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Ladrão de clínicas deixa a cadeia e volta a roubar 8 dias depois em Cuiabá; Derf cumpre mandados

Criminoso quebrava portas de vidro de madrugada para levar MacBooks e dinheiro. Polícia Civil já instaurou seis inquéritos contra o suspeito
Um criminoso apontado como autor de uma série de furtos qualificados praticados contra clínicas e estabelecimentos comerciais da Capital teve dois mandados de prisão cumprido pela Polícia Civil, nesta quinta-feira (18.8), em ação realizada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá.
O suspeito deixou o sistema prisional em abril deste ano e poucos dias depois retomou as práticas criminosas.
O suspeito vinha sendo monitorado pela Derf desde outubro de 2025, em razão da prática reiterada de crimes patrimoniais. Entre os casos apurados estão furtos praticados contra uma floricultura, uma instituição educacional, uma empresa do ramo elétrico, clínicas particulares e diversos outros estabelecimentos comerciais localizados em diferentes regiões da Capital.
Crime
Um dos mandados de prisão é decorrente de investigações, conduzidas pela Derf Cuiabá, que apontaram o suspeito como autor de um furto qualificado ocorrido na madrugada do dia 15 de abril de 2026, em uma clínica, localizada no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Na ocasião, o autor utilizou um instrumento contundente para quebrar a porta de vidro do estabelecimento e acessar o interior do imóvel durante a madrugada. Após a invasão, foram subtraídos diversos equipamentos eletrônicos, entre eles um computador MacBook Air, notebooks e aparelho celular, causando significativo prejuízo patrimonial à empresa.
As imagens captadas pelo sistema de monitoramento registraram toda a ação criminosa e foram fundamentais para a identificação do suspeito. Durante as diligências, investigadores da Derf constataram que o homem flagrado nas gravações possuía as mesmas características físicas e o mesmo modo de agir já observados em diversos outros furtos investigados pela unidade especializada. A análise das imagens, somada aos demais elementos colhidos durante a investigação, permitiu atribuir a autoria do crime ao investigado.
Modo de ação
Segundo os levantamentos realizados pela equipe policial, o investigado possuía um padrão criminoso bem definido. As ações eram normalmente praticadas durante a madrugada, mediante arrombamento de portas, rompimento de vidraças, invasão por telhados ou escalada de obstáculos, sempre com o objetivo de subtrair aparelhos eletrônicos, dinheiro e objetos de fácil transporte.
Além do prejuízo causado pelos bens furtados, as vítimas também arcavam com elevados danos materiais decorrentes da destruição de estruturas dos imóveis invadidos.
Reiteração de conduta
O caso chamou a atenção dos investigadores porque o furto ocorreu apenas oito dias após o suspeito ter sido colocado em liberdade. Ele havia deixado o sistema prisional em 7 de abril de 2026 e voltou a ser identificado na prática de mais um furto qualificado em 15 de abril, evidenciando a continuidade da atividade criminosa e reforçando os fundamentos para a decretação de nova prisão preventiva.
Segundo o delegado da Derf, Hugo Abdon de Araujo Lima, a nova prisão representa mais um capítulo de uma extensa atuação policial desenvolvida contra o investigado.
Somente entre os anos de 2025 e 2026, a Derf de Cuiabá instaurou seis inquéritos policiais para apuração de furtos qualificados atribuídos ao suspeito e formalizou seis representações pela decretação de sua prisão preventiva, todas fundamentadas na reiteração criminosa, na habitualidade delitiva e no risco concreto de novas infrações penais.
Mandados anteriores e novas prisões
Em janeiro deste ano, a Polícia Civil já havia cumprido mandados de prisão preventiva contra o investigado após a conclusão de investigações que o apontaram como autor de diversos furtos qualificados praticados em série contra clínicas e estabelecimentos comerciais de Cuiabá. Apesar da atuação policial e das medidas cautelares decretadas, o suspeito foi posteriormente condenado por um dos crimes e colocado em liberdade.
Para o delegado responsável pelas investigações, Hugo Abdon, com o cumprimento dos dois novos mandados de prisão preventiva, a Polícia Civil busca interromper mais uma vez a sequência de crimes patrimoniais atribuídos ao investigado, reforçando o compromisso institucional de proteção aos comerciantes, empresários e profissionais que diariamente sofrem os impactos causados por criminosos contumazes que atuam contra o patrimônio na Capital.
“Ao decretar as novas prisões preventivas, o Poder Judiciário reconheceu a existência de elementos concretos indicando risco de reiteração delitiva, destacando a habitualidade criminosa do investigado, a proximidade temporal entre sua soltura e a prática de novos crimes, bem como a insuficiência de medidas cautelares diversas da prisão para contenção de sua atividade ilícita”, explicou o delegado responsável pelas investigações Hugo Abdon.
As investigações prosseguem para apurar eventual participação do suspeito em outros furtos registrados em Cuiabá que apresentem características semelhantes às já identificadas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos.
Com Assessoria
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STF derruba restrição e garante isenção na compra de carros para autistas e PCDs de grau leve

Decisão unânime anulou trecho da Reforma Tributária que limitava o imposto zero apenas para deficiências moderadas ou graves
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta segunda-feira (3), derrubar o trecho da Reforma Tributária (Lei Complementar 214 de 2025) que restringiu a isenção fiscal para compra de automóveis por pessoas com deficiência (PCDs) ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Por unanimidade, o plenário do STF julgou inconstitucional o trecho da lei que garantiu a redução a zero das alíquotas do IBS e da CBS incidentes sobre a venda de automóveis nacionais somente para pessoas com deficiência de grau moderado ou grave, excluindo pessoas com autismo de nível de suporte 1 ou com deficiência considerada leve, por exemplo.
O entendimento foi firmado a partir de duas ações de inconstitucionalidade protocoladas pelo Instituto Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência Oceano Azul e a Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência (ANAPCD).
O placar do julgamento foi obtido com voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.
Para o ministro, a restrição é inconstitucional. “Eu entendo que essa definição de exclusão total, seja de pessoas com deficiência leve, seja pessoas com Transtorno do Espectro Autista nível 1, é inconstitucional”, disse o ministro.
O voto foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente, Edson Fachin.
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TCE entra na briga e exige que prefeituras de MT paguem piso de professores a educadores infantis

Mais de 3 mil profissionais serão beneficiados com nova lei federal. Deputado Wilson Santos propôs PEC para reprovar as contas dos gestores que não cumprirem a regra
A mobilização em defesa da aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026 teve um importante avanço. O deputado estadual Wilson Santos (PSD) intermediou encontro entre o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, que recebeu, na manhã desta segunda-feira (3), representantes de sindicatos municipais e profissionais da educação infantil de Tangará da Serra, para discutir o cumprimento da legislação que reconhece os trabalhadores da educação infantil como integrantes do magistério público da educação básica.
A reunião, transmitida ao vivo pelas redes sociais do presidente do órgão de controle externo, apontou a participação e interação dos profissionais de diversos municípios mato-grossenses, que relataram a resistência de prefeituras em promover o enquadramento funcional previsto na nova legislação. Atualmente, conforme informado durante o encontro, apenas Cuiabá já adotou as medidas necessárias para cumprir a norma federal.
De acordo com Sérgio Ricardo, cerca de três mil profissionais da educação infantil aguardam esse reconhecimento em Mato Grosso. “Eu gosto muito de ajudar os prefeitos e orientá-los. Lei é lei. Lei tem que cumprir. Inclusive, eu sei que o deputado Wilson Santos apresentou na Assembleia Legislativa uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que permitirá ao Tribunal de Contas reprovar as contas de prefeito que não cumprir a lei”, disse.
O conselheiro apresentou um comunicado expedido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) aos prefeitos paulistas sobre a aplicação da Lei Federal nº 15.326/2026 e informou que o TCE de Mato Grosso adotará procedimento semelhante. Dessa forma, as administrações municipais que ainda não implementaram o enquadramento deverão apresentar um plano de ação ao órgão de controle externo, indicando as providências que serão adotadas para garantir o cumprimento da legislação. “É exatamente isso que o Tribunal de Contas de Mato Grosso vai fazer: comunicar todos os prefeitos para que enquadrem esses profissionais”, comunicou.
A lei beneficia profissionais que exercem funções de docentes ou de suporte pedagógico, mas ainda ocupam cargos com denominações como educador infantil, agente de desenvolvimento infantil, monitor, recreador e outras nomenclaturas equivalentes. Na prática, esses trabalhadores passam a ter direito ao enquadramento na carreira do magistério, ao piso salarial nacional, aos planos de carreira e às demais garantias asseguradas aos profissionais da educação básica.
Representando a Federação dos Sindicatos dos Servidores e Funcionários Públicos das Câmaras de Vereadores, Fundações, Autarquias e Prefeituras Municipais do Estado de Mato Grosso (FESSPMEMT), o tesoureiro Daniel Ferreira, destacou que milhares de servidores que atuam com crianças de zero a cinco anos aguardam há anos a efetivação dos direitos garantidos pela nova lei.
“Todos os gestores municipais alegam que não existe sustentação jurídica para aplicar a Lei nº 15.326/2026. Os sindicatos têm cobrado em cada município e recebem sempre respostas negativas. Procuramos a Assembleia Legislativa, fomos recebidos pelo deputado Wilson Santos e solicitamos essa audiência. Só temos a agradecer pelo apoio e pela intermediação desse encontro no Tribunal de Contas. Precisávamos dessa força para garantir o cumprimento da lei federal”, posicionou o sindicalista.
Proposta – A reunião no TCE é resultado de uma série de iniciativas conduzidas por Wilson Santos em defesa da categoria. Tanto que no dia 24 de junho, após realizar audiência pública para discutir a implementação da Lei Federal nº 15.326/2026, o parlamentar apresentou, em plenário, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2026, que estabelece mecanismos para assegurar a aplicação da legislação pelos municípios mato-grossenses.
A proposta determina que as prefeituras promovam o enquadramento dos profissionais da educação infantil na carreira do magistério e prevê que, após sua entrada em vigor, o descumprimento da norma poderá resultar na reprovação das contas anuais dos prefeitos pelo Tribunal de Contas do Estado. “É uma luta de décadas. Precisamos reconhecer todos os profissionais, independentemente da nomenclatura do cargo, mas que atuam como professores na educação infantil. Eles devem ser enquadrados como professores da rede municipal. O município que não cumprir a lei poderá ter as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas”, explicou o deputado.
Lei – A Lei Federal nº 15.326/2026 alterou a Lei nº 11.738/2008, que institui o Piso Salarial Nacional do Magistério, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), reconhecendo como integrantes do magistério público da educação básica os profissionais da educação infantil que exercem funções docentes ou de suporte pedagógico, ainda que ocupem cargos com diferentes nomenclaturas, garantindo-lhes os mesmos direitos assegurados aos demais profissionais do magistério.
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Agosto Lilás: a prevenção continua sendo nossa maior ferramenta contra a violência

O Agosto Lilás sempre me faz refletir sobre a responsabilidade que todos nós temos no enfrentamento à violência contra a mulher. Ao longo da minha trajetória como delegada e especialista em Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Vulneráveis, acompanhei de perto histórias marcadas pelo medo, pela dor e pela violência, mas também testemunhei inúmeras vidas reconstruídas quando o acolhimento, a informação e a atuação integrada da rede de proteção chegaram no momento certo.
Foi com esse sentimento que participei da abertura da campanha Agosto Lilás no município de Indiavaí. Mais do que uma palestra, encontrei uma gestão comprometida com as pessoas, uma equipe preparada e uma assistência social que compreende que proteger mulheres é preservar famílias e fortalecer toda a comunidade. A transformação acontece justamente onde a vida das pessoas acontece: nos municípios. É ali que políticas públicas deixam de ser apenas projetos e passam a fazer diferença na vida de quem precisa.
Costumo dizer que combater a violência não significa apenas agir quando o crime já aconteceu. Nossa maior missão é prevenir. Isso exige investimento em informação, fortalecimento da rede de atendimento, acolhimento humanizado às vítimas, responsabilização dos agressores e um trabalho permanente de conscientização. Quando esses pilares caminham juntos, conseguimos romper ciclos de violência que, muitas vezes, atravessam gerações.
Outro ponto que considero indispensável é ampliar o diálogo com os homens. Durante muito tempo, direcionamos nossas campanhas apenas às mulheres, orientando-as a identificar sinais de relacionamentos abusivos e buscar ajuda. Essa orientação continua sendo fundamental, mas ela, sozinha, não basta. Precisamos conversar também com os homens, ajudá-los a reconhecer comportamentos violentos, desconstruir padrões culturais que naturalizam o abuso e estimular uma convivência baseada no respeito e na igualdade.
O enfrentamento ao feminicídio e às demais formas de violência contra a mulher depende de uma mudança coletiva de comportamento. Os homens não podem ser vistos apenas como parte do problema; precisam ser chamados a fazer parte da solução. Quando compreendem seus direitos, deveres e responsabilidades, tornam-se aliados na construção de uma sociedade mais justa e segura para todos.
O Agosto Lilás nos convida a refletir, mas esse compromisso não pode durar apenas um mês. A proteção das mulheres deve ser uma prioridade permanente do poder público e da sociedade. Cada denúncia acolhida, cada vida protegida, cada criança que cresce em um ambiente livre de violência representa uma vitória que pertence a todos nós.
Seguirei acreditando que informação salva vidas, que a prevenção é o caminho mais eficaz e que nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha. Enquanto houver uma mulher precisando de proteção, nossa missão continuará sendo promover justiça, acolhimento e esperança.
Jannira Laranjeira é Delegada de Polícia | Especialista em Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Vulneráveis
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