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25 de agosto de 2026

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Entre clima, custos e desvalorização produtor adota cautela na definição da área de milho em MT

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Foto: Juliano Ambrosini/Canal Rural Mato Grosso

A comercialização do milho em Mato Grosso avança, mas em um ritmo diferente do observado em safras anteriores. Mesmo com boa parte da produção já negociada, o produtor entra no planejamento do próximo ciclo com cautela, pressionado por custos elevados, preços menos atrativos e incertezas climáticas que ampliam o risco da atividade.

No estado, a venda do milho da safra 2024/25ultrapassa 83% da produção estimada. O percentual é considerado elevado, porém segue abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior, reflexo principalmente da retração da demanda internacional, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para a temporada 2025/26, os negócios caminham com mais lentidão. O atraso no plantio da soja, somado ao aumento dos custos de produção e à perda de competitividade dos preços, mantém o produtor mais seletivo tanto na comercialização antecipada quanto na definição da área a ser plantada.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o aumento dos custos na safra 2024/25 acabou sendo parcialmente compensado por uma produtividade maior, favorecida por um clima mais regular. O problema, na leitura do dirigente, está no cenário projetado para o próximo ciclo. “Quando a gente coloca nessa conta o atraso da soja, o risco climático aumenta e o milho segunda acaba sendo implantado fora da melhor janela”, explica ao projeto Mais Milho.

Nesse contexto, Bertolini avalia que a combinação entre tendência de queda nos preços e custos em alta deixa a atividade com “uma margem muito estreita e negativa”, o que exige do produtor mais cautela na exposição ao risco.

Especial Mais Milho Tibagi Paraná Foto Juliano Ambrosini Canal Rural Mato Grosso2
Foto: Juliano Ambrosini/Canal Rural Mato Grosso

Ajustes no campo e redução de risco

No campo, a reação tem sido reduzir riscos e enxugar a estrutura produtiva. Em Rosário Oeste, a estratégia foi deixar o algodão de lado, concentrar os investimentos na soja e no milho de segunda safra e mudar a forma de conduzir a propriedade para atravessar um ano considerado decisivo.

O agricultor Almir Ferreira Pinto avalia que, com juros elevados, financiar integralmente a lavoura se tornou inviável, especialmente para quem trabalha com áreas arrendadas. Para ele, nos moldes atuais, “não fecha a conta, porque se você captar dinheiro no banco para plantar e ainda tiver que pagar arrendamento, o lucro praticamente não existe”. Ao somar todos os custos, seria necessário colher acima de 70 sacas de soja por hectare apenas para empatar.

Diante desse cenário, a saída foi reduzir estrutura e área. Almir conta que chegou a trabalhar com doze funcionários, mas hoje mantém cinco, além da família, conduzindo o negócio de forma mais cautelosa. A mesma lógica se aplicou às áreas arrendadas. “Chegamos a ter contrato de 2 mil hectares, porém repassei por um ano porque o cenário é ruim”, relata à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A expectativa é retomar essa área apenas na safra 2026/27, aguardando um melhor equilíbrio entre custos e preços. Para ele, o momento exige prudência: “não dá para arriscar, porque perder hoje, com o custo da lavoura é duro de recuperar”.

soja falta de chuva foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Clima pesa na definição da área

No médio-norte de Mato Grosso, principal região produtora de milho de segunda safra do país, a definição da área para a próxima temporada ainda é marcada pela incerteza. As chuvas irregulares e os longos períodos de estiagem têm provocado atrasos no calendário agrícola e comprometido o desenvolvimento da soja, fator que pesa diretamente na decisão do produtor sobre o plantio do milho.

O presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal, Rafael Bilibio, relata que muitos produtores iniciaram o plantio mais cedo, apostando na regularização das chuvas, o que não se confirmou. “O pessoal entrou plantando cedo, parecia que iria firmar as chuvas, mas daí parou, chovendo a cada sete, 10 dias e em algumas regiões pontuais sem chuva”, explica.

A soja entrou em fase reprodutiva sob estresse hídrico, com abortamento de vagens e menor enchimento de grãos. Na comparação com o ano passado, Bilibio avalia que “já dá para dizer que entre 5% e 10% já perdemos [da produção]”, o que aumenta a apreensão do produtor quanto ao milho. “[Agora é] torcer para que o milho consiga uma boa produtividade e as chuvas se estenderem, porque agora na soja está preocupando”.

Em Nova Mutum, o cenário também é de alerta. O presidente do Sindicato Rural do município, Paulo Zen, aponta estresse hídrico elevado, com muitas áreas praticamente sem chuva. De acordo com ele, o volume acumulado em dezembro está muito abaixo do necessário. “Estamos falando em 350 milímetros hoje. Em dezembro é pouca chuva e creio que isso vai refletir lá na colheita”, avalia.

Mesmo com uma janela de colheita mais longa prevista para 2026, a insegurança climática pesa na decisão, e o produtor tende a ser mais conservador quanto ao milho, “que na dúvida o produtor vai preferir nem plantar”.

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Mercado da soja começa a semana em baixa com queda em Chicago

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Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa

O mercado brasileiro de soja iniciou a semana com poucos lotes ofertados no físico e recuos nas cotações em algumas praças. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as fortes perdas registradas na Bolsa de Chicago exerceram a principal pressão sobre os preços domésticos.

O dólar permaneceu praticamente neutro, enquanto os prêmios apresentaram pequena alta nos bids. “Os prêmios subiram pouco, então o impacto de Chicago foi maior sobre as cotações no físico”, avalia Silveira.

A comercialização permaneceu lenta, sem reporte de grandes volumes negociados. Segundo o analista, foram registrados apenas negócios pontuais e algumas indicações nominais ao longo do dia.

  • Passo Fundo (RS): permaneceu em R$ 146,50.
  • Santa Rosa (RS): permaneceu em R$ 147,50.
  • Cascavel (PR): recuou de R$ 144,00 para R$ 143,00.
  • Rondonópolis (MT): recuou de R$ 138,00 para R$ 137,00.
  • Dourados (MS): recuou de R$ 135,50 para R$ 135,00.
  • Rio Verde (GO): recuou de R$ 138,00 para R$ 137,00.
  • Paranaguá (PR): recuou de R$ 155,00 para R$ 154,00.
  • Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 154,50.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta segunda-feira. O mercado realizou os lucros recentes, acompanhando o petróleo e refletindo o resultado da crop tour do Pro Farmer, divulgado após o final da sessão da sexta.

Segundo o Pro Farmer, a safra norte-americana de soja deverá totalizar 4,572 bilhões de bushels em 2026, com produtividade média de 53,3 bushels por acre.

A estimativa de produção indicada ficou acima do projetado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em seu mais recente relatório, de 4,519 bilhões de bushels. O USDA trabalha com rendimento de 52,7 bushels por acre.

As inspeções de exportação norte-americana de soja chegaram a 420.895 toneladas na semana encerrada no dia 20 de agosto, conforme relatório semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na semana anterior, as inspeções de exportação de soja haviam atingido 294.329 toneladas.

Contratos da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 15,25 centavos de dólar, ou 1,23%, a US$ 12,24 1/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,38 1/4 por bushel, com retração de 15,50 centavos de dólar ou 1,23%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,80 ou 0,85% a US$ 328,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,31 centavos de dólar, com perda de 2,27 centavos ou 3,26%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,21%, sendo negociado a R$ 5,1531 para venda e a R$ 5,1511 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1400 e a máxima de R$ 5,1620.

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Dúvidas sobre a safra real de milho dos EUA e potencial da Argentina definirão os preços

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Imagem gerada por IA com base em foto de arquivo do Canal Rural

O milho spot em Chicago encerrou a semana passada com uma alta expressiva de 5,23%. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência também subiu, fechando a R$ 71,30 por saca, incremento de 1,57% no período.

Já nn mercado físico, na região do Norte de Mato Grosso, as cotações encerraram os últimos dias com referência de R$ 44,91 por saca.

E agora, o que esperar do mercado?

O relatório de inteligência de mercado da Grão Direto, o Grainsights, traz perspectivas sobre o mercado do milho para o produtor ficar de olho. Confira:

  • Safra real: o mercado passará os próximos dias tentando descobrir se a safra norte americana será gigante, como projeta o USDA, ou decepcionante, como aponta a Pro Farmer. “A diferença de quase 700 milhões de bushels (aproximadamente 17,8 milhões de toneladas) entre as estimativas amplia a incerteza e deve manter as cotações ‘nervosas’, enquanto os investidores buscam, nos primeiros resultados de campo e nos dados de produtividade, evidências concretas para definir qual cenário está mais próximo da realidade”, destaca.
  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do temposiga o Canal Rural no Google News!
  • Risco climático e velocidade de maturação: mesmo com a polinização já encerrada, o clima continua sendo decisivo para o potencial final da safra norte-americana. O Grainsights aponta que chuvas excessivas e tempestades no leste do Meio-Oeste podem derrubar plantas, comprometer o enchimento dos grãos e aumentar os riscos de doenças e problemas de qualidade antes da colheita. “Ao mesmo tempo, o mercado estará atento à velocidade de maturação: calor persistente pode acelerar a secagem e encurtar o período de enchimento, resultando em grãos mais leves e menor produtividade. A combinação desses fatores pode reforçar as preocupações com perdas e manter os preços sustentados.”
  • Apetite dos importadores: as vendas semanais de exportação dos Estados Unidos serão um importante teste para a sustentação das altas em Chicago. O mercado precisa confirmar se grandes compradores, como o México, continuarão fechando volumes relevantes mesmo diante dos preços mais elevados. “Caso os importadores reduzam o ritmo das compras em resposta à valorização, a demanda pode perder força e limitar o avanço das cotações”, destaca o documento.
  • Milho argentino: a disputa com o milho argentino deve ganhar força no mercado internacional. Com uma oferta confortável e estoques disponíveis, a Argentina tende a manter uma postura agressiva nas exportações, oferecendo grandes volumes a preços competitivos. Esse cenário aumenta a pressão sobre o milho brasileiro, especialmente nos portos, que podem precisar reduzir os prêmios para preservar a competitividade e evitar a perda de compradores internacionais.
  • Geopolítica do Mar Negro: a guerra no Mar Negro continua sendo um dos principais riscos para o comércio global de grãos. Conforme o Grainsights, uma eventual intensificação dos ataques russos contra portos e estruturas de exportação da Ucrânia poderia comprometer o embarque de milho e trigo, reduzir a oferta disponível no mercado internacional e elevar os custos de frete e seguro. Nesse cenário, compradores tenderiam a buscar alternativas em origens como Brasil e Estados Unidos, aumentando a disputa pelos estoques disponíveis e podendo provocar repiques rápidos de alta nas bolsas.
  • Macroeconomia e oportunidades: a perda de força no mercado de trabalho dos Estados Unidos aumenta as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, movimento que pode enfraquecer o dólar e favorecer as commodities negociadas na moeda norte-americana. Diante desse cenário, a estratégia para o produtor deve continuar sendo cautelosa: com o mercado dividido entre uma safra cheia e os riscos de clima irregular, momentos de forte alta em Chicago podem ser aproveitados para travar pequenas parcelas da produção futura, garantindo margem e fluxo de caixa sem comprometer a participação em eventuais novas altas”, finaliza o relatório.

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BNDES recebe inscrições para projetos de bioinsumos até 31 de agosto

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As inscrições para o segundo ciclo do BNDES Bioinsumos seguem abertas até 31 de agosto. A chamada de projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibiliza R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis para apoiar a produção de bioinsumos por cooperativas e associações de agricultores familiares. A iniciativa é voltada à ampliação do acesso a tecnologias sustentáveis no campo.

O programa tem como objetivo fomentar a produção de insumos de origem biológica para uso próprio pela agricultura familiar na produção de alimentos saudáveis. Lançada em 2025, a iniciativa também foi estruturada para ampliar a autonomia dos agricultores no acesso a esses produtos, contribuir para a redução de custos de produção e incentivar práticas mais sustentáveis.

Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, os bioinsumos podem incluir microrganismos, predadores naturais de pragas e extratos vegetais que contribuam para o crescimento e a saúde dos sistemas agrícolas. De acordo com a executiva, o uso desses insumos está associado a práticas agrícolas mais sustentáveis e à segurança alimentar.

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Os projetos devem ser apresentados por organizações sem fins lucrativos, individualmente ou em parceria, por meio do Portal do Cliente. Os beneficiários finais são cooperativas e associações da agricultura familiar que atuam de forma coletiva na produção, agregação de valor e comercialização de alimentos. O valor mínimo total de cada projeto é de R$ 5 milhões.

Os recursos poderão ser destinados à implantação ou estruturação de unidades de produção industriais ou semi-industriais de bioinsumos para uso próprio, com uso de processos de biotecnologia. Entre as categorias apoiáveis estão inoculantes e bioestimulantes produzidos a partir de microrganismos, microrganismos para controle de pragas, insetos para controle biológico e diferentes tipos de biofertilizantes.

Nesta segunda-feira (24), Tereza Campello visitou a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). A unidade abriga a maior coleção da empresa pública voltada ao desenvolvimento de bioinsumos. A visita ocorreu em meio às discussões para formalizar o apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) à iniciativa.

O orçamento total do BNDES Bioinsumos é de até R$ 60 milhões. Além dos R$ 40 milhões disponíveis na chamada atual, outros R$ 20 milhões foram destinados ao primeiro ciclo, encerrado em novembro de 2025. Na etapa anterior, quatro projetos foram selecionados e estão em avaliação pelo BNDES antes da aprovação e contratação.

Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br

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