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Sustentabilidade

Conflito no Oriente Médio pressiona custos e competitividade do agro – MAIS SOJA

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O comércio internacional e as cadeias globais de suprimentos atravessam, no primeiro semestre de 2026, um momento de forte instabilidade provocado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. A passagem de navios interrompida no Estreito de Ormuz e a insegurança no Mar Vermelho comprometem o fornecimento global de petróleo e fertilizantes. Isso impacta diretamente os custos de transporte, o que faz o preço de itens básicos, como alimentos e combustíveis, subir. Para o consumidor e para o setor agrícola, o cenário atual é de incerteza e de pressão nos preços.

Porto de São Francisco do Sul se consolidou como um ponto estratégico para o abastecimento de fertilizantes em Santa Catarina (Foto: Eduardo Valente/GovSC)

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informa que, embora os preços globais de alimentos sigam abaixo do pico registrado em 2022, após o início da guerra na Ucrânia, há tendência de alta no fim de março, reflexo da renovada incerteza geopolítica. Para Santa Catarina, que tem uma economia fortemente ancorada no agronegócio exportador e dependente de insumos importados, o cenário representa um risco direto à competitividade.

Segundo o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan, o agronegócio de Santa Catarina sente rapidamente as crises no comércio mundial. “A estrutura produtiva do estado combina importação intensiva de fertilizantes, transformação de grãos em proteína animal de alto padrão e uma logística complexa para acessar mercados exigentes. Nesse contexto, dois vetores concentram os impactos: a alta dos custos energéticos, com reflexos diretos no diesel, e o encarecimento dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados.”

Alta do petróleo

Com o petróleo Brent próximo de US$100 por barril, analistas projetam reajustes em torno de 20% no preço do diesel no Brasil. O efeito imediato tende a ser uma elevação média de 10% no frete rodoviário. Em Santa Catarina, onde o transporte terrestre entre as regiões produtoras do Oeste e Meio-Oeste e os portos do litoral responde por até 70% do custo logístico das exportações de grãos e carnes, o impacto recai diretamente sobre a rentabilidade do setor.

No campo, a alta do diesel já pressiona o Custo Operacional Efetivo (COE). Entre o fim de 2025 e março de 2026, o preço médio do litro em Santa Catarina subiu de cerca de R$6,14 para R$7,33. Dados da Epagri/Cepa mostram aumento da participação do combustível no COE de todas as culturas analisadas. Por exemplo, na soja e no milho de alta tecnologia, mesmo com uma elevação percentual menor, o impacto financeiro é relevante por conta da extensão da área cultivada. Já em culturas intensivas em mecanização, como maçã, arroz e cebola, observa-se uma maior sensibilidade, com o diesel respondendo por fatias crescentes do custo produtivo.

Fertilizantes sob pressão

Paralelamente ao choque energético, o mercado global de fertilizantes entrou em forte trajetória de alta. A região em conflito concentra parcela relevante da oferta de Gás Natural Liquefeito (GNL), insumo-chave para a produção de fertilizantes nitrogenados. Com a navegação restrita, houve interrupções no fornecimento e rápida elevação dos preços.

A FAO alerta que o mercado de fertilizantes não dispõe de reservas estratégicas coordenadas, o que dificulta a gestão de choques de oferta. Estimativas indicam que os preços globais podem operar, em média, de 15% a 20% mais altos no primeiro semestre de 2026. O Banco Mundial reforça o diagnóstico ao indicar que o índice global de preços de fertilizantes subiu 26,2% em um único mês, com a ureia registrando alta de até 46% no mercado internacional.

O cenário foi agravado por medidas protecionistas da China que restringiu exportações de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, enquanto a Rússia suspendeu temporariamente as vendas externas de nitrato de amônio. As tentativas diplomáticas de garantir o fornecimento, como no caso do Irã, esbarram no elevado risco da navegação na região, marcado por prêmios de seguro elevados e baixa disponibilidade de navios.

De acordo com o analista da Epagri/Cepa, o Porto de São Francisco do Sul se consolidou como um ponto estratégico para o abastecimento de fertilizantes em Santa Catarina. Em 2025, o terminal respondeu pela importação de 2,75 milhões de toneladas do insumo, cerca de 6% do volume internalizado no país, segundo a Conab, mantendo ritmo elevado também em 2026 e contribuindo para reduzir riscos de desabastecimento regional.

“O aumento dos custos, aliado a preços internacionais ainda pressionados, comprime as margens dos produtores e da agroindústria. A dificuldade de absorver novos reajustes pode reduzir o uso de fertilizantes, com impactos na produtividade, o que exige mais planejamento, eficiência logística e adoção de tecnologias para preservar a competitividade”, afirma Villazon Montalvan.

Fonte: Epagri


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FONTE

Autor:Cristiele Deckert, Jornalista Bolsista Epagri/Cepa Fapesc

Site: Epagri

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Sustentabilidade

MILHO/CEPEA: Oferta aumenta, e Indicador recua quase 5% em abril – MAIS SOJA

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No mercado brasileiro, os valores do milho tiveram quedas intensas na semana passada, influenciados pelo aumento da oferta e pela pressão exercida por compradores. Segundo o Cepea, a desvalorização do dólar frente ao Real também reforçou o movimento de baixa de preço do cereal no mercado spot. Assim, no acumulado da parcial de abril (até o dia 16), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) recuou fortes 4,8% e voltou a operar nos patamares de janeiro deste ano.

Neste contexto, consumidores seguem atentos ao avanço da colheita da safra verão, à melhora do clima para o desenvolvimento da segunda safra e à forte queda do dólar – que reduz a paridade de exportação –, e, assim, negociam apenas de forma pontual, quando existe a necessidade de recomposição dos estoques ou quando vendedores aceitam patamares menores. Do lado da venda, parte dos agentes se mostra mais flexível nas negociações, mas ainda encontra dificuldades em comercializar grandes lotes.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

MAPA define período de vazio sanitário e o calendário de semeadura da soja para a safra 2026/2027 – MAIS SOJA

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A Aprosoja/MS alerta os produtores de Mato Grosso do Sul para a necessidade de atenção às datas estabelecidas pela Portaria SDA/MAPA nº 1.579, de 9 de abril de 2026, que define o período de vazio sanitário e o calendário de semeadura da soja para a safra 2026/2027. As medidas têm como objetivo garantir a sanidade das lavouras, reduzir a pressão de doenças e assegurar a competitividade da produção no Estado.

Para a próxima safra, os produtores devem observar rigorosamente o vazio sanitário entre 15 de junho de 2026 e 15 de setembro de 2026, período em que é proibida a manutenção de plantas vivas de soja em qualquer estágio de desenvolvimento. Já o calendário de semeadura fica estabelecido entre 16 de setembro de 2026 e 31 de dezembro de 2026.

O cumprimento dessas datas é considerado fundamental para a sustentabilidade do sistema produtivo. Além de organizar o ciclo agrícola, o calendário contribui para a redução do número de aplicações de fungicidas ao longo da safra, auxiliando na racionalização de custos e na mitigação do risco de seleção de populações resistentes de patógenos.

O vazio sanitário é uma das principais ferramentas de manejo da ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), doença considerada a mais severa da cultura, com potencial de causar perdas de até 90% na produtividade. A interrupção da presença de plantas vivas no campo durante o período estabelecido reduz a sobrevivência do fungo e a sua disseminação entre as áreas produtoras.

Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, o cumprimento rigoroso das medidas é decisivo para o controle da doença no Estado. “O vazio sanitário não é apenas uma obrigação normativa, ele é uma estratégia essencial de manejo. Quando o produtor respeita o período e a janela de semeadura, ele reduz a pressão de inóculo, melhora a eficiência do controle e contribui diretamente para a sustentabilidade da produção”.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também reforça a importância do monitoramento constante das lavouras, especialmente diante do aumento de registros da ferrugem asiática no estado, que passaram de 12 ocorrências no ciclo anterior para 70 registros na safra 2025/2026.

O vazio sanitário da soja em Mato Grosso do Sul é definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o que garante padronização nacional das regras fitossanitárias. A execução e fiscalização das medidas são realizadas em parceria com o governo estadual, por meio da IAGRO, responsável pela orientação técnica e pelo controle do cumprimento das normas no campo.

A importância dessas medidas se reflete diretamente no desempenho do estado. Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul alcançou área plantada de 4,525 milhões de hectares, produção aproximada de 14,06 milhões de toneladas e produtividade média de 51,79 sacas por hectare.

A Aprosoja/MS reforça que o planejamento técnico e o respeito às normas fitossanitárias seguem como pilares fundamentais para a manutenção do avanço da produtividade, da competitividade e da sustentabilidade da soja sul-mato-grossense. “O sucesso da safra 2026/2027 começa com o cumprimento do vazio sanitário e o plantio dentro da janela ideal”.

Fonte: Aprosoja/MS



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Sustentabilidade

Condições de mercado estão difíceis para o produtor nacional de soja – MAIS SOJA

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O mercado mundial de soja passa por um momento de dificuldades. A ampla oferta da oleaginosa e as expectativas favoráveis pressionam as cotações. Em termos domésticos, a combinação de queda dos contratos futuros em Chicago e do dólar tornar o ritmo dos negócios ainda mais lento.

O cenário é cada vez mais complexo para a soja, tanto internamente como no exterior. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira, que participou nesta semana do 11o Safras Agri Week. “Para o Brasil, o maior desafio é o preço”, afirma.

Nos Estados Unidos, a demanda interna está aquecida, com bons esmagamentos, e ainda há a expectativa do retorno da China à ponta compradora. Para o produtor brasileiro, o consultor acredita que pode haver mais oportunidades no segundo semestre, se os estoques norte-americanos apertarem e sustentarem a Bolsa de Mercadorias de Chicago.

Na Argentina, a situação é bastante tranquila, conforme o analista Agustin Geier. “É muito cedo para se falar em atraso de colheita no país”, frisa. “Além disso, são esperadas 49,8 milhões de toneladas, o que é um patamar muito bom para nós”, relata, acrescentando que tudo está correndo bem e sem expectativa de quebra de safra argentina.

Nos subprodutos, a volatilidade tem sido muito grande com a guerra no Irã, que impulsionou os preços do petróleo. “Trouxe suporte ao óleo de soja, que é uma das alternativas para a produção de biodiesel”, finaliza o analista e consultor Gabriel Viana.

Conab e Abiove
A produção brasileira de soja deverá totalizar 179,151 milhões de toneladas na temporada 2025/26, com aumento de 4,5% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. A projeção faz parte do 7º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na estimativa anterior, a previsão estava em 177,85 milhões de toneladas.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) atualizou as estatísticas do complexo soja, elevando as projeções para o ano de 2026. O novo balanço aponta que o Brasil deve atingir um patamar recorde de esmagamento interno, impulsionado pela robustez da safra e pela crescente demanda por derivados.

As estimativas para 2026 foram revisadas positivamente em relação ao levantamento anterior, com o processamento de soja no país devendo alcançar 62,2 milhões de toneladas, um aumento de 1,1%. Esse avanço na atividade industrial reflete-se diretamente na oferta de produtos de maior valor agregado, com a produção de farelo de soja estimada em 47,9 milhões de toneladas e a de óleo de soja em 12,5 milhões de toneladas.

Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE, destaca que a atualização dos dados reforça o amadurecimento e a resiliência da indústria brasileira. “O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro”, afirma.

Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua e Rodrigo Ramos / Safras News

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