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12 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Cientistas brasileiros criam novo revestimento para liberação controlada de fertilizante – MAIS SOJA

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Foto de capa: Pedro Octávio e Caue Ribeiro, Ricardo Bortoletto-Santos e Alef

Pesquisadores da Embrapa e das universidades de Ribeirão Preto (Unaerp), Estadual Paulista (Unesp) e de São Paulo (USP) desenvolveram um revestimento à base de polímero derivado de óleo de mamona e argila mineral que é capaz de liberar de forma controlada a ureia, fertilizante nitrogenado amplamente utilizado na agricultura. Testes em casa de vegetação com capim-piatã demonstraram que o fertilizante revestido promoveu melhor absorção de nitrogênio por parte da planta e maior produção de biomassa em comparação com a ureia sem revestimento.

Trata-se da primeira avaliação com plantas desse tipo de revestimento à base de óleo de mamona e nanoargila realizada no Brasil. O revestimento reduz custos e o desperdício de fertilizantes no solo. Os experimentos, realizados no Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA), sediado na Embrapa Instrumentação (SP), e no Laboratório de Processos e Materiais (ProMat) da Universidade de Ribeirão Preto, mostraram o impacto imediato da tecnologia.

A ureia sem revestimento liberou mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas nos testes de liberação em água, de acordo com o professor da Unaerp Ricardo Bortoletto-Santos, supervisionado em seu pós-doutorado pelo pesquisador da Embrapa e coordenador do LNNA Caue Ribeiro. “Quando a ureia foi revestida apenas com poliuretano, polímero derivado de óleo de mamona, essa liberação foi retardada, mas atingiu cerca de 70% em nove dias. Já a incorporação de apenas 5% da nanoargila mineral montmorilonita à matriz polimérica reduziu drasticamente essa taxa: apenas 22% do nitrogênio foi liberado no mesmo período, evidenciando o papel da nanoestrutura do revestimento no controle da liberação do nutriente”, constatou Bortoletto-Santos.

Para o pesquisador Caue Ribeiro, esse efeito ocorre porque a nanoargila cria uma espécie de barreira inteligente dentro do revestimento. “Além de dificultar fisicamente a passagem da água, ela interage quimicamente com o nitrogênio liberado. Assim, retém o nutriente por mais tempo e o libera de forma gradual, mais próxima do ritmo de absorção da planta”, explica o especialista em nanotecnologia.

Foto: Pedro Octávio e Caue Ribeiro,  Ricardo Bortoletto-Santos e Alef

Pesquisa supera desafios

O revestimento de fertilizantes para obter os chamados fertilizantes de liberação controlada ou lenta é uma tecnologia que encapsula grânulos (pequenas partículas) de nutrientes. A pesquisa propôs desenvolver um sistema de revestimento baseado em nanocompósitos para cobrir grânulos de ureia, testado em um meio solo-planta em casa de vegetação. O sistema foi produzido a partir de poliuretano, um polímero de origem renovável e biodegradável, que confere boa adesão, resistência mecânica e perfil de degradação controlado ao fertilizante. À matriz polimérica  foram incorporadas pequenas quantidades da montmorilonita, variando entre 2% e 10% em relação à massa da ureia.

Foto: Pedro Octávio 

Bortoletto-Santos (à esquerda na  foto) explica que a montmorilonita tem uma estrutura em lamelas, plaquetas que se empilham como escamas em distância nanométrica. Essas camadas, quando dispersas em uma matriz polimérica, podem ser esfoliadas ou intercaladas, resultando em uma distribuição em nanoescala que altera significativamente as propriedades de transporte do revestimento.

A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo, principalmente por seu alto teor de nitrogênio (cerca de 45% em massa). Mas sua alta solubilidade no solo é um grande desafio agronômico, porque pode levar a transformações no solo e a diferentes processos de emissões gasosas.

“Em condições normais, o fertilizante se dissolve rapidamente, resultando em perdas ambientais significativas, como a volatilização de amônia e a emissão de óxido nitroso, um potente gás de efeito estufa”, observa Caue Ribeiro.

Já a inovação desenvolvida pelos pesquisadores resultou na formação de uma camada fina, similar a um plástico, contínua e homogênea ao redor dos grânulos de ureia. O desempenho superior da ureia revestida foi diretamente associado à estrutura nanocompósita interna da cobertura e ao seu comportamento funcional.

Foto: Pedro Octávio 

Fertilizante tem eficiência agronômica

No experimento em casa de vegetação, a adubagem com fertilizante de liberação controlada teve um impacto significativo na eficiência agronômica. Houve efeito cumulativo evidente em todos os quatro cortes sequenciais da gramínea ao fim dos 135 dias de produção, o que comprovou a eficiência do novo revestimento. A fertilização foi realizada 15 dias após a germinação das sementes, no arranjo de bloco aleatorizado com duas plantas cultivadas em cada um dos 35 vasos com cinco réplicas.

Com o uso dos fertilizantes revestidos com nanoargila, tanto as taxas de produção de massa seca foram maiores durante o experimento; como a absorção total de nitrogênio foi significativamente maior, atingindo o dobro da taxa de absorção em comparação ao controle fertilizado com ureia sem revestimento.

“Os resultados, portanto, destacam o papel crucial da nanoestrutura do revestimento em aumentar a eficiência do uso de nutrientes e, ao mesmo tempo, minimizar as perdas ambientais. A abordagem é promissora por permitir o uso de revestimentos mais finos, sem comprometer a performance, o que oferece uma alternativa sustentável para a próxima geração de fertilizantes de liberação controlada”, afirma Bortoletto-Santos.

O pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (SP) Alberto Carlos de Campos Bernardi lembra que, atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que utiliza, e o nitrogênio é um dos nutrientes mais críticos e caros dessa conta.

“Esse estudo representa muito mais do que apenas uma questão acadêmica, mas também se insere na estratégia de Estado para reduzir a vulnerabilidade externa e aumentar a sustentabilidade da agricultura brasileira, consideradas no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) 2022-2050”, afirma Bernardi.

Foto:Caue Ribeiro,  Ricardo Bortoletto-Santos e Alefe

Barreira química e física

O estudo destaca que o sucesso do novo material não se deve apenas à formação de uma barreira física mais espessa, mas também ao fato de a montmorilonita atuar principalmente como uma barreira química.

“Estes resultados indicam que a montmorilonita atua primariamente como uma barreira química, por meio de interações iônicas/adsorventes, em vez de aumentar a barreira física. Essa interação química permite que o nutriente seja liberado em sincronia com a necessidade de absorção da planta”, explica Caue Ribeiro.

Para Ribeiro, os resultados possibilitam sistemas de revestimento versáteis, nos quais a interação química desempenha um papel mais significativo do que a barreira física, como normalmente é visto em muitos produtos.


Trabalho publicado

O trabalho foi publicado no artigo “Role of Nanocomposite Structure in Polyurethane Coatings for Slow-Release Fertilizers: A Case Study with Brachiaria brizantha”, no periódico ACS Agricultural Science & Technology (v. 5, issue 10), em setembro de 2025. O estudo recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Os pesquisadores buscam parceiros para viabilizar a transferência do revestimento ao setor produtivo. O contato pode ser feito por meio do endereço eletrônico caue.ribeiro@embrapa.br.


Fonte: Embrapa


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FONTE

Autor:Joana Silva (19.554/SP) Embrapa Instrumentação

Site: Embrapa

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Sustentabilidade

STF reconhece validade da Moratória da Soja

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Foto: Pixabay

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (12), validar a Moratória da Soja, acordo firmado há 20 anos por empresas que atuam no setor para barrar a compra de soja de áreas desmatadas após 2008.

Por maioria de votos, o plenário do Supremo entendeu que o pacto privado entre as empresas está de acordo com a Constituição e ajuda a preservar o meio ambiente.

A Corte também determinou o arquivamento de processos administrativos que estão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para contestar a validade da moratória e solicitar indenizações.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) solicitou uma ação contra uma lei de Mato Grosso que restringiu a concessão de benefícios fiscais para empresas que participam de acordos que limitam a expansão agropecuária. Além disso, uma lei de Rondônia que trata do mesmo tema também foi contestada.

O voto condutor do julgamento foi proferido por Flávio Dino. O ministro entendeu que leis estaduais podem restringir benefícios fiscais e também se manifestou sobre a compatibilidade do acordo com a Constituição.

“A Moratória da Soja existe e amanhã pode continuar a existir. Nada está a impedir que atores privados pactuem relações de compra e venda, de acordo com suas políticas empresariais”, afirmou.

Votação

A manifestação a favor da validade da Moratória da Soja foi acompanhada pelos seguintes ministros: Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Dias Toffoli, Luiz Fux e André Mendonça ficaram vencidos em parte e entenderam que a validade da moratória não pode ser analisada pelo STF, mas pelo Cade.

Posicionamento da Abiove

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) disse que a decisão do STF traz uma definição jurídica abrangente sobre os questionamentos relacionados à iniciativa.

Para a associação, a decisão contribui para encerrar um período de intensa insegurança jurídica e reafirma a legitimidade de compromissos voluntários e de políticas corporativas voltadas ao atendimento das demandas dos mercados e à promoção de cadeias produtivas sustentáveis.

Segundo a nota, a iniciativa demonstrou ser possível conciliar a expansão da produção agrícola no bioma Amazônia com a preservação ambiental, ao mesmo tempo em que contribuiu para fortalecer a credibilidade e a competitividade internacional da soja brasileira.

Por fim, a Abiove afirma a esperança de que a decisão permita superar de vez a judicialização do tema e dar início à nova fase de diálogo entre os diferentes setores da cadeia produtiva, com foco em segurança jurídica, competitividade e sustentabilidade.

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Sustentabilidade

Cepea/Algodão: Cotação da pluma recupera ritmo em julho com suporte externo e oferta restrita – MAIS SOJA

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Após a queda observada em junho, a cotação do algodão em pluma no mercado doméstico registrou recuperação em julho, com intensificação das altas na segunda quinzena. A recuperação dos preços esteve atrelada principalmente à postura firme dos vendedores, sustentada pelos preços mais altos no mercado internacional, pela oferta restrita de lotes de qualidade superior e pela necessidade imediata de parte dos compradores. Esse cenário ocorre em um momento em que a colheita e o beneficiamento estão em ritmo lento no Brasil e o saldo remanescente da safra 2024/25 de melhor qualidade permanece limitado.

Do lado da demanda, a indústria mantém postura cautelosa diante do desempenho ainda moderado das vendas de manufaturados. Os dados mais recentes do IBGE sinalizam leve reação. Em maio/26, as vendas no varejo de tecidos, vestuário e calçados avançaram 3,1%
frente a abril e 3,5% em relação a maio/25. Ainda assim, no acumulado de 2026, o crescimento é de apenas 0,1%, com retração de 0,5% nos últimos 12 meses.

Além disso, vendedores passam a priorizar o embarque dos contratos a termo à medida que a disponibilidade da safra nova aumenta gradualmente. Paralelamente às novas negociações com entrega nos próximos meses, o ritmo de comercialização da safra 2026/27 avançou nos últimos dias, sobretudo nos momentos em que os contratos da ICE Futures registraram valorização mais expressiva.

Nesse cenário, entre 30 de junho e 31 de julho, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) avançou 1,96%, encerrando o dia 31 a R$ 4,2039/lp, o maior valor nominal desde 5 de junho de 2026 (R$ 4,2218/lp). Vale lembrar que o Indicador recuou em boa parte do mês, e, até o dia 21, a baixa acumulada era de 2,41%.

Em julho, a cotação interna permaneceu, em média, 4% acima da paridade de exportação, completando o sétimo mês consecutivo em que o mercado doméstico apresentou maior remuneração.

Apesar da recuperação observada na segunda quinzena, a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,1092/lp em julho, baixa de 1,01% em relação à de junho/26. Na
comparação com julho de 2025, a retração real foi de 3,71%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de junho/26. Em dólar, a média à vista do Indicador foi de US$0,8011/lp em julho, 2,8% acima da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), de US$ 0,7795/lp, mas ainda 9,7% abaixo da média de US$0,8870/lp do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente.

MERCADO INTERNACIONAL – A paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea, acumulou alta de 2,2% entre 30 de junho e 31 de julho, encerrando o mês em R$ 3,9132/lp (US$ 0,7712/lp) no porto de Santos (SP) e em R$ 3,9237/lp (US$ 0,7733/lp) em Paranaguá (PR). O avanço refletiu a valorização de 4,04% do Índice Cotlook A, que fechou a US$ 0,8875/lp no dia 31, mesmo diante da desvalorização de 1,84% do dólar frente ao Real em julho, para R$ 5,074.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), entre 30 de junho e 31 de julho, o contrato Outubro/26 avançou 7,35%; o Dezembro/26, 2,82%; o Março/27, 6,68%; e o Maio/27, 6,66%.

SAFRA BRASILEIRA 2025/26 – Segundo dados divulgados no dia 14 de julho pela Conab, a produção brasileira de algodão na temporada 2025/26 está estimada em 4,06 milhões de toneladas, volume 2,05% superior ao projetado no relatório anterior, mas ainda 0,5% inferior à safra passada. O aumento decorre da revisão positiva da produtividade média, estimada em 2.011 kg/ha, altas de 2,13% frente ao levantamento anterior e de 2,8% em relação ao ciclo 2024/25. A área cultivada foi projetada em 2,02 milhões de hectares, com ligeiro recuo de 0,08% em relação ao relatório anterior e baixa de 3,2% em comparação com a temporada passada.

Enquanto as estimativas para a Bahia permaneceram inalteradas em julho, a Conab revisou para cima os números de Mato Grosso, principal estado produtor do País. A área cultivada em MT foi mantida em 1,39 milhão de hectares, estável em relação a junho, mas 4,7% inferior à da safra anterior. Em contrapartida, a produtividade e a produção foram elevadas
em 2,93% em relação ao relatório anterior. Com isso, a produção passou a ser estimada em 2,8 milhões de toneladas, volume 1,8% inferior ao da temporada 2024/25, enquanto a
produtividade média alcançou 2.011 kg/ha, avanço de 3,1% em relação ao ciclo passado.

EXPORTAÇÃO – Os embarques brasileiros de pluma atingiram recorde na safra 2025/26 (de agosto/25 a julho/26). Conforme dados da Secex, foram exportadas 3,374 milhões de toneladas da pluma, volume 19% superior ao observado em toda a safra anterior (de agosto/24 a julho/25).

Considerando-se o ano civil (de janeiro até a julho/26), os embarques somam 1,97 milhão de toneladas, volume que já é o quinto maior registrado em um ano da série histórica da Secex.

Em julho, especificamente, os embarques totalizaram 154,97 mil toneladas, volume 29% inferior ao registrado em junho/26, mas 22% superior ao de julho/25. Quanto aos preços, ainda segundo a Secex, a média das exportações em julho/26 foi de US$ 0,7680/lp, avanços de 4,8% frente à de junho/26 e de 4,5% em relação a julho/25. Em moeda nacional, a média foi de R$ 3,9272/lp, 4,43% inferior ao praticado no mercado spot doméstico, de R$ 4,1092/lp. Trata-se do quinto mês consecutivo de vantagem do mercado interno.

CAROÇO DE ALGODÃO – No mercado spot, os preços do caroço de algodão recuaram com maior intensidade em julho/26 nas principais praças de Mato Grosso. A pressão decorreu do início da safra 2025/26, aliada à postura cautelosa dos compradores, que seguem oferecendo preços menores diante da expectativa de boa produção. Além disso, parte das indústrias aguarda o avanço da colheita para intensificar o cumprimento dos contratos a termo.

Em Lucas do Rio Verde (MT), a média foi de R$ 769,28/t, quedas de 21,7% frente a junho e de 19,4% em relação a julho/25. Em Campo Novo do Parecis (MT), a média atingiu R$ 823,96/t, retrações de 11% no comparativo mensal e de 32,9% no anual. Em Primavera do
Leste (MT), o valor médio foi de R$ 922,00/t, quedas de 7,5% frente ao mês anterior e de 22,6% em relação a julho de 2025.

Em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.025,66/t, com ligeira retração de 0,8% frente a junho e expressiva queda de 17,9% em relação a julho/25. Em São Paulo (SP), a média foi de R$1.351,98/t, recuando 4,2% frente ao mês anterior e 13,7% na comparação anual.

Quanto à comercialização antecipada da safra 2025/26, dados do Cepea indicam que, para contratos com entrega entre julho e dezembro de 2026, o preço médio negociado em Lucas
do Rio Verde (MT) está em R$ 735,90/t, retração de 8,9% em relação ao registrado para os
contratos da temporada anterior (embarques no segundo semestre de 2025). Em Campo Novo do Parecis (MT), a média dos contratos a termo caiu 3,7%, para R$ 791,22/t. Em Primavera do Leste (MT), a baixa foi de 6,1%, para R$ 856,64/t. Já em Barreiras (BA), o preço médio está em R$ 952,08/t para entrega no segundo semestre de 2026, avanço de 5,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Fonte: Cepea


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Sustentabilidade

Danos econômicos do caruru em soja – MAIS SOJA

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A ampla distribuição das plantas de caruru (Amaranthus spp.) no território nacional tem tornado cada vez mais relevante o impacto dessa planta daninha em culturas produtoras de grãos como soja e milho. Características como rápido crescimento e desenvolvimento, associadas a uma grande produção de sementes e fácil dispersão delas, tem contribuído para a manutenção de populações de caruru ao longo das safras.

Agravando ainda mais o problema, o controle químico tem se tornado cada vez mais complexo e ineficaz, uma vez que exige grande planejamento e conhecimento para um adequado posicionamento dos herbicidas, tendo em vista que a maioria das espécies de caruru de importância agrícola já apresentam resistência aos principais herbicidas seletivos às culturas agrícolas.

Esse cenário reforça a necessidade de medidas integradas para o controle do caruru, assim como práticas que permitam reduzir a pressão de seleção de biótipos resistência, assegurando uma maior longevidade da eficácia dos herbicidas disponíveis no mercado.

Impacto econômico

O impacto econômico ocasionado pela matocompetição do caruru com a cultura agrícola varia de acordo com o período de convivência, a espécie do caruru e cultura cultivada. Dados da literatura demonstram que uma das espécies de caruru mais agressivas é o Amaranthus palmeri, popularmente conhecido como caruru-palmeri ou caruru-gigante. De acordo com Gazziero & Silva (2017), quando em competição com a cultura durante todo o seu ciclo de desenvolvimento, pode ocasionar perdas de produtividade no milho superiores a 91%, 79% na soja e 77% em algodão.

Conforme destacado por Barroso et al. (2026), no caso da espécie Amaranthus hybridus, a presença dessa planta daninha em áreas de soja pode resultar em perdas expressivas de produtividade, corroborando Gazziero & Silva (2017). O dano econômico pode chegar a 16 sacos por hectare em áreas com baixa infestação (43 plantas m-2) e até 47 sacas por hectare em áreas onde a pressão de plantas de caruru é alta (1.160 plantas m-2) (Barroso et al., 2026).

Figura 1. Potencial perda de produtividade em lavoura de soja em função da pressão de infestação de Amaranthus hybridus.
Fonte: Fundação ABC, 2025, apud. Barroso et al. (2026).

Vale lembrar que em função da elevada produção de sementes, não é incomum observar áreas com alta densidade populacional de caruru.  Além das perdas substanciais de produtividade, a presença de plantas de caruru ao final do ciclo da soja (figura 2), contribui para o aumento da quantidade de impurezas nos grãos (figura 3), depreciando a produção, além de reduzir o rendimento da colheita (Barroso et al., 2026).

Figura 2. Plantas de caruru em lavoura de soja em ponto de colheita.

Figura 3.  Presença de sementes de caruru na soja na colheita.
Foto: Oscar Groth. Fonte: Barroso et al. (2026).

Diante dos impactos do caruru sobre a produtividade e a qualidade da produção, torna-se fundamental adotar estratégias eficientes de manejo, visando reduzir a matocompetição com a soja e minimizar os prejuízos durante a colheita.


Veja mais: Caruru – herbicidas pré-emergentes são protagonistas no manejo dessa planta daninha


Referências:

BARROSO, A. A. M.; et al. CARURU (Amaranthus sp.): Biologia, resistência e manejo. HRAC-BR: Comitê de Ação a Resistência aos Herbicidas, 2026. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/1c4xZhdrYCcbWZQ421wj50FQJHuXaeS6B/view >, acesso em: 12/08/2026.

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 12/08/2026.

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