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Gargalos estruturais e margens apertadas desafiam mercado de sementes

O mercado de sementes enfrenta um ciclo severo de ajustes provocado pela compressão de margens em toda a cadeia produtiva. Além do estrangulamento financeiro, o esgotamento do crescimento puramente horizontal das últimas duas décadas e as restrições no acesso ao crédito rural trazem novos desafios para o setor.
O cenário foi debatido por executivos de grandes indústrias e empresas de genética nesta quinta-feira (18), durante o segundo dia da Feira Brasileira de Sementes (Febrasem). O painel Perspectivas do Futuro da Comercialização de Sementes, realizado em Rondonópolis (MT), discutiu os rumos do segmento em meio ao avanço da digitalização e da integração de dados.
As dificuldades econômicas atuais afetam de forma homogênea desde a base produtiva até as companhias de insumos. Diante desse cenário de retração, a sobrevivência e a competitividade dos negócios dependem diretamente do aumento da eficiência comercial.
Para o líder Comercial Brasil e Paraguai da Corteva, Willian Weber, o momento do agronegócio exige resiliência de todos os elos. “Não só o setor de sementes, mas todo o agrícola está passando por margens apertadas. A indústria também”.
Ajustes e pressão do tempo
Na avaliação de Weber, o redesenho das relações comerciais torna-se obrigatório para superar a crise atual. “Ao mesmo tempo os desafios criam oportunidades. Não podemos sair dessa crise da mesma forma que entramos. Sairão aqueles que tiverem a capacidade de se sobressair. Cabe aqui uma reflexão. Não cabe aqui um alinhamento dos setores, dos multiplicadores?”.
Além da pressão financeira, o tempo de maturação das inovações e as barreiras burocráticas travam o ritmo de entrega de novas tecnologias ao produtor. O líder da Unidade Comercial de Soja e Lançamentos da Bayer, Fábio Passos, pondera que o intervalo entre a pesquisa básica e o uso comercial efetivo ainda é excessivo frente às necessidades urgentes constatadas nas lavouras.
Segundo Passos, a velocidade da resposta da indústria precisa acompanhar com mais dinamismo o dia a dia do campo. “Ao mesmo tempo que a gente inova, nós temos que ser efetivos. Quando olhamos para a inovação tem que ser cada vez mais curto o espaço de tempo. Hoje entre sair do laboratório até chegar no produtor são 15 anos. Precisamos ser mais efetivos nisso quando detectamos um problema, uma necessidade no campo”.
Essa perda de dinamismo encontra obstáculos estruturais complexos que vão além das porteiras das empresas. O vice-presidente da Divisão de Soluções para a Agricultura da Basf no Brasil, Marcelo Batistela, explica que o setor agrícola encerrou um longo período de expansão de área e agora precisa focar na organização interna da cadeia e nos custos operacionais.
“Estamos num ciclo de ajustes que estão afetando todos. O desafio hoje é estrutural. Nas últimas duas décadas vimos um crescimento horizontal, vamos continuar crescendo, mas não no mesmo ritmo. Hoje precisamos ajustar a questão de oferta e demanda”, alerta Batistela.
Para superar o atual cenário, o executivo defende que a cadeia precisa trabalhar melhor, organizando-se e cooperando mais entre si. “Outro problema estrutural é o custo. A demanda sempre vai continuar e nós do Brasil temos capacidade para ampliar a oferta. Nós todos como cadeia precisamos trabalhar melhor. Se organizar mais, cooperar mais.”.
O avanço tecnológico do país depende dessa união regulatória e de um olhar atento ao mercado global. Batistela pontua que o setor precisa de agilidade institucional e afirma que “precisamos estar mais atentos à legislação e ao exterior para a liberação das tecnologias”.
Consolidação e crédito restrito
O redesenho do mercado regional também é impulsionado por movimentos de consolidação corporativa. Francisco Soares, presidente da TMG, traça um paralelo com a evolução histórica da área plantada no estado e destaca o forte incremento tecnológico das últimas décadas.
“Há 25 anos o Brasil plantava 13 milhões de hectares de soja e isso Mato Grosso planta hoje. O salto produtivo foi muito grande. Onde na história se teve isso? A gente vê esses movimentos caminhando para as consolidações”, contextualiza Soares.
Na avaliação do executivo da TMG, as mudanças nos próximos anos serão direcionadas por esse processo de fusões e aquisições. “Eu acredito que os próximos anos caminharão para isso. Por outro lado, os produtores possuem cada vez mais sementes de qualidade”.
Na ponta final do negócio, o principal entrave para a comercialização tem sido a falta de liquidez e os critérios rigorosos de financiamento. Júlio César Poletto, líder de Negócios da GDM, avalia que, embora o mercado preserve espaço para os diferentes competidores a longo prazo, o cenário imediato é travado pela escassez de recursos.
“Creio que o mercado continuará tendo espaço para todos”, projeta Júlio César. Contudo, ele pondera que as dificuldades atuais de financiamento desaceleram o ritmo dos negócios, resumindo o atual momento do campo ao afirmar que “hoje precisamos melhorar mais o acesso ao mercado. Hoje temos restrições de crédito”.
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É nesta quinta! A Abertura Nacional do Plantio da Soja 26/27 vem aí; saiba como assistir ao vivo

Está chegando a hora! É amanhã, 17 de setembro, que acontece a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. A partir das 9h, pelo horário de Brasília, você poderá acompanhar ao vivo pelo Canal Rural e pelo YouTube tudo o que acontece na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte (MT).
Ao longo da programação, os participantes vão acompanhar debates sobre os principais assuntos que devem movimentar o setor durante o novo ciclo. Entre os destaques está a discussão sobre a verticalização da soja na produção de alimentos e energia.
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Além de marcar oficialmente a largada da safra 2026/27, a Abertura Nacional terá um significado especial neste ano. O evento também dará início às comemorações dos 15 anos do Projeto Soja Brasil, iniciativa que acompanha de perto as transformações, os desafios e os avanços da produção de soja no país.
Falta pouco! Amanhã, acompanhe a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 pelo Canal Rural e pelo YouTube.
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Leilão de compra de arroz da Conab adquire apenas 5% do ofertado

O primeiro leilão de compra de arroz para formação de estoques públicos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (16) não obteve o sucesso esperado.
A expectativa do governo era adquirir até 127,3 mil toneladas do cereal a granel da safra 2025/26, classe longo-fino em casca, Tipo 1, a fim de mitigar os possíveis impactos associados ao fenômeno climático El Niño e, assim, assegurar o abastecimento no país.
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No entanto, o pregão eletrônico realizado pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da entidade (Siscoe), resultou na compra de apenas 4,05 mil toneladas, ou 5,1% do total ofertado.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Evandro Oliveira, o leilão ocorreu em um momento inoportuno, sem qualquer pedido de ajuda por parte dos produtores, e ofereceu preços pouco atrativos, até mesmo abaixo das referências do mercado físico, dependendo da região.
De acordo com ele, já se esperava baixa adesão diante dos preços máximos oferecidos pelo leilão, entre R$ 80 a R$ 82 reais por saca, valores semelhantes aos praticados hoje no mercado físico. “Então, os preços não foram suficientemente atrativos para movimentar volumes significativos nesse leilão”, pontuou.
No Rio Grande do Sul, nas praças de produção e comercialização de Pelotas e ainda no litoral, o arroz está sendo negociado na faixa de R$ 80,00 a R$ 85,00 por saca, chegando a R$ 90 no porto.
“Logo, os valores oferecidos pelo leilão ficaram bem abaixo do necessário para atrair uma demanda significativa, o que explica o fracasso da operação”, salientou o analista.
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Conab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho

Duas operações de compra de milho em grãos preveem a aquisição de até 224 mil toneladas para formação de estoques públicos. Os leilões eletrônicos serão realizados na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), às 9h, com recebimento do produto em unidades armazenadoras de oito unidades da Federação. A medida também prevê oferta posterior por meio do Programa de Vendas em Balcão (ProVB).
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume de até 224 mil toneladas corresponde ao total das duas operações. O segundo leilão ofertará apenas os lotes que não forem negociados no primeiro certame, sem que a compra total ultrapasse esse limite.
A operação da sexta-feira (18), referente ao Aviso nº 64/2026, será exclusiva para a agricultura familiar. Poderão participar produtores rurais familiares, cooperativas de produtores rurais familiares e associações da agricultura familiar com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP) válida.
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Já o leilão da segunda-feira (21), Aviso nº 65/2026, será em ampla concorrência. O certame admite a participação de produtores rurais, cooperativas e comerciantes, desde que atendam às exigências de cadastramento, habilitação jurídica e regularidade fiscal previstas no aviso.
O milho será recebido em unidades armazenadoras localizadas na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. As operações serão realizadas pela Conab no Sistema de Comercialização Eletrônica da Companhia (Siscoe), em Brasília.
Os participantes precisam estar cadastrados na bolsa por meio da qual apresentarão propostas e em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican).
O produto deverá seguir os padrões de classificação estabelecidos nos avisos e vir acompanhado de certificado emitido por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O preço máximo de compra será divulgado com pelo menos dois dias úteis de antecedência. Os arrematantes deverão apresentar garantia de 5% do valor da operação e organizar o cronograma de entrega com a unidade regional responsável pelo recebimento.
Após a aprovação do milho entregue, o pagamento aos fornecedores deverá ocorrer em até dez dias úteis. Caso todo o volume seja negociado na operação exclusiva para a agricultura familiar, não haverá lotes remanescentes para a disputa em ampla concorrência.
Fonte: gov.br
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