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5 de novembro de 2026

Sustentabilidade

Soja/RS: Excesso de umidade na colheita compromete qualidade e produtividade da soja – MAIS SOJA

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A colheita da soja avançou de forma descontínua no período, alcançando 50% da área cultivada, com maior concentração operacional em curtas janelas de tempo favoráveis, especialmente nos dias 06, 11 e 12/04. A recorrência de precipitações ao longo do período, apesar dos volumes heterogêneos entre as regiões, manteve elevada a umidade do solo e das plantas, restringindo a trafegabilidade e impondo interrupções às operações de colheita.

Predominam lavouras em maturação (36%), e 14% ainda se encontram em enchimento de grãos e floração, refletindo a amplitude de épocas de semeadura. Em áreas mais representativas em termos de cultivo, houve perda gradual de qualidade dos grãos, registros de retenção foliar, presença de grãos verdes e aumento de impurezas, causados pela umidade elevada no momento da colheita.

As produtividades apresentam elevada variabilidade, tanto entre regiões quanto dentro de um mesmo município, influenciadas pela irregularidade das chuvas ao longo do ciclo, especialmente durante o período crítico de enchimento de grãos. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo mais tecnificado, os rendimentos estão adequados. Nas áreas afetadas, as perdas são expressivas, e há registros de produtividade abaixo do custo de produção em alguns cultivos.

Em termos fitossanitários, especialmente nas lavouras tardias implantadas em janeiro, as aplicações complementares de inseticidas e fungicidas foram prejudicadas pelo excesso de umidade, que restringiu a execução apropriada dos tratamentos químicos.

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A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar está em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita atinge 22%; 55% estão em maturação; e 24% em enchimento de grãos. As precipitações acumuladas entre 150 e 200 mm deixaram os produtores ainda mais preocupados em relação a perdas, sobretudo em solos de várzea, onde a drenagem é limitada. Em São Borja, as lavouras apresentam porte reduzido, baixa formação de grãos e alta incidência de deformações.

Cerca de 25% dos 105.000 hectares foram colhidos, com produtividades entre 900 e 1.500 kg/ha, e foi necessário acionar mecanismos de cobertura de risco (Proagro) devido à insuficiência produtiva obtida, em comparação com os custos investidos, equivalente à produção de 1.800 a 2.400 kg/ha para formação das lavouras, dependendo de maior ou menor uso de insumos. Na Campanha, a colheita está em fase inicial, inferior a 10%, e predominam lavouras em enchimento (60%). A dessecação tem sido empregada para a uniformização da maturação, beneficiada pelos volumes de chuva mais baixos (inferiores a 50 mm), que permitiram o avanço pontual das operações.

Na de Caxias do Sul, houve interrupção temporária da colheita, posteriormente retomada, evoluindo em ritmo acelerado. As lavouras apresentam produtividade inferior à expectativa inicial em decorrência do déficit hídrico associado às elevadas temperaturas, especialmente na segunda quinzena de janeiro e ao longo do mês de fevereiro.

Na de Erechim, cerca de 60% da área foi colhida, e os 40% restantes estão em maturação ou maduros por colher. A tendência é de finalização dos trabalhos até o fim do mês de abril. Na de Frederico Westphalen, 55% foram colhidos; 35% estão em maturação; e 10%, em enchimento de grãos. A produtividade média obtida está próxima a 3.100 kg/ha. Na de Ijuí, a colheita atinge 65%, mas o avanço está lento devido às restrições climáticas, sendo possível operar apenas em períodos específicos. A produtividade média está em torno de 3.100 kg/ha, mas há tendência de queda à medida que a colheita avançar.

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Na Região Celeiro, em Três Passos, os rendimentos variam entre 2.520 e 3.300 kg/ha. Observa-se retenção foliar e presença de grãos verdes, que impactam a qualidade final. Após a colheita, os produtores iniciaram a distribuição de corretivos de solo nas restevas.

Na de Passo Fundo, 55% da área foi colhida, e 45% se encontram em maturação ou prontos para colheita. A produtividade média está em torno de 3.500 kg/ha, com variações
entre lavouras, refletindo diferenças de manejo e condições ambientais. Na de Pelotas, predominam asfases de enchimento de grãos (42%) e maturação (38%), e 18% da área foi colhida. Na de Santa Maria, a colheita evoluiu de forma desigual entre municípios. Em São Francisco de Assis, 34% da área foi colhida; 50% estão em maturação; e 16%, em enchimento de grãos. Em Tupanciretã, a colheita se aproxima de 45% dos 147.000 hectares cultivados. A produtividade varia amplamente, entre 1.800 e 4.200 kg/ha, e as perdas estão mais acentuadas em áreas semeadas precocemente devido à estiagem no período reprodutivo.

Na de Santa Rosa, a colheita ultrapassou a metade da área cultivada (51%); 33% estão em maturação; 14%, em enchimento de grãos; e 2%, em floração. As produtividades apresentam extrema variabilidade, entre 900 e 4.800 kg/ha. Há relatos de redução de até 30% no rendimento volumétrico das cargas, além de elevados índices de impureza (até 9%) e de grãos leves, decorrentes de falhas na dessecação e colheita sob alta umidade. As operações foram limitadas pelas chuvas frequentes, e há preocupação com a manutenção da umidade nos grãos.

Na de Soledade, a colheita atinge cerca de 60% da área, concentrada durante o final do período. A produtividade média está aproximadamente em 2.900 kg/ha, com variações de 1.800 kg/ha até 4.900 kg/ha. As lavouras tardias ainda recebem tratamentos fitossanitários, incluindo controle de ferrugem-asiática, oídio, tripes e ácaros. As temperaturas mais baixas e as chuvas do período diminuíram a pressão dessas pragas.

Comercialização (saca de 60 quilos)

A cotação média da soja passou de R$ 120,86 para R$ 119,78, reduzindo 0,89% em relação à semana anterior, conforme o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar.

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Fonte: Emater/RS



 

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Sustentabilidade

Farsul alerta para o risco de caducidade da MP 1376 – MAIS SOJA

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A Farsul intensificou a mobilização política em Brasília e junto ao Congresso Nacional para alertar sobre a urgência na votação e na ampliação da abrangência da Medida Provisória nº 1.376/2026, cujo prazo final de deliberação encerra-se no próximo dia 11 de novembro. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais e ofícios encaminhados às principais lideranças legislativas, incluindo o relator da matéria, deputado federal Paulo Pimenta, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, além dos senadores Renan Calheiros e Tereza Cristina, a entidade reforçou que o tempo urge para evitar a perda de vigência da norma.

De acordo com dados do Banco Central destacados pela federação, a dimensão do endividamento no campo é alarmante. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o saldo problemático do crédito rural no Brasil, que engloba operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas, disparou 47,7%, saltando de R$ 139,08 bilhões para R$ 205,46 bilhões. No Rio Grande do Sul, o volume cresceu 26,4% no mesmo período, passando de R$ 34,94 bilhões para R$ 44,18 bilhões, o que representa impressionantes 39,2% de toda a carteira de crédito rural do Estado.

Em contrapartida, os registros oficiais do Sistema de Operações de Crédito Rural e do Proagro (SICOR) apontam que, até 30 de setembro de 2026, as operações de composição de dívidas vinculadas à MP alcançaram renegociações de R$ 5,55 bilhões a nível nacional e R$ 4,58 bilhões no território gaúcho. Para a Farsul, embora os recortes estatísticos possuam especificidades e não contemplem, por exemplo, as renegociações de Cédulas de Produto Rural (CPRs), os montantes evidenciam um abismo entre a escala do endividamento problemático real e o volume efetivamente absorvido pelo mecanismo atual.

Diante do relatório apresentado pelo deputado Paulo Pimenta e da perspectiva de apresentação de voto em separado pela FPA, a direção da Farsul defende a construção de um entendimento consensual. O objetivo é assegurar um texto alternativo ou ajustes no relatório que removam entraves burocráticos de acesso, ampliem o alcance do enquadramento e garantam prazo hábil para requerimento, análise e contratação por parte dos produtores.

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A federação alerta que, caso a MP caduque sem as devidas alterações estruturais, cerca de 80% dos produtores rurais poderão ficar alijados da possibilidade de alongamento de suas obrigações financeiras, gerando reflexos severos na liquidez do setor e na estabilidade das próximas safras de culturas altamente mecanizadas.

Fonte: Farsul



 

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Sustentabilidade

Entregas de fertilizantes caem 10,4% no período de janeiro e agosto – MAIS SOJA

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Em maio, junho e julho, redução nas entregas de fertilizantes foi de 15% a 20%, refletindo a persistência das graves adversidades geopolíticas globais e as dificuldades do produtor rural, como escassez de crédito, riscos de recuperações judiciais, altas taxas de juros, aumento de custos e riscos climáticos, em especial o El Niño.

A ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro no acumulado dos primeiros oito meses de 2026 foram de 27,31 milhões de toneladas. Isso significou redução de 10,4% ante as 30,47 milhões registradas em igual período de 2025. Em agosto, foram 4,33 milhões de toneladas, ante 5,25 milhões em 2025, com uma redução de 17,6%.

A ANDA relembra que o ano começou favorável, refletindo no primeiro trimestre o impacto positivo da boa safrinha. Mas, logo a seguir, com o início da guerra no Irã, em fevereiro, verificou-se o arrefecimento de novos negócios, que acabou sendo percebido com a queda das entregas a partir de maio, num ciclo que perdurou nos dados de agosto.

O Estado de Mato Grosso, líder nas entregas ao mercado, concentra a maior quantidade no período de janeiro a agosto, com 6,77 milhões de toneladas, ou 24,8% do total. Seguem-se: Paraná (3,07 milhões), Goiás (2,90 milhões), São Paulo (2,79 milhões), Rio Grande do Sul (2,24 milhões), Minas Gerais (2,07 milhões) e Bahia (1,96 milhão).

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A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou agosto de 2026 com 418 mil toneladas. O volume representa queda de 40,2% na comparação interanual. No acumulado dos oito meses, foram 3,75 milhões de toneladas. Houve queda de 22,7% em relação a igual período de 2025, quando se produziram 4,86 milhões de toneladas.

As importações de fertilizantes intermediários continuam chegando ao Brasil com redução, totalizando, em agosto, 3,03 milhões de toneladas, com queda de 34%. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o total foi de 24,27 milhões de toneladas, significando retração de 12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram importadas 27,58 milhões de toneladas.

No porto de Paranaguá, principal porta de entrada dos adubos, ingressaram, de janeiro a agosto, 5,83 milhões de toneladas, indicando redução de 17,7% em relação a 2025, quando foram descarregadas 7,08 milhões de toneladas. O terminal representou 24% do total importado de todos os portos (Fonte: Siacesp/MDIC).

As informações são da ANDA.

Fonte: Agência Safras

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FONTE

Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

Como a planta de soja sabe que deve emitir um novo nó? – MAIS SOJA

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O número de nós na haste principal é uma das variáveis mais usadas para acompanhar o desenvolvimento da soja a campo. O intervalo de tempo térmico (graus dia ou soma térmica) entre a emissão de um nó e o próximo é chamado de plastocrono. Até pouco tempo, esse valor era tratado como constante durante toda a cultura, sem considerar que, a partir do florescimento, a emissão de nós passa a ocorrer junto com o desenvolvimento reprodutivo.

Um estudo conduzido por Dalla Porta et al. (2024), da equipe FieldCrops, reuniu 17 experimentos ao longo de 7 safras e 4 locais do Rio Grande do Sul (RS), com 25 cultivares de soja, sendo 6 de hábito de crescimento determinado e 19 de hábito indeterminado. Em vez de calcular um único plastocrono para o ciclo todo, foi dividido o período de emissão de nós em fases: nas cultivares indeterminadas, fase inicial (V1 a R1), intermediária (R1 a R3) e final (R3 a R5); nas determinadas, que têm menor sobreposição entre os estádios vegetativo e reprodutivo, apenas fase inicial (V1 a R1) e final (R1 a R3). Essa divisão permite acompanhar melhor a sobreposição entre o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo durante a emissão de nós.

Os resultados mostraram que o ritmo de emissão de nós muda conforme o hábito de crescimento e a disponibilidade de água. Em cultivares determinadas irrigadas, a fase inicial do plastocrono (59,7 °C dia nó-1) foi mais rápida que a fase final (65,7 °C dia nó-1), enquanto no sequeiro essa diferença desaparece, com média de 70,1 °C dia nó-1 (Figura 1A e 1B). Já nas cultivares indeterminadas irrigadas, a fase intermediária foi a mais rápida (58,5 °C dia nó-1), mas no sequeiro o destaque foi a fase final, que praticamente dobrou o ritmo de emissão de nós, com plastocrono de 79,4 °C dia nó-1 frente a 60,6 °C dia nó-1 nas fases inicial e intermediária (Figura 1C e 1D), evidenciando o efeito do déficit hídrico justamente no período em que a planta já está formando vagens e grãos.

Figura 1. Plastocrono (°C dia nó-1) por fase de desenvolvimento em cultivares de soja de hábito determinado irrigadas (A) e de sequeiro (B), e de hábito indeterminado irrigadas (C) e de sequeiro (D), em sete safras e 17 experimentos no Rio Grande do Sul. Fonte: adaptado de Dalla Porta et al. (2024).

Os autores também observaram que esse padrão está ligado ao hábito de crescimento da cultivar, e não ao seu grupo de maturidade, o que reforça a importância de considerar essa característica na hora de interpretar a velocidade de desenvolvimento a campo. Dividir o plastocrono em fases, como proposto no estudo, dá uma base mais realista para os modelos de simulação da soja, aproximando a estimativa do número de nós — e, por consequência, do estádio de desenvolvimento da lavoura — do que de fato acontece quando a planta enfrenta déficit hídrico durante o enchimento de vagens e grãos.

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Referências:

DALLA PORTA, F.S. et al. Improving understanding of the plastochron of determinate and indeterminate soybean cultivars. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 28, n. 10, e278299, 2024. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v28n10e278299 >, acesso: 01/11/2026.

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