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13 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

Exportadoras de grãos deixam a Moratória da Soja I MT

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A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) comunicou nesta segunda-feira (5) que as principais empresas de comercialização estão deixando o acordo da Moratória da Soja.

➡️O que é a Moratória da Soja? É um pacto de adesão voluntária entre as empresas compradoras da oleaginosa, que está em vigor há quase 20 anos e proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, visando preservar a floresta.

A agência Reuters já havia reportado, no fim de dezembro, que algumas das maiores “tradings” de soja do mundo estavam se preparando para romper o acordo, numa tentativa de preservar benefícios fiscais no Mato Grosso.

Isso porque, a partir deste ano, o estado passará a retirar incentivos fiscais de empresas que participam do programa de conservação.

O Mato Grosso é o maior produtor de soja no Brasil, respondendo por cerca de 30% da colheita na safra 2024/25, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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O estado faz parte da chamada Amazônia legal, que abrange oito estados (todos os da Região Norte e o Mato Grosso), além de parte do Maranhão.

Integrantes da Abiove, a norte-americana ADM, a Bunge e a Cargill, além da chinesa Cofco e da brasileira Amaggi, eram signatárias do pacto e possuem unidades em Mato Grosso que se beneficiam de incentivos fiscais estaduais.

Ainda em dezembro, a Reuters reportou que a ADM e Bunge foram as maiores beneficiárias, recebendo cerca de R$ 1,5 bilhão cada uma, segundo Sérgio Ricardo, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.

A lei que retira incentivos das empresas que aderirem a acordos como a Moratória é alvo de uma ação de inconstitucionalidade que ainda será analisada pelo Supremo Tribunal Federal.

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao STF o adiamento da entrada da lei estadual em vigor, atendendo a uma solicitação do Ministério do Meio Ambiente.

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Repercussão

 

Além da Abiove, fazem parte da Moratória da Soja a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e organizações ambientais como o Greenpeace, WWF e Imaflora.

A Abiove afirmou nesta segunda que a Moratória, criada em 2006, “cumpriu seu papel histórico ao longo de quase duas décadas, deixando um legado incontestável que consolidou o Brasil como referência global em produção sustentável”.

“O legado de monitoramento e a expertise adquirida ao longo de quase 20 anos não serão perdidos. Haverá, individualmente, o atendimento às rigorosas demandas dos mercados globais”, completou a associação.

O Greenpeace e o WWF destacaram que a decisão das empresas não extingue ou invalida a Moratória da Soja, que segue tendo respaldo da lei.

“A decisão dessas empresas enfraquece um dos instrumentos mais eficazes de combate ao desmatamento no país e expõe o próprio agronegócio a riscos crescentes, ao comprometer a integridade das florestas das quais dependem a estabilidade climática e os regimes de chuva essenciais à produção agrícola”, disse o WWF.

Segundo o Greenpeace, entre 2009 e 2022, municípios monitorados pela Moratória reduziram o desmatamento em 69%, enquanto a área plantada de soja na Amazônia cresceu 344%.

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“Apenas 3,4% da soja produzida hoje no bioma está fora das regras do acordo, um dado-chave para acesso a mercados exigentes como a União Europeia”, afirmou a organização. A soja brasileira tem sido alvo de polêmicas na UE nos últimos anos.

A Abiove disse confiar nas autoridades brasileiras para a plena implementação de um novo marco regulatório, de modo que sejam preservados os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, bem como a segurança e credibilidade ao produto brasileiro perante os seus mercados consumidores.

Disputa na esfera federal

Em 2025, a Moratória também foi alvo de disputa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em processos que discutiam a validade do pacto.

Em setembro, o órgão havia decidido que a moratória seria encerrada em janeiro de 2026. Mas, em novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu todas as ações e processos, judiciais e administrativos, que discutem a legalidade da Moratória.

A medida vale até o julgamento definitivo do tema pelo STF.

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Polêmicas na Europa

Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo. A China é o maior cliente no exterior, mas o mercado europeu tem um peso grande na exportação de farelo de soja, usado para ração.

E o grão brasileiro já foi alvo de críticas de países da UE, como a França. Em 2021, o presidente francês, Emanuel Macron, postou em suas redes sociais que “continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia”. Ele não apresentou dados que sustentassem a afirmação.

Em 2024, um executivo da Danone dizer que a multinacional francesa não compraria mais a soja nacional. Depois, empresa negou.

Na ocasião, produtores, indústria e ambientalistas brasileiros destacaram que a produção nacional segue regras de sustentabilidade, sobretudo na Amazônia, citando inclusive a Moratória.

Naquela época estava para entrar em vigor uma lei da União Europeia que proíbe a importação de produtos vindos de áreas que foram desmatadas depois de dezembro de 2020. Conhecida como European Union Deforestation Regulation (EUDR), essa lei acabou passando por diversos adiamentos e ainda não está valendo.

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Em setembro passado, grandes supermercados e varejistas europeus publicaram uma carta pedindo que as empresas globais de comercialização de grãos (tradings) não comprassem soja de área desmatada no Brasil. O comunicado foi feito após a decisão do Cade de suspender o acordo a partir de janeiro — o que acabou sendo indeferido pelo STF.

O tema também é levantado nas discussões sobre o acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, que poderia ter sido assinado no fim do ano e foi adiado.

Opositores do acordo, liderados pela França, argumentam que a produção de alimentos no Mercosul não segue os mesmos padrões ambientais, sociais e sanitários exigidos na Europa. Isso tem sido rebatido pelo bloco sul-americano.

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Agro Mato Grosso

Custo da soja sobe e rentabilidade deve cair 35% na safra 26/27, aponta Imea

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Os dados foram apresentados aos produtores rurais em Brasnorte e fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso

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Agro Mato Grosso

Biostimulantes ampliam ação de fungos contra Diaphorina citri

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Mistura com silício e quitosana elevou mortalidade do psilídeo em condições ambientais favoráveis

A associação de fungos entomopatogênicos com biostimulantes à base de dióxido de silício e quitosana aumentou a mortalidade de Diaphorina citri em parte dos bioensaios realizados em casa de vegetação. O desempenho, porém, dependeu das condições ambientais. Temperatura de 34 graus Celsius e umidade relativa próxima de 35 por cento limitaram a ação dos agentes biológicos. Sob 26 graus Celsius e umidade relativa ao redor de 67 por cento, os tratamentos com fungos reduziram a sobrevivência do psilídeo.

Estudo avaliou formulações comerciais de Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Cordyceps fumosorosea, também apresentada no trabalho como sinônimo de Isaria fumosorosea. Os pesquisadores aplicaram os fungos isoladamente ou em mistura com biostimulantes contendo dióxido de silício e D-glucosamina proveniente de quitosana. O objetivo envolveu a avaliação da compatibilidade da mistura em tanque e de seus efeitos sobre a mortalidade de adultos de Diaphorina citri, principal vetor do Huanglongbing, o HLB (doi 10.3390/insects17090947).

Seis bioensaios

Os pesquisadores conduziram seis bioensaios em casas de vegetação da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. As plantas hospedeiras utilizadas foram de Murraya paniculata. Os insetos vieram de uma colônia livre de Candidatus Liberibacter asiaticus. Os adultos tinham entre sete e dez dias após a emergência.

O primeiro bioensaio ocorreu em casa de vegetação sem climatização, sob temperatura de 34 graus Celsius, com variação de dois graus, e umidade relativa próxima de 35 por cento. Nessas condições, Beauveria bassiana, aplicada sozinha ou com os biostimulantes, não elevou a mortalidade de Diaphorina citri em relação ao controle sem tratamento. Os pesquisadores relacionam o resultado ao ambiente desfavorável ao desenvolvimento dos fungos entomopatogênicos.

O segundo ensaio ocorreu sob temperatura de 26 graus Celsius, com variação de dois graus, e umidade relativa próxima de 67 por cento. Nesse ambiente, Beauveria bassiana e a combinação do fungo com os biostimulantes provocaram mortalidade superior à registrada no controle. Os bioensaios seguintes mantiveram essas condições ambientais.

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Experimentos três a cinco

Nos experimentos três a cinco, os pesquisadores avaliaram também Metarhizium anisopliae e Cordyceps fumosorosea, além de Beauveria bassiana. No sexto bioensaio, o desenho experimental foi reduzido a seis tratamentos, contemplando apenas Beauveria bassiana e Cordyceps fumosorosea — isolados ou combinados aos biostimulantes —, além dos controles com água e com os biostimulantes sozinhos; Metarhizium anisopliae não fez parte desse último ensaio. O protocolo incluiu duas pulverizações. A primeira ocorreu 24 horas após a liberação dos insetos. A segunda ocorreu 192 horas após a liberação. Cada aplicação utilizou dez mililitros de calda por gaiola, com cinco mililitros dirigidos de cima para baixo e cinco mililitros de baixo para cima.

Os resultados indicaram ausência de antagonismo dos biostimulantes sobre os fungos comerciais. Em alguns ensaios, a associação aumentou a mortalidade do psilídeo em comparação com o fungo aplicado isoladamente. No quarto bioensaio, a combinação de Beauveria bassiana com os biostimulantes apresentou mortalidade superior à aplicação isolada do fungo na avaliação realizada após 192 horas. No quinto ensaio, a mesma associação também superou Beauveria bassiana aplicada sem os biostimulantes.

Sexto bioensaio

No sexto bioensaio, Cordyceps fumosorosea associado aos biostimulantes reduziu a sobrevivência dos insetos nas avaliações realizadas após 24, 192 e 480 horas. A combinação de Beauveria bassiana com os biostimulantes apresentou efeito significativo nas avaliações de 192 e 480 horas. No final do experimento, os tratamentos formados por fungos e biostimulantes superaram tanto o controle sem tratamento quanto a aplicação isolada dos biostimulantes.

A inclusão de um adjuvante organossiliconado, avaliada no quarto ensaio, não aumentou a mortalidade dos insetos. O estudo também mostrou vantagem do inseticida sintético usado como referência. A combinação de lambda-cialotrina e clorantraniliprole apresentou mortalidade inicial mais rápida e, em vários ensaios, superior à registrada com os agentes biológicos.

Segundo os pesquisadores, essa diferença no tempo de ação representa uma limitação importante no manejo de Diaphorina citri. Fungos entomopatogênicos demandam um período maior para infecção e morte do hospedeiro. Para um inseto vetor, a rapidez do controle ganha importância devido ao risco de transmissão do agente associado ao HLB.

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Influência do microclima

Os dados também reforçam a influência do microclima sobre o controle biológico. O estudo não permite definir limites exatos de proteção oferecidos pelos biostimulantes em situações de calor e baixa umidade. Os próprios pesquisadores destacam uma limitação experimental: os dois primeiros bioensaios ocorreram em casas de vegetação diferentes e em momentos distintos. Assim, os efeitos de temperatura e umidade também ficaram associados a variações espaciais e temporais.

A pesquisa aponta a mistura em tanque de fungos entomopatogênicos comerciais com dióxido de silício e quitosana como alternativa compatível para programas de manejo integrado de Diaphorina citri. O resultado depende, contudo, de condições ambientais favoráveis à atividade dos fungos. Os pesquisadores recomendam novos estudos em câmaras climáticas, com diferentes combinações de temperatura e umidade relativa, além de ensaios em campo para avaliar persistência, eficiência operacional e viabilidade da estratégia em pomares comerciais.

O trabalho foi realizado por Éder M. Carrilho, Paulo S. G. Cremonez, Luciano M. de Oliveira, Fernando T. Hata, Maurício U. Ventura e Humberto G. Androcioli.

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VÍDEO: cobras ‘dançam’ durante disputa por fêmea e formam ‘bolo nupcial’ em MT

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Uma cena rara de acasalamento entre três cobras caninanas foi registrada em uma propriedade rural próxima a Cáceres, a 220 km de Cuiabá. O vídeo foi feito por Luís Felipe Monteiro César, de 25 anos, enquanto ele trabalhava no local, na última terça-feira (8).

Nas imagens, as três serpentes aparecem inicialmente entrelaçadas, formando o que os biólogos chamam de “bolo nupcial”. Em seguida, dois dos animais erguem parte do corpo e começam uma disputa que, à primeira vista, se assemelha a uma luta ou até mesmo a uma dança. Enquanto os dois machos se enfrentam, a fêmea permanece entrelaçada, acasalando com um deles (assista abaixo acima).

O biólogo Luiz Eduardo Saragiotto explicou que o comportamento faz parte da disputa reprodutiva da espécie. Segundo ele, os machos se empurram e tentam demonstrar força para conseguir acesso à fêmea.

A presença de mais de um macho também não é incomum nesse período. Uma mesma fêmea pode atrair diferentes parceiros e até acasalar com mais de um deles durante o ciclo reprodutivo.

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“É comum a fêmea no ‘cio’ atrair mais de um macho, inclusive acasalar com mais de um. Essa dinâmica pode acontecer por horas ou até por mais de um dia”, afirmou.

De acordo com o especialista, apesar de esse tipo de comportamento fazer parte da reprodução das serpentes na natureza, conseguir presenciar e registrar a cena é raro.

🐍 Spilotes pullatus

Conhecida cientificamente como Spilotes pullatusa caninana é uma das maiores serpentes do Brasil e pode ultrapassar 2,5 metros. Apesar de não ser peçonhenta, pode adotar postura defensiva quando se sente ameaçada, erguendo a cabeça, achatando o pescoço e podendo até morder.

Apesar da postura intimidadora, ela não possui veneno e não representa risco direto aos humanos. Ela pode ser encontrada em praticamente todos os biomas do país, com exceção dos Pampas.

A espécie se alimenta de pequenos mamíferos, aves, anfíbios e até de outras serpentes, inclusive venenosas. Esse hábito reforça sua grande importância ecológica, já que contribui para o controle das populações de animais e ajuda a manter o equilíbrio ambiental.
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