Aprosoja MT
Legado que Construímos: produtor de Nova Mutum segue os passos de sua família apesar das dificuldades

Um amor que atravessa gerações, passado de pai para filho, sustentado pela coragem, pela fé e pelo compromisso com a terra. A história do agricultor Cristiano Costa Beber, produtor rural de Nova Mutum, se mistura à própria construção da agricultura de Mato Grosso, um legado que se iniciou muito antes dele e que segue firme até os dias de hoje.
Natural de Pejuçara (RS), Cristiano chegou ainda criança a Mato Grosso, acompanhado de seu pai e movido pelo mesmo sonho que trouxe milhares de famílias ao Centro-oeste: produzir, crescer e construir um futuro no campo. Mas esta história começa a ser construída alguns anos antes.
“Nossa história começou em 1945. Meu avô produzia pinga, tinha um alambique. Era o que dava para fazer na época. Depois, nos anos 1960, meu pai foi para o quartel e lá incentivaram ele a plantar. Ele convenceu meus avós a apostar no trigo. Mais tarde, com a chegada da soja, fomos migrando aos poucos”, relembra.
Na década de 1970, a soja já fazia parte da rotina da família no Rio Grande do Sul. Com a expansão do grão e a busca por novas oportunidades, o destino passou a ser as terras mato-grossenses, ainda marcadas por inúmeras incertezas. Em meados da década de 1980, os tios de Cristiano foram os primeiros a se mudar para o estado.
“Era tudo estrada de chão, de Cuiabá até Nova Mutum. Não tinha água, não tinha energia. Chegaram a furar um poço de 60 metros e não encontraram água. Naquela época nós tínhamos o conhecimento técnico que temos hoje”, conta.
A caminhada foi marcada por perdas. Em 1985, a família enfrentou o luto pela mãe de Cristiano. Três anos depois, um assalto à propriedade de um dos tios abalou ainda mais a estrutura familiar, levando-os a se afastarem da atividade agrícola por um período.
Entretanto, desistir de um sonho nunca foi uma opção na família Costa Beber. Em 1991, o pai de Cristiano decidiu recomeçar e a família se mudou definitivamente para Mato Grosso, retomando o plantio de soja. Os primeiros anos foram promissores, até que em 1994, uma forte crise atingiu o setor.
“O que a gente plantava não pagava os custos. Eu lembro até hoje de assistir a uma reportagem em que chamaram os agricultores de caloteiros. Aquilo me doeu muito, principalmente pelo meu pai, que sempre foi um homem honesto”, relembra, emocionado.
No final da década de 1990, surgiu a oportunidade de adquirir uma nova propriedade em Nova Mutum. Com o apoio do pai, Cristiano e um dos irmãos deram início a um novo capítulo, porém o falecimento do irmão que seria seu sócio testou novamente a força da família.
“Foi mais um choque para todos nós. Minha cunhada voltou para o Sul, e eu e minha esposa ficamos aqui tocando a propriedade. É a fazenda em que moramos hoje”, comenta Cristiano.
Apesar das adversidades, nenhuma dor superou a força de vontade de Cristiano e sua família, que continuaram o legado construído pelo seu avô e expandiram os negócios sem deixar que as dificuldades superassem o amor pelo campo.
“Nós nunca desistimos, dos três irmãos que vieram para o Mato Grosso, os filhos, todos eles tiveram amor pela lavoura. Os que estudaram estão na lavoura, querem a lavoura, e nunca teve entre os primos, os irmãos, alguém que desistiu”, diz ele orgulhoso.
Ao relembrar o início da família em Mato Grosso, ele destaca as dificuldades que hoje parecem distantes, mas que moldaram o caráter de quem ficou. Mais do que tecnologia ou estrutura, o que sustentou a família Costa Beber ao longo das décadas foi um conjunto de valores transmitidos de geração em geração.
“O pai sempre nos cobrou honestidade, ensinou a sempre fazer as coisas certas. Ele dizia que seguindo os bons exemplos, dando certo para outros, também daria certo para nós. Isso ficou enraizado na nossa família.”
A união familiar sempre foi um dos pilares dessa trajetória. Casado desde 1998, Cristiano reconhece a importância de sua esposa para a construção de seu negócio. Hoje, o legado segue vivo através de seus filhos, os gêmeos Gabriel e Rafael, que cresceram na fazenda acompanhando de perto a rotina no campo. Atualmente, ambos estudam agronomia e já se preparam para manter viva a história da família.
“Quando eles disseram que iam fazer agronomia, foi uma alegria enorme. Os dois juntos, com amor pela lavoura. Eles moram em Minas Gerais, onde estão estudando, mas vêm nas safras e cada um pega uma máquina. Eles estão ansiosos para voltar e tocar a propriedade”, afirma Cristiano com brilho no olhar.
Para Cristiano, o orgulho de ser produtor rural vai além dos resultados econômicos. Está na relação com a terra, no cuidado com o solo e no respeito aos recursos naturais. “A terra é o bem mais precioso que nós temos. O solo, o clima, isso é a nossa riqueza. A gente precisa cuidar, corrigir, melhorar. É o nosso negócio, é o nosso ganho”, enfatiza o produtor.
Olhando para trás, Cristiano resume sua trajetória com gratidão, orgulho e esperança. “É um orgulho ser produtor. Está no sangue da gente. Ver uma plantinha nascer, crescer e colher os frutos é uma realização. Eu não me vejo fazendo outra coisa. O legado da nossa família é acreditar. Acreditar na agricultura, na união da família e que, no fim, tudo vai dar certo”, finaliza.
Agro Mato Grosso
Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta e exige planejamento para safra 2026/27

Informação, monitoramento e antecipação são ferramentas para o produtor enfrentar desafios climáticos com segurança, eficiência e previsibilidade
A possibilidade da formação de um “Super El Niño” neste ano já acende o sinal de alerta no setor produtivo, especialmente para a agricultura em Mato Grosso. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas, elevar as temperaturas e influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras no estado.
Com base em dados e projeções apresentados no relatório do consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Clyde Fraisse, o cenário climático exige atenção redobrada por parte dos produtores rurais, uma vez que pode afetar desde o planejamento do plantio da safra 2026/27 até a definição das estratégias de manejo ao longo do ciclo produtivo.
Na avaliação do consultor, embora ainda existam incertezas quanto à intensidade do fenômeno, o cenário indica probabilidade de alterações climáticas no Centro-Oeste, exigindo planejamento antecipado e estratégias voltadas à redução dos riscos na próxima safra.
“Os impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 dependerão não apenas da intensidade do aquecimento do Oceano Pacífico, mas também da interação com outros sistemas climáticos, especialmente o Atlântico Tropical e os padrões atmosféricos sobre a América do Sul. Entretanto, o consenso entre os principais centros meteorológicos internacionais indica que o fenômeno aumenta significativamente a probabilidade de atrasos no início da estação chuvosa no Brasil Central. Para os produtores de Mato Grosso, isso reforça a necessidade de uma estratégia preventiva baseada na redução de riscos”, afirmou o consultor.
Diante desse cenário, Clyde Fraisse destaca que o monitoramento constante das previsões climáticas e a adoção de práticas de manejo são fundamentais para reduzir os impactos de possíveis atrasos das chuvas e garantir maior estabilidade ao sistema produtivo.
“O monitorar continuamente as previsões climáticas de médio e longo prazo; evitar a semeadura após precipitações isoladas, aguardando a consolidação da estação chuvosa; manter elevada cobertura do solo por meio do Sistema Plantio Direto e de plantas de cobertura; realizar escalonamento da semeadura para reduzir a exposição ao risco climático; utilizar cultivares adaptadas às diferentes janelas de plantio e revisar o planejamento da segunda safra considerando possíveis atrasos da soja; intensificar o monitoramento fitossanitário, uma vez que mudanças no regime de temperatura e umidade podem alterar a dinâmica de doenças e pragas”, aconselhou Clyde Fraisse.
O consultor ressalta ainda que eventos climáticos dessa magnitude podem provocar reflexos em diferentes etapas da produção, afetando desde a implantação das lavouras até a logística e a comercialização dos grãos. Por isso, o uso de informações técnicas e de estudos climáticos torna-se uma ferramenta importante para orientar decisões dentro da propriedade.
“Para Mato Grosso, esses fatores representam risco elevado principalmente durante a emergência da soja, fase em que a disponibilidade hídrica é determinante para a formação do estande de plantas. A resposta climática depende da interação entre diversos modos de variabilidade climática. A climatologia baseada em eventos históricos constitui uma das ferramentas mais robustas para estimar riscos agrícolas. Estudos conduzidos pela Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Instituto Nacional de Meteorologia e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária demonstram que existe elevada recorrência de determinados padrões regionais. Esses padrões permitem orientar decisões relacionadas ao calendário de plantio, escolha de cultivares, manejo da cobertura do solo, escalonamento da semeadura e estratégias de mitigação do risco climático”, disse.
Diante desse cenário, produtores rurais já começam a avaliar possíveis ajustes no planejamento da próxima safra. A antecipação dessas decisões pode ser determinante para minimizar perdas e garantir maior segurança produtiva. Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Diego Dall Asta, acompanhar de perto as projeções meteorológicas é indispensável para que o produtor tome decisões mais assertivas diante de um cenário de maior incerteza climática e custos elevados de produção.
“Todo produtor acompanha as projeções climáticas com muita atenção, porque elas são fundamentais para o planejamento da próxima safra. Em um ano como este, em que os custos de fertilizantes químicos e sementes estão em patamares historicamente elevados, o produtor precisa, mais do que nunca, fazer um plantio assertivo. A forma como ele vai se adaptar para a próxima safra depende muito dessas projeções. A tendência é de um plantio com mais cautela, reduzindo, por exemplo, a área plantada no início do calendário, quando ainda há pouca umidade. O produtor não vai arriscar plantar com solo seco, chuvas esparsas ou precipitações muito antecipadas”, afirmou.
Segundo Diego Dall Asta, diante das projeções climáticas, o planejamento da próxima safra passa a exigir ainda mais atenção, desde a escolha das variedades até o momento adequado para iniciar o plantio, buscando reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.
“O planejamento precisa ser geral: plantar apenas com umidade suficiente para garantir uma boa germinação e um estabelecimento seguro da lavoura, pensando em um intervalo de duas a três semanas em que a planta possa suportar a falta de chuva. Além disso, é fundamental escolher materiais adaptados aos veranicos, que podem ocorrer entre outubro, novembro e dezembro. A tendência é de um ano com menos umidade, principalmente no início da safra, e com temperaturas mais altas. Então, o caminho é se adaptar: escolher bem as variedades, evitar plantar em condição de risco e trabalhar sempre com maior segurança”, orienta o vice-presidente Leste da Aprosoja MT.
A Aprosoja Mato Grosso, juntamente com especialistas, reforça que diante da possibilidade de alterações climáticas expressivas na próxima safra, o planejamento antecipado será um dos principais aliados do produtor rural.
Agro Mato Grosso
Casa da Aprosoja MT encerra exposição em SP após oito dias aproximando campo e cidade

Espaço interativo recebeu milhares de visitantes na Avenida Paulista e mostrou como a soja e o milho estão presentes no cotidiano da população brasileira
Após oito dias de funcionamento, a Casa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), “Você sabe de onde vem?”, encerrou sua participação no Shopping Cidade São Paulo com a missão de aproximar o campo da cidade e ampliar o conhecimento da população sobre a importância do agronegócio brasileiro. Durante a ação, milhares de visitantes passaram pelo espaço interativo e puderam conhecer, de forma prática e sensorial, como a soja e o milho estão presentes em centenas de produtos utilizados diariamente.
Ao longo da exposição, o público percorreu os ambientes da casa e descobriu que matérias-primas produzidas no campo fazem parte não apenas da alimentação, mas também de cosméticos, medicamentos, produtos de higiene, limpeza, móveis, combustíveis e diversos outros itens presentes na rotina das famílias brasileiras. A iniciativa reuniu visitantes de diferentes estados, produtores rurais, influenciadores, artistas e profissionais de diversas áreas, fortalecendo a conexão entre quem produz e quem consome.
Para o vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, a Casa da Aprosoja MT cumpriu seu principal objetivo ao despertar uma nova percepção sobre o agronegócio entre os visitantes e demonstrar, de forma acessível, a importância da produção agrícola para a sociedade.
“Estivemos nesses dias no coração de São Paulo, na Avenida Paulista, proporcionando aos visitantes uma experiência única para conhecer um pouco mais sobre como a soja e o milho estão presentes no dia a dia de todos nós. Quem passou por aqui teve a oportunidade de descobrir, de forma prática e interativa, onde esses produtos estão inseridos no cotidiano, muitas vezes sem perceber. Queremos agradecer a cada pessoa que visitou a Casa do Agro. Recebemos visitantes de diversas regiões do Brasil, inclusive produtores rurais de outros estados, que também ficaram encantados com essa experiência. Agradecemos, especialmente, ao público de São Paulo, que abraçou essa iniciativa e saiu daqui com uma nova percepção sobre o trabalho realizado no campo e sobre a importância da soja e do milho para a sociedade. Esse era o nosso objetivo: aproximar o campo da cidade e mostrar que o agro está presente na vida de todos os brasileiros”, salientou.
A delegada do núcleo de Campo Verde, Vitória Cimadon, também acompanhou a exposição e destacou a importância de levar esse conhecimento para pessoas que, muitas vezes, não têm contato direto com a realidade do campo. Para ela, a iniciativa contribui para reduzir a distância entre o produtor rural e a população urbana.
“Foi muito bacana poder conhecer um pouquinho do agro e mostrar os produtos que estão no nosso dia a dia. Eu mesma não sabia que itens como a pasta de dente continham derivados da soja ou do milho. Foi muito interessante e quero parabenizar a Aprosoja por essa iniciativa de mostrar um pouquinho do nosso agro para esse pessoal das grandes cidades, que muitas vezes não tem noção de como funciona o setor. Foi muito importante e muito legal. Também agradeço a todas as pessoas que estiveram aqui e viveram essa experiência. Parabéns à Aprosoja por essa iniciativa”, destacou.
Entre os visitantes esteve também o repórter Fuzil, do programa Pânico, que ressaltou a surpresa ao descobrir a quantidade de produtos derivados da soja e do milho presentes no cotidiano e destacou a relevância do trabalho desenvolvido pelos produtores rurais.
“Já fiz vários trabalhos para a Aprosoja Mato Grosso, mas vir aqui e conhecer essa experiência de perto foi realmente surpreendente. Muita gente diz: ‘Ah, eu não gosto de soja’ ou ‘Não gosto de milho’. Só que essas pessoas nem imaginam que a soja e o milho estão presentes, literalmente, 24 horas por dia dentro de casa, em produtos que usamos o tempo todo. E eu mesmo fui surpreendido. Já havia mostrado diversos produtos feitos a partir da soja e do milho, mas descobri outros que eu nem imaginava. Tem remédio para dor de cabeça, relaxante muscular, medicamentos para gripe, cosméticos que nossas esposas, mães e filhas usam, e até produtos que nós mesmos utilizamos no dia a dia. Isso mostra a importância do agricultor. A gente realmente precisa valorizar quem produz soja e milho, porque, sem esse trabalho, muitos dos produtos que fazem parte da nossa rotina simplesmente não existiriam. Parabéns aos produtores rurais e à Aprosoja Mato Grosso por essa iniciativa incrível. A Casa ‘Você Sabe de Onde Vem?’ mostra, de forma prática, a força do agro e o quanto ele está presente na nossa vida”, ressaltou.
A engenheira civil Raquel Floriano da Silva também visitou a Casa do Agro e afirmou que a experiência mudou sua percepção sobre a presença do agronegócio no cotidiano, principalmente ao descobrir a utilização da soja e do milho em produtos que vão muito além da alimentação.
“Eu adorei a experiência e tudo o que foi apresentado aqui sobre a soja e o milho. Para mim, foi uma grande surpresa descobrir que existem derivados desses produtos em itens como refrigerantes e até na acetona que usamos para remover esmalte. Eu realmente não imaginava isso. Também fiquei impressionada ao saber que a soja e o milho estão presentes em tantos produtos de higiene e beleza, como shampoos e cosméticos. Na cozinha, a gente já sabe que eles fazem parte da alimentação, mas vê-los presentes em tantos outros produtos do dia a dia foi algo que me surpreendeu bastante. Essa visita mudou, sim, a minha percepção sobre o agronegócio. Hoje eu entendo muito melhor a importância dele e como está inserido na nossa rotina. Antigamente, muitas pessoas tinham certo preconceito ou uma visão equivocada sobre a soja, mas conhecer tudo isso fez eu enxergar o agro de uma forma completamente diferente. Foi uma experiência muito enriquecedora e mostrou o quanto o agronegócio impacta a nossa vida muito além da alimentação”, disse.
Ao longo dos oito dias de exposição, a Casa da Aprosoja MT consolidou-se como um espaço de informação, conhecimento e aproximação entre o campo e a cidade. Ao apresentar, de forma interativa, a presença da soja e do milho em centenas de produtos utilizados diariamente, a iniciativa cumpriu seu propósito de ampliar o diálogo com a sociedade, valorizar o trabalho dos produtores rurais e demonstrar que o agronegócio está presente muito além das lavouras, fazendo parte da rotina de milhões de brasileiros.
Agro Mato Grosso
Apro360 debate prevenção às queimadas e reforça importância da preservação MT

O episódio completo está disponível nos canais oficiais da Aprosoja MT no YouTube e no Spotify
O Apro360, podcast da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), recebeu nesta quinta-feira (30.07), o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), Aluísio Metelo Junior, para um bate-papo sobre os desafios do período de estiagem, as ações de prevenção aos incêndios florestais e os impactos que o fogo provoca no campo.
Ao longo do episódio, o especialista chamou atenção para um dos efeitos mais preocupantes dos incêndios: os danos à qualidade do solo. Segundo ele, embora esse prejuízo nem sempre seja percebido imediatamente, a perda da capacidade produtiva pode comprometer a rentabilidade da propriedade por vários anos, exigindo investimentos elevados para a recuperação da área atingida.
“Quando a gente fala sobre o fogo, que passa pela terra dele, pela palhada, é importante dizer que a perda de produtividade do solo é um prejuízo invisível. O solo, até ele chegar em um nível novamente de corrigir o solo, ele gasta cinco anos, então é um investimento muito alto e a sua produtividade reduz nesse período. Por isso, ele só vai conseguir produzir novamente o que ele produzia por hectare após mais cinco anos, ou seja, são 10 anos de prejuízo após uma passagem de fogo em sua lavoura”, explicou.
Ao abordar a relação entre produção agrícola e preservação ambiental, o coronel destacou que o produtor rural exerce papel fundamental na conservação dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, é um dos maiores prejudicados quando ocorrem incêndios florestais.
“Como eu disse, o produtor já faz e em Mato Grosso nós plantamos em 38% e preservamos 62%. Dessa porcentagem que está sendo preservado, 42% está dentro de uma propriedade. Então o produtor é muito parceiro nesse sentido. Só que o maior problema dele não está dentro da sua propriedade. Por mais que sua maior responsabilidade seja a área legal, mas o maior prejuízo econômico e onde há maior ocorrência de incêndios está dentro desses 38% de áreas produzidas. Ele tem uma responsabilidade muito alta, porque tem que cuidar dos 38% de área cultivada e, ainda, mais 42% das reservas do nosso estado. Então o produtor é muito parceiro e ele já faz, mas precisa provar isso para o estado antes que o incêndio aconteça”, ressaltou o coronel.
Aluísio Metelo Junior também reforçou que a prevenção começa antes mesmo do período mais crítico da estiagem. Para ele, a adoção de medidas preventivas, aliada à capacitação das equipes e à disseminação de informações atualizadas, é essencial para reduzir a ocorrência de incêndios e fortalecer a resposta das propriedades diante de possíveis emergências.
“As campanhas educativas são fundamentais e precisam acontecer continuamente. As novas gerações vão aprendendo e, ao mesmo tempo, as mais antigas também assimilam novas práticas, substituindo costumes tradicionais que já não são adequados. Para a grande maioria dos produtores rurais, no entanto, não há interesse em utilizar fogo na propriedade. Por isso, nos meses que antecedem o período crítico, é necessário intensificar a orientação dos colaboradores e, quando houver famílias morando na propriedade, conscientizá-las para que não utilizem fogo em nenhuma situação. Além de reforçar constantemente a conscientização, as campanhas educativas são importantes porque a legislação está em constante atualização. Por isso, iniciativas como as campanhas da Aprosoja Mato Grosso são fundamentais, pois, além de promoverem a prevenção, também levam aos produtores informações atualizadas sobre as normas e exigências legais”, salientou.
O episódio integra as ações da campanha de prevenção às queimadas desenvolvida pela Aprosoja MT, que busca orientar os produtores rurais sobre boas práticas de prevenção, manejo integrado do fogo e preservação ambiental durante o período de estiagem. O episódio completo está disponível nos canais oficiais da Aprosoja MT no YouTube e no Spotify.
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