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Governo e Congresso apostam em mudanças na legislação para impulsionar seguro rural no país

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Reprodução Canal Rural

O modelo de seguro rural brasileiro pode passar por mudanças estruturais nos próximos anos, com a introdução do seguro paramétrico e a tramitação de um projeto de lei no Congresso Nacional que pretende modernizar o sistema e ampliar a cobertura no campo.

O Ministério da Agricultura e Pecuária vem sinalizando nos últimos meses que pretende avançar com a implementação do seguro rural paramétrico no país. A proposta surge em um contexto de aumento da frequência de eventos climáticos extremos, que têm elevado os riscos da produção agrícola e pressionado a situação financeira de produtores rurais.

O modelo já vem sendo adotado em diferentes países como uma alternativa para ampliar a cobertura securitária no campo. Em mercados como Estados Unidos, Índia, França e México, o seguro paramétrico tem sido utilizado para proteger produtores contra riscos climáticos, com indenizações baseadas em indicadores como volume de chuva, temperatura ou velocidade do vento.

Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que, apenas na safra 2023/24, perdas provocadas por seca, excesso de chuvas e geadas afetaram milhões de hectares de lavouras no país. Levantamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também mostram que o Brasil registrou aumento significativo de eventos climáticos extremos nas últimas décadas, com episódios de estiagem prolongada, ondas de calor e chuvas intensas.

Para os produtores, os impactos são diretos. Quebras de safra reduzem a renda, dificultam o pagamento de financiamentos e aumentam o risco de endividamento e renegociação de dívidas agrícolas, situação que frequentemente exige medidas emergenciais de crédito por parte do governo.

Mesmo diante desse cenário, a adesão ao seguro rural ainda é considerada baixa no Brasil. Dados do Ministério da Agricultura indicam que menos de 20% da área agrícola cultivada no país conta com algum tipo de cobertura securitária, o que deixa grande parte da produção exposta a riscos climáticos.

Como funciona o seguro paramétrico

Diferentemente do modelo tradicional, o seguro paramétrico não depende de vistoria presencial para avaliar prejuízos. A indenização é acionada automaticamente com base em indicadores climáticos previamente definidos, como volume de chuva, velocidade do vento ou temperatura.

De acordo com o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, o sistema pode trazer ganhos importantes de eficiência.

“A grande vantagem é que fica muito mais fácil a avaliação e o pagamento das indenizações”, afirma.

Apesar do potencial do modelo, especialistas apontam que a implantação no Brasil deve ocorrer de forma gradual. Isso porque o funcionamento do seguro paramétrico depende de uma ampla rede de estações meteorológicas e sistemas de monitoramento climático, algo que ainda não está plenamente disponível em todo o território nacional.

“A disponibilidade de medições é um obstáculo. Para aplicar esse modelo, é preciso ter uma rede ampla de dados climáticos em propriedades e municípios”, destaca Oliveira.

Segundo o Observatório de Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV), em 2025 cerca de 11 mil hectares foram segurados no modelo paramétrico com apoio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para efeito de comparação, o seguro tradicional cobriu aproximadamente 3,2 milhões de hectares no mesmo período.

Entre as 17 seguradoras habilitadas a operar com subvenção federal, apenas duas comercializaram apólices paramétricas, o que mostra que o modelo ainda está em fase inicial no país.

Na avaliação da FGV, a expansão desse tipo de seguro exige avanços técnicos importantes, como:

  • maior densidade de estações meteorológicas
  • uso intensivo de dados satelitais
  • séries históricas climáticas mais extensas
  • governança técnica independente
  • calibração regional dos índices climáticos

Outro desafio é o chamado “risco de base”, que ocorre quando a indenização acionada pelo índice climático não corresponde exatamente à perda real na propriedade.

“O seguro paramétrico se guia única e exclusivamente pelo parâmetro definido. Então, você pode ter uma circunstância, por exemplo, de um grande vendaval, mas aquela propriedade não ter nenhum prejuízo por alguma característica específica. Ele vai ser indenizado exatamente igual aos outros. E pode acontecer o contrário também”, explica o presidente da CNseg.

Projeto de lei busca modernizar seguro rural

Paralelamente ao debate sobre o seguro paramétrico, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 2951/2024, que propõe mudanças estruturais no sistema de seguro rural brasileiro.

O texto busca ampliar a cobertura do seguro no país e tornar o instrumento mais integrado às políticas de crédito agrícola.

Entre os principais pontos da proposta estão:

  • integração entre crédito rural e seguro agrícola, incentivando produtores que contratarem proteção contra riscos climáticos
  • criação de mecanismos de gestão de risco para instituições financeiras
  • maior previsibilidade para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)
  • estruturação de um fundo de estabilização para o setor

Para Dyogo Oliveira, a vinculação entre seguro e crédito pode melhorar a gestão de risco no agronegócio.

“A concessão de crédito sem seguro acaba resultando em inadimplência e renegociações frequentes de dívidas”, afirma.

Na avaliação do executivo, produtores segurados têm maior capacidade de honrar compromissos financeiros mesmo em anos de perdas climáticas.

Estudos da FGV também indicam que a integração entre seguro rural e crédito agrícola pode reduzir riscos para instituições financeiras. Segundo a instituição, produtores segurados tendem a apresentar menor probabilidade de inadimplência, o que reduz perdas para bancos e melhora o perfil de risco das carteiras agrícolas.

Isso pode permitir, por exemplo:

  • redução do spread bancário
  • ampliação do limite de crédito
  • prazos mais longos de financiamento
  • menor exigência de garantias

No dia 2 de março, a Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de urgência para o projeto de lei, o que permite que a proposta seja votada diretamente no plenário. Após a conclusão da análise pelos deputados, o texto segue para o Senado e, se aprovado, é encaminhado para sanção presidencial.

Fundo de estabilização

Outro ponto previsto no projeto é a criação de um fundo de estabilização do seguro rural. A proposta prevê que, em anos de resultados positivos, parte dos recursos das seguradoras seja direcionada para esse fundo. Já em anos de perdas climáticas elevadas, os recursos poderiam ser utilizados para compensar prejuízos do sistema e evitar oscilações abruptas no preço das apólices.

Segundo Oliveira, o mecanismo ajudaria a trazer maior estabilidade ao mercado de seguros agrícolas.

Além disso, o setor também defende maior previsibilidade orçamentária para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, garantindo que os recursos previstos no orçamento federal sejam efetivamente utilizados.

“Uma das medidas urgentes para melhorar o modelo de seguro rural no país é garantir que o dinheiro previsto no orçamento da União seja aplicado no seguro rural”, afirma o executivo.

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Agro Mato Grosso

Preço da soja em Mato Grosso sobe

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O instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) informou, esta tarde, que a soja disponível no Estado fechou em alta de 0,78% semana passada, em relação a anterior. No fechamento dos negócios, na última sexta-feira, ficou em R$ 101,79/saca.

Na bolsa em Chicago a alta foi de 1,44% na semana, sustentada pela valorização do complexo de soja e pelas expectativas de demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos.

Em Mato Grosso o farelo de soja subiu 0,72%, semana passada, ficando cotado em R$ 1.601,53/tonelada

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Agro Mato Grosso

Chuvas acima da média atrapalham colheita da soja e plantio do milho no MT

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Em Mato Grosso, a chuva fortes tem atrapalhado a colheita da soja e o plantio do milho.

Já são mais de 30 dias com chuvas intensas e contínuas nas regiões produtoras. Dezessete municípios de Mato Grosso decretaram situação de emergência. O agro está entre os setores mais afetados. O estado é o maior produtor de grãos do país. Com o solo encharcado, as máquinas não conseguem avançar e parte da soja brota ainda no pé. Chuva que também dificulta o transporte nas estradas de terra.

“Aí você pega é lama, é buraco, é uma coisa ou outra. Então, se torna difícil”, diz o caminhoneiro Odair da Rosa.

Em fevereiro, Cuiabá acumulou mais de 270 mm de chuvas, muito acima do volume registrado em fevereiro de 2024 e 2025. Mato Grosso já colheu quase 90% da soja, mas o ritmo é inferior ao da colheita passada. Mesmo com atraso, a projeção de recorde para esta safra de soja se mantém. Com o excesso de chuvas, a preocupação dos produtores é com a qualidade dos grãos. A Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado calcula perdas de até 25% nas áreas mais atingidas.

“Tem mensurado por alguns produtores prejuízos na casa entre R$ 1,8 mil até ultrapassando R$ 2 mil por hectare, onde a soja ficou por muito tempo na lavoura tomando chuva, devido à perda de peso, qualidade e somados descontos também”, afirma Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT.

E o atraso na colheita da soja já afeta o plantio do milho.

“No passado e nos outros anos, essa área já estaria dessecada, já para ponto de colheita. E isso acabou dificultando a questão, principalmente, da segunda safra”, diz o agricultor Mário Antunes Júnior.

“Eu acho que é uma boa safra, sim, não tão boa quanto no passado, mas eu acho que vai estar dentro das médias normais. Não devemos ter uma queda significativa”, afirma o agricultor Gilson Melo.

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Estudo da Embrapa avalia uso de algas para reduzir impacto da seca em lavouras

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Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.

Pesquisadores da Embrapa Agroenergia, no Distrito Federal, estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante voltado à tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico.

Os experimentos foram realizados em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado. Os testes registraram aumento de até 160% na formação de síliquas na canola, estruturas que abrigam as sementes, e crescimento de até 12% no sistema radicular do trigo.

O projeto recebeu o nome de Algoj, inspirado na palavra “alga” em esperanto, e é realizado em parceria com a empresa CBKK, com recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Segundo as pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, responsáveis pelo projeto iniciado em 2023, os resultados indicam potencial de aplicação, mas ainda precisam ser confirmados em condições de campo.

Extração de fitormônios é foco do estudo

Ao longo de dois anos, os pesquisadores analisaram quatro espécies de algas marinhas. Três delas foram selecionadas para continuidade dos estudos. O foco da pesquisa está na extração de metabólitos secundários, compostos que atuam como sinalizadores químicos no desenvolvimento das plantas.

“Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica Mendonça.

Para obter esses compostos, chamados de fitormônios, os pesquisadores testaram diferentes métodos de secagem e extração das algas. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, afirma a pesquisadora.

Quatro extratos foram selecionados após testes iniciais realizados com mudas de tomate da cultivar BRS Zamir.

Testes com trigo e canola no Cerrado

Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.
Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.

A pesquisa avançou para experimentos com trigo e canola, culturas cultivadas no inverno no Cerrado. O bioma registra período de estiagem entre maio e setembro, com redução de chuvas observada nas últimas décadas. As duas culturas foram escolhidas por enfrentarem fases de estresse hídrico durante esse período.

Os testes identificaram dois extratos de algas com potencial de aplicação nas lavouras.

Na canola, uma das formulações antecipou o florescimento e manteve desempenho produtivo sob restrição de água. No trigo cultivado sem irrigação, o uso de extratos resultou em aumento no volume e no comprimento das raízes.

Resultados ainda precisam ser validados em campo

Os experimentos foram realizados em ambiente controlado, com temperatura e umidade reguladas. O pesquisador Agnaldo Chaves afirma que os resultados obtidos indicam potencial, mas não devem ser reproduzidos na mesma proporção em lavouras comerciais.

“Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, diz.

Segundo ele, duas formulações apresentaram desempenho na canola e uma no trigo de sequeiro (sem irrigação). “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, afirma.

Nos testes, a canola foi acompanhada por cerca de 100 dias até a fase reprodutiva, enquanto o trigo foi avaliado até a fase vegetativa.

Produção de bioinsumo também enfrenta desafios

Além dos testes agronômicos, a pesquisa incluiu o desenvolvimento de formas de transporte e conservação do bioinsumo.

Como o transporte de extratos líquidos pode aumentar custos e provocar degradação dos compostos, os cientistas desenvolveram uma versão seca do produto, em pó molhável, por meio do processo de spray dryer.

“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, afirma Mendonça.

Próxima etapa prevê testes em lavouras

Com a etapa de laboratório e de casa de vegetação concluída em janeiro de 2026, a equipe busca ampliar a parceria para iniciar experimentos em campo. O objetivo é definir recomendações de uso, como dosagem e período de aplicação.

Ainda serão avaliados fatores como o uso combinado de espécies de algas e o comportamento do extrato em regiões com diferentes regimes de chuva. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, afirma Mendonça.

Segundo a pesquisadora, o uso de algas também pode estimular a cadeia produtiva ligada à biodiversidade marinha brasileira, com geração de renda para comunidades que atuam na coleta e cultivo dessas espécies.

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