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Produção orgânica avança com crédito rural e apoio técnico à transição ecológica

A produção orgânica tem ganhado espaço no campo paulista, impulsionada pela demanda por alimentos mais saudáveis e por políticas públicas voltadas à transição agroecológica. O movimento amplia oportunidades ao produtor rural e fortalece sistemas produtivos com menor impacto ambiental.
No estado de São Paulo, esse avanço é sustentado por duas frentes principais: crédito rural específico e orientação técnica. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento oferece a linha Projeto Orgânicos Agro SP, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), além do Protocolo de Transição Agroecológica (PTA).
Criada em 2025, a linha de crédito busca dar segurança financeira ao produtor durante a mudança do sistema convencional para o orgânico. O foco é reduzir riscos, garantir investimento e manter a viabilidade econômica da atividade.
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Crédito facilita investimento e escoamento
A linha FEAP Orgânicos Agro SP permite financiamento de até R$ 250 mil por produtor e até R$ 800 mil para associações e cooperativas. Em 2025, foram deliberados R$ 3 milhões para a iniciativa. Os juros variam entre 2% e 4% ao ano.
Os prazos podem chegar a 84 meses, com carência de até 12 meses. Em projetos com componente florestal, o prazo é de até 120 meses, com carência de 24 meses.
O produtor Samuel Squarize, de São José da Bela Vista, utilizou o crédito para adquirir um veículo. Segundo ele, o investimento facilitou o escoamento da produção de mandioca e banana e contribuiu para reduzir custos operacionais.
Samuel afirma que o manejo orgânico permitiu aumentar a produtividade em áreas já utilizadas, com redução significativa das despesas. Para ele, o sistema trouxe eficiência produtiva e melhoria na qualidade do alimento entregue ao consumidor.
Outro beneficiado é Gregório Martins, produtor de frutas e hortaliças em Nazaré Paulista. Certificado como orgânico há mais de 15 anos, ele destina a produção a feiras na Capital, na Grande São Paulo e à merenda escolar municipal.
Com o apoio do FEAP, Gregório financiou um veículo mais adequado para o transporte dos produtos. Ele destaca que o crédito foi decisivo para manter a logística e a presença nas feiras.
Orientação técnica apoia mudança de sistema
Além do crédito, o produtor conta com o Protocolo de Transição Agroecológica. Criado em 2016, o PTA oferece assistência técnica, extensão rural e orientação para adoção de práticas sustentáveis.
Segundo a gestora do programa, Araci Kamiyama, o protocolo apoia a redução do uso de agrotóxicos, o manejo ecológico do solo e a regularização da propriedade. O produtor também pode obter um certificado de transição agroecológica.
Araci ressalta que a fase de transição costuma exigir mais mão de obra e pode reduzir a produtividade inicial. Por isso, linhas de crédito com juros acessíveis são consideradas fundamentais para atravessar esse período.
Em dezembro de 2025, a CATI promoveu o 1º Encontro de Agroecologia em Nazaré Paulista. O evento reuniu produtores e técnicos e apresentou a linha FEAP Orgânicos SP como instrumento de apoio à conversão produtiva.
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Safra 25/26 de tabaco usará 23 mil toneladas de fertilizante reciclado
As empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) estão transformando o resíduo do processamento das folhas, ou seja, o pó de tabaco em fertilizante orgânico.
A reciclagem é realizada pela Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc), e o produto, conhecido como Fertileaf, é registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa EP RS-3713-3) e certificado como fertilizante orgânico Classe A.
Após o processamento, o adubo retorna às unidades industriais, que o distribuem aos produtores por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), fortalecendo a lógica da economia circular junto aos próprios produtores da cadeia.
O fertilizante também conta com o selo Ecocert, que atesta o uso apropriado do insumo para a produção orgânica, de acordo com normas brasileiras e internacionais.
Conforme dados da Fupasc, entre 2014 e 2025 foram produzidas mais de 175 mil toneladas de fertilizante orgânico. A reciclagem junto à Fundação iniciou em 2014, ano em que foram processadas 5.375 toneladas de pó de tabaco.
Com o passar dos anos, a transformação do descarte em fertilizante passou a abranger mais unidades e setores das indústrias, de modo que, atualmente, a totalidade do pó segue para transformação em adubo.
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Entre 2020 e 2025, a produção saltou 56,5%, indo de 14.692 toneladas para 22.991,80 toneladas. O atual volume deve fertilizar as lavouras da safra 2025/26.
O SindiTabaco informa que para a produção, o pó de tabaco recebe a adição de aproximadamente 3% de cinzas de caldeiras à lenha, um resíduo industrial classe II, gerado nas industrias fumageiras, bem como um consórcio de micro-organismos.
O coordenador de Sustentabilidade da Fupasc, engenheiro ambiental e de segurança do trabalho Sebastião Bohrer, conta que a cinza é utilizada para correção do pH e que os micro-organismos aceleram a fermentação dos resíduos.
“No tratamento, o pó de tabaco e a cinza são umidificados em um sistema coberto, chamado de leiras, onde também é adicionado o consórcio de micro-organismos para promover a degradação e a estabilização dos resíduos”, detalha.
Como o Fertileaf é produzido

A produção do Fertileaf ocorre por meio de um processo de compostagem em área 100% coberta, com ciclo fechado, denominado fermentação em estado sólido, sem geração de resíduos líquidos.
A Fupasc ressalta que a eficiência do processo é avaliada diariamente por meio da medição da temperatura das pilhas de maturação do composto orgânico e também por ensaios de germinação de sementes de ervas daninhas.
A fundação recebe o pó cru e as cinzas das empresas associadas, adiciona os micro-organismos e, após 90 a 120 dias de maturação e estabilização, o produto está pronto para retornar às empresas. Na produção, 100% da energia utilizada é proveniente de usina solar própria, e 100% da água é de reuso (pluvial).
O SindiTabaco destaca que o Fertileaf é resultado de cerca de 20 anos de pesquisas e experimentos para o desenvolvimento da biotecnologia e da estrutura adequada para compostagem e estabilização dos resíduos provenientes do setor fumageiro.
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Banco do Brasil estima R$ 2 bilhões em propostas no Show Rural Coopavel 2026

O Banco do Brasil estima acolher R$ 2 bilhões em propostas de crédito rural para agricultores familiares, médios e grandes produtores durante o Show Rural Coopavel, entre 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel, no Paraná.
As taxas oferecidas pela instituição são a partir de 2,5% ao ano, com recursos do Plano Safra para todas as linhas de crédito.
O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, destaca que a preparação para a feira começou ainda em janeiro, com a realização de 95 reuniões prévias com produtores rurais e suas cooperativas para apresentação das condições que o banco oferecerá durante os cinco dias de evento.
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“Participar do Show Rural Coopavel ao longo de todos esses anos reforça o compromisso histórico do Banco do Brasil com o agro do Paraná. Estaremos mais uma vez reafirmando a nossa proximidade com quem produz e seguiremos financiando os investimentos necessários para o fortalecimento e desenvolvimento dos agricultores familiares, dos médios e dos grandes produtores, bem como das cooperativas agropecuárias, sempre de acordo com a realidade de cada perfil”, afirma Bittencourt.
Condições do banco na feira
O banco prevê que mais de 50 municípios paranaenses contarão com as condições preparadas para o Show Rural Coopavel: 10% de desconto na contratação dos Seguros Agrícolas Área Financiada e Área Não Financiada, e 10% de desconto na contratação do Seguro Patrimônio Rural.
A instituição também promete oferecer 30% de descibti aos clientes na compra dos grupos de veículos pesados e imobiliário do Consórcio Agro.
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Moagem de cana atinge 605 mil toneladas na 1ª quinzena de janeiro, diz Unica

As unidades produtoras de cana-de-açúcar da região Centro-Sul processaram 605,09 mil toneladas na primeira quinzena de janeiro, referente à safra 2025/26, que vai de abril a março do ano seguinte. O volume é 100,99% maior em comparação com o registrado em igual período da safra 2024/25, quando a moagem atingiu 301,10 mil toneladas.
As informações constam do levantamento quinzenal da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), divulgado nesta sexta-feira (6).
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Queda no açúcar e alta no etanol
A produção de açúcar nos primeiros 15 dias de janeiro totalizou 7,32 mil toneladas, queda de 32,12% na comparação com o volume registrado em igual período na safra 2024/2025.
Na primeira quinzena de janeiro, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 427,42 milhões de litros, aumento de 16,06% ante igual período da safra anterior. Desse total, 244,93 milhões de litros são de etanol hidratado (+5,66%) e 182,49 milhões de litros de etanol anidro (+33,77%).
Do total de etanol obtido na primeira quinzena de janeiro, 89,96% foram fabricados a partir do milho, registrando produção de 384,49 milhões de litros neste ano, ante 354,38 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2024/2025, um aumento de 8,50%.
Mais unidades processando cana
Na primeira metade de janeiro, operavam 27 unidades produtoras na região Centro-Sul, das quais nove unidades com processamento de cana, dez empresas que fabricam etanol a partir do milho e oito usinas flex. No igual período da safra anterior, 24 unidades produtoras estavam em operação. Ao fim da quinzena, cinco unidades encerraram a moagem.
Em relação à qualidade da matéria-prima, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), registrado na primeira quinzena de janeiro, atingiu 132,95 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, em comparação com 118,32 kg por tonelada na safra 2024/2025, variação positiva de 12,36%. O destino da cana para etanol foi de 90,45% na primeira quinzena de janeiro.
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