Sustentabilidade
Cultivo de plantas de cobertura reduz incidência de plantas daninhas e aumenta a produtividade das culturas sucessoras – MAIS SOJA

A rotação de culturas com a inserção de espécies de cobertura do solo em áreas de lavoura, traz diversos benefícios ao sistema de produção, estimulando a fauna edáfica do solo, atuando na quebra do ciclo de pragas e patógenos, ciclando nutrientes do solo e suprimindo o desenvolvimento de plantas daninhas, além de contribuir para uma melhor conservação do solo e melhoria de atributos físicos, químicos e biológicos do solo.
Conforme observado por Yamashita & Guimarães (2015), o aumento da palhada em cobertura do solo contribui diretamente para a redução da emergência de espécies daninhas fotoblásticas positivas como a buva (Conyza spp.), reduzindo consequentemente os fluxos de emergência dessas plantas daninhas e possibilitando uma menor matocompetição com a cultura comercial. Estudos demonstram que em sistemas de produção em que prevalece a cobertura do solo, há uma redução acentuada das populações de planta daninhas, contribuindo para um melhor estabelecimento inicial da cultura no campo.
Figura 1. Densidade de plantas daninhas. A) Com pousio; e, B) Sem pousio (com palhada da cultura anterior).
Além de restringir a passagem de luz, a biomassa de algumas espécies vegetais utilizadas como plantas de cobertura pode conter substancias alelopáticas que afetam a germinação de sementes de plantas daninhas. Não menos importante, a palhada das espécies daninhas reduz o impacto da gota da chuva, diminuindo a erosão superficial em áreas agrícolas.
Em conjunto com os benefícios supracitados, algumas espécies de plantas de cobertura apresentam elevada capacidade em ciclar nutrientes do solo, absorvendo esses nutrientes para seu crescimento e desenvolvimento, e disponibilizando-os para as culturas sucessoras, através da decomposição e mineralização dos resíduos culturais. A capacidade da planta em acumular nutrientes varia de acordo com a espécie. Em alguns casos, o nitrogênio acumulado por espécies com capacidade em realizar a fixação biológica de nitrogênio pode ser superior a 200 kg ha-1 (Carlos; Costa; Costa, 2006).

A liberação dos nutrientes fixados e ciclados ocorre de forma gradual, sendo influenciada pela relação Carbono/Nitrogênio (C/N) das espécies utilizadas, bem como pela velocidade de decomposição e mineralização de seus resíduos culturais. Conforme descrito por Ziech et al. (2014), leguminosas como ervilhaca e tremoço-branco podem disponibilizar mais de 40% do nitrogênio acumulado em até 45 dias após o manejo (dessecação), evidenciando sua elevada taxa de liberação, característica típica desse grupo botânico. Em contraste, gramíneas (Poaceae) como azevém, aveia-preta e centeio apresentam decomposição mais lenta e, consequentemente, uma liberação gradual de nitrogênio ao longo do tempo.
Figura 2. Liberação de nitrogênio (N) pelas plantas de cobertura de inverno em sistema de cultivo antecedendo a cultura do milho. A + E + N = Aveia + Ervilhaca + Nabo; A + E = Aveia + Ervilhaca.

A supressão das plantas daninhas, atrelado e melhoria da qualidade do solo, ciclagem de nutrientes e demais benefícios da rotação de cultura e cultivo de plantas de cobertura nos períodos do outono e inverto, contribuem para a melhoria da produtividade das culturas sucessoras, além de otimizar o uso da terra e reduzir os custos de produção.
Um estudo conduzido pela Embrapa Trigo na entressafra outono/inverno na região Sul, analisou o impacto econômico do uso de culturas de cobertura no controle de plantas daninhas e a produtividade das culturas do trigo e da soja. Os pesquisadores constataram incrementos nos rendimentos de trigo e soja cultivados em sucessão a plantas de cobertura, principalmente em função da menor competição com plantas daninhas (Antunes, 2025).
O estudo analisou os custos de implantação (sementes, operações e herbicidas) de diferentes culturas de cobertura, como aveia-preta, centeio, nabo e ervilhaca, e seu impacto no balanço econômico da produção de trigo e soja (veja na figura abaixo). Para efeito de avaliação dos resultados, considerou-se o preço médio regional praticado em maio de 2025, fixado em R$ 70,00 por saca de trigo e R$ 120,00 por saca de soja (Antunes, 2025).
Os resultados obtidos demonstram que o cultivo de plantas de cobertura promoveu aumento da produtividade e retorno econômico positivo em comparação ao cultivo de trigo e soja em sucessão ao pousio, demonstrando a importante contribuição do cultivo de plantas de cobertura para a rentabilidade do sistema de produção (tabela 1).
Tabela 1. Produtividade de trigo e soja após cultivados após plantas de cobertura.

Os resultados apresentados por Antunes (2025) indicam que, entre as culturas de cobertura avaliadas no Sul do Brasil, os maiores benefícios às culturas sucessoras ocorreram com o uso de misturas de espécies (mix), especialmente a combinação de nabo com cereais de inverno, como aveia ou centeio. Essa estratégia proporcionou os maiores incrementos de produtividade em relação ao pousio, alcançando ganhos de até 9 sacas por hectare. Do ponto de vista econômico, o balanço variou de aproximadamente R$ 600,00 no trigo a R$ 1.000,00 na soja. Esses resultados são atribuídos principalmente à formação de uma palhada densa e uniforme, que favorece o estabelecimento e o desenvolvimento das culturas subsequentes, além de melhorar o controle de plantas daninhas, refletindo em maior produtividade e melhor retorno econômico.
Assim, além de ampliar o uso da terra e contribuir para a redução das populações de plantas daninhas nas áreas agrícolas, o cultivo de espécies de cobertura atua indiretamente no aumento da produtividade das culturas sucessoras, elevando a rentabilidade do sistema de produção. A formação de palhada melhora o crescimento e o desenvolvimento das culturas agrícolas e, simultaneamente, reduz a necessidade de intervenções para o controle de plantas daninhas.
Referências:
ANTUNES, J. M. COBERTURA DO SOLO NO MANEJO DE PLANTAS DANINHAS. Embrapa News, 2025. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/102984643/cobertura-do-solo-no-manejo-de-plantas-daninhas#:~:text=00%20por%20hectare.-,O%20trigo%20cultivado%20ap%C3%B3s%20o%20nabo%20apresentou%20incremento%2C%20em%20rela%C3%A7%C3%A3o,ressalta%20o%20pesquisador%20Leandro%20Vargas. >, acesso em: 09/12/2025.
CARLOS, J. A. D.; COSTA, J. A.; COSTA, M. B. ADUBAÇÃO VERDE: DO CONCEITO À PRÁTICA. Série Produtor Rural – nº 30, Piracicaba, 2006. Disponível em: < https://ciorganicos.com.br/wp-content/uploads/2017/10/Adubacao-Verde-do-conceito-a-pratica-USP-CI-Organicos-OrganicsNet.pdf >, acesso em: 09/12/2025.
SKORA NETO, F. MANEJO SUSTENTÁVEL DE PLANTAS DANINHAS: FUNDAMENTOS PARA UM SISTEMA DE PLANTIO DIRETO SEM HERBICIDA. IDR-Paraná, 2022. Disponível em: < https://www.idrparana.pr.gov.br/Pagina/L18 >, acesso em: 09/12/2025.
YAMASHITA, O. M.; GUIMARÃES, S. C. EMERGÊNCIA DE PLÂNTULAS DE CONYZA CANADENSIS E Conyza Bonariensis EM SOLO COBERTO COM PALHA DA CULTURA DE MILHO. Evidência, 2015. Disponível em: < https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/8814611.pdf >, acesso em: 09/12/2025.
ZIECH, A. R. D. et al. PLANTAS DE COBERTURA DO SOLO NA MELHORIA DO SISTEMA PLANTIO DIRETO. Revista Plantio Direto, Ed. 141, 2014. Disponível em: < https://plantiodireto.com.br/edicoes?page=5 >, acesso em: 09/12/2025.

Sustentabilidade
Preço da soja no Brasil não resiste à nova queda de Chicago: veja as cotações

O mercado brasileiro de soja teve mais uma sessão de pouca movimentação, com negócios pontuais e ritmo lento tanto nos portos quanto no mercado interno.
De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, o cenário segue marcado pela cautela dos agentes e pelas cotações enfraquecidas.
Ao longo do dia, o analista menciona que a Bolsa de Chicago operou em queda, enquanto os prêmios não conseguiram compensar o movimento recente de baixa. "As ofertas continuam depreciadas em termos de valor", acrescenta.Nos portos, o ritmo seguiu limitado, assim como no mercado doméstico. Segundo Silveira, o ambiente também é influenciado pela expectativa em torno do próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Todo mundo está esperando os números da próxima semana, que serão divulgados na próxima terça-feira, dia 12”, resume.
Preços médios da saca de soja
- Passo Fundo (RS): R$ 122,50
- Santa Rosa (RS): R$ 123,50
- Cascavel (PR): recuou de R$ 118,50 para R$ 118
- Rondonópolis (MT): R$ 107,50
- Dourados (MS): R$ 110,50
- Rio Verde (GO): caiu de R$ 109,50 para R$ 109
- Porto de Paranaguá (PR): baixou de R$ 128,50 para R$ 128
- Porto de Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 128,50
Bolsa de Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quinta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), mas acima das mínimas do dia.
Silveira pontua que o comportamento de outros mercados, principalmente do petróleo, foi determinante para as oscilações da soja, em dia de muita volatilidade e de ajustes.
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O petróleo iniciou o dia com fortes perdas, mas reduziu a retração na parte da tarde, chegando até mesmo a operar no território positivo.
“Tudo gira em torno das negociações entre Irã e Estados Unidos em busca de uma solução para o conflito no Oriente Médio. A falta de novidades trouxe certo ceticismo ao mercado”, relata o analista.
Contratos futuros

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 2,50 centavos de dólar, ou 0,2%, a US$ 11,92 1/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,86 3/4 por bushel, com retração de 2,25 centavos de dólar ou 0,18%.Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 1,60 ou 0,50% a US$ 318,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 74,15 centavos de dólar, com perda de 0,87 centavo ou 1,15%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,05%, sendo negociado a R$ 4,9222 para venda e a R$ 4,9202 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,8954 e a máxima de R$ 4,9304.O post Preço da soja no Brasil não resiste à nova queda de Chicago: veja as cotações apareceu primeiro em Canal Rural.
Sustentabilidade
Colheita do arroz alcança 96,41% da área cultivada no RS – MAIS SOJA

A colheita do arroz no Rio Grande do Sul atingiu 96,41% da área cultivada nesta primeira semana de maio. O levantamento foi realizado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e divulgado nesta quinta-feira (7/5).
Do total de 891.908,50 hectares destinados ao cultivo na safra 2025/2026, a maior parte das lavouras já foi colhida, consolidando o avanço dos trabalhos nas principais regiões produtoras do Estado.
As regionais da Zona Sul e da Planície Costeira Externa lideram os índices de colheita e estão mais próximas do encerramento das operações, com 98,81% e 98,46% das áreas colhidas, respectivamente.
Na sequência aparecem a Planície Costeira Interna, com 98,13%; a Campanha, com 97,02%; a Fronteira Oeste, com 95,92%; e a Região Central, que registra 89,84% da área colhida.
De acordo com a Divisão de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater/Irga), ao término da colheita será realizado um levantamento consolidado da safra, contemplando dados de área colhida, produtividade e possíveis perdas registradas durante o ciclo produtivo.
Fonte: IRGA
Autor:IRGA
Site: IRGA
Sustentabilidade
Cenário climático reforça a importância do planejamento agrícola – MAIS SOJA

Em comparação a março, abril apresentou redução no volume de chuvas, especialmente na região central do Brasil, afetando diretamente a disponibilidade de água no solo. Conforme o Boletim do Sistema TempoCampo/Esalq de maio de 2026, embora grande parte do território nacional, com destaque para a região Norte, ainda apresente elevada umidade no solo, a região central registrou redução no volume de água armazenado durante o mês de abril (Figura 1).
Figura 1. Armazenamento de água no solo, meses de março e abril de 2026 (atualização 05 de maio de 2026).
Apesar da redução observada, o cenário ainda não caracteriza, na maior parte das regiões produtoras do país, condições críticas ao desenvolvimento das culturas agrícolas. Para a primeira quinzena de maio, as projeções climáticas indicam continuidade das maiores precipitações sobre a região Norte e faixa litorânea do Nordeste, situação que demanda atenção devido aos elevados volumes de chuva já registrados nessas áreas.
Segundo o INMET, para o trimestre maio-julho-julho, a previsão é de precipitações dentro da média climatológica na região central do Brasil, enquanto as regiões Norte e Sul tendem a registrar chuvas dentro ou ligeiramente acima da média (Figura 2).
Figura 2. À esquerda: precipitação total prevista para o trimestre maio-julho-julho de 2026. À direita: Anomalias de precipitação para o trimestre maio-julho-julho de 2026. INMET (06 de Maio de 2026).

Ainda que previsões a longo prazo possam apresentar grande incerteza, para o mês de junho, caso as projeções climática se concretize, de acordo com as previsões de anomalia das precipitações, são esperadas chuvas dentro da média e/ou ligeiramente acima da média para o período, na maioria das regiões do país.
Fenômenos ENSO
Com divergência entre modelos climatológicos, a intensidade do Fenômeno El Niño ainda é indefinida. No entanto, a ocorrência desse fenômeno é esperada, havendo concordância entre a maioria dos modelos quanto a ocorrência do El Niño (figura 3) com mais de 90% de probabilidade de ocorrência desse fenômeno a partir do trimestre setembro-outubro-novembro (figura 4).
Figura 3. Modelos de previsão ENSO para abril de 2026.


Figura 4. Previsão oficial de probabilidade do CPC ENSO.

Por outro lado, a intensificação do El Niño, especialmente a partir do trimestre agosto-setembro-outubro, poderá influenciar o estabelecimento e o desenvolvimento das culturas agrícolas, impactando as operações no campo. Diante disso, o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas e dos prognósticos climáticos será fundamental para o ajuste das estratégias de manejo e do planejamento das áreas de cultivo.
Confira abaixo o boletim completo do sistema TempoCampo/ESALQ de maio de 2026.
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Referências:
INMET. CLIMA. Instituto Nacional de Meteorologia, 2026. Disponível em: < https://clima.inmet.gov.br/progp/0 >, acesso em: 07/05/2026.
IRI. ENSO FORECAST. Columbia Climate Schol International Research Institute for Climate and Society, 2026. Disponível em: < https://iri.columbia.edu/our-expertise/climate/forecasts/enso/current/ >, acesso em: 07/05/2026.

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