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16 de junho de 2026

Sustentabilidade

Manejo estratégico do Sistema Milho – Soja safrinha – MAIS SOJA

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O sistema de produção milho-soja safrinha é realizado em regiões no Sul do Brasil, como o oeste de Santa Catarina (SC) e o noroeste do Rio Grande do Sul (RS). Nessas regiões, devido à ocorrência de geadas durante o inverno o estabelecimento do milho após soja como é realizado no Centro-Oeste, se impossibilita, a isso se soma que a oscilação anual do fotoperíodo e as baixas temperaturas nos meses de agosto e setembro (meses frios e com dias curtos), geralmente, impedem a semeadura da soja neste período. Dessa forma, buscando otimizar o uso da terra, os produtores optam por semear a cultura do milho como primeira safra (agosto e setembro) e a soja como segunda (a partir de janeiro) (Figura 1).

Figura 1. Representação do sistema de produção milho-soja safrinha no Sul do Brasil.
Fonte: Equipe Field Crops

Para viabilizar o sistema, são geralmente utilizados híbridos de milho de ciclo hiperprecoce e cultivares de soja com um ciclo de 115 dias. Nesse contexto, o potencial de produtividade do milho é reduzido pela duração do ciclo dos híbridos e pelas semeaduras mais precoces, que fazem com que o período crítico do milho não coincida com o melhor coeficiente fototérmico (Q). Embora neste sistema a soja seja cultivada em um ambiente de menor potencial, em condições de sequeiro essa época de semeadura apresenta uma lacuna de produtividade por água menor, com uma maior estabilidade na produtividade.

Um desafio, no entanto, é a dificuldade de implantação da lavoura de soja em condições de sequeiro. Visto que, frequentemente, existem períodos longos sem precipitação no mês de janeiro no Sul do Brasil, que somado a alta disponibilidade de radiação e alta evapotranspiração, diminui o período com condições ideais de semeadura. Porém, geralmente esse sistema é adotado em áreas irrigadas, onde a irrigação traz segurança na produção de milho e supera os desafios do estabelecimento da soja.

A Equipe FieldCrops analisou uma série de fatores que atuam em conjunto para construir uma lavoura de alta produtividade no sistema milho-soja safrinha e os apresenta como os degraus para altas produtividades (Figura 2). A base desses degraus é a disponibilidade de água, que permite o estabelecimento inicial da soja e sua máxima taxa de crescimento durante o período vegetativo. Em seguida, a formação de um estande de plantas adequando as populações e garantindo o primeiro componente de produtividade, visando assegurar o uso eficiente dos recursos naturais (garantir máxima interceptação de radiação solar). Posteriormente, a escolha correta de cultivares, que sejam adaptadas às condições locais, com alto potencial genético e presença de juvenilidade, fundamental para altas produtividades em ambiente de safrinha.

A disponibilidade de nutrientes também é um fator essencial, principalmente relacionado a alta taxa de crescimento das plantas de soja e o seu menor ciclo de desenvolvimento, pois a semeadura ocorre no mês de janeiro, sendo necessário manter níveis mais elevados de nutrientes para suprir a demanda das plantas. Por fim, as produtividades são altamente relacionadas à época de semeadura caso não ocorra deficiência hídrica Tagliapietra et al. (2021) estimou que a cada dia de atraso da semeadura da soja no mês de janeiro pode resultar e perdas de −40 kg ha-1 dia-1 de soja, sendo intolerável o atraso na semeadura da soja após a colheita do milho.

 Figura 2. Degraus visando alta produtividade no sistema de produção milho-soja.
Fonte: Equipe Field Crops


Referências:

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Biophysical and management factors causing yield gap in soybean in the subtropics of Brazil. Agronomy Journal, v. 113, n. 2, p. 1882–1894, 2021. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/agj2.20586 >, acesso: 21/03/2026

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Sustentabilidade

Royalties, pirataria e inovação – Mais Soja

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O Brasil fornece 60% da soja produzida no mundo. Em 20 anos, a demanda global pela oleaginosa dobrou — e a produção nacional acompanhou esse ritmo, saindo de 55 milhões de toneladas em 2006 para 180 milhões em 2026. Em segundo lugar no ranking global, os Estados Unidos respondem por apenas 16% do fornecimento mundial. Essa liderança, construída ao longo de décadas, tem na biotecnologia um dos seus principais sustentáculos – mas também um de seus pontos de maior vulnerabilidade.


Por que o Brasil lidera e pode ir mais longe?

A posição de destaque do país no mercado global de soja, para Fabiano Oliveira, líder Soja da Bayer, é resultado de quatro pilares: um ambiente institucional com leis que permitem a inovação, melhorias de infraestrutura – ainda que insuficientes, especialmente em logística, o perfil empreendedor do agricultor brasileiro, com crescente renovação geracional no campo, e a tecnologia, que abrange biotecnologia, genética e mecanização.

A comparação com outros países produtores evidencia a vantagem competitiva brasileira. Existem hoje 50 países produzindo soja no mundo. A Índia, por exemplo, registra produtividade média de 16 sacas por hectare – patamar semelhante ao do Brasil de 60 anos atrás. A média nacional brasileira atual é de aproximadamente 62 sc/ha.

O impacto da soja vai além do campo. Municípios sojicultores brasileiros registram Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,793, superior à média nacional de 0,764 — indicador de que a cadeia produtiva da oleaginosa contribui diretamente para o desenvolvimento social das regiões onde está inserida.


O papel da biotecnologia na produtividade

O avanço da biotecnologia no Brasil é expressivo. O número de cultivares registradas saltou de 450, em 2005, para 2.743 em 2026, consolidando o país como o que oferece mais opções de biotecnologia no mercado mundial. Na prática, a tecnologia garante em média 12% de ganho de produtividade — o equivalente a cerca de 6 sacas por hectare. Com o preço referenciado em R$ 120/sc, isso representa R$720,00/ha de valor gerado ao produtor.

Segundo dados apresentados por Fabiano, o custo da biotecnologia, por sua vez, representa menos de 4% do investimento total do agricultor por hectare plantado. Nos últimos anos, esse custo foi corrigido abaixo do IGPM e abaixo do crescimento das demais operações dentro da lavoura.

O ecossistema que sustenta essa cadeia é robusto: 25 empresas de genética, 300 multiplicadores de sementes, mais de 11 mil revendas entre matrizes e filiais de distribuidores, 200 mil agricultores e mais de 4.500 cerealistas. Apenas para a tecnologia Intacta, há mais de 500 mil contratos vigentes.

Três modelos de comercialização de sementes convivem no mercado brasileiro: a semente certificada, que responde por 85% da área cultivada com custo de R$ 235,70/ha; a semente salva legal, presente em 10% da área, com custo de R$ 272,70/ha; e a comercialização na moega, que representa 5% do mercado, com valores entre R$ 500 e R$ 540/ha.


A estrutura jurídica que protege a inovação

A proteção da inovação agrícola no Brasil repousa sobre dois pilares jurídicos distintos. O primeiro é a inovação biotecnológica – que envolve modificação de DNA, características inexistentes na natureza e engenharia química e molecular. Esse tipo de inovação é protegido por patentes, sob responsabilidade do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), com base na Lei 9.279/96. O prazo de exclusividade é de 20 anos. Uma patente protege um invento, mas uma mesma tecnologia pode conter vários inventos.

O segundo pilar é o melhoramento genético – baseado em cruzamento, seleção e no trabalho do agrônomo melhorista sobre o germoplasma. A proteção se dá pela Lei de Proteção de Cultivares (Lei 9.456/97), que regula variedades vegetais com foco em cultivares e germoplasma.

A finalidade desse arcabouço é garantir segurança ao produtor para que ele possa distribuir e comercializar grãos dentro da lei e com certificação. A premissa que sustenta o sistema é direta: segurança jurídica hoje é inovação agrícola amanhã. A pirataria de sementes, por sua vez, ameaça todo o ecossistema de inovação.


Sementes ilegais: R$ 10 bilhões de impacto anual

O mercado ilegal de sementes representa uma das maiores ameaças à cadeia produtiva da soja brasileira. Pesquisa de 2024 indica que 11% das sementes de soja utilizadas no Brasil são ilegais. No Rio Grande do Sul, esse índice chega a 28% – e os dados são considerados subestimados. O impacto econômico estimado é de R$ 10 bilhões por ano.

Os mais afetados, nessa ordem, são: o próprio agricultor, a indústria e a cadeia exportadora.

O histórico da pirataria de sementes no Brasil passa pelo episódio da chamada “semente Maradona”, que chegava da Argentina a baixo custo e sem qualquer regulamentação. A lentidão do Estado brasileiro para legislar sobre transgenia criou um vácuo regulatório que favoreceu a entrada desse material irregular. O ponto de virada ocorreu quando a China — principal importadora da soja brasileira – testou o produto e comprovou a presença de material transgênico. Diante do risco iminente de perda do maior comprador, o país avançou na regularização dos organismos geneticamente modificados (OGMs) e transgênicos.


Os desafios e oportunidades até 2050

O horizonte de longo prazo coloca desafios de escala global: mais de 2,2 bilhões de pessoas a mais no planeta até 2050, necessidade de produzir 50% mais alimentos, adaptação às mudanças climáticas e pressões da transição energética. O Brasil parte de vantagens competitivas consolidadas para enfrentar esse cenário.

A produção nacional de soja cresce 6,2% ao ano e a produtividade avança 2,3% ao ano. Em termos práticos, isso representa uma economia projetada de 31 milhões de hectares em relação a 2024 – ou seja, o Brasil conseguirá produzir volumes crescentes sem necessidade de incorporar essa área adicional ao cultivo, desde que o ritmo de ganhos de produtividade seja mantido.

Hoje, 3 milhões de hectares de soja no Brasil já são destinados à produção voltada ao setor de biocombustíveis. O Brasil possui a melhor matriz energética em relação ao mundo, o que posiciona o país com vantagens competitivas também nesse mercado em expansão. Os desafios do futuro passam pelo novo mercado de biocombustíveis e pela capacidade do país em gerar valor no produto brasileiro – e não apenas exportar matéria-prima.


Inovação ameaçada sem proteção

A biotecnologia é ao mesmo tempo o principal motor e uma das maiores vulnerabilidades da soja brasileira. O ecossistema de inovação – com suas 25 empresas de genética, centenas de multiplicadores e milhares de revendas – só se sustenta quando a propriedade intelectual é respeitada e remunerada. A pirataria de sementes, além de prejudicar diretamente o agricultor, corrói a base financeira que viabiliza pesquisa, desenvolvimento e o lançamento de novas tecnologias.

O Brasil reúne as condições para aprofundar sua liderança global na produção de soja. O caminho passa por fortalecer o ambiente regulatório, combater os insumos ilegais e garantir que a inovação continue sendo o principal diferencial competitivo do agronegócio nacional.

Redação: Equipe Mais Soja com informações do Workshop Biotecnologia no Brasil: Oportunidade, inovação e futuro do Agro – Bayer

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Sustentabilidade

Algodão/BR: Início da colheita, alerta contra pragas e previsão do tempo – MAIS SOJA

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Algodão: 1,7% colhido. Em MT, há o início da colheita da primeira safra. Permanece o foco no controle do bicudo-doalgodoeiro. Na BA, a colheita segue lentamente e atrasada em relação à safra passada. O prolongamento do ciclo, associado à maior proporção de áreas irrigadas e às temperaturas noturnas mais baixas, deve favorecer a qualidade da fibra e a produtividade.

No MA, as lavouras de primeira e segunda safra permanecem em maturação e abertura de capulhos. De forma geral, as lavouras apresentam bom potencial produtivo. Em MS, a colheita foi iniciada na região nordeste, com produtividades satisfatórias. Parte dos talhões mais atrasados ainda necessita de reposição hídrica para a formação das maçãs.

Em GO, há o início da colheita, com as áreas de sequeiro em maturação. Na região Sul, avança o manejo de desfolha. A previsão de chuvas, principalmente, na região Leste e no Entorno do Distrito Federal, pode afetar a qualidade da fibra nas áreas com pluma exposta.

Em MG, a colheita foi iniciada. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento. Em SP, as chuvas dos últimos dias suspenderam temporariamente a colheita.

Previsão Agrometeorológica (15/06/2026 a 22/06/2026)

N-NE: Os maiores acumulados de chuva podem ocorrer no Oeste do AM, RR, AP e Centro-Norte do PA. Em RO, litoral do PA e Noroeste do MA, as chuvas podem ser irregulares e, no AC e RO, menos intensas. No Matopiba, o tempo permanecerá firme, favorecendo a maturação e colheita do milho segunda safra, mas restringindo as lavouras em frutificação.

No litoral da região Nordeste, podem ocorrer chuvas fracas e isoladas, favorecendo as lavouras do Sealba mais próximas da costa. Nas áreas do interior, a umidade no solo continuará baixa.

CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados no Oeste de MT, Centro Sul de MS e Sul de GO. Em GO, predominarão dias de tempo firme. Em MS, acumulados mais significativos ocorrerão entre sexta e sábado. Com exceção do Nordeste de MT e parte de GO, onde a umidade no solo encontra-se mais baixa, as condições serão favoráveis para o milho segunda safra em frutificação, maturação e colheita.

SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, CentroSul de MG, RJ e ES, entre  segunda e terça. Na quarta e quinta-feira, a previsão é de chuvas mais restritas no RJ e ES. A partir de sábado, as chuvas devem retornar à região, principalmente, no Centro-Sul de SP e Oeste do RJ. No geral, as condições serão favoráveis para os cultivos de segunda safra e inverno em SP, Triângulo, região central e Sul de MG. No restante de MG, deverá permanecer a condição de restrição hídrica.

S: Há previsão de chuvas fracas e isoladas no litoral do PR e SC entre segunda e terça. No restante da região, a previsão é de tempo firme. Entre quinta e sábado, está prevista a ocorrência de chuvas no RS, SC e PR, principalmente, no Oeste de SC e Sudoeste do PR. No geral, as condições serão favoráveis para os cultivos de segunda safra e inverno. As temperaturas mais baixas devem persistir até quinta-feira.

Fonte: Conab


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FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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Sustentabilidade

Milho/BR: Colheita da 1ª safra avança e chega à 90,4% da área total – MAIS SOJA

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Milho 1ª Safra: 90,4% colhido.

Em SC, SP, PR, GO, MG e PA, a colheita foi finalizada. No RS, a colheita se aproxima da finalização. No PI, a colheita avança no sudoeste do estado com boas produtividades sendo obtidas. No MA, a colheita avança em todo o estado.

Milho 2ª Safra – 6,7% colhido.

Em MT, a colheita avança com produtividades acima das estimadas inicialmente. No PR, a colheita se aproxima do início e as lavouras se encontram, na maioria, em boas condições. Em MS, a colheita começou no sul do estado com boas produtividades sendo alcançadas.

Em GO, as precipitações ocorridas não conseguiram reverter as condições das lavouras e as perdas já são consolidadas. Em SP, a colheita foi iniciada lentamente devido às chuvas. Em MG, as lavouras irrigadas apresentam ótimo desenvolvimento em contraste com as lavouras de sequeiro, fortemente impactadas pelas precipitações reduzidas.

No TO, os produtores aguardam a maior redução da umidade dos grãos para acelerar a colheita. No MA, a colheita avança no sudoeste do estado. As lavouras nas demais regiões finalizam os estádios reprodutivos em condições regulares. No PI, algumas lavouras nas regiões de Uruçuí e Bom Jesus apresentam sintomas de deficit hídrico, mas a maioria das lavouras apresenta bom desempenho.

No PA, a colheita acelera nos polos da BR-163 e Redenção com boas produtividades sendo obtidas. No polo de Santarém, o excesso de chuvas provocaram erosões em algumas áreas, comprometendo a produtividade desses talhões.

Fonte: Conab



 

FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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