Business
Acrimat alerta para riscos da cota da China e do fim da escala 6×1

A dependência cada vez maior do mercado internacional para sustentar os preços da carne bovina e os possíveis impactos da proposta que altera a jornada de trabalho no país estão entre as principais preocupações da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Apesar do momento favorável vivido pela pecuária mato-grossense, a entidade avalia que fatores externos podem influenciar diretamente a rentabilidade do produtor nos próximos meses.
O alerta foi feito pelo diretor executivo da Acrimat, Daniel Latorraca. Segundo ele, a recuperação dos preços ocorre em um cenário de oferta mais restrita de animais, resultado do ciclo pecuário e da retenção de matrizes, mas o setor segue atento às discussões envolvendo a cota chinesa de importação e as mudanças trabalhistas em debate no Congresso Nacional.
A avaliação ocorre em um momento de forte presença da carne bovina mato-grossense no mercado internacional. Ele pontua, em entrevista ao Estúdio Rural, que os investimentos realizados nas últimas décadas em genética, recuperação de pastagens e sistemas intensivos de produção permitiram ampliar a produtividade e abrir novos mercados para a proteína produzida no estado.
“Todo esse movimento, somado ao que o setor fez, nos possibilitou, por exemplo, no ano passado ter uma produção de carne recorde aqui em Mato Grosso de dois milhões de toneladas e exportar metade disso”. Conforme ele, o resultado foi histórico para a pecuária mato-grossense. Do total de carne bovina produzida em 2025, cerca de um milhão foi exportada para mais de 90 países.

Mercado externo sustenta preços
Para Latorraca, o setor vive um dos momentos mais positivos dos últimos anos. “É um momento extraordinário, sem dúvidas nenhuma. O preço se recuperou, a gente está num ciclo aqui de retenção de matriz, então os preços estão subindo em todos os elos, desde a cria até o boi gordo”, afirma.
A expansão das exportações, a abertura de novos mercados e o reconhecimento sanitário conquistado pelo Brasil de livre da febre aftosa sem vacina ajudaram a impulsionar esse cenário. No entanto, o diretor da Acrimat destaca que o mercado interno não tem acompanhado o mesmo ritmo.
“Nós sabemos que esse pico de preço está sustentado no mercado internacional”. De acordo com ele, o consumo de carne bovina por habitante no Brasil permanece praticamente estável há cerca de dez anos, o que aumenta a importância das exportações para a formação dos preços.
Por isso, questões envolvendo a China, a União Europeia e outros compradores internacionais são acompanhadas de perto pelo setor. “Todas essas notícias que vêm, seja da União Europeia, seja da cota da China, nos preocupa bastante porque a gente sabe que pode impactar negativamente no preço”, frisa ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
Segundo Latorraca, a proximidade do limite da cota chinesa gera apreensão, mas a expectativa é de que mecanismos de salvaguarda permitam manter o fluxo das exportações brasileiras. “Nós temos volume para fazer isso”.
Gestão ganha importância
O cenário de preços valorizados também exige mais atenção à gestão das propriedades. O diretor da Acrimat frisa que a modernização dos sistemas de produção elevou os investimentos e aumentou a exposição dos pecuaristas às oscilações do mercado.
“A pecuária se modernizou muito nos últimos anos. E os sistemas de recria e engorda intensivos, em especial engorda, eles exigem hoje um nível de gestão, principalmente comercial, muito elevado, porque o risco também aumentou”.
Latorraca observa que o bezerro valorizado aumenta os custos de reposição e exige planejamento. Para ele, produtores que trabalham com sistemas intensivos precisam utilizar ferramentas que reduzam a exposição às variações de preço.
“Instrumentos de trava de preço são fundamentais nesse sentido”. Conforme ele, contratos futuros, opções e negociações a termo com frigoríficos podem ajudar a garantir margens positivas e diminuir riscos.
Oferta restrita deve manter arroba firme
A redução da participação das fêmeas nos abates também está diretamente ligada ao momento do ciclo pecuário. De acordo com Latorraca, a retenção de matrizes vem ocorrendo à medida que os preços do bezerro avançam, mas o cenário atual não é explicado apenas por essa estratégia. “Esse problema não começou agora da falta das vacas no abate”.
Ele salienta que Mato Grosso abateu mais de 14 milhões de cabeças nos últimos dois anos, com forte participação de fêmeas, o que reduziu a capacidade de reposição do rebanho. “Todas essas vacas que morreram não produziram nem bezerro, nem bezerras para chegar agora às novilhas, garrotes ou boi gordo ou vaca”. Na avaliação do diretor, esse movimento ajuda a explicar a menor oferta de animais observada atualmente.
Por isso, ele não vê espaço para uma queda significativa dos preços no curto prazo. “Hoje nós vivemos aqui sobre o nível de oferta, inclusive, para o segundo semestre, não tem nenhuma perspectiva de que o preço caia, porque é um ano de oferta restrita”.
A expectativa da entidade é de que o volume de abates fique abaixo do registrado em 2025, embora a redução não deva ser tão intensa quanto se projetava no início do ano. “A expectativa não é ter o mesmo volume de abate, mas também não uma redução drástica”.
Escala 6×1 preocupa setor
Além dos desafios de mercado, a Acrimat acompanha as discussões sobre a proposta que altera a jornada de trabalho no país. A entidade teme impactos significativos para as propriedades rurais caso a mudança seja aprovada sem considerar as particularidades da atividade agropecuária.
“Com muita preocupação”. É assim que Latorraca define a posição da associação diante do debate. Segundo ele, a pecuária trabalha com processos biológicos que não seguem horários fixos. “A vaca não espera. O parto dela não vai esperar”. Para o diretor, essa característica diferencia a atividade de outros setores da economia e precisa ser considerada durante a discussão.
Outro ponto de preocupação é o aumento dos custos. Conforme estudos citados pela Acrimat, a redução da jornada poderá gerar impactos expressivos nas propriedades rurais mato-grossenses.
“Se não tiver uma contratação nova nessa propriedade, que geraria ali um custo de horas extras, mantendo a mesma atividade, daqui 12 meses, a gente já teria um impacto de mais de R$ 1 bilhão por ano de horas extras”.
Para Latorraca, o mais importante é que a discussão avance com uma análise detalhada dos efeitos econômicos e operacionais para o setor. “Se for para 5×2, se vai manter 6×1 ou se vai ser por hora, o mais importante é discutir e exaurir todos os possíveis impactos que essa atitude vai gerar, que essa é a preocupação”.
+Confira mais entrevistas do programa Estúdio Rural
+Confira outras entrevistas do Programa Estúdio Rural em nossa playlist no YouTube
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Acrimat alerta para riscos da cota da China e do fim da escala 6×1 apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Artesã do interior de SP presenteia Ana Hickmann com bolsa, viraliza e conquista clientes no exterior

Um presente produzido durante a madrugada mudou a trajetória da artesã Lívia Coelho, de Sales Oliveira, no interior de São Paulo. Após entregar uma peça exclusiva à apresentadora Ana Hickmann durante um evento voltado às mulheres do agronegócio, a empreendedora ganhou mais de 50 mil seguidores nas redes sociais em apenas 24 horas e viu a procura por seus produtos disparar.
O encontro aconteceu durante o Encontro Estadual de Mulheres do Agro, promovido pelo Sistema Faesp/Senar em Ribeirão Preto, no interior paulista. Na ocasião, Lívia presenteou Ana Hickmann com uma peça de sua marca, a Ponto a Ponto, confeccionada às pressas na madrugada anterior.
O registro do momento nas redes sociais ampliou a visibilidade do trabalho da artesã. Em apenas um dia, ela conquistou mais de 50 mil novos seguidores. Atualmente, sua comunidade digital reúne cerca de 340 mil pessoas.
De 20 peças por mês a pedidos internacionais
A repercussão nas redes sociais também impulsionou as vendas. Antes do encontro, Lívia produzia cerca de 20 peças por mês. Com o aumento da demanda, a produção chegou a 60 unidades mensais, o triplo do volume anterior.
O interesse pelos produtos ultrapassou as fronteiras brasileiras. A artesã passou a receber encomendas de outros países, com peças enviadas para Estados Unidos, Espanha, Portugal e Nova Zelândia.
A procura foi tão grande que Lívia encerrou a agenda de encomendas do ano com mais de 2 mil clientes na lista de espera.
Capacitação ajudou a administrar o crescimento
Com a expansão repentina do negócio, a empreendedora precisou reorganizar sua rotina para atender à nova demanda.
Para administrar o crescimento, Lívia colocou em prática os conhecimentos adquiridos em um curso de informática oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de São Paulo (Senar-SP), realizado por meio do Sindicato Rural de sua cidade.
A presidente da entidade, Beatriz Schmidt, destaca a importância da capacitação para ampliar as oportunidades de negócios de pequenos empreendedores.
“Nosso foco é conectar quem produz a novas vitrines, capacitar e gerar oportunidades reais de negócio”, afirma.
A trajetória de Lívia mostra como a exposição nas redes sociais, associada à capacitação, pode ampliar o alcance de pequenos negócios e abrir oportunidades no mercado internacional.
Business
Combate ao excesso de NPK gera R$ 62,47 mi de economia em SC

Há 20 anos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) identificou um uso excessivo (e prejudicial) de fertilizantes pelos produtores de cebola, motivados pela pressão da concorrência internacional. Na última segunda-feira (26), foram divulgados os resultados da campanha que auxilia os agricultores a ajustar as doses.
A Empresa explica que a competição com a cebola argentina no início dos anos 2000 fez com que produtores catarinenses exagerassem no uso de fertilizantes para tentar alcançar a produtividade do país vizinho. Mas a medida acarretou em um problema maior: o excesso de nitrogênio provocou o aparecimento de doenças foliares, prejudicando a qualidade da cebola e aumentando as perdas em pós-colheita.
A partir disso, os pesquisadores elaboraram a recomendação adequada de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) para obter o máximo rendimento e qualidade e ainda diminuir os custos de produção. Já faz 10 anos que são promovidos materiais de divulgação, eventos e visitas de extensionistas a propriedades.
Os resultados
“Observando também as curvas de crescimento e absorção de nutrientes dos principais cultivares, definimos a melhor época de adubação e de forma parcelada. Os problemas com bacterioses e as perdas em pós colheita foram minimizados e hoje quase 90% dos produtores seguem as recomendações”, afirma Claudinei Kurtz, pesquisador da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga (EEItu).
Segundo o Relatório de avaliação dos impactos das tecnologias/ações geradas pela Epagri de 2025, em 20 anos, verificou-se uma redução de 40% no uso de fertilizante, diminuindo o custo de produção médio da cebola no Estado em 10%, e as perdas no pós-colheita em 21,4%.
Em todo o estado, os benefícios econômicos trazidos pela adoção da tecnologia, impulsionados pela redução de custos, incremento da produtividade e diminuição das perdas em pós-colheita, chegaram a R$62,47 milhões, segundo o Balanço Social 2025.
A Epagri destaca o caso de Vanderlei Schmitt, 42 anos, de Aurora. Ele planta cebola em quatro hectares e passou a seguir as recomendações de adubação em 2021, após assistir a uma palestra do Claudinei. O resultado foi tão positivo que, na safra seguinte, seu irmão Leandro, 35, aderiu ao manejo adequado de NPK em sua lavoura.
“A gente fazia do nosso jeito, comprando tudo que a agropecuária oferecia, jogando mais produto na hora de ‘encabeçar’ a cebola. Mas, depois de seguir as recomendações da Epagri, percebi que a planta ficou mais forte e não sofre tanto com o herbicida. Sem falar que a qualidade da cebola no galpão continua boa até maio, quando o preço de venda dobra, já que não tem mais tanto produto no mercado”, explica.
O produtor conta que a boa relação com extensionistas e pesquisadores da Epagri tem relação direta com os bons resultados obtidos em sua propriedade, que na safra 2025/26 alcançou 176 toneladas. “Sempre que surge algum problema na roça, faço uma foto e mando para o Claudinei analisar, como da última vez que ele recomendou corrigir com dose adicional de ureia e deu certo”, relata.
Qual era o tamanho do problema?
“Os produtores estavam utilizando quase 300% a mais de fertilizante em relação aos anos 1990. Essa adubação descontrolada acarretou em doenças bacterianas e fúngicas, além de prejudicar o solo; por isso concentramos esforços para estabelecer parâmetros em relação à dose, épocas e forma de aplicação de macro e micronutrientes e difundir o conhecimento entre os produtores”, revela Claudinei
O pesquisador trabalhou na elaboração do “Manual de Adubação e Calagem” para a cultura da cebola em SC e RS (2016) e, dois anos depois, lançou o boletim técnico “Fertilidade do solo, Adubação e Nutrição da Cultura da Cebola” (2018), se tornando uma referência no assunto.
A Epagri destaca que o trabalho de pesquisa e difusão das recomendações técnicas é um processo contínuo e, muitas vezes, leva tempo até o agricultor se convencer a mudar a forma de produção. Foi o caso de Renato da Silva, 45, produtor de Ituporanga. Ele planta sete hectares de cebola na localidade de Chapadão Santana, a 600m de altitude.
Produtor de Ituporanga aderiu às recomendações técnicas quando o custo de produção saiu do controle (Foto: Aquivo Pessoal/Divulgação)
“Eu já nasci plantando cebola, e mesmo quando os irmãos foram trabalhar na cidade, eu fiquei, nunca fiz outra coisa na vida”, revela. Por causa da experiência de décadas na roça, ele via com ceticismo as orientações de extensionistas e pesquisadores, mas quando o preço dos fertilizantes disparou, ele percebeu que estava na hora de ouvir a ciência.
“Antigamente, nem análise de solo a gente fazia. E para adubar se usava uma mistura de esterco com NPK, mas que acabava dando muita podridão. Aí apareceram os vendedores de agropecuária dizendo que o produto deles era melhor que as recomendações da Epagri. Fiquei nessa até 2022, quando o gasto com fertilizante saiu do controle”, relata.
Após adotar as recomendações, a quantidade de fertilizante utilizada em sua lavoura caiu de 150 sacas (50kg) para 90. Na última safra, ele colheu 273 toneladas, uma produtividade de 39 ton/ha, bem acima da média estadual (28,841 ton/ha) na safra 2024/25.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
Business
Projeto de Lei estabelece critérios para sucessão rural

Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados estabelece critérios para a participação de filhos de trabalhadores e de produtores rurais nas atividades da família. A ideia é preparar jovens para a sucessão no campo de forma qualificada, evitando trabalho exploratório.
O PL 3448/26 permite a colaboração de jovens a partir de 14 anos nas tarefas produtivas, mediante condições como compatibilidade com a frequência escolar, garantia de repouso, lazer e tempo para estudo, além de supervisão dos pais.
Pelo projeto, essas atividades terão natureza formativa, colaborativa e de apoio à economia familiar, sem a configuração de vínculo empregatício de qualquer espécie. Poderão ser criados programas de incentivo e capacitação técnica.
A proposta também proíbe expressamente a realização de tarefas noturnas, perigosas ou insalubres, bem como de atividades incluídas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), regulamentada pelo Decreto 6.481/08.
Sucessão no campo
Segundo o autor, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), o projeto define um marco regulatório claro e protetivo. “A realidade do meio rural demonstra um cenário desafiador no que se refere à permanência das novas gerações no campo”, afirma.
“Ao preparar tecnicamente o jovem para a gestão e a sucessão no campo, a proposta atua como vetor de desenvolvimento regional, fixando o homem na terra com dignidade, renda e sustentabilidade”, acrescenta o parlamentar.
Segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, houve uma redução, em termos absolutos e relativos, nos estabelecimentos dirigidos por produtores com menos de 45 anos de idade, enquanto que as faixas etárias mais elevadas registraram aumento. Os dados mostram que apenas 2% dos produtores rurais têm menos de 25 anos, e 9,3% têm entre 25 e 35, enquanto a faixa etária mais presente é a dos 45 aos 55 (24,2%).
As comissões que analisam o PL 3448/26 são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF) e a de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ).
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
Sustentabilidade18 horas agoSoja fecha outubro em queda no Brasil; o que esperar do mercado em novembro?
Featured19 horas agoTião da Zaeli aposta em Coronel Assis para Prefeitura de VG em 2028
Business18 horas agoCombate ao excesso de NPK gera R$ 62,47 mi de economia em SC
Featured21 horas agoPivetta rebate deputado e promete endurecer combate às facções criminosas em MT
Featured20 horas agoTrabalhador de 25 anos morre após possível descarga elétrica em Barra do Garças
Featured22 horas agoRessaca das urnas: após perder quase metade dos votos, Galvan some dos bastidores políticos
Featured23 horas agoJovem de 19 anos é preso em flagrante após assaltar farmácia na Avenida do CPA em Cuiabá
Agro Mato Grosso22 horas agoNovembro começa com chuva e trovoadas em MT; veja previsão para Finados

















