto de 2023. A investigação começou depois que a funcionária da lotérica pediu demissão afirmando que ela e o marido eram ganhadores da aposta. Segundo a defesa, como o bilhete tinha valor de R$ 6 e não poderia ser cancelado, o prejuízo seria descontado do salário dela. O casal é investigado por suspeita de furto do bilhete e nega a acusação.
Já o proprietário da lotérica sustentou que o bilhete, por ter sido impresso com defeito, não foi entregue à cliente e permaneceu no local, passando a integrar o patrimônio da empresa. Ao analisar o caso em uma decisão sobre o conflito de competência, o ministro do Superior Tribunal de Justiça Ribeiro Dantas afirmou que o custo do bilhete não estornado antes do sorteio foi suportado pelos sócios da lotérica, o que teria convertido o título em propriedade do estabelecimento.
A audiência de instrução e julgamento está marcada para fevereiro de 2027. A Caixa Econômica Federal informou que não comenta processos em andamento.
O que dizem as regras da Caixa
Embora a disputa sobre a posse do bilhete ainda dependa de decisão da Justiça, a Cartilha de Boas Práticas da Caixa Econômica Federal estabelece como as lotéricas devem agir quando uma aposta é impressa com defeito.
O documento não traz nenhuma informação de que os funcionários devam pagar pelo bilhete e que as apostas sejam ‘compradas’ por eles. O documento orienta que, quando houver falha na impressão, o atendente deve informar o cliente sobre o problema, que geralmente ocorre devido a um volante amassado ou com defeito na leitura, e solicitar o preenchimento de um novo volante.
“O estorno de aposta simples e de Bolão somente pode ser realizado para bilhete de valor superior a R$ 10,00, no mesmo dia e no mesmo TFL em que a aposta foi registrada, até uma hora antes dos sorteios. Apenas a última aposta realizada no TFL pode ser reimpressa”, diz trecho da cartilha.
O Terminal Financeiro Lotérico (TFL) é o equipamento utilizado nas lotéricas para registrar as apostas. Além disso, a cartilha reforça que o bilhete impresso é o único comprovante válido para o recebimento de prêmios. Por isso, orienta que o atendente evite preencher o volante para o cliente e peça que ele confira as informações logo após a impressão.
“O atendente deve evitar preencher o volante para o cliente e sempre orientá-lo a conferir o bilhete impresso pelo terminal, pois o referido bilhete é o único comprovante válido para o recebimento do prêmio a que o cliente fizer jus“, afirma o documento.
O Promotor de Justiça Victor Hugo Caetano de Freitas explicou que o processo em andamento investiga o suposto furto do bilhete premiado em Sinop, e não quem seria o dono do prêmio milionário. Sobre os valores de bilhetes com defeito supostamente pagos por funcionários, o promotor afirma que, segundo a investigação, quem deveria arcar pelo valor seria a lotérica.
“Ela alega que fez o jogo e o pagamento do bilhete e isso não foi feito. O prejuízo dos bilhetes rasurados fica para a lotérica. As versões que foram passadas pra gente é que este valor não era dividido entre os funcionários. A normativa da caixa é que bilhetes abaixo de R$ 10 são pagos pelo lotérico, então fica entendido que os pagamentos são feitos pela lotérica e não pelos funcionários”, afirmou o promotor.
O advogado do proprietário da lotérica, Amélio Lenke, também argumenta que as normas operacionais vedam o reaproveitamento ou a apropriação de qualquer bilhete que apresente vício de impressão, independentemente do valor da aposta.
As regras em Sinop, segundo ex-funcionários
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Ex-funcionários da lotérica onde ocorreu o caso do bilhete da Mega-Sena de R$ 29 milhões, em Sinop, a 503 km de Cuiabá, afirmam que era comum que operadores ficassem com apostas que apresentavam falhas na impressão, desde que pagassem o valor correspondente no fechamento do caixa. Ele afirmou que alguns desses bilhetes foram premiados e que não havia restrição da empresa para que os funcionários recebessem os valores.
Segundo Clarice Simon, ex-funcionária acusada de furtar o bilhete premiado, os funcionários eram orientados a pagar pelas apostas com defeito ou pelos bolões que sobravam. Ela afirmou que nunca recebeu treinamento da Caixa para cancelar ou estornar esses bilhetes e que o chefe dela dizia que, caso não arcassem com os valores, o prejuízo era descontado diretamente do salário.
“Teve mês em que eu paguei R$ 150. Eram jogos com defeito ou bolões que sobravam e eu não conseguia vender”, afirmou Clarice.
Segundo outros ex-funcionários, um bilhete pode ser considerado defeituoso quando apresenta falhas na impressão que impedem a conferência da aposta. Entre os problemas mais comuns estão código de barras ilegível ou incompleto, número de série rasurado ou incompleto e falhas na impressão dos números escolhidos pelo apostador.
A imprensa, um ex-funcionário afirmou que, ao longo do período em que trabalhou na lotérica, recebeu pequenos prêmios de bilhetes que ficaram sob sua responsabilidade, como R$ 2 e R$ 10. Ele também relatou o caso de uma colega que teria supostamente recebido um prêmio da Mega da Virada após pagar por um bilhete impresso com defeito.
“Eu lembro que uma colega ficou com um jogo da Mega da Virada que saiu rasurado. Quando foi feita a conferência, ela tinha acertado a quadra e recebeu cerca de R$ 400. O prêmio ficou com ela normalmente”, afirmou.
Segundo os relatos, o procedimento a ser seguido ao identificar uma aposta com defeito era:
- O operador identifica que o bilhete foi impresso com defeito;
- Os números do cliente são passados novamente na máquina para emitir uma nova aposta;
- A nova via sai com os mesmos números escolhidos pelo apostador, mas com um número de série diferente, já que cada impressão gera um registro único;
- O cliente recebe o novo bilhete, considerado válido para a aposta;
- O primeiro bilhete, considerado defeituoso, é separado e guardado pelo operador;
- Se a aposta for de baixo valor, o operador normalmente não solicita o cancelamento à Caixa Econômica Federal, porque, segundo ex-funcionários, o procedimento é demorado e inviável durante o atendimento;
- Se a aposta for de valor mais alto (segundo eles, geralmente acima de R$ 70), o operador entra em contato com a Caixa para pedir o cancelamento do bilhete defeituoso;
- Durante o fechamento do caixa, todos os bilhetes com erro são separados para conferência;
- O operador soma o valor das apostas defeituosas e faz a reposição do dinheiro para evitar diferença no caixa;
- Segundo os ex-funcionários, após o pagamento pelo funcionário, o bilhete deixa de representar prejuízo para a lotérica, já que o valor da aposta foi ressarcido pelo operador.
Agro Mato Grosso
Caminhoneira youtuber relata furto de três módulos de caminhões estacionados em MT

Aline Füchter Ouriques contou que outro veículo, de cor vermelha, teve o equipamento furtado; Polícia Civil recuperou dois módulos avaliados em R$ 27 mil.
A caminhoneira Aline Füchter Ouriques relatou, em um vídeo publicado no canal dela no YouTube, que tem 1,85 milhão de inscritos, o furto do módulo eletrônico do motor de um de seus caminhões enquanto aguardava para descarregar em um armazém da Vale, a 86 km de Rondonópolis(MT). O relato foi publicado nesta sexta-feira (16), após cerca de sete caminhões passarem a noite estacionados na área externa do local.
Segundo Aline, o caminhão em que ela estava não foi violado porque ficou estacionado rente à cerca. Já o outro veículo, de cor vermelha, teve o módulo do motor furtado. A motorista afirmou que havia investido recentemente R$ 50 mil na manutenção do motor. (Video abaixo)
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Além de retirar o equipamento, os suspeitos cortaram o chicote elétrico, conjunto de fios responsável pela conexão entre os componentes eletrônicos do caminhão. Segundo a motorista, o dano torna o conserto mais complexo e aumenta os custos do reparo.
Aline também relatou que uma equipe da concessionária responsável pela rodovia prestou apoio aos caminhoneiros e os orientou a registrar boletins de ocorrência. Ela reclamou da falta de policiamento no local e lamentou a insegurança enfrentada pelos profissionais que precisam passar a noite na região.
Polícia recupera módulos avaliados em R$ 27 mil
Dois módulos eletrônicos de caminhões, avaliados em cerca de R$ 27 mil, foram recuperados pela Polícia Civil em Alto Garças, a 357 km de Cuiabá, nesta quinta-feira (15). Um jovem de 19 anos foi preso em flagrante, suspeito de participar dos furtos registrados na cidade.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após o furto de equipamentos de dois caminhões. Um deles estava estacionado no pátio de um posto de combustíveis e o outro, em frente à casa do proprietário, no bairro Novo Horizonte.
Os suspeitos usaram um carro preto durante a ação. Ao perceber a movimentação, o proprietário de um dos caminhões saiu para verificar o que estava acontecendo, e os envolvidos fugiram. Dois deles deixaram o local a pé, enquanto os outros dois seguiram no carro.
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Polícia Civil recuperou dois módulos de caminhões avaliados em R$ 27 mil e prendeu um suspeito em Alto Garças. — Foto: PJC
Na sequência, o veículo se envolveu em um acidente na Serra da Petrovina, na BR-364. Os ocupantes foram encaminhados para atendimento médico em Pedra Preta, mas fugiram do hospital antes da chegada da polícia.
Durante as buscas, os investigadores localizaram um suspeito nas proximidades da BR-364, na saída de Alto Garças para Rondonópolis. Ele foi reconhecido pelas vítimas e preso em flagrante.
Os dois módulos foram encontrados escondidos perto do Posto Monte Sinai. Os equipamentos foram reconhecidos pelos proprietários e estão avaliados em R$ 7 mil e R$ 20 mil.
Em interrogatório, o jovem afirmou que acompanhava os outros envolvidos e ficava em pontos estratégicos para vigiar a movimentação enquanto os comparsas retiravam os equipamentos dos caminhões.
Ele foi autuado por furto qualificado pelo concurso de pessoas e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil continua as investigações para identificar os demais suspeitos e apurar se o grupo tem ligação com outros furtos de módulos eletrônicos de caminhões na região.
Agro Mato Grosso
Após calor de quase 42°C, temperaturas devem cair em Mato Grosso; entenda

Apesar disso, previsão para o trimestre de outubro a dezembro indica calor acima da média no norte do estado e chuvas abaixo do esperado.
Após registrar temperaturas de quase 42 °C, Mato Grosso deve ter queda nos termômetros ao longo do fim de semana, com máximas entre 25 °C e 29 °C e mínimas entre 19 °C e 22 °C no fim do período. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também indica chuva de até 50 milímetros no sul do estado e alerta para tempestades neste sábado (17).
A queda nas temperaturas ocorre após dias de calor intenso. Entre 8 e 12 de outubro, as máximas no Centro-Oeste variaram de 32 °C a 42 °C. Em Mato Grosso, as maiores temperaturas foram registradas em Cocalinho, com 41,8 °C, e Nova Xavantina, com 40,9 °C.
O aviso de perigo potencial é válido até as 23h59 deste sábado e prevê chuva de 20 a 30 milímetros por hora, ventos de até 60 km/h e possibilidade de granizo.
Segundo o Inmet, há baixo risco de alagamentos, queda de galhos de árvores, danos a plantações e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
O que esperar ate o fim do ano
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Cuiabá calor quente sol verão veranico — Foto: Emanoele Daiane/Prefeitura de Cuiabá
Segundo o Inmet, para o trimestre de outubro a dezembro, a previsão climática indica chuvas abaixo da média histórica no centro-norte de Mato Grosso. No extremo norte do estado, a redução pode chegar a 100 milímetros em relação ao esperado para o período.
As temperaturas também devem ficar acima da média nos próximos meses, principalmente no norte do estado, onde podem registrar até 2 °C a mais que o habitual. A combinação de calor e pouca chuva pode aumentar a perda de água para a atmosfera e agravar a falta de umidade no solo durante outubro.
Agro Mato Grosso
Justiça proíbe exploração de recursos naturais e manda desocupar terra indígena em MT

O Ministério Público Federal (MPF) obteve sentença favorável à proteção do território do povo Piripkura, que vive em isolamento voluntário na Terra Indígena Piripkura, em Colniza e Rondolândia (MT). A decisão é fruto de uma ação civil pública proposta pelo MPF e da atuação do órgão no processo ao longo dos últimos anos.
A Justiça Federal determinou a desocupação de áreas irregularmente ocupadas, a retirada de rebanhos e a proibição de novos desmatamentos e da exploração de recursos naturais. Desde 2008, a área está submetida a portarias de interdição da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) que restringem seu uso para proteger os indígenas isolados.
A decisão distingue dois grupos de ocupantes. O primeiro reúne os que passaram a ocupar a área depois da primeira portaria de interdição, além de terceiros não identificados no início da ação, desde que constatada sua ocupação irregular dentro da área protegida. Eles têm 120 dias para deixar as áreas, retirando empregados, animais, máquinas e outros bens, e não poderão voltar sem autorização expressa da Funai.
O segundo reúne os que já estavam na região antes da primeira portaria de interdição e cuja permanência havia sido permitida. Em 120 dias, os réus devem retirar os rebanhos e, desde já, cumprir integralmente as restrições da portaria e os embargos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sem novos desmatamentos nem exploração de recursos naturais. O pedido do MPF visa proteger o território indígena e impedir novas ocupações e atividades.
As obrigações e os prazos têm cumprimento imediato, por força de tutela de urgência concedida na própria sentença, com multa diária de R$ 500 por réu em caso de descumprimento. A Funai deverá planejar e acompanhar o cumprimento das determinações, com a participação do Ibama e, quando necessário, de órgãos de segurança pública, para evitar qualquer contato direto ou indireto com os Piripkura.
Histórico do caso
O MPF ajuizou a ação em maio de 2021, diante do avanço de invasões, desmatamentos e atividades pecuárias na Terra Indígena Piripkura. Em julho de 2024, conseguiu decisão que determinava a reintegração de posse contra ocupantes irregulares.
A medida, porém, foi modificada em fevereiro de 2025, quando o juízo, com fundamento no artigo 9º da Lei 14.701/2023, suspendeu as reintegrações e autorizou a permanência de ocupantes, condicionada ao cumprimento de restrições ambientais. A norma fixa que, antes de concluído o procedimento demarcatório e de indenizadas as benfeitorias de boa-fé, não haverá limitação de uso e gozo aos não indígenas que exerçam posse sobre a área objeto de demarcação.
O MPF contestou essa interpretação em março do mesmo ano, apresentando fundamentos que se tornariam centrais na sentença. Sustentou que o artigo 9º não poderia ser aplicado automaticamente à Terra Indígena Piripkura, pois o território possui regime jurídico especial, estabelecido pelas portarias de restrição de uso da Funai e reforçado pelas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 991.
O órgão argumentou que invasões posteriores à primeira portaria, de 2008, não poderiam gerar direitos possessórios legítimos e que a permanência de ocupantes anteriores estava sujeita a restrições. O MPF também destacou a extrema vulnerabilidade dos indígenas isolados e a necessidade de fazer prevalecer a proteção à vida sobre interesses patrimoniais, com fundamento no princípio da precaução.
Na mesma manifestação, o MPF propôs, de forma alternativa, a distinção entre ocupantes anteriores e posteriores à portaria de 2008, critério que viria a ser adotado na sentença, embora com consequências parcialmente distintas das requeridas.
Após o juízo manter o entendimento anterior, em outubro de 2025, o MPF interpôs, em janeiro de 2026, agravo de instrumento (recurso) perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), aprofundando os argumentos apresentados em março.
Elaborado conjuntamente pelo Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais e pelo Ofício Socioambiental de Povos Isolados e de Recente Contato da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (6CCR) do MPF, o recurso defendeu que o regime de proteção dos povos isolados não pode ser equiparado às regras gerais aplicáveis a disputas possessórias em terras indígenas em demarcação.
Paralelamente à discussão jurídica, o MPF continuou reunindo provas de novas irregularidades e crimes. Ainda em janeiro deste ano, apresentou relatórios da Funai que registravam novas derrubadas de árvores, utilização de motosserras e contratação de terceiros para impedir a regeneração da floresta, requerendo medidas para fazer cumprir a decisão judicial.
Em abril, reiterou a urgência dessas providências e reafirmou que a proteção dos direitos territoriais indígenas independe da conclusão da demarcação.
Em junho, o MPF voltou a provocar o juízo após receber fiscalização do Ibama que constatou a destruição de aproximadamente 37 hectares de vegetação nativa, com utilização de tratores e correntão. Requereu a aplicação de multa e a retirada de equipamentos utilizados em atividades ilícitas.
Posteriormente, também levou ao processo informações sobre pistas clandestinas de pouso e suspeitas de utilização da região para o tráfico de drogas, além de reforçar que a proteção dos indígenas isolados não pode ser condicionada à realização de contatos forçados para comprovar sua existência.
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