Agro Mato Grosso
Programa Soja Legal de MT avança com nova estrutura

O Programa Soja Legal, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), entrou, em 2025, em uma nova fase, mais técnico, robusto e conectado às demandas atuais do agro e da sociedade. A reformulação marca o início de um ciclo voltado à valorização de boas práticas ambientais, trabalhistas e sociais, com a criação de um sistema de categorização em três níveis, Bronze, Prata e Ouro, que reconhece o comprometimento do produtor mato-grossense com a sustentabilidade.
Mais do que cumprir normas, o novo Soja Legal se tornou uma ferramenta de gestão e transparência, auxiliando o produtor a conhecer melhor sua propriedade e planejar melhorias contínuas. O programa atua em diferentes frentes, legislação ambiental, trabalhista, regularidade fundiária, boas práticas agrícolas e gestão responsável, com base em requisitos legais.
“Cada vez mais diante das narrativas, o Programa Soja Legal é uma maneira de fazer um raio-x da propriedade e mostrar que os produtores já fazem um bom trabalho, tanto na área ambiental, social e trabalhista, dentro da sua propriedade, preocupado com os recursos naturais, recursos humanos, trazendo sempre a produção alinhada com a sustentabilidade e a responsabilidade social”, destacou Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT.
Segundo ele, a nova estrutura é também um passaporte de credibilidade para o produtor mato-grossense. “O programa, de fato, é o passaporte para mostrar ao mundo a sustentabilidade do nosso produtor, de conquistar novos mercados e também, através de números e dados, desfazer as narrativas lá de fora que nossos concorrentes comerciais acabam muitas vezes disseminando sobre a agricultura brasileira. O Programa Soja Legal é esse passaporte que mostra que a nossa agricultura é responsável e, acima de tudo, contribui para um mundo melhor”, disse.
Nova estrutura
O vice-presidente da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Sustentabilidade, Luiz Pedro Bier, explica que a reformulação tornou o programa mais técnico e moderno, com novas etapas e ferramentas digitais que garantem confiabilidade às informações.
“O programa ficou mais robusto. Hoje nós sistematizamos a coleta de evidências, deixando o produtor preparado para uma certificação. Ele foi moldado para atender também à visão do mercado financeiro e, por fim, temos agora um diagnóstico socioambiental feito numa fase prévia, em que a área do produtor entra no sistema da Aprosoja MT. Assim conseguimos monitorar qualquer alteração que venha a ocorrer na propriedade, como novos embargos ou outras questões ambientais, e avisar o produtor”, avaliou.
Esse diagnóstico é o ponto de partida da jornada dentro do Soja Legal. A partir das informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da visita técnica, é elaborado um relatório que identifica pontos fortes e oportunidades de melhoria. Conforme o percentual de conformidade, a propriedade recebe uma classificação Bronze (50% a 75%), Prata (75% a 91%) ou Ouro (92% a 100%), e um plano de aprimoramento contínuo é estabelecido para quem ainda não alcançou os níveis mais altos de adequação.
A produtora Daiana Costa Beber, delegada coordenadora do Núcleo de Nova Mutum e uma das primeiras na categoria Ouro, conta que decidiu participar do programa para avaliar, de forma técnica, o nível de conformidade da fazenda às leis e boas práticas.
“Nós sempre buscamos produzir de forma sustentável, respeitando o que prescrevem as leis e também o meio ambiente. Com o Programa Soja Legal, pensamos que seria interessante verificar a aderência das nossas práticas ao que estabelece a legislação. Foi interessante ver que atendemos muito bem a todas as normas e, além disso, o processo serviu de incentivo para melhorarmos a gestão e a propriedade como um todo”, afirmou.
Para ela, o diagnóstico foi completo e trouxe aprendizados importantes. “O que chamou muita atenção foi o olhar técnico e detalhista da equipe que fez a implantação. Tivemos vários insights de fazer ajustes e melhorias tanto na gestão quanto em práticas sustentáveis”, acrescentou. Para Daiana Costa Beber, a iniciativa é essencial para dar visibilidade ao trabalho responsável que o produtor já realiza em Mato Grosso.
“O Programa Soja Legal mostra como o produtor mato-grossense já está comprometido com uma produção responsável. Ele ajuda a dar visibilidade e cria uma imagem positiva para o agro do estado. Sabemos que o mercado busca cada vez mais saber a origem da soja. Então, ter uma certificação como essa pode sim se tornar um diferencial competitivo, abrindo portas e valorizando o nosso produto”, concluiu.
Valorização das boas práticas
O novo Soja Legal consolida o papel de Mato Grosso como referência mundial em sustentabilidade. Ao mesmo tempo em que orienta o produtor sobre suas obrigações legais, o programa oferece segurança técnica e reconhecimento público, pilares essenciais para o futuro da agricultura.
Mais do que uma atualização, essa nova fase representa um marco na valorização das boas práticas e da imagem do agro mato-grossense. Fazer parte é fazer certo e o produtor de Mato Grosso, mais uma vez, mostra que sustentabilidade, produtividade e responsabilidade podem caminhar lado a lado.
Para fazer parte do programa, o produtor deve entrar em contato com o Canal do Produtor pelo telefone (65) 3027-8100.
Agro Mato Grosso
Dia Internacional da Mulher Rural: Mulheres do campo transformam legado para novas gerações

Aprosoja MT destaca trajetória de mulheres que ajudaram a abrir espaço para novas gerações na agricultura
Mulheres vão e vêm todos os dias nas lavouras do Brasil, pilotando maquinários, analisando o plantio e a colheita, fazendo pagamentos e todos os trabalhos administrativos de uma propriedade. Muitas delas se inspiraram nas mães ou até tiveram que ser as primeiras mulheres da família a comandar toda a empresa, mas tudo foi possível por causa das mulheres corajosas que iniciaram os trabalhos. Neste dia 15 de outubro, se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural, e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça o compromisso com todas as que já foram, que estão trabalhando e as que ainda se tornarão profissionais do campo.
Para ter hoje muitas mulheres inseridas na agricultura, foi preciso que muitas outras tivessem a coragem de iniciar, como contou a delegada do núcleo de Campo Novo do Parecis, Andreia Cervo Stefanello. Ela explicou que, no início, ficou preocupada em cursar Engenharia Agronômica por ser, na época, uma área predominantemente masculina.
“Quando eu decidi fazer a agronomia, eu sempre tive a vontade de ajudar o pai na lavoura. E sempre tive muito medo de como seria uma mulher em um meio tão masculino como a agricultura. E daí eu descobri que a agricultura, ela não tem preferência por masculino ou feminino, ela tem preferência por apaixonados. E quando eu me vi apaixonada pela lavoura, eu consegui entender que a gente, quando gosta de algo, a gente consegue fazer cem por cento”, afirmou.
A história escrita por ela na agricultura não começou há 30 anos, quando se formou, começou antes mesmo de ela nascer. Andreia contou que a família saiu da Itália nos anos de 1800 e, ao chegar ao Brasil, continuaram as atividades na lavoura, assim como já faziam. Foram longos anos vivendo da terra e aprimorando as técnicas, para chegar aos tempos de hoje.
Apaixonada pelo processo do plantio e dos cuidados com a lavoura, Stefanello afirma que fica muito feliz ao ver os resultados de cada decisão que ela toma no escritório se refletindo no campo. Esse esforço também mostra como o papel da mulher está nos mínimos detalhes e no resultado da safra.
“Você olha um plantio agora, você entende que aquela semente é uma sementinha que você está plantando para colher um fruto que vai representar todo o teu esforço dentro de um período. E quando eu penso nisso, eu penso também em tantas outras mulheres, mulheres que têm suas próprias histórias, próprias famílias, seus próprios desafios. Mulheres que todos os dias elas estão ali, fazendo parte das decisões, dos planejamentos, cuidando, produzindo, ajudando o campo a seguir em frente. Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, disse.
O Dia Internacional da Mulher Rural é uma data para relembrar as pioneiras de cada família que foram corajosas em continuar as atividades no campo, para homenagear as que estão atualmente trabalhando no campo e para incentivar que outras meninas e mulheres sigam seus sonhos. Nenhum presente se constrói sem a presença das mulheres do passado.
“Hoje eu olho para tudo isso e eu sei que existe um pouco de muitas mulheres nessa história. E é por causa de cada uma dessas mulheres, aquelas que já vieram e aquelas que ainda virão, que vale a pena continuar”, finalizou Andreia.
Entre gerações, a coragem de ocupar espaços e seguir trabalhando no campo mantém viva uma história construída por muitas mulheres. São trajetórias que ajudam a transformar a agricultura e mostram que, no campo, o futuro também é construído pelas mãos femininas.
Agro Mato Grosso
Mercado de defensivos para algodão em MT cresce 14% safra 25/26

Levantamento da Kynetec aponta movimentação recorde de R$ 8,217 bilhões
A movimentação de defensivos agrícolas para algodão registrou recorde na safra 2025/26, atingindo R$ 8,217 bilhões, ante R$ 7,190 bilhões da temporada anterior (+14%). Na moeda americana, em virtude do câmbio, houve alta de 10% no período, de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. Os dados foram divulgados hoje (14/10) no estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec.
De acordo com o especialista em pesquisas da empresa, Felipe Lopes Abelha, dois fatores principais tracionaram os agroquímicos no algodão: o número de tratamentos e o custo dos tratamentos. O primeiro passou da média de 95, em 2024/25, para 107, com variação positiva de 13%. Já o preço médio dos tratamentos subiu 21%, de R$ 3.472 para R$ 4.209.
Conforme Abelha, o indicador PAT ou área potencial tratada, correspondente à soma de todos os tratamentos realizados pelos produtores na safra, alcançou a marca de 209,07 milhões de hectares em 2025/26, contra 196,31 milhões de hectares do ciclo passado, uma elevação de 6%.
Inseticidas seguem na liderança

Entre as categorias de produtos, destaca o executivo, os inseticidas seguiram na dianteira do mercado. Ocuparam 50% do total ou R$ 4,119 bilhões, salto de 14% na comparação a 2024/25 (R$ 3,606 bilhões). Ganharam ainda 2% em representatividade em área tratada, para 87.657 milhões de hectares.
Segundo Abelha, os inseticidas aplicados visaram, sobretudo, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas. O bicudo demandou a média de 18 tratamentos por propriedade, ao custo da ordem de R$ 2 bilhões. As lagartas equivaleram a R$ 928 milhões, 15% acima da safra 2024/25 (R$ 795 milhões). “O segmento de lagartas, conhecidas por ‘pragas de sistema’, que provocam impactos desfavoráveis crescentes à produção, está em franca expansão”, salienta Abelha.
Segunda categoria no ranking de agroquímicos do algodão, a dos fungicidas registrou o maior crescimento proporcional, de 19%, para R$ 1,98 bilhão ou 24% do total do mercado, face a R$ 1,617 bilhão de 2024/25. Esse segmento, acrescenta Abelha, recebeu impulso representativo dos chamados produtos ‘premium’.
Herbicidas, na terceira posição, apresentaram elevação de 6,3%, perfazendo R$ 1,143 bilhão ou 14% do montante total do mercado, ante R$ 1,075 bilhão de 2024/25.
Somados, nematicidas, produtos para tratamento de sementes e outros obtiveram 12% de participação ou R$ 986 milhões.
Estudo representa 97% da área culutivada no país
Segundo a Kynetec, o levantamento FarmTrak Algodão 2025/26 percorreu quase 270 propriedades e teve origem em entrevistas presenciais com produtores em toda a fronteira agrícola da cultura. A cobertura da pesquisa representa 97% da área cultivada no país, de 1,952 milhão de hectares. Das regiões abrangidas, Felipe Abelha destaca a constatação de uma queda de 8% no plantio de algodão no estado de Mato Grosso, de 1,502 milhão de hectares para 1,376 milhão de hectares.
Agro Mato Grosso
Etanol de milho: MT projeta crescimento de 18,67% na produção

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