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11 de maio de 2026

Business

Brasil abre 525 novos mercados para o agronegócio com potencial de US$ 37,5 bilhões/ano

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Foto: Pixabay.

O Brasil alcançou no ano de 2025 novos mercados para produtos agropecuários em 58 destinos, que se somam aos 300 obtidos na tua gestão no Ministério da Agricultura, reunindo 82 países.

O recorde consolida as aberturas feitas ao longo dos últimos três anos, com média de 14 processos concluídos por mês. Ao todo, US$ 3,4 bilhões de faturamento foram adicionados à balança comercial brasileira a partir destas aberturas, estima a pasta. Juntos, estes novos mercados têm potencial de incrementar US$ 37,5 bilhões por ano às exportações brasileiras em cinco anos, à medida que o fluxo comercial for intensificado.

Proteínas animais lideram o ranking de novos mercados com 112 processos, seguido por material genético animal com 79 e alimentação para animais com 61. O México foi o campeão com 24 autorizações para produtos do agronegócio brasileiro, conforme dados da plataforma Aberturas de Mercado da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.

O ritmo de abertura de novos mercados é considerado robusto pelo mercado. Cada mercado aberto significa a possibilidade de exportar um novo produto por país, para o qual o acesso até então não era permitido – seja por barreiras comerciais ou sanitárias.

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As aberturas de mercado não significam comércio imediato, mas sim o entendimento dos governos quanto ao protocolo sanitário para determinada exportação. Após o aval em si, ainda há processos necessários como habilitação de empresas exportadoras, registros e a negociação comercial efetiva, o que geralmente leva de seis meses a um ano para início do fluxo comercial.

Exportações brasileiras atingem recorde em 2025

Abrir novos mercados para produtos agrícolas é fundamental também para a economia brasileira, dada a importância do setor para a balança comercial. De janeiro a novembro de 2025, as exportações brasileiras do agronegócio atingiram o recorde de US$ 155,25 bilhões, um crescimento de 1,7% em relação a igual período do ano anterior, de acordo com dados da Agricultura. Com isso, o agronegócio foi responsável por 48,8% da pauta exportadora total brasileira no ano.

As aberturas acumuladas até aqui respondem a dois direcionamentos em especial: a necessidade do Brasil de diversificar a pauta exportadora e a demanda de outros países de recorrer ao Brasil para garantir a segurança alimentar e combater a inflação de alimentos, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua. “Talvez o Brasil seja uma das poucas regiões no mundo com capacidade de apoiar a segurança alimentar, energética e climática”, comentou Rua, em entrevista recente ao Broadcast Agro.

Setor privado

Para o setor privado, entre os destaques no período estão as autorizações para venda de carne bovina para o México, após 20 anos de negociações, da exportação do algodão brasileiro para o Egito, de sorgo para a China e de carne de frango kosher para Israel – sendo o único país liberado a comercializar frango dentro dos preceitos religiosos judaicos.

Rua destaca que outros 220 mercados foram ampliados no período, por exemplo, com habilitação de maior número de empresas exportadoras, adoção do sistema de pré-listing ou maior número de Estados e regiões que podem acessar determinado mercado. Essas ampliações renderam mais outros US$ 7 bilhões à balança comercial do agronegócio, segundo Rua.

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“Colhemos agora os resultados das primeiras aberturas e ampliações realizadas no início de 2023. É um processo de maturação até o alcance do potencial de cada mercado”, pontuou o secretário.

Efeitos do tarifaço

A busca pela diversificação foi perseguida após o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos importados brasileiros a partir de agosto deste ano. A estratégia passou pela busca ativa de mercados a partir dos adidos agrícolas, sobretudo para os setores mais expostos ao mercado americano e para mercados com similaridades de especificidades demandadas pelos Estados Unidos.

O diagnóstico envolveu ainda mercados que o Brasil já exporta, mas com potencial de incremento, caso do café brasileiro na China e na Austrália. “As vendas de produtos agropecuários para os Estados Unidos, que era um grande temor, caíram 4% no acumulado do ano e mesmo assim a balança do setor continua positiva”, observou.

Para o setor de carne bovina, que teve 29 novos mercados abertos no período, sendo 19 concluídas em 2025, as ampliações das possibilidades de exportação contribuíram para minimizar os impactos da sobretaxa dos Estados Unidos sobre as exportações de carne bovina, avalia a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Entre os novos destinos, destacam-se Vietnã, Indonésia e México – este último que passou ocupar o posto de segundo maior comprador da carne brasileira em meio à escalada tarifária dos EUA.

“A diversificação de mercados é essencial para um setor tão produtivo e tão competitivo como é o setor da carne bovina brasileira. Com mais mercados abertos, mais possibilidades, menos dependência de apenas um mercado para a produção brasileira e uma nova perspectiva ao setor. Agora é o momento de consolidação das vendas a estes novos destinos”, destacou o presidente da Abiec, Roberto Perosa, em entrevista recente ao Broadcast nas Redes.

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Novos mercados

Em relação a novos mercados, seguem como prioridades dos exportadores a abertura de mercado do Japão, Coreia do Sul e Turquia para a proteína nacional. O Japão é o mais adiantado, enquanto as negociações com os outros dois países ainda dependem de questões técnicas a serem superadas.

“A nossa grande expectativa é pela abertura do mercado japonês, que é um mercado altamente rentável, basicamente suprido pelo mercado americano e pelo mercado australiano, que hoje não têm a capacidade de suprir o mercado japonês na sua integralidade. Estamos ansiosos para que essa negociação se finalize talvez no início de 2026, mesmo que seja em fases por Estados ou que englobe todo o País”, apontou Perosa.

As aberturas de mercado se tornam ainda mais importantes em uma conjuntura mais complexa com multilateralismo deteriorado, embora os efeitos de redirecionamento de produtos não sejam imediatos, aponta a diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Sueme Mori.

Para Mori, além das negociações bilaterais para aberturas de mercado, é necessário também a ampliar a rede de acordos comerciais dos quais o Brasil participa, sobretudo sob o aspecto tarifário.

“As duas estratégias têm de andar casadas: negociações de aberturas com acordo de protocolos sanitários e acordos preferenciais, os grandes acordos que geram redução tarifária”, comentou Mori. A diretora destaca que, à exceção da Cingapura, o Brasil não possui acordo comercial com nenhum outro país da Ásia, principal mercado para os produtos agropecuários, ou seja, acessa esses mercados sem diferencial tarifário. “É uma região do mundo que possui muitos acordos. Então, é importante que a gente amplie a nossa rede de acordos.

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Apesar do recorde em aberturas de mercado, os fluxos comerciais não foram efetivados ainda em sua totalidade. Além das barreiras tarifárias, barreiras comerciais e ambientais travam o acesso do Brasil a inúmeros mercados, mesmo quando os processos sanitários são superados.

“Um exemplo é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) que deve gerar 90% de desgravação tarifária ao longo dos anos, mas há medidas paralelas como a Lei Antidesmatamento do bloco que pode prejudicar o acesso dos produtos. As duas coisas têm de andar juntas: abertura de mercado pelas negociações fitossanitárias com ações que garantam o acesso efetivo”, observou a diretora da CNA.

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Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.

Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.

Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.

Mudança na dieta e no comportamento

Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.

O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.

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Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.

Oportunidades estratégicas para o Brasil

Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.

As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.

Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.

Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.

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Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

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Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

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Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

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Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

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Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

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Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


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