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19 de setembro de 2026

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Conhecido por dar origem à tequila, agave vira aposta para produção de bioenergia no Brasil

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Foto: Reprodução/Planeta Campo

Conhecido mundialmente por ser a matéria-prima da tequila no México, o agave ganha espaço no Brasil como aposta para produção de bioenergia em regiões de clima seco.

Pesquisas conduzidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicam que a planta, adaptada a altas temperaturas e baixa disponibilidade de água, pode abrir caminho para uma nova fronteira agrícola e industrial no semiárido.

O estudo integra o programa Brave (Brazilian Agave Development), desenvolvido em parceria entre a universidade e o Senai Cimatec, e busca estruturar toda a cadeia produtiva do agave voltada à geração de biocombustíveis.

Segundo o professor titular do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, Gonçalo Pereira, o desafio global da energia passa pela capacidade de transformar luz solar em energia química, processo realizado naturalmente pelas plantas por meio da fotossíntese. Nesse cenário, culturas tradicionalmente utilizadas para energia, como cana-de-açúcar, milho e sorgo, enfrentam limitações em ambientes de altas temperaturas e restrição hídrica.

“É um tipo de planta que é muito conhecido no México porque ela dá origem a tequila. Você pode não conhecer o agave, mas a tequila é difícil você não conhecer. A tequila é uma espécie de cachaça. A cachaça do México, assim como a cachaça, uma bebida brasileira que vem da cana, no México eles tinham a tequila que vem do agave”, afirmou Pereira.

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É justamente nesse ponto que o agave chama atenção. Adaptada às regiões semiáridas, a planta apresenta elevada eficiência no aproveitamento da radiação solar e consegue manter produtividade mesmo sob condições extremas.

Produção

Embora seja associado à produção de tequila, o agave possui características semelhantes às da cana em termos de rendimento por hectare. A diferença está na resistência climática e no tipo de açúcar armazenado.

Enquanto a cana acumula sacarose, o agave produz cadeias de frutose, compostos que ajudam na retenção de água e podem ser convertidos em biocombustíveis.

A proposta ganha relevância no contexto brasileiro, afinal, o sertão concentra o semiárido mais populoso do mundo, com cerca de 24 milhões de habitantes. Além disso, o Brasil já ocupa posição de destaque na produção de agave para fibras, especialmente com o cultivo do agave sisalana.

A implantação de biorrefinarias pode estimular a industrialização regional, gerando empregos, demanda por formação técnica e fortalecimento econômico local, processo semelhante ao observado em regiões impulsionadas pelo setor sucroenergético.

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Próximos passos

Atualmente, o projeto já avançou na seleção das variedades mais promissoras e na definição dos processos de produção. A próxima etapa depende do tempo de desenvolvimento das plantas em escala de campo.

Mesmo antes da conclusão das pesquisas, uma empresa já decidiu investir no cultivo em larga escala, com previsão de implantação de uma área de 120 mil hectares destinada à produção de agave.

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Conab levanta custos de produção de mandioca e laranja na Bahia

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou, entre os dias 14 e 18 de setembro, painéis técnicos para levantamento dos custos de produção de mandioca e laranja em municípios da Bahia. A ação ocorreu em Cruz das Almas, Sapeaçu, Conceição do Almeida, Rio Real e Inhambupe e reuniu representantes das cadeias produtivas das duas culturas.

O trabalho teve como objetivo coletar informações que serão usadas no cálculo dos custos de produção, com aplicação em estudos, análises e políticas públicas voltadas ao setor. A programação incluiu visitas técnicas, reuniões locais e articulação com sindicatos, cooperativas, produtores rurais, associações, instituições financeiras, órgãos públicos, entidades de assistência técnica, centros acadêmicos, movimentos sociais e empresas de insumos.

As reuniões de consolidação e coleta de dados foram realizadas em Cruz das Almas, no dia 15, para a mandioca, e em Inhambupe, no dia 17, para a laranja, entre outros municípios. Nos encontros, os participantes contribuíram com o levantamento de coeficientes técnicos e preços de fertilizantes, defensivos, mão de obra, máquinas, equipamentos e outros insumos usados na produção.

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Segundo a Conab, a atualização considera informações apresentadas pelos participantes sobre as condições de produção observadas nas áreas visitadas. A estimativa de participação nas reuniões foi de 15 a 20 pessoas, além de três técnicos responsáveis pela condução das atividades.

Os dados coletados passarão por análise técnica e sistematização antes de serem incorporados aos estudos oficiais de custos agropecuários. O processo integra o monitoramento dos custos de produção de culturas agrícolas realizado no estado.

De acordo com a Conab, as informações levantadas vão subsidiar estudos econômicos, programas governamentais e ações voltadas aos produtores, além de servir de referência para indicadores ligados às cadeias de mandioca e laranja na Bahia.

Fonte: gov.br

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Recuo define o mercado de soja no fim desta semana; saiba os preços no Brasil

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Foto: Pixapay

O mercado brasileiro de soja teve pouca movimentação nesta sexta-feira (18), em uma sessão marcada pela queda das cotações na Bolsa de Chicago. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que o grão acompanhou o recuo do farelo e também sentiu a pressão exercida pelo avanço da colheita americana sobre os preços.

No mercado brasileiro, os recuos foram mais perceptíveis nos portos, acompanhando a paridade. Ainda assim, Silveira ressalta que o mercado permanece bastante nominal e que não houve grandes perdas de valor no grão.

Os vendedores seguem pressionando os compradores, com pedidas elevadas, enquanto as ofertas de compra apresentam pouca alteração, apesar de já estarem em níveis considerados fortes.

“Seguimos com um spread forte no mercado disponível, de até R$ 7,00 por saca, dependendo da praça, mas sem movimentos”, destaca Silveira.

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No mercado físico, as cotações tiveram movimentos distintos entre as principais praças acompanhadas. Confira os preços:

  • Passo Fundo (RS): recuou de R$ 154,50 para R$ 154,00
  • Santa Rosa (RS): recuou de R$ 155,50 para R$ 154,00
  • Cascavel (PR): recuou de R$ 152,00 para R$ 151,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 148,00 para R$ 149,00
  • Paranaguá (PR): recuou de R$ 163,00 para R$ 162,00
  • Rio Grande (RS): recuou de R$ 163,50 para R$ 162,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta sexta-feira, reduzindo os ganhos semanais. A sessão foi marcada por um movimento de realização de lucros e vendas técnicas.

Os agentes aguardam o encontro, em Washington, dos presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, no final da próxima semana. A expectativa é de novos acordos comerciais entre as duas potências, o que poderia resultar em mais vendas de soja americana para o país asiático.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 111.000 toneladas de soja à China, que serão entregues na temporada 2026/27.

A Sinograin, empresa estatal chinesa responsável pelos estoques estratégicos, retomou os leilões de grandes volumes de soja importada após uma pausa de aproximadamente um mês, antes da esperada cúpula entre Xi Jinping e Trump.

O leilão da próxima terça-feira incluirá 543 mil toneladas de soja, produzidas entre 2023 e 2025, informou o Centro Nacional de Comércio de Grãos em um comunicado. Antes desse anúncio, a Sinograin havia realizado cinco leilões de mais de 200 mil toneladas de soja importada desde julho, uma medida que, segundo traders, teria como objetivo liberar espaço de armazenamento para a chegada prevista de soja dos Estados Unidos.

Abiove

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou nesta sexta-feira (18/9) que a produção brasileira de soja deve chegar a 180,4 milhões de toneladas. Não houve mudanças em relação ao dado divulgado no mês passado.

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A entidade revisou para baixo, em 0,3%, sua estimativa para exportação de soja em grão no país, agora calculada em 115 milhões de toneladas. O motivo foi o aumento de compras chinesas por produto norte-americano.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 16,25 centavos de dólar ou 1,23%, a US$ 13,03 1/2 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,20 por bushel, com retração de 17,00 centavos de dólar ou 1,27%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 12,70 ou 3,42% a US$ 358,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 68,22 centavos de dólar, com perda de 0,93 centavo ou 1,34%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,11%, sendo negociado a R$ 5,1452 para venda e a R$ 5,1432 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1232 e a máxima de R$ 5,1657. Na semana, a valorização ficou em 0,42%.

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Da China ao campo: custos, crédito e mercado exigem novas estratégias do produtor brasileiro

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O cenário internacional está cada vez mais conectado às decisões tomadas dentro da porteira. Custos de produção, acesso ao crédito e mudanças no mercado de commodities exigem dos produtores brasileiros um planejamento mais preciso para as próximas safras.

A relação com a China ajuda a mostrar essa conexão. O país asiático importa potássio da Rússia e de Belarus, enquanto o Brasil depende do mercado externo para parte importante dos fertilizantes utilizados na produção agrícola.

A combinação entre custos elevados e dificuldade de financiamento já interfere nas decisões para as próximas safras. Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, aponta o crédito como um dos principais obstáculos enfrentados atualmente pelo produtor.

Considerando fertilizantes, sementes e defensivos, o desembolso à vista chega a cerca de 30,33 sacas por hectare no Cerrado brasileiro. A avaliação é de que a combinação entre custo e dificuldade de financiamento pode levar à redução da adubação, especialmente com impacto sobre os fertilizantes fosfatados.

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“Eu acho bastante complexo você depender 100% do mercado externo, porque isso em alguns casos o produtor vai pagar a conta”, avalia Souza.

O cenário também exige atenção ao momento de compra dos insumos. A China é autossuficiente em nitrogênio e fósforo, mas precisa importar potássio. Assim como acontece com soja, milho e algodão, o planejamento das compras de fertilizantes pode ajudar o produtor a aproveitar momentos mais favoráveis.

“A nossa missão é buscar janelas de oportunidades e uma coisa que eu percebo é de que a janela está cada vez mais curta”, pontua Souza ao Patrulheiro Agro.

soja exportação china foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Gestão do risco entra no planejamento da produção

A preocupação com os custos não termina na compra dos insumos. A formação do preço de venda também precisa estar ligada ao custo de produção, à produtividade e às ferramentas disponíveis para proteger as margens.

Marcos Araújo, sócio-diretor da Agrinvest Commodities, destaca quatro pontos dentro dessa gestão: formação de preço, conhecimento das ferramentas de proteção, estratégias comerciais e o lucro, quarto pilar e considerado o “chefe”. O objetivo final, na avaliação apresentada por ele, é preservar o resultado da atividade.

“O preço de venda da soja, do milho, do algodão é uma consequência do seu custo de produção e da sua produtividade”, resume.

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Entre março e agosto, o custo e o carrego acrescentaram R$ 30,73 por saca de soja, conforme análise apresentada pela consultoria. Considerando uma produtividade de 70 sacas por hectare, o impacto supera R$ 2 mil por hectare em relação às referências de Chicago e Nova York.

Esse ambiente torna ainda mais importante acompanhar as variáveis que interferem na formação dos preços. “Não dá para você navegar no escuro em um mundo globalizado com essa economia tão dinâmica”, observa Araújo.

A comercialização também está diretamente ligada ao fluxo entre os países. Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities, explica que o tempo necessário para a soja sair do Brasil e chegar à China influencia esse processo.

A formação dos preços depende das janelas de oferta e demanda, além da velocidade com que o produtor brasileiro vende e da necessidade de compra dos chineses. Conhecer esse fluxo pode reduzir decisões tomadas apenas com base na expectativa de preços.

“Com isso ele ganha duas coisas, primeiro ele acaba especulando menos e o segundo ele acaba se programando melhor”, destaca Vanin.

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soja exportação china foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

China amplia visão sobre mercado e logística

A aproximação com o mercado chinês também permite aos produtores brasileiros observar como funciona uma das principais pontas da cadeia. Há cinco anos, o programa de consultoria da Agrinvest Commodities reúne produtores de grãos em agendas voltadas ao mercado e ao conhecimento, incluindo visitas técnicas a indústrias processadoras de soja e milho.

Clima, janela de plantio e tamanho da produção brasileira interferem no fluxo de mercadorias e, consequentemente, na formação dos preços. O fenômeno climático El Niño também entra nessa equação, mas como mais um componente entre os fatores que determinam esse movimento.

“O produtor tem que ter a consciência que esse fluxo é sazonal e o impacto do El Niño na formação do preço da soja para o produtor brasileiro vai depender dessas janelas”, explica Vanin.

A experiência também muda a perspectiva de quem produz no Brasil. Victor Hugo Rosseto Beloto cultiva 500 hectares de soja em Toledo, no Oeste do Paraná, e destaca a importância de acompanhar diferentes mercados para tomar decisões de comercialização.

“A gente busca uma tomada de decisão mais assertiva, na hora de comercializar, que é o momento que a gente garante a rentabilidade da nossa propriedade”, diz o agricultor ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da China, ele acompanha o mercado europeu, que também influencia os negócios brasileiros. Esse monitoramento precisa fazer parte da rotina do produtor. “A gente tem que se atentar todo ano em acompanhar o mercado não só o da China, mas também o da Europa que também influencia muito o nosso”.

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As visitas também colocam a logística brasileira em perspectiva. Antônio Ignácio Barbosa Filho, que produz 2,5 mil hectares de soja, 1,5 mil hectares de milho e mantém 600 hectares de pastagens em Pedro Afonso, no Tocantins, chama atenção para a estrutura chinesa para receber produtos.

A infraestrutura e a velocidade de movimentação observadas no país levantam discussões sobre os gargalos brasileiros e sobre a necessidade de preparação para atender uma demanda internacional que pode continuar crescendo.

A experiência também trouxe uma percepção diferente sobre a capacidade brasileira de movimentar produtos, segundo o engenheiro agrônomo Rafael Grimm Marques. Apesar das dificuldades logísticas, o país consegue escoar volumes expressivos de exportação.

O problema está no custo dessa movimentação. A comparação com a China também abre espaço para discutir não apenas logística, mas o processamento da produção dentro do Brasil. “Agregação de valor e faturamento é um componente muito importante que a gente tem que ficar de olho”, avalia Marques.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro

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