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2 de novembro de 2026

Sustentabilidade

Custo das renegociações deve ser próximo a R$ 65 bi e não traz impacto fiscal ao governo – MAIS SOJA

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As projeções apresentadas pelo Ministério da Fazenda sobre o impacto do projeto de lei 5.122/2023 estão superestimadas. Um levantamento feito pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), utilizando as mesmas premissas pelo governo, mostra que o custeio das operações de renegociação não devem passar de R$ 65 bilhões nos próximos 13 anos.

Os problemas com as contas apresentadas pela Fazenda começam na estimativa da dívida rural passível de ser renegociada. Conforme dados do Banco Central, a carteira de crédito rural em abril deste ano foi de R$ 895,2 bilhões. Além desse valor, há outros R$ 274 bilhões que correspondem a CPRs no mercado privado (não bancário) e R$ 57 bilhões em CPRs que estão no mercado financeiro, mas não no crédito rural. Ao todo, a carteira de crédito agropecuário soma R$ 1,2 trilhão.

De acordo com o levantamento da FPA, cerca de R$ 256 bilhões seria a carteira problemática — que inclui contas em atraso, inadimplentes, renegociadas e prorrogadas. Esse montante é tratado como atípico já que é fruto dos choques causados por problemas climáticos e tensões geopolíticas, principalmente, entre os anos de 2024 e 2026.

A renegociação desse montante não ocorrerá de forma automática. Os critérios para participar do programa garantem que nem toda dívida entre na renegociação, como a obrigação de no mínimo duas perdas de safra entre 2019 e 2025 e prejuízo de no mínimo 30% da renda bruta esperada para essas safras. Um laudo técnico será exigido, conforme previsto no texto.

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Outro ponto considerado pela projeção da FPA é o grau de alcance de uma medida de repactuação. Em média, outros programas de renegociação tiveram um nível de execução de 40% em um cenário otimista. Isso quer dizer que, do total da dívida passível de renegociação nesses programas, apenas 40% foram de fato renegociados. Essa perspectiva também foi ignorada nos cálculos do Ministério da Fazenda.

Considerando esse desempenho, o montante renegociável cairia para aproximadamente R$ 100 bilhões. Em relação ao todo da carteira de crédito agropecuário, o valor representa 8,3% – distante dos quase 17% apontados pelo Executivo.

O volume, inclusive, está mais alinhado com o que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, externou em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17), mas longe dos R$ 300 bilhões colocados na explicação da pasta. “Vou pegar os dados do Banco do Brasil, o banco que mais faz operações de crédito com o agro brasileiro. Historicamente, a gente tinha uma inadimplência mais baixa de 1% a 2%. Nós estamos hoje com uma inadimplência de 5% a 6%, aumentou a inadimplência do agro”, disse o ministro.

Para o cálculo final do custeio das operações de renegociação, a FPA usou as mesmas premissas adotadas pela pasta:

  • taxa Selic de 13,5% em 2027, 11,0% em 2028, 10,0% em 2029 e 2030, 9,5% em 2031 e 2032 e 9,0% de 2033 a 2039;
  • taxa de juros da linha especial variando entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor;
  • distribuição dos recursos sendo 15% para os agricultores familiares, 30% para os médios produtores e 55% para os demais produtores;
  • spread de 4% ao ano;
  • prazo de três anos de carência mais 10 anos para pagamento.

Mesmo assim, o valor do custeio ficou em R$ 63,4 bilhões — R$ 65 bilhões se houver uma alteração na distribuição dos recursos, dando mais peso para os agricultores familiares. No ano de pico, o custeio seria de R$ 11,2 bilhões, abaixo dos R$ 22,4 bilhões estimados pela equipe econômica do governo.

Projeto é autorizativo e não impõe valores

Além da memória de cálculo apresentada pela FPA, a bancada tem criticado a omissão do governo ao não considerar que o projeto de lei é de caráter autorizativo. Isto quer dizer que não impõe um limite que deverá ser disponibilizado para renegociar as dívidas.

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“É um texto autorizativo de um dinheiro que não impacta nas receitas primárias do governo para atender, justamente, o setor primário da economia, que tem relação direta com inflação e exportação”, lembrou o coordenador da Comissão de Direito de Propriedade da FPA, deputado Evair de Melo (Republicanos-ES).

Na redação do projeto, está previsto que o Executivo é quem irá calibrar o tamanho da linha especial. Isso dá autonomia para o governo acomodar possíveis despesas orçamentárias.

Superávit primário não deverá ser impactado

Outra discussão que a pasta da Fazenda coloca é de que haveria impacto fiscal. Porém, na própria nota de divulgação dos valores, o Ministério reconhece que não haverá impacto no superávit primário com o uso dos recursos do Fundo Social. Também estão nas fontes os fundos constitucionais do Centro-Oeste (FCO), do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO), além do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

Na avaliação da FPA, o uso dos fundos constitucionais minimiza o custo e garante que a Lei de Responsabilidade Fiscal seja seguida. Isso porque as despesas não seriam primárias, mas sim do superávit dos fundos. Uma parcela do custeio para a equalização recairia sobre o Tesouro, mas isso pode ser equacionado pelo governo.

“Não tem um centavo de recurso primário se o governo não quiser utilizar. Ele pode utilizar recursos dos fundos. O governo não compreendeu nada do 5.122, porque não tem nenhum centavo de recurso primário e não pode causar declínio fiscal”, disse o coordenador institucional da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

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Projeto é resultado da negligência com o Seguro Rural

No levantamento da FPA, a bancada demonstra que o atual cenário de endividamento rural também é consequência da omissão do governo em relação ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). No último ano, a área segurada pelo programa correspondeu a apenas 3,27% da área plantada no país.

Para os parlamentares, se a política de seguro rural estivesse devidamente estruturada, o custo para prevenir perdas seria uma fração do valor hoje discutido em medidas de renegociação. O alerta se torna ainda mais grave diante do bloqueio de R$ 461,7 milhões no orçamento do PSR, anunciado na última semana, o que reduz a capacidade de proteção dos produtores justamente em um momento de crise no campo.

“A tentativa agora é de levar os cálculos aos líderes partidários, além do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para votar a matéria que permitirá, se aprovada, o acesso dos inadimplentes ao Plano Safra 2026/2027”, disse Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA. O temor é de que o quadro de endividamento acabe afetando ainda mais a tomada de crédito do produtor rural para a próxima safra, o que impactaria na produção e, consequentemente, na inflação de alimentos.

Fonte: Agência FPA



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Soja fecha outubro em queda no Brasil; o que esperar do mercado em novembro?

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Os preços da soja recuaram nas principais praças brasileiras ao longo de outubro. A movimentação no mercado físico perdeu ritmo diante do afastamento dos produtores, que priorizaram os trabalhos de plantio da nova safra. A desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago também pressionou as cotações, enquanto a forte valorização do dólar na reta final do mês ajudou a amenizar as perdas no mercado interno.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos começou outubro cotada a R$ 155,50 e encerra o mês a R$ 153,00. Em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 150,50 para R$ 149,00. Já em Rondonópolis (MT), a cotação recuou de R$ 148,00 para R$ 141,00. No Porto de Paranaguá, o referencial caiu de R$ 161,50 para R$ 160,00.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em janeiro, os mais negociados, acumularam queda de 6,05% em outubro, encerrando o período a US$ 12,30 por bushel. A boa evolução da colheita nos Estados Unidos, que caminha para uma safra recorde, pesou sobre as cotações e se sobrepôs ao suporte oferecido pela demanda chinesa.

No mercado cambial, o dólar encerra outubro com valorização superior a 5%. A moeda chegou a ser negociada abaixo de R$ 5,00 após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, mas avançou para patamares acima de R$ 5,60 após o resultado do segundo turno, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Na manhã de 30 de outubro, a cotação estava em R$ 5,43.

Plantio da soja avança no Brasil

Enquanto o mercado acompanha a movimentação dos preços, os trabalhos de campo seguem em ritmo satisfatório. Segundo levantamento da Safras & Mercado, o plantio da safra brasileira de soja 2026/27 alcançou 42,3% da área prevista até 23 de outubro. No mesmo período do ano passado, o índice era de 34,1%. A média histórica para a época é de 41%.

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A produção brasileira de soja na temporada 2026/27 está estimada em 181,837 milhões de toneladas, alta de 2% em relação às 178,341 milhões de toneladas projetadas para a safra anterior. Na estimativa precedente, a produção era calculada em 180,089 milhões de toneladas.

A área plantada deverá crescer 2,1%, passando de 48,543 milhões de hectares em 2025/26 para 49,542 milhões de hectares na nova temporada. Por outro lado, a produtividade média deve apresentar leve recuo, de 3.692 para 3.689 quilos por hectare, conforme a projeção da consultoria.

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Sustentabilidade

Análise semanal do mercado: em pouco mais de um mês o milho perdeu quase um dólar de seu valor em Chicago. – MAIS SOJA

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A cotação do milho, em Chicago, chegou a fechar o primeiro mês em US$ 4,48/bushel no dia 27/10, passando a US$ 4,51 na quinta-feira (29), contra US$ 4,60 uma semana antes. No dia 27/10 tivemos a mais baixa cotação desde o dia 13/08. Lembrando que o cereal chegou a US$ 5,43 no dia 21/09. Ou seja, em pouco mais de um mês o milho perdeu quase um dólar de seu valor em Chicago.

A pressão da colheita nos EUA vem reduzindo o preço do cereal. A mesma, até o dia 25/10, atingia a 60% da área semeada, contra 66% na média histórica.

Já na vizinha Argentina, o adido do USDA em Buenos Aires projeta uma produção de 62 milhões de toneladas de milho em 2026/27, o que seria 7 milhões a mais do que o relatório de oferta e demanda do próprio USDA anunciou em outubro. Segundo a mesma fonte, a Argentina deverá exportar 43 milhões de toneladas do cereal neste novo ano comercial, confirmando a maior concorrência para com o milho brasileiro. O adido também considerou uma área semeada de 8 milhões de hectares e uma produtividade média de 7.750 quilos/hectare. O consumo interno argentino seria de 19,1 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais atingiriam 5,6 milhões.

Entretanto, será preciso esperar o final da colheita, pois a Bolsa de Buenos Aires aponta que no oeste e no sul da região agrícola do vizinho país a umidade e baixas temperaturas estão atrasando o plantio, o qual está em 39,8% da área esperada. A mesma Bolsa avança uma projeção de colheita de 66 milhões de toneladas, superando largamente o que o adido estadunidense aponta.

E aqui no Brasil, diante da dificuldade nas exportações, pois, como vimos, a concorrência externa, especialmente da Argentina, está forte, os preços sofrem pressão baixista, embora ainda se mantenham em níveis mais elevados do que os praticados no primeiro semestre. Os mesmos oscilam entre R$ 44,00 e R$ 60,00/saco, destacando que muitas praças nacionais estavam sem cotação nesta última semana de outubro. De fato, a dificuldade para escoar a produção brasileira e a perda de competitividade nas exportações derrubaram os preços do milho no interior do país.

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Desde setembro, o saco do produto recuou 22% em Sorriso (MT) e 19% em Rio Verde (GO), por exemplo. Uma retomada dos preços estaria na dependência das compras internas, esperada a partir de dezembro. O problema nas exportações pode impedir que o país alcance até mesmo as 38 milhões de toneladas exportadas, quando o esperado no início do ano era 42 milhões. Isso significa maior disponibilidade interna do cereal, o que se soma a um cenário positivo esperado para a safra de verão, que avança uma projeção de colheita ao redor de 32 milhões de toneladas.

Além disso, o recuo das cotações internacionais, somado às fortes oscilações do câmbio tem influenciado para a redução da paridade de exportação (salvo nesta última semana devido ao comportamento atípico do câmbio devido ao resultado das eleições brasileiras) e contribuído para as baixas no mercado interno.

Compradores seguem cautelosos nas novas negociações, observando o ritmo da semeadura que, apesar do elevado volume de chuvas, vem ocorrendo de forma satisfatória, mantendo as boas previsões de oferta nos próximos meses. Do lado vendedor, produtores têm se mostrado mais flexíveis na comercialização, com receio de novas desvalorizações e/ou para formar caixa (cf. Cepea).

Dito isso, o plantio da primeira safra de milho 2026/27 chegou a 40% da área prevista no Brasil até 23 de outubro, segundo levantamento da Conab, contra 38,9% na média.

Por sua vez, as exportações de milho, por parte do Brasil, continuam em ritmo abaixo das registradas no ano passado. Nos 16 primeiros dias úteis de outubro, o Brasil exportou cerca de 4,15 milhões de toneladas do cereal, segundo dados divulgados pela Secex. A média diária ficou 12,1% abaixo da média registrada em outubro de 2025. O Brasil precisaria embarcar 6 milhões de toneladas em novembro, outros 6 milhões em dezembro e cerca de 5 milhões em janeiro para alcançar as 38 milhões de toneladas exportadas no atual ano comercial (cf. Agrinvest).

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Já no mercado interno do cereal, a produção de etanol de milho continua crescendo.

Segundo o Imea, o país produziu 2,9 milhões de metros cúbicos de etanol de milho entre julho e setembro de 2026, volume 23,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, a produção total de etanol no Brasil somou 14,51 milhões de metros cúbicos, alta de 0,8% na comparação anual. Com isso, a participação do etanol de milho, na produção nacional, passou de 16,29% em julhosetembro de 2025 para 20% em julho-setembro de 2026. O Mato Grosso segue como principal polo desse movimento. Entre julho e setembro de 2026, o estado produziu 1,76 milhão de metros cúbicos de etanol de milho, o equivalente a 60,72% do total estimado no país. Na sequência aparecem Mato Grosso do Sul, com 539.220 metros cúbicos, Goiás, com 262.020, e Maranhão, com 220.290 metros cúbicos. Juntos, esses quatro estados concentraram 95,92% da produção brasileira de etanol de milho no período. Uma das vantagens do milho para a indústria é a possibilidade de formação de estoques, o que permite abastecer as usinas ao longo de todo o ano. Diferentemente da cana-de-açúcar, essa característica reduz a dependência de uma
safra concentrada e favorece a continuidade das operações industriais.

Autor/Fonte: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (PPGDR/FIDENE/UNIJUI).

Fonte: CEEMA – UNIJUÍ

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Análise semanal do mercado da soja: cotações, em Chicago, continuaram derretendo nesta última semana de outubro – MAIS SOJA

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As cotações da soja, em Chicago, continuaram derretendo nesta última semana de outubro. O bushel da oleaginosa fechou a quinta-feira (29) em US$ 12,19, após US$ 12,24 na véspera e US$ 12,53 uma semana antes. Portanto, o primeiro mês cotado, depois de alcançar o nível de US$ 13,28/bushel no dia 21/09, despencou desde então, perdendo mais de um dólar em pouco mais de um mês.

Os motivos são: a forte pressão da colheita nos EUA (no dia 25/10 os produtores estadunidenses já haviam colhido 79%, contra 77% na média histórica, de uma área que deverá render um total de pouco mais de 124 milhões de toneladas – um recorde para aquele país); o avanço do plantio na América do Sul, onde se espera uma colheita também recorde no Brasil, com pouco mais de 181 milhões de toneladas; a venda de contratos pelos Fundos, os quais estavam em posição muito comprada na especulação em Chicago; a falta de novidades no front das guerras no Leste Europeu e no Oriente Médio, com o mercado absorvendo os efeitos da mesma, pelo menos até o momento.

Aqui no Brasil, as turbulências cambiais ocorridas no dia 26/10, após o resultado da eleição presidencial da véspera, levou a muitas praças a saírem do mercado. A média gaúcha ficou, na semana, em R$ 138,00/saco, enquanto nas praças nacionais que se mantiveram funcionando, os valores oscilaram entre R$ 132,00 e R$ 141,00/saco.

Em termos de câmbio, foi o mesmo que sustentou os preços nesta semana. Após chegar a R$ 5,60 no dia 26/10, contra US$ 4,99 três dias antes, o mercado cambial passou a se estabilizar chegando a R$ 5,35 no início da manhã do dia 29/10. Aos poucos o mercado deverá voltar aos níveis de antes do primeiro turno eleitoral, quando trabalhou entre R$ 5,00 e R$ 5,20 por dólar.

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Afora isso, os demais elementos do mercado apontaram viés de baixa, contrabalanceados pelo fato de que o país está em plena entressafra, com exportações importantes a cada semana. Dito isso, parte do mercado alerta que se ocorrerem condições climáticas semelhantes às registradas durante o El Niño de 2023/24, pode haver redução de 9,7% na produção brasileira de soja da safra 2026/27, o que significaria uma perda de 17,6 milhões de toneladas em relação ao esperado, fato que levaria o volume final para 163,6 milhões de toneladas na próxima colheita. Um volume, inclusive, menor do que o colhido na última safra.

Por sua vez, o Brasil passou a temer as novas regulamentações da União Europeia contra o desmatamento. As mesmas podem reduzir as exportações do nosso farelo de soja para aquela região, abrindo espaço para a Argentina. O Brasil é o maior fornecedor de farelo de soja para ração animal da UE, respondendo por cerca de metade das importações do bloco no ano passado No total, nosso país exportou um volume recorde de 23,3 milhões de toneladas de farelo de soja em 2025, para todos os destinos (Cf. Federação Europeia de Fabricantes de Ração-FEFAC). Ora, a partir do dia 30 de dezembro próximo a UE “exigirá que os importadores comprovem que seus produtos não estão vinculados a terras desmatadas, com penalidades significativas em caso de descumprimento”. Pois no Brasil, nas últimas décadas, grandes áreas do centro, norte e nordeste do país se tornaram produtoras de soja em cima do desmatamento de terras, algo que não ocorreu na Argentina porque sua produção corre nas planícies do Pampa. Diante disso, a FEFAC aponta que os requisitos de rastreabilidade previstos podem excluir até 4 milhões de toneladas de farelo de soja brasileiro das importações europeias, volume que representaria 17% do total das nossas exportações do subproduto. Neste sentido, o Brasil recebeu uma recomendação de risco “médio”, com o Estado do Mato Grosso, na região CentroOeste, e outros, enfrentando “obstáculos estruturais e logísticos” que poderiam restringir a expansão de cadeias de abastecimento totalmente em conformidade com a regra europeia do desmatamento.

Pelo sim ou pelo não, a indústria argentina de esmagamento vem se preparando para ocupar o espaço, caso os exportadores  brasileiros encontrem dificuldades para cumprir as regras mais rígidas da UE. Aliás, nesse sentido, na mais recente avaliação de risco, a FEFAC considerou a Argentina em risco baixo, projetando que quase toda a safra de farelo de soja do país, no primeiro semestre de 2027, atenderia aos requisitos. A Argentina é a maior exportadora mundial de farelo de soja, tendo exportado cerca de 27 milhões de toneladas no ano passado, das quais aproximadamente um quarto foi destinado ao Sudeste Asiático. O Paraguai também se posiciona positivamente para exportar aos europeus. Segundo a Câmara de Moagem de Grãos do Paraguai, o país possui “condições estruturais favoráveis” para atender aos requisitos europeus. Na região Oriental, onde é cultivada a maior parte da soja, uma lei, aprovada em 2004, proíbe o desmatamento para uso agrícola. Assim como a Argentina, o Paraguai recebeu uma recomendação de baixo
risco da FEFAC.

Enquanto isso, o plantio da safra brasileira de soja 2026/27 avançou para 42,8% da área prevista até 23 de outubro, segundo a Conab, contra a média de 40,2% das últimas cinco safras. O Mato Grosso segue puxando o avanço nacional e já alcançou 75,8% da área prevista, contra a média histórica de 70,3%. No Rio Grande do Sul, até o dia 29/10, o plantio atingia a 10% da área esperada, contra 12% na média (cf.  Emater)

Enfim, segundo o escritório do USDA em Brasília, mesmo o Brasil colhendo uma safra recorde em 2026/27, os estoques finais nacionais cairiam para 3,96 milhões de toneladas, ou seja, 35% a menos do que os registrados no ano anterior. Isso porque as  exportações brasileiras de soja em grão deverão alcançar 117,5 milhões de toneladas em 2026/27, com crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior. Já o esmagamento interno da oleaginosa também deverá ser um novo recorde. O mesmo atingiria a 65 milhões de toneladas, com aumento de aproximadamente 2,4% sobre o ano anterior.

Com isso, o consumo total do grão, que inclui o processamento industrial e outras utilizações, deverá passar para 69,6 milhões de toneladas. Vale ainda destacar que a maior demanda por óleo de soja, especialmente para a produção de biodiesel, poderá ampliar a importância da indústria como compradora do grão brasileiro em 2027.

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Assim, “para os produtores, a evolução das condições climáticas e a confirmação do tamanho da safra serão fundamentais para determinar se os estoques brasileiros  efetivamente alcançarão os níveis projetados. Ao mesmo tempo, a expansão das exportações e da demanda industrial deverá estar entre os principais fatores de atenção para o mercado de soja em 2027” (Cf. Notícias Agrícolas)

Autor/Fonte: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (PPGDR/FIDENE/UNIJUI).

Fonte: CEEMA – UNIJUÍ

 

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