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2 de novembro de 2026

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A trajetória que transformou a Fazenda Dois Irmãos em referência no milho

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Chegar a Mato Grosso quando a BR-163 que corta o estado ainda era de chão, abrir áreas de Cerrado e construir uma propriedade praticamente do zero. Foi assim que começou a história da Fazenda Dois Irmãos, em Primavera do Leste, uma trajetória marcada pelo trabalho em família e pela busca constante por produtividade.

Ao longo de mais de quatro décadas, a propriedade se consolidou como referência na produção de milho, acumulando premiações e resultados expressivos. Hoje, a gestão reúne a experiência do fundador Sérgio Fava e a participação dos filhos Fernando e Miguel, que ajudam a dar continuidade ao legado construído pela família.

Natural de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Sérgio chegou à região em 1982. Na época, o que seria apenas uma visita da família a um primo acabou se transformando em uma oportunidade de investimento. “Tem uma fazenda ao lado aqui para vender. Vocês não querem comprar?”, ouviu durante a viagem.

A área chamou a atenção da família e o negócio foi fechado. “Era tudo Cerrado, estrada de chão, não tinha nada ainda. Então, investimos”, relembra Sérgio em entrevista ao Especial Mais Milho.

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O nome Fazenda Dois Irmãos surgiu justamente da sociedade entre Sérgio e o irmão. Décadas depois, a ligação familiar permanece presente na propriedade e já alcança uma nova geração.

Quando completou 18 anos, Sérgio decidiu que construiria sua vida em Mato Grosso. “Eu botei na minha cabeça que o futuro era aqui. Que eu tinha que fazer o meu futuro”. Com dois tratores transportados em um caminhão, mudou-se para a fazenda e iniciou o trabalho de formação das áreas agrícolas.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

“Gradeava, catava raiz, fiz tudo o que tinha que fazer. Era eu e um funcionário aqui”, conta. Os primeiros cultivos foram de arroz, utilizado para ajudar na abertura das áreas. Conforme o produtor, a cultura não gerava grandes lucros, mas permitia manter a atividade. “Nunca deu lucro o arroz, mas também não dava prejuízo, pagava as contas”.

Os desafios dos primeiros anos iam muito além da produção. A infraestrutura era limitada, o acesso a crédito era mais difícil e cidades como Jaciara serviam de apoio para quem chegava à região. Sérgio lembra que o apoio de vizinhos e amigos foi fundamental naquele período. “O pessoal ajudou muito a gente”.

Apesar das dificuldades, desistir nunca esteve nos planos. O que mais pesava era a distância da família que permaneceu no Sul. “Desistir nunca pensei, mas a distância da família, essa foi uma coisa que pesou bastante”, conta ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

O milho como motor do crescimento

Se a soja ajudou a consolidar a atividade agrícola, foi o milho que impulsionou os investimentos na propriedade.

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A relação da Fazenda Dois Irmãos com a cultura ganhou destaque em 2003, quando a fazenda ultrapassou a marca de 100 sacas por hectare, um resultado considerado excepcional para a época.

“De todos os recordes de produção em 2003 ultrapassei 100 sacas de milho por hectare”, recorda Sérgio. O desempenho lhe rendeu uma premiação entregue por Alysson Paulinelli. “Era um sonho 100 sacas”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O resultado não veio por acaso. Nos primeiros anos de cultivo, o produtor apostou em manejos que ainda começavam a ser adotados na região. “Colhia a soja, passava o nivelador, largou o Egan no primeiro ano. Deu umas chuvas a mais e produziu bem. Aí vimos que dava resultado”.

O sucesso da lavoura reforçou a importância econômica da cultura dentro da fazenda. “Hoje, a soja paga a conta da fazenda, mas quem te dá o lucro para tu fazer o investimento é o milho”.

Dois anos depois, em 2005, a propriedade voltou a ser reconhecida pelos resultados obtidos no campo. “Ganhei um prêmio da Bayer também com quatro materiais que foram as melhores médias da região”.

Os bons desempenhos continuaram ao longo dos anos. Na safra mais recente, a Fazenda Dois Irmãos registrou média de 80 sacas por hectare na soja e 172 sacas por hectare no milho safrinha.

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Nova geração e agricultura de precisão

Parte da evolução da produtividade está ligada à incorporação de novas tecnologias e ao trabalho da nova geração da família.

Há cerca de 16 anos atuando na propriedade, Fernando Fava acompanha de perto as mudanças que ocorreram na cultura do milho. Segundo ele, o produtor passou a enxergar a safrinha de forma diferente.

“Antes o cara plantava milho como uma safrinha. ‘Vou jogar um cheirinho de nitrogênio ali e deu que deu’. Como a cultura foi ficando mais rentável, o pessoal começou a olhar mais como uma forma de ter mais lucro”.

Além dos avanços no manejo, Fernando destaca a evolução da genética e dos materiais disponíveis no mercado. “As variedades vieram com mais teto produtivo, mais exigentes. E a gente foi acompanhando essas exigências do material e, graças a Deus, foi colhendo mais”, relata Fernando à reportagem.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Entre as ferramentas utilizadas na fazenda está o Bayer VALora Milho, plataforma que utiliza dados históricos da propriedade, características dos talhões e informações agronômicas para recomendar diferentes populações de plantas dentro de uma mesma área.

De acordo com Fernando, a tecnologia busca adequar o potencial produtivo de cada ambiente à quantidade ideal de sementes. “A recomendação vem de acordo com o teu talhão e a quantidade de semente jogada é o que define”.

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Ele ressalta que as decisões são tomadas em conjunto entre equipe técnica e produtor. “A gente senta junto com o pessoal da Bayer e analisa junto”.

Conforme Jorge Luis Pelisson, líder da unidade de negócios Cerrados e Milho da Bayer, a ferramenta cruza dados de pesquisa, histórico produtivo e inteligência artificial para gerar recomendações específicas para cada ambiente.

“O cliente tem a lavoura dele, tem o histórico, e a gente cruza com os nossos dados de pesquisa, experimentação e inteligência artificial para recomendar para cada situação”, explica.

A proposta é distribuir melhor as populações de plantas conforme o potencial produtivo do solo. “Onde tem melhor ambiente se coloca mais, onde o ambiente não é tão favorável, a gente coloca menos”.

Fernando avalia que tecnologias como essa ganham ainda mais importância em propriedades que apresentam grande variabilidade de solo. “O VALora encaixa perfeitamente nisso aí. Vai tentar fazer você produzir mais uniforme e, para o produtor, é muito melhor”.

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milho lavoura foto israel baumann canal rural mato grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Evoluir safra após safra

Mesmo com índices que já colocam a propriedade entre as mais produtivas da região, a meta continua sendo avançar.

Para Fernando, o caminho passa por aperfeiçoamentos constantes e atenção aos detalhes. “Às vezes eu não almejo 10 sacas a mais. Mas duas, três sacas a mais ano que vem. Daqui dois anos seis sacas. E daqui cinco anos a gente está colhendo 200 sacas de milho”.

Segundo ele, resultados elevados exigem precisão em todas as etapas do manejo. “A partir das 160 sacas de milho você já está no detalhe. Tudo tem que ser detalhado. Um errinho, você perde cinco sacas”, salienta ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da genética e das ferramentas digitais, o supervisor da Fazenda Dois Irmãos destaca a importância da construção gradual da fertilidade do solo e do equilíbrio do sistema produtivo. “A gente vem criando um ambiente ao longo do tempo favorecendo a soja e o milho. A gente tenta melhorar aos poucos”.

É essa busca contínua por evolução que ajuda a explicar a trajetória da Fazenda Dois Irmãos. Uma história iniciada quando a BR ainda era de chão, construída com trabalho familiar, investimentos em tecnologia e uma convicção que acompanha Sérgio Fava desde a juventude: o futuro estava em Mato Grosso.

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Aprosoja e Abiove vão à Europa tentar evitar barreiras às exportações de soja

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Dirigentes da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estão na Europa, acompanhados de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para apresentar documentos e informações que demonstrem que a produção brasileira de soja atende às exigências ambientais da União Europeia. A missão busca evitar barreiras comerciais diante da entrada em aplicação da lei antidesmatamento do bloco (EUDR), prevista para 30 de dezembro.

A agenda inclui reuniões com representantes da França, Alemanha, Holanda e Bélgica, com o objetivo de ampliar o diálogo com autoridades e importadores europeus. Entre os instrumentos apresentados está a Plataforma Agro Brasil + Sustentável, que reúne informações sobre as práticas ambientais adotadas na agropecuária brasileira.

Em entrevista ao Canal Rural, o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, destacou que a iniciativa pretende demonstrar aos parceiros comerciais que o Brasil já adota medidas de preservação ambiental previstas no Código Florestal.

“Não basta fazer o que o Brasil já faz a respeito de Código Florestal, de reserva legal, todas essas práticas para a sustentabilidade brasileira com agricultura, mas precisa ser mostrado. Cada vez mais precisa ser mostrado aqui fora, aqui na Europa, o que o Brasil já faz”, afirmou.

O dirigente participou de uma reunião realizada em Paris, no último fim de semana, na qual foram apresentadas informações sobre a produção agropecuária brasileira e as ferramentas disponíveis para demonstrar sua sustentabilidade.

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Segundo Buffon, a plataforma permite organizar e apresentar dados sobre o cumprimento da legislação ambiental brasileira, facilitando o diálogo com compradores internacionais.

“Essa plataforma vem justamente mostrar o quanto o Código Florestal brasileiro, por exemplo, protege o meio ambiente, quanto ele é um instrumento para fazer toda essa sustentabilidade”, explicou.

O presidente da Aprosoja ressaltou ainda a importância de preservar o acesso ao mercado europeu, especialmente para as exportações brasileiras de soja e farelo.

“A gente vem trazendo essas informações e buscando mostrar para garantir o mercado que a gente precisa de soja e farelo aqui na Europa também, que é muito importante para o produtor brasileiro”, acrescentou.

Indústria afirma que Brasil está preparado para atender exigências

O presidente da Abiove, André Nassar, também defendeu o reconhecimento dos mecanismos brasileiros de controle ambiental pelas autoridades europeias.

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Para ele, a missão conjunta entre governo, produtores rurais e agroindústrias busca demonstrar que a nova regulamentação não precisa se transformar em um obstáculo às exportações brasileiras.

“Governo, produtores rurais e agroindústrias estão na Europa para provar que não há motivos para a EUDR virar um problema para as exportações de soja e farelo do Brasil. O Brasil está preparado para atender as exigências da legislação e cabe às autoridades europeias reconhecerem nossas políticas e sistemas de controle”, afirmou Nassar.

A declaração reforça a posição das entidades brasileiras de que os mecanismos de monitoramento ambiental e rastreabilidade já existentes no país devem ser considerados na implementação das exigências europeias.

Falta de clareza nas regras preocupa produtores

Apesar da avaliação de que o Brasil está preparado para atender às exigências europeias, representantes do setor produtivo alertam para dúvidas sobre a aplicação da legislação.

Segundo o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, ainda faltam definições sobre critérios e procedimentos que serão utilizados pelas autoridades europeias para verificar o cumprimento das novas regras.

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Na avaliação do dirigente, essa falta de clareza gera insegurança para exportadores brasileiros e importadores europeus, especialmente diante das penalidades previstas para empresas que comercializarem produtos em desacordo com a legislação.

A EUDR estabelece sanções que incluem multas, cuja penalidade máxima definida pelos países-membros deve corresponder a pelo menos 4% do faturamento anual da empresa na União Europeia.

A preocupação do setor é evitar que divergências de interpretação ou dificuldades operacionais comprometam negócios com compradores europeus.

Plataforma Agro Brasil + Sustentável é apresentada na missão

Uma das principais iniciativas apresentadas durante as reuniões é a Plataforma Agro Brasil + Sustentável, desenvolvida para integrar informações sobre a produção agropecuária e facilitar a demonstração de requisitos ambientais e de sustentabilidade.

A ferramenta busca reunir dados sobre produtores e propriedades rurais, contribuindo para dar maior transparência às práticas adotadas no campo.

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Para as entidades brasileiras, a utilização dessas informações pode facilitar o reconhecimento dos mecanismos de controle ambiental já existentes no país e ajudar a preservar as relações comerciais com os compradores europeus.

O que determina a lei antidesmatamento da União Europeia?

A EUDR restringe a comercialização no mercado europeu de produtos associados ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020, inclusive quando a supressão da vegetação tenha sido legalmente autorizada no país de origem.

Além da soja, a legislação abrange carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, bem como determinados produtos derivados.

As empresas sujeitas às exigências deverão demonstrar que as mercadorias não estão vinculadas ao desmatamento posterior à data de corte e que foram produzidas conforme a legislação aplicável no país de origem. A comprovação envolve procedimentos de rastreabilidade, incluindo informações sobre a localização das áreas de produção. Consilium+1

As principais obrigações começam a ser aplicadas em 30 de dezembro de 2026, para empresas de grande e médio porte. Para a maioria das micro e pequenas empresas, o prazo será 30 de junho de 2027. Environment

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Com a proximidade da implementação, governo e representantes do agronegócio brasileiro procuram demonstrar a capacidade do setor de atender às novas exigências e evitar que a regulamentação provoque dificuldades nas exportações de soja e farelo para a Europa.

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Artesã do interior de SP presenteia Ana Hickmann com bolsa, viraliza e conquista clientes no exterior

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Um presente produzido durante a madrugada mudou a trajetória da artesã Lívia Coelho, de Sales Oliveira, no interior de São Paulo. Após entregar uma peça exclusiva à apresentadora Ana Hickmann durante um evento voltado às mulheres do agronegócio, a empreendedora ganhou mais de 50 mil seguidores nas redes sociais em apenas 24 horas e viu a procura por seus produtos disparar.

O encontro aconteceu durante o Encontro Estadual de Mulheres do Agro, promovido pelo Sistema Faesp/Senar em Ribeirão Preto, no interior paulista. Na ocasião, Lívia presenteou Ana Hickmann com uma peça de sua marca, a Ponto a Ponto, confeccionada às pressas na madrugada anterior.

O registro do momento nas redes sociais ampliou a visibilidade do trabalho da artesã. Em apenas um dia, ela conquistou mais de 50 mil novos seguidores. Atualmente, sua comunidade digital reúne cerca de 340 mil pessoas.

De 20 peças por mês a pedidos internacionais

A repercussão nas redes sociais também impulsionou as vendas. Antes do encontro, Lívia produzia cerca de 20 peças por mês. Com o aumento da demanda, a produção chegou a 60 unidades mensais, o triplo do volume anterior.

O interesse pelos produtos ultrapassou as fronteiras brasileiras. A artesã passou a receber encomendas de outros países, com peças enviadas para Estados Unidos, Espanha, Portugal e Nova Zelândia.

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A procura foi tão grande que Lívia encerrou a agenda de encomendas do ano com mais de 2 mil clientes na lista de espera.

Capacitação ajudou a administrar o crescimento

Com a expansão repentina do negócio, a empreendedora precisou reorganizar sua rotina para atender à nova demanda.

Para administrar o crescimento, Lívia colocou em prática os conhecimentos adquiridos em um curso de informática oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo (Senar-SP), realizado por meio do Sindicato Rural de sua cidade.

A presidente da entidade, Beatriz Schmidt, destaca a importância da capacitação para ampliar as oportunidades de negócios de pequenos empreendedores.

“Nosso foco é conectar quem produz a novas vitrines, capacitar e gerar oportunidades reais de negócio”, afirma.

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A trajetória de Lívia mostra como a exposição nas redes sociais, associada à capacitação, pode ampliar o alcance de pequenos negócios e abrir oportunidades no mercado internacional.

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Combate ao excesso de NPK gera R$ 62,47 mi de economia em SC

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Há 20 anos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) identificou um uso excessivo (e prejudicial) de fertilizantes pelos produtores de cebola, motivados pela pressão da concorrência internacional. Na última segunda-feira (26), foram divulgados os resultados da campanha que auxilia os agricultores a ajustar as doses.

A Empresa explica que a competição com a cebola argentina no início dos anos 2000 fez com que produtores catarinenses exagerassem no uso de fertilizantes para tentar alcançar a produtividade do país vizinho. Mas a medida acarretou em um problema maior: o excesso de nitrogênio provocou o aparecimento de doenças foliares, prejudicando a qualidade da cebola e aumentando as perdas em pós-colheita.

A partir disso, os pesquisadores elaboraram a recomendação adequada de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) para obter o máximo rendimento e qualidade e ainda diminuir os custos de produção. Já faz 10 anos que são promovidos materiais de divulgação, eventos e visitas de extensionistas a propriedades.

Os resultados

“Observando também as curvas de crescimento e absorção de nutrientes dos principais cultivares, definimos a melhor época de adubação e de forma parcelada. Os problemas com bacterioses e as perdas em pós colheita foram minimizados e hoje quase 90% dos produtores seguem as recomendações”, afirma Claudinei Kurtz, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga (EEItu).

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Segundo o Relatório de avaliação dos impactos das tecnologias/ações geradas pela Epagri de 2025, em 20 anos, verificou-se uma redução de 40% no uso de fertilizante, diminuindo o custo de produção médio da cebola no Estado em 10%, e as perdas no pós-colheita em 21,4%.

Em todo o estado, os benefícios econômicos trazidos pela adoção da tecnologia, impulsionados pela redução de custos, incremento da produtividade e diminuição das perdas em pós-colheita, chegaram a R$62,47 milhões, segundo o Balanço Social 2025.

A Epagri destaca o caso de Vanderlei Schmitt, 42 anos, de Aurora. Ele planta cebola em quatro hectares e passou a seguir as recomendações de adubação em 2021, após assistir a uma palestra do Claudinei. O resultado foi tão positivo que, na safra seguinte, seu irmão Leandro, 35, aderiu ao manejo adequado de NPK em sua lavoura.

“A gente fazia do nosso jeito, comprando tudo que a agropecuária oferecia, jogando mais produto na hora de ‘encabeçar’ a cebola. Mas, depois de seguir as recomendações da Epagri, percebi que a planta ficou mais forte e não sofre tanto com o herbicida. Sem falar que a qualidade da cebola no galpão continua boa até maio, quando o preço de venda dobra, já que não tem mais tanto produto no mercado”, explica.

O produtor conta que a boa relação com extensionistas e pesquisadores da Epagri tem relação direta com os bons resultados obtidos em sua propriedade, que na safra 2025/26 alcançou 176 toneladas. “Sempre que surge algum problema na roça, faço uma foto e mando para o Claudinei analisar, como da última vez que ele recomendou corrigir com dose adicional de ureia e deu certo”, relata.

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Qual era o tamanho do problema?

“Os produtores estavam utilizando quase 300% a mais de fertilizante em relação aos anos 1990. Essa adubação descontrolada acarretou em doenças bacterianas e fúngicas, além de prejudicar o solo; por isso concentramos esforços para estabelecer parâmetros em relação à dose, épocas e forma de aplicação de macro e micronutrientes e difundir o conhecimento entre os produtores”, revela Claudinei

O pesquisador trabalhou na elaboração do “Manual de Adubação e Calagem” para a cultura da cebola em SC e RS (2016) e, dois anos depois, lançou o boletim técnico “Fertilidade do solo, Adubação e Nutrição da Cultura da Cebola” (2018), se tornando uma referência no assunto.

A Epagri destaca que o trabalho de pesquisa e difusão das recomendações técnicas é um processo contínuo e, muitas vezes, leva tempo até o agricultor se convencer a mudar a forma de produção. Foi o caso de Renato da Silva, 45, produtor de Ituporanga. Ele planta sete hectares de cebola na localidade de Chapadão Santana, a 600m de altitude.

Produtor de Ituporanga aderiu às recomendações técnicas quando o custo de produção saiu do controle (Foto: Aquivo Pessoal/Divulgação)

“Eu já nasci plantando cebola, e mesmo quando os irmãos foram trabalhar na cidade, eu fiquei, nunca fiz outra coisa na vida”, revela. Por causa da experiência de décadas na roça, ele via com ceticismo as orientações de extensionistas e pesquisadores, mas quando o preço dos fertilizantes disparou, ele percebeu que estava na hora de ouvir a ciência.

“Antigamente, nem análise de solo a gente fazia. E para adubar se usava uma mistura de esterco com NPK, mas que acabava dando muita podridão. Aí apareceram os vendedores de agropecuária dizendo que o produto deles era melhor que as recomendações da Epagri. Fiquei nessa até 2022, quando o gasto com fertilizante saiu do controle”, relata.

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Após adotar as recomendações, a quantidade de fertilizante utilizada em sua lavoura caiu de 150 sacas (50kg) para 90. Na última safra, ele colheu 273 toneladas, uma produtividade de 39 ton/ha, bem acima da média estadual (28,841 ton/ha) na safra 2024/25.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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