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Nova tecnologia combina IA e imagens de satélite para monitorar efeitos da geada nas lavouras

Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Universidade de Michigan, desenvolveu um novo método para detectar de forma rápida e precisa os danos causados por geadas em lavouras de milho, além de estimar a área plantada da cultura.
A ferramenta combina dados de sensoriamento remoto com modelos matemáticos, permitindo identificar impactos ainda durante a safra, antes mesmo da colheita. Segundo os pesquisadores, o método pode trazer ganhos importantes para o planejamento agrícola, o mercado de grãos, o seguro rural e a tomada de decisão no campo.
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De acordo com o estudo, a tecnologia pode ajudar o poder público a corrigir estimativas de safra com maior agilidade, contribuindo para o monitoramento da oferta e dos preços do milho. O método também tem potencial para apoiar seguradoras na avaliação de perdas e orientar produtores após eventos climáticos extremos.
Safrinha se consolida como pilar da produção brasileira
As geadas costumam causar prejuízos expressivos, principalmente quando atingem o milho da segunda safra, conhecida como safrinha, cujo plantio pode avançar para períodos mais frios, como maio e junho.
Embora no passado a safrinha tivesse participação marginal na produção nacional, esse cenário mudou nas últimas duas décadas. Avanços tecnológicos, cultivares mais resistentes ao frio e práticas de manejo que melhoram a qualidade do solo permitiram uma forte expansão da produção após a safra de verão.
Dados do MapBiomas, divulgados em dezembro, mostram que a área plantada “fora de época” triplicou desde o ano 2000. Em 2024, o milho respondeu por 62,2% do volume da safrinha, consolidando-se como a principal cultura desse período.
Oeste do Paraná foi área de teste do novo método
O estudo foi aplicado na mesorregião Oeste do Paraná, uma das áreas mais expostas a geadas no país e também uma das principais produtoras de milho de segunda safra. Segundo o MapBiomas, o Paraná foi o segundo maior produtor nacional de milho safrinha, em grande parte cultivado após a colheita da soja.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Remote Sensing Applications: Society and Environment e, segundo os autores, representam o primeiro trabalho da literatura a mapear o impacto de geadas no milho com base em sensoriamento remoto.
A metodologia estimou que a área de milho de segunda safra na região chegou a 740.007 hectares, número 1,7% superior ao registrado nos dados oficiais, o que, segundo os pesquisadores, demonstra a alta precisão da ferramenta como alternativa para estimativas de área plantada.
Geadas afetaram quase 70% da área cultivada
Os pesquisadores utilizaram como referência a safra 2020/2021, quando o Oeste do Paraná foi atingido por dois episódios severos de geada, em maio e junho.
Naquele ano, uma seca prolongada atrasou o plantio da soja, o que empurrou o cultivo do milho da segunda safra para meados de fevereiro. Com isso, a colheita avançou para o inverno, aumentando a exposição das lavouras ao frio intenso.
Com o novo método, foi possível estimar que 69,6% da área total plantada com milho foram afetados pelas geadas. Desse total, 3,5% sofreram danos no primeiro episódio, em maio, e 66,1% no segundo evento, mais intenso, ocorrido em junho. Apenas 30,4% da área não foram impactados, sendo que parte já havia sido colhida.
Dados oficiais indicam forte impacto na qualidade da produção
A comparação com dados oficiais reforça a dimensão das perdas. Segundo relatório do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná, 58,7% do milho colhido naquela segunda safra foram classificados como de qualidade ruim, enquanto 35,3% apresentaram qualidade média.
Para os pesquisadores, a nova metodologia pode complementar esse tipo de avaliação, oferecendo informações mais rápidas e detalhadas durante o ciclo da cultura, e não apenas após a colheita.
Objetivo é antecipar problemas ainda durante a safra
Segundo Michel Eustáquio Dantas Chaves, professor da Unesp e primeiro autor do estudo, a meta é ampliar a capacidade de monitoramento em tempo real.
“A nossa meta é ser capazes de mapear culturas e identificar problemas ainda durante o período da safra. Isso permitirá colaborar com os órgãos de planejamento e auxiliar os produtores a tomarem decisões antes da colheita”, afirma.
*Reportagem de Marcos do Amaral Jorge, do Jornal da Unesp
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Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.
Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.
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Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.
Mudança na dieta e no comportamento
Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.
O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.
Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.
Oportunidades estratégicas para o Brasil
Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.
As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.
Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.
Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.
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Agro Mato Grosso
Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.
A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.
“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.
A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.
“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”
Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.
“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”
“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”
Biometano

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural
Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.
Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.
“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.
Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.
Business
Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.
De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.
Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.
Milho é a maior preocupação
A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.
Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.
“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.
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