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7 de maio de 2026

Sustentabilidade

Safra de cereais de inverno encerra ciclo com desafios para o trigo e oportunidades para aveia e cevada em Santa Catarina – MAIS SOJA

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Por: Cristiele Deckert, jornalista bolsista Fapesc Epagri/Cepa

A safra catarinense de cereais de inverno chega ao fim marcada por trajetórias distintas entre trigo, aveia e cevada. A combinação de preços pressionados no mercado internacional e menor atratividade econômica reduziu a área cultivada com trigo no Estado. Por outro lado, aveia e cevada se constituem em alternativas de inverno importantes para geração de renda, diversificação da produção e conservação de solo.

No caso da cevada, a rentabilidade foi favorecida pela adoção de contratos antecipados entre produtores, cooperativas e a indústria, o que garantiu preços e reduziu riscos de comercialização. A aveia, por sua vez, reforçou seu papel tanto como opção econômica quanto como cultura estratégica para o manejo do solo e a diversificação dos sistemas produtivos.

Conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, João Rogério Alves, o trigo colhido no Estado tem sido considerado de ótima qualidade, no entanto, nem todas as notícias são boas. “O ponto negativo fica por conta da redução da área plantada nesta safra. Com isso, a produção total em Santa Catarina deve registrar uma diminuição de 11,5%, chegando a aproximadamente 382 mil toneladas”, explica.

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“O cenário não é dos melhores, já que o mercado internacional mantém a commodity em baixa. A grande oferta global, aliada à expectativa de super safra em países vizinhos, como a Argentina, deve manter a pressão sobre os preços no mercado nacional nos próximos meses”, conclui Alves.

Embora a participação de Santa Catarina na produção nacional desses cereais seja pouco expressiva, trigo, aveia e cevada mantêm relevância sob os aspectos agronômico e socioeconômico. O mercado catarinense, no entanto, sofre influência direta dos estados vizinhos. Rio Grande do Sul e Paraná lideram a produção nacional e são determinantes na formação dos preços pagos aos produtores, condicionando o comportamento do mercado em território catarinense.

No vídeo abaixo, João Rogério Alves, da Epagri/Cepa, comenta os destaques das safras de cereais de inverno em Santa Catarina, entre produtividade, qualidade e área plantada. Ele também aponta desafios e oportunidades para trigo, aveia e cevada.

Trigo: preços em queda e menor área plantada

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Os preços do trigo seguem em queda em Santa Catarina. Em novembro, o valor médio recebido pelos produtores recuou 2,37% na comparação mensal, com a saca de 60Kg cotada a R$62,20, acumulando desvalorização de 13,44% frente a novembro do ano passado. O movimento baixista acompanha o cenário internacional, marcado pelo aumento da oferta mundial e pelo avanço das exportações, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o que mantém pressão sobre as cotações no mercado interno.

Trigo catarinense teve qualidade elevada, mas produção em queda (Foto: Aires Mariga/Epagri)

No campo, a colheita já alcança cerca de 75% da área cultivada, com predominância de boas condições nas lavouras remanescentes. Para a safra 2025/26, a estimativa indica redução de 14,5% na área plantada, que deve somar 105,1 mil hectares. Apesar da projeção de aumento de 3,5% na produtividade média, a produção total de trigo em Santa Catarina deve recuar 11,55%, totalizando 382,3 mil toneladas.

Aveia e cevada reforçam papel estratégico na safra de inverno 

O desempenho da aveia e da cevada em novembro reforça o papel desses cereais de inverno como alternativas agronômicas e socioeconômicas viáveis em Santa Catarina, apesar da participação pouco expressiva do estado no mercado nacional. A formação de preços segue fortemente influenciada por Paraná e Rio Grande do Sul, principais produtores do país. No caso da aveia, os preços no mercado paranaense apresentaram queda anual de 3,70%, enquanto em Santa Catarina houve estabilidade na comparação anual.

Para a cevada, o cenário é mais favorável do ponto de vista econômico. A comercialização ocorre majoritariamente por meio de contratos antecipados com indústrias e cooperativas, voltados à produção de cevada cervejeira. Em 2025, grande parte desses contratos foi fechada em valores atrativos, e as boas produtividades obtidas devem resultar em margens positivas, mesmo com preços atuais inferiores aos de um ano atrás.

Em Santa Catarina, o Sistema de Monitoramento de Safras da Epagri/Cepa aponta que a área de aveia destinada à produção de grãos recuou 3,47% na safra 2025/26, totalizando cerca de 34,2 mil hectares. Ainda assim, o ganho de produtividade, impulsionado por condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo, resultou em crescimento de 5,84% na produção estadual, próxima de 52 mil toneladas. Já a cevada manteve área reduzida, com 440 hectares cultivados, mas a safra se destacou pela elevada qualidade industrial, reflexo do manejo técnico e do cultivo sob contratos, assegurando mercado e rentabilidade aos produtores catarinenses.

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Boletim Agropecuário de Santa Catarina de dezembro/25 

O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link. Confira os destaques das principais culturas do agro de Santa Catarina presentes no Boletim Agropecuário de dezembro de 2025:

Arroz: preços em queda e cenário desafiador para a safra 2025/26

O mercado de arroz em Santa Catarina segue pressionado por excesso de oferta, demanda industrial fraca e dificuldades nas exportações, o que levou os preços ao produtor a ficarem 52% abaixo dos níveis de 2024 e inferiores aos custos de produção. Mesmo com medidas de apoio anunciadas pela Conab, o volume é considerado insuficiente para reverter a conjuntura. As exportações catarinenses recuaram 56% no ano, e, para a safra 2025/26, projeta-se redução de área e produtividade, com produção estimada em 1,22 milhão de toneladas, em um ambiente de elevada incerteza para o setor.

Feijão: preços recuam com oferta elevada e safra em andamento

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Os preços do feijão em Santa Catarina recuaram em novembro, com queda mensal de 2,32% para o feijão-carioca, cotado a R$ 156,32/sc, e de 2,43% para o feijão-preto, a R$ 120,63/sc, valor 52,3% inferior ao registrado no mesmo mês de 2024. A pressão baixista está associada à boa disponibilidade de produto, à proximidade da nova safra, à liquidação de estoques pelos produtores e, no caso do carioca, ao aumento da oferta proveniente do Sudoeste Paulista. No campo, 72% da área da primeira safra já havia sido semeada até o fim de novembro, com lavouras majoritariamente em boas condições. Para a safra 2025/26, estima-se redução de 5,5% na área plantada, para 33 mil hectares, produtividade estável em 2.068 kg/ha e produção de 68,2 mil toneladas, queda de 4,8% em relação à safra anterior.

Milho: preços reagem, mas oferta global limita avanços

O preço do milho em Santa Catarina apresentou leve recuperação entre setembro e novembro, com alta de 0,46% no último mês e indicativo de elevação no início de dezembro, sustentado pela retração dos vendedores e pela retomada da demanda para recomposição de estoques. Ainda assim, a safra recorde no Brasil e nos Estados Unidos mantém pressão sobre as cotações. Para 2025/26, projeta-se aumento de 0,82% na área cultivada, com redução estimada de 11,3% na produtividade e queda de 10,6% na produção. O plantio da safra de verão está concluído e, apesar das irregularidades climáticas no Oeste do estado, o desenvolvimento das lavouras segue, até o momento, dentro de uma perspectiva positiva.

Soja: preços reagem, mas oferta global pressiona o mercado

Em novembro, o preço médio da soja ao produtor em Santa Catarina registrou alta de 1,5%, alcançando R$ 125,86/sc, mantendo-se estável no início de dezembro, impulsionado pelo forte ritmo das exportações brasileiras no período. Ainda assim, a elevada produção na América Latina e o aumento da oferta global da oleaginosa mantêm pressão sobre as cotações no fim do ano. Para a safra 2025/26, a estimativa inicial aponta redução de 1,75% na área plantada no estado. O plantio da primeira safra está praticamente concluído, com lavouras em desenvolvimento vegetativo e condições, em geral, entre boas e ótimas, apesar do estresse hídrico pontual causado por altas temperaturas e períodos de estiagem no início de dezembro.

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Banana: oferta elevada pressiona preços e diferencia cenário entre caturra e prata

Entre outubro e novembro de 2025, os preços da banana em Santa Catarina recuaram, puxados principalmente pela banana-caturra, que registrou desvalorização de 15,9% com aumento da oferta e perda de qualidade associada às altas temperaturas, apesar de ainda apresentar valorização frente a 2024. Para dezembro, a expectativa é de novas quedas, influenciadas pela menor demanda escolar e pela concorrência com frutas da estação. Na banana-prata, a desvalorização recente foi menor, e o mercado projeta recuperação de preços com a redução da oferta e menor competição no verão. Na média, as cotações caíram 13,6% entre outubro e novembro. Para a safra 2025/26, estima-se leve redução de 0,41% na produção total de banana, mesmo com aumento de área, com predomínio do Norte Catarinense, que concentra mais de 85% da produção estadual.

Alho: safra avança com boa qualidade e expectativa de aumento na produção

A colheita do alho em Santa Catarina avança com cerca de 60% dos canteiros já colhidos e qualidade considerada muito boa. Neste período, ainda não há registro de preço ao produtor, já que as vendas devem ocorrer a partir de janeiro de 2026, após a cura do produto. No atacado, a caixa de 10 quilos do alho nobre tipo 4 ou 5 foi comercializada a R$ 183,33, leve alta de 0,6% em relação ao mês anterior. As estimativas apontam aumento médio de produtividade para 11.251 kg/ha, o que, aliado à expansão de 13,8% da área cultivada, deve resultar em crescimento de 16,7% na produção, estimada em 8.438 toneladas. As importações permaneceram praticamente estáveis em novembro, com alta de 5,9%, totalizando 4,69 mil toneladas, principalmente provenientes da Argentina, China, Egito e Peru.

Cebola: preços firmes e safra com expectativa de alta na produção

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A cebola catarinense iniciou a comercialização para outros estados a partir de novembro ao preço de R$ 20,00 a saca de 20 quilos, valor 8,45% superior ao registrado no mesmo período de 2024, enquanto no mercado atacadista estadual a cotação média foi de R$ 44,21. As perspectivas para a safra 2025/26 seguem positivas, com expectativa de produção de 598 mil toneladas e produtividade média de 30,8 t/ha, o que representa aumento de cerca de 7,5% em relação à safra anterior, mesmo após registros pontuais de granizo e haste floral. Até o início de dezembro, 11% da área já havia sido colhida. A colheita poderá se extender até meados de janeiro. No comércio exterior, novembro registrou importações de 327 toneladas da Argentina e da Espanha.

Bovinos: boi gordo reage com apoio das exportações e do consumo interno

O preço do boi gordo em Santa Catarina apresentou leve alta de 0,4% nas duas primeiras semanas de dezembro, em relação à média do mês anterior, acompanhando a valorização observada nos principais estados produtores. Na comparação com o mesmo período do ano passado, já corrigido pelo IGP-DI, o avanço chega a 3,8%. O movimento é sustentado pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, que reduz a oferta no mercado interno, e pelo aumento da demanda doméstica, impulsionado pelas festas de fim de ano e por indicadores econômicos favoráveis.

Suínos: retração pontual em novembro não compromete recorde do ano

As exportações de carne suína de Santa Catarina totalizaram 50,3 mil toneladas em novembro, queda de 26,4% em relação a outubro e de 19,4% na comparação anual, com receita de US$ 122,9 milhões. No acumulado de janeiro a novembro, porém, o estado exportou 680,8 mil toneladas e faturou US$ 1,68 bilhão, com altas de 3,5% em volume e 9,2% em receita, o melhor desempenho da série histórica para o período. Santa Catarina respondeu por cerca de 51% das exportações brasileiras de carne suína, mantendo a expectativa de novo recorde anual em 2025, apesar da retração pontual observada em novembro.

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Leite: captação cresce, mas preços e rentabilidade seguem pressionados

Santa Catarina registrou forte crescimento na captação de leite no terceiro trimestre de 2025, alcançando 951 milhões de litros, alta de 15% em relação ao trimestre anterior e de 8% na comparação anual. No comércio exterior, as exportações de lácteos cresceram na base anual, enquanto as importações recuaram, reduzindo o déficit da balança comercial. No mercado interno, porém, os preços ao produtor seguiram em queda, com valores de referência próximos a R$ 2,05/litro, e os derivados também apresentaram recuo no atacado. Apesar da redução dos custos de produção, a rentabilidade tem apresentado queda, especialmente nos sistemas menos tecnificados, que registraram forte deterioração do resultado operacional em 2025.

Assista a apresentação completa do Boletim Agropecuário de Santa Catarina edição de dezembro de 2025 no vídeo abaixo:

Fonte: Epagri

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FONTE

Autor:Cristiele Deckert, jornalista bolsista Fapesc Epagri/Cepa

Site: EPAGRI

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Exportações de grãos acumuladas no primeiro trimestre de 2026 superam ano anterior e fretes acompanham crescimento – MAIS SOJA

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As exportações de soja avançaram no último mês nas principais rotas de escoamento brasileiras. Com aproximadamente 88,1% da área colhida para a oleaginosa, os volumes embarcados no acumulado do primeiro trimestre de 2026 já superam em cerca de 5,92% o valor apurado entre janeiro e março de 2025. O cenário é semelhante para o milho, que registrou um acumulado em torno de 15,25% acima do verificado para as exportações no mesmo período do ano anterior. Para a primeira safra do cereal, a colheita já ultrapassou metade da área plantada, como mostra o Boletim Logístico de abril, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (29).

O balanço também aponta que as regiões Centro-Oeste e Sul foram as que mais enviaram grãos para o mercado externo, com predomínio do estado de Mato Grosso. Para a oleaginosa, os embarques pelo Arco Norte chegaram a 39% no trimestre, seguido pelo porto de Santos (SP), com 36,2%, e pelo porto de Paranaguá (PR), com 18,3%. Já para o cereal, o escoamento pelo Arco Norte também predominou, correspondendo a 34,9% do acumulado trimestral. Na sequência, o porto de Santos abarcou 29,1% das vendas para o exterior, seguido pelo porto de Rio Grande (RS), com 16%.

O movimento das safras foi acompanhado pelo aumento no preço dos fretes nas principais rotas monitoradas pela Companhia. No Centro-Oeste, os valores mais altos foram identificados em Goiás, que registrou fretes até 35% mais caros em comparação ao mês anterior nas rotas saindo de Cristalina, no leste do estado. “Apesar das oscilações nos preços dos combustíveis, é preciso considerar o bom desempenho produtivo da soja e o volume de carga no contexto da pressão logística”, avalia o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.

Em Mato Grosso, o avanço da colheita da soja no Vale do Araguaia manteve a alta do transporte, que ficou até 10% mais caro, taxa máxima também apurada no vizinho Mato Grosso do Sul. Já no Distrito Federal, as variações positivas chegaram a 12%, acompanhando a movimentação sazonal com a colheita da soja na maior região produtora do país.

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Os custos dos combustíveis e gargalos operacionais também impactaram os fretes no Paraná, com incremento de até 11% na região de Ponta Grossa. Nas praças do Sudeste, São Paulo registrou os maiores valores, com fretes até 30% mais elevados em referência ao mês de março. Minas Gerais acompanhou a tendência crescente, mas os valores não ultrapassaram 10% na avaliação mensal. No caso específico do café, os fretes voltaram a ficar aquecidos para as rotas com destino ao sul do estado.

Com o direcionamento dos transportadores para o Centro-Oeste, o Nordeste também apresentou aquecimento logístico, com destaque para a região produtora de soja no oeste baiano, onde os valores aumentaram até 19%. O Maranhão foi o estado com maior variação percentual positiva, alcançando tarifas até 23% mais elevadas, com ênfase no escoamento da soja no sul do estado. No Piauí, as cotações tenderam a uma maior estabilidade, com máxima de 8%.

Adubos e fertilizantes

As importações de fertilizantes cresceram no primeiro trimestre de 2026, chegando a 8,61 milhões de toneladas. O valor é cerca de 9,13% superior ao acumulado no mesmo período do ano passado, o que assegura estabilidade para os próximos plantios.

A pesquisa analisou as principais rotas de escoamento do país, abrangendo dez estados. Os dados estão disponíveis no Boletim Logístico – Abril/2026.

Fonte: Conab

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FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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Manejo da resistência de fungos a fungicidas – MAIS SOJA

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O manejo da resistência de patógenos, especialmente de origem fúngica, é um dos principais desafios relacionados ao controle de doenças em culturas como a soja. Embora medidas integradas possam ser empregadas para manejo das doenças em soja, os fungicidas químicos continuam sendo as ferramentas mais utilizadas para o controle de doenças em escala comercial.

Nesse contexto, estratégias de manejo necessitam ser adotadas visando “frear” a evolução dos casos de resistência das doenças aos fungicidas. Considerando a dificuldade em desenvolver e registrar novas moléculas, assegurar a manutenção da eficácia dos fungicidas atuais é crucial para a sustentabilidade do sistema de produção.

Uma das grandes preocupações relacionadas a isso é o desenvolvimento das resistências cruzadas. De acordo com o Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, a resistência cruzada é o fenômeno em que uma população de patógenos que se torna resistente a um fungicida também passa a apresentar resistência a outros produtos que possuem o mesmo modo de ação ou compartilham o mesmo sítio-alvo bioquímico (figura 1).

Figura 1. Representação gráfica de como ocorre a resistência cruzada a fungicidas.
Fonte: FRAC-BR (2026)

Isso ocorre porque, mesmo sendo moléculas diferentes, esses fungicidas atuam sobre o mesmo processo metabólico, de modo que uma única mutação gênica pode conferir resistência a vários compostos simultaneamente. Esse risco é maior em fungicidas de sítio específico, que atuam em um único alvo, enquanto fungicidas multissítio apresentam menor probabilidade de seleção de resistência, tornando fundamental o conhecimento do modo de ação para estratégias eficazes de manejo (FRAC-BR, 2026).

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Estratégias de manejo

De forma prática, o uso dos fungicidas multissítios associada a rotação de modos de ação, é a estratégia mais eficaz de prevenção da resistência aos fungicidas, no entanto, algumas estratégias associadas podem contribuir de forma significativa para reduzir a pressão de seleção sobre indivíduos, bem evolução dos casos de resistência.

 Dentre essas estratégias, o FRAC-BR destaca para a cultura da soja, a rotação de moléculas de fungicidas dentro do mesmo grupo químico; a adoção de boas práticas agronômicas como evitar semeaduras tardias, dar preferências por variedades de ciclo precoce, respeitar o vazio sanitário e eliminar plantas voluntárias, evitando a exposição desnecessária dos produtos a altas populações dos patógenos.

Não menos importante, deve-se evitar programas de manejo que priorizem a aplicações curativas, uma vez que favorecem a pressão de seleção contínua e aceleram o desenvolvimento de populações menos sensíveis do patógeno. Além das estratégias supracitadas, a utilização de produtos biológicos também contribui para o manejo da resistência das doenças a fungicidas, considerando que esses compostos apresentam múltiplos modos de ação. No entanto, para maior performance, recomenda-se que os produtos biológicos sejam utilizados preferencialmente de forma associada a fungicidas sítios específicos e multissítios (FRAC-BR, s. d.).

Vale ressaltar que o manejo da resistência de doenças a fungicidas vai além das perdas quantitativas de produtividade, impactando diretamente a viabilidade econômica e a longevidade do sistema produtivo. Diante da elevada complexidade, do custo e do tempo necessários para o desenvolvimento de novas moléculas, preservar a eficácia dos fungicidas disponíveis torna-se uma estratégia indispensável para garantir a sustentabilidade da cultura da soja a médio e longo prazo.

Clique aqui e confira as novas recomendações para o manejo de doenças em soja.

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Referências:

FRAC. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DE DOENÇAS EM SOJA. FRAC-Brasil, s.d. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_f591d8b1a2934a109259af440b049052.pdf >, acesso em: 06/05/2026.

FRAC. O QUE É RESISTÊNCIA CRUZADA? Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas: FRAC-Brasil, 2026. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/o-que-e-resistencia-cruzada >, acesso em: 06/05/2026.

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Sustentabilidade

ALGODÃO/CEPEA: Preços sobem impulsionados por exportações e paridade – MAIS SOJA

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Os preços do algodão em pluma no mercado interno brasileiro subiram em abril pelo quinto mês consecutivo, atingindo os maiores patamares nominais desde julho de 2025. Segundo o Cepea, o movimento é sustentado, sobretudo, pelo bom desempenho das exportações, que reduziu os estoques domésticos, e pela valorização do petróleo.

De acordo com o Centro de Pesquisas, no mercado doméstico, a liquidez permaneceu limitada, refletindo a combinação de disparidades de preço e/ou qualidade com a postura cautelosa dos agentes. Indústrias priorizam o consumo de estoques e o cumprimento de contratos a termo, enquanto comerciantes concentram-se em negociações “casadas” e aquisições pontuais para atender a programações previamente estabelecidas.

O Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias) do algodão em pluma subiu 5,74% no acumulado de abril (de 31 de março a 30 de abril), encerrando a R$ 4,1421/lp no dia 30, o maior valor nominal desde 25 de julho de 2025. Segundo pesquisadores do Cepea, a paridade de exportação também influenciou as altas em abril. A cotação interna ficou, em média, 6,6% acima da paridade no mês, a maior vantagem para o mercado doméstico desde agosto de 2025. Ainda assim, os preços no Brasil permanecem 5,02% inferiores aos de abril de 2025, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de março/26).

Fonte: Cepea

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FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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