Sustentabilidade
Cientistas brasileiros criam novo revestimento para liberação controlada de fertilizante – MAIS SOJA

Foto de capa: Pedro Octávio e Caue Ribeiro, Ricardo Bortoletto-Santos e Alef
Pesquisadores da Embrapa e das universidades de Ribeirão Preto (Unaerp), Estadual Paulista (Unesp) e de São Paulo (USP) desenvolveram um revestimento à base de polímero derivado de óleo de mamona e argila mineral que é capaz de liberar de forma controlada a ureia, fertilizante nitrogenado amplamente utilizado na agricultura. Testes em casa de vegetação com capim-piatã demonstraram que o fertilizante revestido promoveu melhor absorção de nitrogênio por parte da planta e maior produção de biomassa em comparação com a ureia sem revestimento.
Trata-se da primeira avaliação com plantas desse tipo de revestimento à base de óleo de mamona e nanoargila realizada no Brasil. O revestimento reduz custos e o desperdício de fertilizantes no solo. Os experimentos, realizados no Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA), sediado na Embrapa Instrumentação (SP), e no Laboratório de Processos e Materiais (ProMat) da Universidade de Ribeirão Preto, mostraram o impacto imediato da tecnologia.
A ureia sem revestimento liberou mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas nos testes de liberação em água, de acordo com o professor da Unaerp Ricardo Bortoletto-Santos, supervisionado em seu pós-doutorado pelo pesquisador da Embrapa e coordenador do LNNA Caue Ribeiro. “Quando a ureia foi revestida apenas com poliuretano, polímero derivado de óleo de mamona, essa liberação foi retardada, mas atingiu cerca de 70% em nove dias. Já a incorporação de apenas 5% da nanoargila mineral montmorilonita à matriz polimérica reduziu drasticamente essa taxa: apenas 22% do nitrogênio foi liberado no mesmo período, evidenciando o papel da nanoestrutura do revestimento no controle da liberação do nutriente”, constatou Bortoletto-Santos.
Para o pesquisador Caue Ribeiro, esse efeito ocorre porque a nanoargila cria uma espécie de barreira inteligente dentro do revestimento. “Além de dificultar fisicamente a passagem da água, ela interage quimicamente com o nitrogênio liberado. Assim, retém o nutriente por mais tempo e o libera de forma gradual, mais próxima do ritmo de absorção da planta”, explica o especialista em nanotecnologia.
Pesquisa supera desafios
O revestimento de fertilizantes para obter os chamados fertilizantes de liberação controlada ou lenta é uma tecnologia que encapsula grânulos (pequenas partículas) de nutrientes. A pesquisa propôs desenvolver um sistema de revestimento baseado em nanocompósitos para cobrir grânulos de ureia, testado em um meio solo-planta em casa de vegetação. O sistema foi produzido a partir de poliuretano, um polímero de origem renovável e biodegradável, que confere boa adesão, resistência mecânica e perfil de degradação controlado ao fertilizante. À matriz polimérica foram incorporadas pequenas quantidades da montmorilonita, variando entre 2% e 10% em relação à massa da ureia.
Bortoletto-Santos (à esquerda na foto) explica que a montmorilonita tem uma estrutura em lamelas, plaquetas que se empilham como escamas em distância nanométrica. Essas camadas, quando dispersas em uma matriz polimérica, podem ser esfoliadas ou intercaladas, resultando em uma distribuição em nanoescala que altera significativamente as propriedades de transporte do revestimento.
A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo, principalmente por seu alto teor de nitrogênio (cerca de 45% em massa). Mas sua alta solubilidade no solo é um grande desafio agronômico, porque pode levar a transformações no solo e a diferentes processos de emissões gasosas.
“Em condições normais, o fertilizante se dissolve rapidamente, resultando em perdas ambientais significativas, como a volatilização de amônia e a emissão de óxido nitroso, um potente gás de efeito estufa”, observa Caue Ribeiro.
Já a inovação desenvolvida pelos pesquisadores resultou na formação de uma camada fina, similar a um plástico, contínua e homogênea ao redor dos grânulos de ureia. O desempenho superior da ureia revestida foi diretamente associado à estrutura nanocompósita interna da cobertura e ao seu comportamento funcional.
Fertilizante tem eficiência agronômica
No experimento em casa de vegetação, a adubagem com fertilizante de liberação controlada teve um impacto significativo na eficiência agronômica. Houve efeito cumulativo evidente em todos os quatro cortes sequenciais da gramínea ao fim dos 135 dias de produção, o que comprovou a eficiência do novo revestimento. A fertilização foi realizada 15 dias após a germinação das sementes, no arranjo de bloco aleatorizado com duas plantas cultivadas em cada um dos 35 vasos com cinco réplicas.
Com o uso dos fertilizantes revestidos com nanoargila, tanto as taxas de produção de massa seca foram maiores durante o experimento; como a absorção total de nitrogênio foi significativamente maior, atingindo o dobro da taxa de absorção em comparação ao controle fertilizado com ureia sem revestimento.
“Os resultados, portanto, destacam o papel crucial da nanoestrutura do revestimento em aumentar a eficiência do uso de nutrientes e, ao mesmo tempo, minimizar as perdas ambientais. A abordagem é promissora por permitir o uso de revestimentos mais finos, sem comprometer a performance, o que oferece uma alternativa sustentável para a próxima geração de fertilizantes de liberação controlada”, afirma Bortoletto-Santos.
O pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (SP) Alberto Carlos de Campos Bernardi lembra que, atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que utiliza, e o nitrogênio é um dos nutrientes mais críticos e caros dessa conta.
“Esse estudo representa muito mais do que apenas uma questão acadêmica, mas também se insere na estratégia de Estado para reduzir a vulnerabilidade externa e aumentar a sustentabilidade da agricultura brasileira, consideradas no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) 2022-2050”, afirma Bernardi.
Barreira química e física
O estudo destaca que o sucesso do novo material não se deve apenas à formação de uma barreira física mais espessa, mas também ao fato de a montmorilonita atuar principalmente como uma barreira química.
“Estes resultados indicam que a montmorilonita atua primariamente como uma barreira química, por meio de interações iônicas/adsorventes, em vez de aumentar a barreira física. Essa interação química permite que o nutriente seja liberado em sincronia com a necessidade de absorção da planta”, explica Caue Ribeiro.
Para Ribeiro, os resultados possibilitam sistemas de revestimento versáteis, nos quais a interação química desempenha um papel mais significativo do que a barreira física, como normalmente é visto em muitos produtos.
Trabalho publicado
O trabalho foi publicado no artigo “Role of Nanocomposite Structure in Polyurethane Coatings for Slow-Release Fertilizers: A Case Study with Brachiaria brizantha”, no periódico ACS Agricultural Science & Technology (v. 5, issue 10), em setembro de 2025. O estudo recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Os pesquisadores buscam parceiros para viabilizar a transferência do revestimento ao setor produtivo. O contato pode ser feito por meio do endereço eletrônico caue.ribeiro@embrapa.br.
Fonte: Embrapa

Autor:Joana Silva (19.554/SP) Embrapa Instrumentação
Site: Embrapa
Sustentabilidade
TRIGO/CEPEA: Semeadura avança lentamente no Sul; preços seguem em alta – MAIS SOJA

A semeadura de trigo já começou no Sul do País, especialmente no Paraná, mas o ritmo dos trabalhos ainda é lento. Ao mesmo tempo, os preços seguem em alta no mercado doméstico, sustentados pela retração vendedora e pela preferência de compradores pelo produto nacional diante das dificuldades relacionadas à qualidade do trigo importado da Argentina, de acordo com o Cepea.
Segundo dados da Conab, até 1º de maio, apenas 5% da área destinada ao trigo no Paraná havia sido semeada, percentual inferior aos 14% registrados no mesmo período do ano passado e também abaixo da média dos últimos cinco anos, de 15,4%. No cenário nacional, a área semeada alcançava 9,9% até a mesma data, frente aos 13,1% observados no mesmo período de 2025 e aos 13% da média quinquenal. De acordo com a Seab/Deral, mesmo com a recente recuperação dos preços pagos ao produtor, o cenário ainda não tem sido suficiente para atrair triticultores paranaenses a investirem na cultura, influenciados também pelos altos custos de produção.
Assim, a tendência de redução da área semeada no estado permanece. Segundo pesquisadores do Cepea, no mercado doméstico, os preços seguem em elevação, refletindo a postura retraída dos vendedores, que, diante da oferta remanescente da safra 2025 limitada, adiam as negociações à espera de valores mais elevados. Do lado comprador, a preferência continua sendo pelo produto nacional, tendo em vista as dificuldades relacionadas à qualidade dos grãos importados da Argentina.
Fonte: Cepea
Sustentabilidade
Algodão em MT: Exportações atingem recorde histórico para meses de abril – MAIS SOJA

Representando 66,00% dos embarques nacionais, MT exportou 244,49 mil t, o maior volume já enviado em um mês de abril, e o segundo maior do ciclo comercial da safra 24/25.
No acumulado até o momento (ago/25 a abr/26), o volume escoado alcançou 1,63 mi de t, o maior da série histórica para o período, superando em 7,25% o antigo recorde, observado no ciclo 23/24.
Esse resultado mostra a mudança da dinâmica observada em anos anteriores, quando os embarques se concentravam no último semestre do ano. Com o recente crescimento expressivo da produção de algodão, juntamente com a maior competitividade e demanda global, o país agora é capaz de exportar maiores volumes na metade final do ciclo.
Por fim, restando três meses para o fim da temporada 24/25, a estimativa do Imea para o ciclo é de que sejam exportadas 2,00 mi de t de algodão, marcando um novo recorde nas exportações mato-grossenses.
Confira os principais destaques do boletim:
- VALORIZAÇÃO: o preço Imea do algodão disponível em Mato Grosso apresentou variação positiva de 1,89% na semana, sendo precificado na média de R$ 128,95/@.
- AUMENTO: pautada pela valorização do algodão na bolsa de NY, a paridade de dez/26 registrou incremento de 2,70% em relação à semana passada.
- ALTA: o contrato de jul/26 na Ice NY registrou aumento de 3,62% no comparativo semanal, com a atenção voltada às condições climáticas em meio à semeadura do algodão nos EUA.
A comercialização do algodão manteve o ritmo aquecido durante o mês de abr/26 em MT.
A comercialização da safra 25/26 avançou 3,40 p.p. em abr/26, atingindo 68,89% da produção estimada, percentual que se encontra 3,01 p.p. acima da média dos últimos cinco anos. Assim, o ritmo das vendas observadas nos últimos meses compensou o início atrasado do ciclo, que chegou a ficar abaixo da mínima de cinco anos no final de 2025.
Para a safra 26/27, a comercialização alcançou 21,22% da produção projetada, com avanço mensal de 7,39 p.p., o maior desde o início das negociações, mantendo-se em linha com a média de cinco anos, apesar do início mais tardio em relação às safras anteriores. No geral, o movimento é reflexo da valorização dos preços do algodão no mercado internacional, especialmente na bolsa de NY, com os contratos nas maiores cotações dos últimos dois anos.
Por fim, essa tendência tem estimulado os cotonicultores a negociar maiores volumes, aproveitando o momento para aumentar sua receita.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
Sipcam Nichino inova com fungicida para trigo – MAIS SOJA

Uma das referências do setor de agroquímicos, a Sipcam Nichino Brasil abre seu ciclo de lançamentos de 2026 com a introdução do fungicida Marfin® 230 ME (tetraconazole). A expectativa da companhia é a de anunciar pelo menos seis novos produtos para seu portfólio até o final deste ano. Marfin® 230 ME conta com recomendação para a cultura do trigo. Age sobre a ferrugem da folha (Puccinia triticina) e trouxe à luz, em campos experimentais, resultados robustos no controle da doença oídio (Blumeria graminis).
Especialistas da comunidade científica, informa a empresa, reconhecem o ativo tetraconazole entre as ferramentas de destaque no controle do oídio do trigo.
“Trata-se de um fungicida sistêmico, do grupo químico triazol, apresentado sob a forma de micro-emulsão”, resume José de Freitas, engenheiro agrônomo da área de desenvolvimento de mercado. Segundo ele, o novo fungicida também conta com indicações para as culturas de algodão, arroz, batata, café, cebola, feijão, milho, soja e tomate.
No trigo, especificamente, ressalta Freitas, Marfin® 230 ME surpreendeu especialistas em campos experimentais, em diferentes regiões do país, pelo desempenho demonstrado no controle de oídio, considerada uma das doenças mais desafiadoras da cultura.
“Não controlado, o oídio pode resultar em expressivas perdas de produtividade, de até 60% em cultivares altamente suscetíveis e condições favoráveis”, diz Freitas. “Provoca redução da área fotossintética, enfraquece a planta de trigo e diminui acentuadamente o número de espigas e grãos”, ele acrescenta.
Resultados a campo e portfólio
De acordo com Freitas, a estação de pesquisas da consultoria G12 Agro, por exemplo, avaliou tratamentos para oídio ancorados no novo Marfin® 230 ME, em Guarapuava PR. Nestes estudos, o fungicida da Sipcam Nichino entregou a média de 97,3% de controle, mesmo ante casos de severidade representativa da doença, de sete a 22 dias após aplicado. Já o rendimento assegurado pela solução atingiu quase 5,5 mil kg/ha ou 90 sacas de trigo. “Este dado se mostrou superior a outros 10 tratamentos”, enfatiza Freitas.
Na também paranaense Ponta Grossa, ele complementa, a estação de pesquisas da instituição 3M Experimentação Agrícola observou controle de oídio, baseado no novo Marfin 230 ME, na faixa de 92% a 99% de eficiência.
“O produto fortalece e enriquece o portfólio da companhia para a triticultura e outros cultivos”, complementa Freitas. O agrônomo lembra que a empresa já comercializa com sucesso, na triticultura, os também fungicidas Torino, em tratamento de sementes, e, para uso foliar, as marcas Domark® Excel, Fezan® Gold e Support®, igualmente empregados em sistemas de tratamento de oídio e outras doenças economicamente relevantes da cultura.
Criada no Brasil em 1979, a Sipcam Nichino resulta da união entre a italiana Sipcam Oxon, fundada em 1946, especialista em agroquímicos e bioestimulantes e a japonesa Nihon Nohyaku (Nichino). A Nichino tornou-se a primeira companhia de agroquímicos do Japão, em 1928, e desde sua chegada ao mercado atua centrada na inovação e no desenvolvimento de novas moléculas para proteção de cultivos.
Fonte: Sipcam Nichino
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