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China aponta ameaça à indústria doméstica em investigação sobre importação de carne bovina

Um alerta de mercado divulgado pela consultoria Safras & Mercado chama a atenção para os desdobramentos da notificação enviada pela China à Organização Mundial do Comércio (OMC) envolvendo a investigação de salvaguardas sobre as importações de carne bovina. O documento apresentado pelo governo chinês sustenta que o crescimento expressivo das compras externas teria provocado prejuízo grave ou ameaça de prejuízo à indústria doméstica, reacendendo preocupações sobre possíveis restrições ao comércio internacional do produto.
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A investigação foi iniciada oficialmente em 27 de dezembro de 2024, com comunicação ao Comitê de Salvaguardas da OMC, em conformidade com o Artigo 12.1(b) do Acordo sobre Salvaguardas. Na notificação, a China informa que chegou a uma conclusão preliminar de prejuízo grave ou ameaça de prejuízo, mantendo em aberto a decisão sobre a eventual aplicação de medidas restritivas.
Segundo o documento, o período investigado abrange os anos de 2019 até o primeiro semestre de 2024. A China define a indústria doméstica como o conjunto de produtores do produto similar e do produto diretamente concorrente, avaliando de forma ampla o desempenho da cadeia produtiva local diante do avanço das importações.
Ao longo desse intervalo, o governo chinês afirma que houve deterioração generalizada dos principais indicadores econômicos e operacionais da indústria doméstica, incluindo participação de mercado, níveis de estoque, preços, receitas, lucros, produtividade, emprego e utilização da capacidade produtiva.
Crescimento da demanda doméstica chinesa
Os dados apresentados mostram que a demanda doméstica chinesa por carne bovina cresceu de forma consistente no período analisado. O consumo passou de 807,49 mil toneladas métricas em 2019 para 987,89 mil toneladas métricas em 2023. No primeiro semestre de 2024, a demanda somou 465,59 mil toneladas métricas, superando o volume registrado no mesmo período do ano anterior, o que indica continuidade do crescimento do consumo interno.
Paralelamente à expansão da demanda, as importações avançaram em ritmo ainda mais intenso. O volume importado saltou de 165,94 mil toneladas métricas em 2019 para 273,69 mil toneladas métricas em 2023, alcançando 143,86 mil toneladas métricas apenas no primeiro semestre de 2024.
De acordo com a China, esse movimento caracteriza um aumento absoluto, recente, súbito e significativo das importações durante o período investigado, reforçando a tese de impacto negativo sobre a indústria doméstica.
Importações no mercado interno
Como consequência desse crescimento, a participação das importações no mercado chinês subiu de 20,55% em 2019 para 30,90% no primeiro semestre de 2024. Já a parcela da produção doméstica representada pelo produto importado avançou de 24,87% para 43,86% no mesmo intervalo.
Segundo o documento, esses números indicam que o crescimento das importações ocorreu de forma desproporcional em relação à expansão da produção doméstica, ampliando a pressão competitiva sobre os produtores locais.
O documento também detalha a evolução dos preços médios das importações de carne bovina. Em 2019, o preço foi de 37,35 yuans por quilo, recuou levemente em 2020, subiu para 39,16 yuans por quilo em 2021 e atingiu 49,86 yuans por quilo em 2022. Em 2023, o valor médio caiu para 41,26 yuans por quilo, recuando novamente para 38,24 yuans por quilo no primeiro semestre de 2024.
Situação da indústria doméstica
No segmento do produto similar, a China aponta deterioração significativa dos indicadores. A participação de mercado dos produtores locais caiu de 79,45% em 2019 para 69,10% no primeiro semestre de 2024. Os estoques aumentaram de 81,98 mil toneladas métricas para 158,08 mil toneladas métricas.
A produção recuou de 667,28 mil toneladas métricas em 2019 para 328 mil toneladas métricas no primeiro semestre de 2024. Apesar de o preço de venda ter alcançado 66,63 yuans por quilo no primeiro semestre de 2024, a receita de vendas caiu de 4.093,09 centenas de milhões de yuans em 2019 para 2.143,55 centenas de milhões de yuans no primeiro semestre de 2024.
A produtividade caiu de 140 para 95 cabeças por pessoa ao ano, enquanto os lucros recuaram de 168,34 para 22,55 centenas de milhões de yuans. O emprego também diminuiu, passando de 84 para 51 pessoas por produtor. A utilização de capacidade permaneceu praticamente estável, próxima de 25% ao longo do período analisado.
Produto diretamente concorrente
No caso do produto diretamente concorrente, o documento indica aumento do estoque de gado de 8.094 para 9.015 unidades de dez mil cabeças entre 2019 e o primeiro semestre de 2024. A produção caiu de 4.533,87 para 2.140 unidades de dez mil cabeças no mesmo intervalo.
O preço de venda recuou de 31,27 para 29,09 yuans por quilo, enquanto a receita de vendas caiu de 3.390,98 para 1.564,87 centenas de milhões de yuans. A produtividade apresentou leve redução, de 9,74 para 9,16 cabeças por pessoa ao ano, e a utilização de confinamentos caiu de 74,38% para 66%.
Os resultados financeiros tornaram-se negativos a partir de 2023, com prejuízo de 140,89 centenas de milhões de yuans, aprofundando-se para 183,73 centenas de milhões de yuans no primeiro semestre de 2024. O emprego também recuou, passando de 1.296 para 1.218 unidades de dez mil pessoas.
A notificação descreve com precisão o produto objeto da investigação, que inclui carne de animais bovinos fresca, refrigerada ou congelada, em carcaças, meias-carcaças e cortes com ou sem osso. Os produtos estão classificados nos códigos do Sistema Harmonizado 02011000, 02012000, 02013000, 02021000, 02022000 e 02023000.
Medidas de salvaguarda ainda indefinidas
Até o momento, a China não informou qual medida de salvaguarda poderá ser adotada, nem a data de início, a duração ou eventual cronograma de liberalização. O país limitou-se a comunicar à OMC a conclusão preliminar de que houve prejuízo grave ou ameaça de prejuízo à indústria doméstica, mantendo em aberto a decisão sobre a aplicação de restrições às importações de carne bovina.
O documento esclarece que, caso uma salvaguarda venha a ser implementada, países em desenvolvimento com participação individual reduzida nas exportações estarão isentos, conforme o Artigo 9.1 do Acordo sobre Salvaguardas. A participação coletiva desses países foi estimada em 6%, incluindo, entre outros, Chile (0,7%), Bolívia (2,5%), Costa Rica (0,5%), Panamá (0,1%), Rússia (0,7%) e Ucrânia (0,4%), além de diversos países com participação individual de 0,0%, como Índia, Paraguai, Peru, Vietnã e África do Sul.
A China informou ainda que enviou cópias da notificação às missões permanentes de importantes países exportadores junto à OMC, entre eles Brasil, Argentina, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, reforçando a relevância do tema para o comércio internacional e a necessidade de acompanhamento atento por parte dos agentes do setor.
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Canetas emagrecedoras: o impacto no frango e na demanda por grãos

O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio. Esse resultado deve-se à quebra de patentes de marcas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, fazendo com que os preços caiam exponencialmente e o consumo aumente.
Com a demanda crescente, aumenta também a preocupação com a possível redução do consumo de alimentos, uma vez que esse tipo de medicamento diminui o apetite de quem usa. Embora essa seja a lógica imediata, o estudo indica o oposto para o setor de grãos e para o consumo de proteína animal, com destaque para a carne de frango e os ovos.
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Em um contexto em que o consumidor procura saciedade prolongada, as chamadas “proteínas magras” tendem a ser impactadas com maior intensidade. Segundo o relatório, as exportações brasileiras de carne de frango podem ter um incremento de 12% a 15% no médio prazo.
Mudança na dieta e no comportamento
Em relatório lançado em abril deste ano, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indica uma mudança estrutural no perfil do consumo global de proteínas.
O setor de ovos, por exemplo, atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025. Segundo a ABPA, esse crescimento decorre da desmistificação do produto, que agora se consolida como essencial e saudável para o consumidor.
Em relação à carne de frango, a entidade aponta que o consumo per capita se manteve elevado no ano passado, com 46,7 kg por habitante.
Oportunidades estratégicas para o Brasil
Diante desse cenário, surgem oportunidades estratégicas para o setor exportador de grãos. Isso porque o aumento do consumo dessas proteínas eleva a demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja, com cerca de 60% e 25%, respectivamente.
As projeções da consultoria indicam que em um cenário otimista de 5 a 7 anos, a demanda para uso em ração pode crescer até 10% para o cereal e 12% para o derivado da soja.
Além dos impactos nos embarques brasileiros, outro ponto destacado no relatório é a ascensão dos Smart Foods — alimentos formulados para maximizar a saciedade e a densidade nutricional. Com isso, abrem-se oportunidades para frigoríficos investirem nesse mercado.
Por outro lado, não são todos os setores que deverão ser beneficiados. Para ultraprocessados, carboidratos e açúcares, a perspectiva é de queda significativa no consumo, o que indica uma virada nos hábitos alimentares que irá demandar cada vez mais resiliência e mudança nas estratégias.
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Agro Mato Grosso
Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.
A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.
“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.
A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.
“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”
Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.
“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”
“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”
Biometano

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural
Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.
Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.
“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.
Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.
Business
Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.
De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.
Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.
Milho é a maior preocupação
A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.
Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.
“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.
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