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A trajetória que transformou a Fazenda Dois Irmãos em referência no milho

Chegar a Mato Grosso quando a BR-163 que corta o estado ainda era de chão, abrir áreas de Cerrado e construir uma propriedade praticamente do zero. Foi assim que começou a história da Fazenda Dois Irmãos, em Primavera do Leste, uma trajetória marcada pelo trabalho em família e pela busca constante por produtividade.
Ao longo de mais de quatro décadas, a propriedade se consolidou como referência na produção de milho, acumulando premiações e resultados expressivos. Hoje, a gestão reúne a experiência do fundador Sérgio Fava e a participação dos filhos Fernando e Miguel, que ajudam a dar continuidade ao legado construído pela família.
Natural de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Sérgio chegou à região em 1982. Na época, o que seria apenas uma visita da família a um primo acabou se transformando em uma oportunidade de investimento. “Tem uma fazenda ao lado aqui para vender. Vocês não querem comprar?”, ouviu durante a viagem.
A área chamou a atenção da família e o negócio foi fechado. “Era tudo Cerrado, estrada de chão, não tinha nada ainda. Então, investimos”, relembra Sérgio em entrevista ao Especial Mais Milho.
O nome Fazenda Dois Irmãos surgiu justamente da sociedade entre Sérgio e o irmão. Décadas depois, a ligação familiar permanece presente na propriedade e já alcança uma nova geração.
Quando completou 18 anos, Sérgio decidiu que construiria sua vida em Mato Grosso. “Eu botei na minha cabeça que o futuro era aqui. Que eu tinha que fazer o meu futuro”. Com dois tratores transportados em um caminhão, mudou-se para a fazenda e iniciou o trabalho de formação das áreas agrícolas.
“Gradeava, catava raiz, fiz tudo o que tinha que fazer. Era eu e um funcionário aqui”, conta. Os primeiros cultivos foram de arroz, utilizado para ajudar na abertura das áreas. Conforme o produtor, a cultura não gerava grandes lucros, mas permitia manter a atividade. “Nunca deu lucro o arroz, mas também não dava prejuízo, pagava as contas”.
Os desafios dos primeiros anos iam muito além da produção. A infraestrutura era limitada, o acesso a crédito era mais difícil e cidades como Jaciara serviam de apoio para quem chegava à região. Sérgio lembra que o apoio de vizinhos e amigos foi fundamental naquele período. “O pessoal ajudou muito a gente”.
Apesar das dificuldades, desistir nunca esteve nos planos. O que mais pesava era a distância da família que permaneceu no Sul. “Desistir nunca pensei, mas a distância da família, essa foi uma coisa que pesou bastante”, conta ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
O milho como motor do crescimento
Se a soja ajudou a consolidar a atividade agrícola, foi o milho que impulsionou os investimentos na propriedade.
A relação da Fazenda Dois Irmãos com a cultura ganhou destaque em 2003, quando a fazenda ultrapassou a marca de 100 sacas por hectare, um resultado considerado excepcional para a época.
“De todos os recordes de produção em 2003 ultrapassei 100 sacas de milho por hectare”, recorda Sérgio. O desempenho lhe rendeu uma premiação entregue por Alysson Paulinelli. “Era um sonho 100 sacas”.
O resultado não veio por acaso. Nos primeiros anos de cultivo, o produtor apostou em manejos que ainda começavam a ser adotados na região. “Colhia a soja, passava o nivelador, largou o Egan no primeiro ano. Deu umas chuvas a mais e produziu bem. Aí vimos que dava resultado”.
O sucesso da lavoura reforçou a importância econômica da cultura dentro da fazenda. “Hoje, a soja paga a conta da fazenda, mas quem te dá o lucro para tu fazer o investimento é o milho”.
Dois anos depois, em 2005, a propriedade voltou a ser reconhecida pelos resultados obtidos no campo. “Ganhei um prêmio da Bayer também com quatro materiais que foram as melhores médias da região”.
Os bons desempenhos continuaram ao longo dos anos. Na safra mais recente, a Fazenda Dois Irmãos registrou média de 80 sacas por hectare na soja e 172 sacas por hectare no milho safrinha.
Nova geração e agricultura de precisão
Parte da evolução da produtividade está ligada à incorporação de novas tecnologias e ao trabalho da nova geração da família.
Há cerca de 16 anos atuando na propriedade, Fernando Fava acompanha de perto as mudanças que ocorreram na cultura do milho. Segundo ele, o produtor passou a enxergar a safrinha de forma diferente.
“Antes o cara plantava milho como uma safrinha. ‘Vou jogar um cheirinho de nitrogênio ali e deu que deu’. Como a cultura foi ficando mais rentável, o pessoal começou a olhar mais como uma forma de ter mais lucro”.
Além dos avanços no manejo, Fernando destaca a evolução da genética e dos materiais disponíveis no mercado. “As variedades vieram com mais teto produtivo, mais exigentes. E a gente foi acompanhando essas exigências do material e, graças a Deus, foi colhendo mais”, relata Fernando à reportagem.
Entre as ferramentas utilizadas na fazenda está o Bayer VALora Milho, plataforma que utiliza dados históricos da propriedade, características dos talhões e informações agronômicas para recomendar diferentes populações de plantas dentro de uma mesma área.
De acordo com Fernando, a tecnologia busca adequar o potencial produtivo de cada ambiente à quantidade ideal de sementes. “A recomendação vem de acordo com o teu talhão e a quantidade de semente jogada é o que define”.
Ele ressalta que as decisões são tomadas em conjunto entre equipe técnica e produtor. “A gente senta junto com o pessoal da Bayer e analisa junto”.
Conforme Jorge Luis Pelisson, líder da unidade de negócios Cerrados e Milho da Bayer, a ferramenta cruza dados de pesquisa, histórico produtivo e inteligência artificial para gerar recomendações específicas para cada ambiente.
“O cliente tem a lavoura dele, tem o histórico, e a gente cruza com os nossos dados de pesquisa, experimentação e inteligência artificial para recomendar para cada situação”, explica.
A proposta é distribuir melhor as populações de plantas conforme o potencial produtivo do solo. “Onde tem melhor ambiente se coloca mais, onde o ambiente não é tão favorável, a gente coloca menos”.
Fernando avalia que tecnologias como essa ganham ainda mais importância em propriedades que apresentam grande variabilidade de solo. “O VALora encaixa perfeitamente nisso aí. Vai tentar fazer você produzir mais uniforme e, para o produtor, é muito melhor”.

Evoluir safra após safra
Mesmo com índices que já colocam a propriedade entre as mais produtivas da região, a meta continua sendo avançar.
Para Fernando, o caminho passa por aperfeiçoamentos constantes e atenção aos detalhes. “Às vezes eu não almejo 10 sacas a mais. Mas duas, três sacas a mais ano que vem. Daqui dois anos seis sacas. E daqui cinco anos a gente está colhendo 200 sacas de milho”.
Segundo ele, resultados elevados exigem precisão em todas as etapas do manejo. “A partir das 160 sacas de milho você já está no detalhe. Tudo tem que ser detalhado. Um errinho, você perde cinco sacas”, salienta ao Canal Rural Mato Grosso.
Além da genética e das ferramentas digitais, o supervisor da Fazenda Dois Irmãos destaca a importância da construção gradual da fertilidade do solo e do equilíbrio do sistema produtivo. “A gente vem criando um ambiente ao longo do tempo favorecendo a soja e o milho. A gente tenta melhorar aos poucos”.
É essa busca contínua por evolução que ajuda a explicar a trajetória da Fazenda Dois Irmãos. Uma história iniciada quando a BR ainda era de chão, construída com trabalho familiar, investimentos em tecnologia e uma convicção que acompanha Sérgio Fava desde a juventude: o futuro estava em Mato Grosso.
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Da China ao campo: custos, crédito e mercado exigem novas estratégias do produtor brasileiro

O cenário internacional está cada vez mais conectado às decisões tomadas dentro da porteira. Custos de produção, acesso ao crédito e mudanças no mercado de commodities exigem dos produtores brasileiros um planejamento mais preciso para as próximas safras.
A relação com a China ajuda a mostrar essa conexão. O país asiático importa potássio da Rússia e de Belarus, enquanto o Brasil depende do mercado externo para parte importante dos fertilizantes utilizados na produção agrícola.
A combinação entre custos elevados e dificuldade de financiamento já interfere nas decisões para as próximas safras. Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, aponta o crédito como um dos principais obstáculos enfrentados atualmente pelo produtor.
Considerando fertilizantes, sementes e defensivos, o desembolso à vista chega a cerca de 30,33 sacas por hectare no Cerrado brasileiro. A avaliação é de que a combinação entre custo e dificuldade de financiamento pode levar à redução da adubação, especialmente com impacto sobre os fertilizantes fosfatados.
“Eu acho bastante complexo você depender 100% do mercado externo, porque isso em alguns casos o produtor vai pagar a conta”, avalia Souza.
O cenário também exige atenção ao momento de compra dos insumos. A China é autossuficiente em nitrogênio e fósforo, mas precisa importar potássio. Assim como acontece com soja, milho e algodão, o planejamento das compras de fertilizantes pode ajudar o produtor a aproveitar momentos mais favoráveis.
“A nossa missão é buscar janelas de oportunidades e uma coisa que eu percebo é de que a janela está cada vez mais curta”, pontua Souza ao Patrulheiro Agro.
Gestão do risco entra no planejamento da produção
A preocupação com os custos não termina na compra dos insumos. A formação do preço de venda também precisa estar ligada ao custo de produção, à produtividade e às ferramentas disponíveis para proteger as margens.
Marcos Araújo, sócio-diretor da Agrinvest Commodities, destaca quatro pontos dentro dessa gestão: formação de preço, conhecimento das ferramentas de proteção, estratégias comerciais e o lucro, quarto pilar e considerado o “chefe”. O objetivo final, na avaliação apresentada por ele, é preservar o resultado da atividade.
“O preço de venda da soja, do milho, do algodão é uma consequência do seu custo de produção e da sua produtividade”, resume.
Entre março e agosto, o custo e o carrego acrescentaram R$ 30,73 por saca de soja, conforme análise apresentada pela consultoria. Considerando uma produtividade de 70 sacas por hectare, o impacto supera R$ 2 mil por hectare em relação às referências de Chicago e Nova York.
Esse ambiente torna ainda mais importante acompanhar as variáveis que interferem na formação dos preços. “Não dá para você navegar no escuro em um mundo globalizado com essa economia tão dinâmica”, observa Araújo.
A comercialização também está diretamente ligada ao fluxo entre os países. Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities, explica que o tempo necessário para a soja sair do Brasil e chegar à China influencia esse processo.
A formação dos preços depende das janelas de oferta e demanda, além da velocidade com que o produtor brasileiro vende e da necessidade de compra dos chineses. Conhecer esse fluxo pode reduzir decisões tomadas apenas com base na expectativa de preços.
“Com isso ele ganha duas coisas, primeiro ele acaba especulando menos e o segundo ele acaba se programando melhor”, destaca Vanin.

China amplia visão sobre mercado e logística
A aproximação com o mercado chinês também permite aos produtores brasileiros observar como funciona uma das principais pontas da cadeia. Há cinco anos, o programa de consultoria da Agrinvest Commodities reúne produtores de grãos em agendas voltadas ao mercado e ao conhecimento, incluindo visitas técnicas a indústrias processadoras de soja e milho.
Clima, janela de plantio e tamanho da produção brasileira interferem no fluxo de mercadorias e, consequentemente, na formação dos preços. O fenômeno climático El Niño também entra nessa equação, mas como mais um componente entre os fatores que determinam esse movimento.
“O produtor tem que ter a consciência que esse fluxo é sazonal e o impacto do El Niño na formação do preço da soja para o produtor brasileiro vai depender dessas janelas”, explica Vanin.
A experiência também muda a perspectiva de quem produz no Brasil. Victor Hugo Rosseto Beloto cultiva 500 hectares de soja em Toledo, no Oeste do Paraná, e destaca a importância de acompanhar diferentes mercados para tomar decisões de comercialização.
“A gente busca uma tomada de decisão mais assertiva, na hora de comercializar, que é o momento que a gente garante a rentabilidade da nossa propriedade”, diz o agricultor ao Canal Rural Mato Grosso.
Além da China, ele acompanha o mercado europeu, que também influencia os negócios brasileiros. Esse monitoramento precisa fazer parte da rotina do produtor. “A gente tem que se atentar todo ano em acompanhar o mercado não só o da China, mas também o da Europa que também influencia muito o nosso”.
As visitas também colocam a logística brasileira em perspectiva. Antônio Ignácio Barbosa Filho, que produz 2,5 mil hectares de soja, 1,5 mil hectares de milho e mantém 600 hectares de pastagens em Pedro Afonso, no Tocantins, chama atenção para a estrutura chinesa para receber produtos.
A infraestrutura e a velocidade de movimentação observadas no país levantam discussões sobre os gargalos brasileiros e sobre a necessidade de preparação para atender uma demanda internacional que pode continuar crescendo.
A experiência também trouxe uma percepção diferente sobre a capacidade brasileira de movimentar produtos, segundo o engenheiro agrônomo Rafael Grimm Marques. Apesar das dificuldades logísticas, o país consegue escoar volumes expressivos de exportação.
O problema está no custo dessa movimentação. A comparação com a China também abre espaço para discutir não apenas logística, mas o processamento da produção dentro do Brasil. “Agregação de valor e faturamento é um componente muito importante que a gente tem que ficar de olho”, avalia Marques.
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Acrismat promove encontros sobre gestão e eficiência na suinocultura em MT

Suinocultores e profissionais da cadeia produtiva de Mato Grosso terão acesso a encontros gratuitos voltados à gestão, sanidade e eficiência na criação de suínos. A programação, promovida pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), será realizada nos dias 6 e 9 de outubro, em Lucas do Rio Verde e Rondonópolis, respectivamente.
As atividades começam às 18h, nos sindicatos rurais dos dois municípios, e são abertas a produtores, técnicos, estudantes e demais interessados na suinocultura. A proposta é levar informações técnicas às regiões produtoras e ampliar a aproximação entre a entidade e os profissionais que atuam no setor.
Entre os assuntos previstos estão o controle de micotoxinas, a redução do uso de antibióticos, a nutrição de precisão e as estratégias de manejo voltadas à sobrevivência e ao desenvolvimento dos animais. A gestão de pessoas e a liderança também fazem parte da programação.
A iniciativa ocorre em um cenário em que decisões relacionadas à alimentação, sanidade e organização das propriedades estão diretamente ligadas ao desempenho da produção. Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, os encontros devem contribuir para a troca de conhecimento e a discussão de soluções aplicáveis à rotina dos produtores.
“Queremos aproximar cada vez mais a Acrismat dos produtores e profissionais que constroem diariamente a suinocultura de Mato Grosso. Esses encontros são oportunidades para compartilhar conhecimento, discutir os desafios da atividade e apresentar soluções que possam ser aplicadas na rotina das propriedades”, afirma.
Programação reúne especialistas em duas regiões
A primeira edição do Encontro Regional da Suinocultura será realizada em 6 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde. A programação inclui três palestras, com temas relacionados à gestão, aos desafios sanitários e à nutrição dos animais.
Guto Zanata, da SerHumano Profissional, ministrará a palestra “Boas Práticas de Gestão e Liderança para associados da Acrismat”. O conteúdo abordará a gestão de pessoas e a liderança como aspectos relacionados ao desempenho de propriedades e empresas do setor.
Na sequência, Marcus Rezende, da Olmix/Brasil Central, apresentará o tema “Micotoxinas 2026: o que os dados revelam e o que vem pela frente”. A discussão será direcionada às informações atuais e às perspectivas sobre as micotoxinas, que representam desafios para a produção de suínos.
Encerrando o encontro em Lucas do Rio Verde, Daniel Graciolli, da De Heus, falará sobre “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”. A palestra tratará de ferramentas e estratégias nutricionais para apoiar a eficiência produtiva e a tomada de decisões em períodos de dificuldade.
Em Rondonópolis, o encontro será realizado no dia 9 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural do município. A programação também contará com a palestra de Guto Zanata sobre boas práticas de gestão e liderança.
A segunda edição terá ainda a participação de Katiuscia Mota, da Feedis/Brasil Central, com o tema “Suinocultura com menos antibióticos: o que podemos fazer?”. A especialista abordará estratégias nutricionais para fortalecer a resistência dos animais diante dos desafios sanitários e contribuir para a redução do uso de antibióticos.
Marco Lubas, da De Heus, apresentará novamente o tema “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”.
A programação em Rondonópolis será concluída por Bruna Alves Caetano, da Tecnomerc, com a palestra “Visão holística do especialista: compreensão fisiológica, manejo e estratégias práticas focadas na sobrevivência e no desenvolvimento de longo prazo dos suínos”.
Com os dois encontros, a Acrismat pretende ampliar o acesso a informações técnicas e incentivar a troca de experiências entre os participantes. As atividades serão gratuitas e realizadas nos sindicatos rurais de Lucas do Rio Verde e Rondonópolis.
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Agro Mato Grosso
Sapezal supera Sorriso e assume liderança do agro no Brasil

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