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18 de maio de 2026

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Tipologia no CAR: quando o mapa não reflete a realidade da fazenda

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A divergência entre a tipologia vegetal registrada no mapa e a realidade encontrada em campo tem desafiado produtores na hora de atualizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em Campos de Júlio, a diferença entre biomas e dados oficiais colocam em pauta a importância de corrigir informações para garantir a regularização ambiental.

A natureza não reconhece fronteiras fixas. Em regiões como o oeste de Mato Grosso, árvores altas e vegetação mais baixa se misturam em um mesmo cenário — o chamado ecótono, área de transição natural entre biomas. Foi justamente essa característica que colocou à prova a regularização da Fazenda Guadagnin, em Campos de Júlio, onde o produtor Jonathan Ferrari Guadagnin se deparou com divergências no CAR.

Jonathan é a terceira geração à frente da propriedade adquirida pela família na década de 1990. Dos 1.525 hectares totais, 300 hectares já estão destinados ao cultivo de soja e milho. O restante permanece em área nativa, mas a energia da nova geração impulsiona planos de ampliar a produção — e, por isso, parte dessas áreas deve ganhar novos usos no futuro.

“Tudo começou quando a gente teve o entendimento de entrar com uma PEF [projeto de exploração florestal] para fazer uma abertura. (…) Quando a gente contratou o engenheiro, a gente viu que tinha uma divergência do que realmente é no campo com o que está no sistema. Então, aonde a nossa área estava como Floresta no sistema, quando a gente vem ao campo visitar, a gente via que ela é um Cerrado”, diz o produtor ao programa MT Sustentável.

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Após o levantamento técnico e a vistoria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), a área foi retificada e identificada corretamente como Cerrado. Mas outro trecho da fazenda revelou o contrário: o sistema indicava Cerrado, mas o campo mostrava presença de espécies típicas de Floresta.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A base de dados e o desafio técnico

De acordo com a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, o problema está na origem das informações utilizadas pelo sistema, que apoia em informações do projeto Radam Brasil.

“O Radam Brasil é muito antigo. A precisão de imagens dele é um para um milhão de pixel de imagens. Nós estamos pedindo, fizemos uma tentativa na Assembleia Legislativa de mudar de Radam Brasil para IBGE, que é mais atualizado, é mais recente e ele usa imagens de um para 250.000”, explica.

Luciane frisa que a mudança pode facilitar a identificação da tipologia e reduzir erros. “Tem áreas que hoje estão Cerrado e que lá no Radam Brasil como Cerrado elas estão equivocadas. Nós estamos solicitando essa mudança do Radam Brasil para o IBGE. As tratativas ainda estão na Assembleia Legislativa”.

O engenheiro florestal e analista da Sema, Sílvio Eduardo de Oliveira Thomas, detalha como é feita essa diferenciação no campo. “Primeiro, a gente vê os indivíduos, as espécies arbóreas que têm no local. Porque existem espécies que elas são adaptadas à vegetação de Cerrado e outras que são de Floresta. Então, a gente tem que fazer esse levantamento”.

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Ele salienta que a densidade e o porte da vegetação também são determinantes. “Se ela for mais densa, com porte entre 20 e 60 metros, ela pode ser uma vegetação de Floresta. Agora, se for uma vegetação mais raleada, menos densa, com altura entre 6 e 10 metros, ela tem característica de Cerrado”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Entre custos, laudos e responsabilidades

Para corrigir o CAR, Jonathan precisou contratar uma equipe especializada e reforça a importância de contar com profissionais qualificados. “Ele é um pouco moroso, exige que se tenha uma equipe muito profissional, que saiba o que está fazendo, né? (…) Tudo começa aí, na escolha de um profissional que sabe com o que está trabalhando para que seja assertivo”.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, reconhece que o processo pode representar um custo elevado, especialmente para pequenos produtores.

“Para essa situação nós não temos solução que desonere o produtor de apresentar um laudo de tipologia”, afirma ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Conforme ela, a responsabilidade técnica é do proprietário. “As bases de referência que nós temos apontam uma tipologia padrão aplicada pelo órgão. Para que eu possa modificar uma base de referência prevista legalmente, eu preciso de dados técnicos que subsidiem. (…) A a nossa Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf), tem criado alternativas com estudos regionais, inclusive em assentamentos rurais e pequenas propriedades, com o suporte do órgão estadual”.

MT Sustentável CAR Tipologia foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mutirões, dados e cooperação pelo CAR

Hoje, a fazenda Guadagnin já está com 80% do processo resolvido. “É questão de montar o campo para fazer a vistoria, aprovar essa tipologia que falta e então entrar com a solicitação do PEF. Se for pegar uma cronologia do nosso procedimento, estamos com 80% resolvido”, diz Jonathan.

Luciane Bertinatto reforça que o produtor precisa acompanhar de perto o processo. “O proprietário precisa entender do CAR como ele entende da comercialização da sua propriedade. (…) Entender do CAR é fundamental para a sobrevivência daquela propriedade. Uma coisa não se desvincula da outra”.

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Ela destaca ainda os mutirões realizados pela Sema para acelerar as validações, mas que ainda observam carta resistência dos donos das áreas. “A gente vê uma resistência muito grande do produtor de entender o problema da propriedade dele. (…) O que nós estamos dizendo com o mutirão é: produtor, venha conversar conosco. Olhe a sua propriedade. É você que vai tomar a decisão”.

A atuação conjunta também chega pelo setor produtivo. O vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso, Luiz Pedro Bier, explica à reportagem que a entidade está mapeando os principais gargalos do processo.

“Nós conseguimos coletar as informações, os principais problemas, dividir por região do estado, saber quais são os problemas mais corriqueiros em determinadas regiões. Com isso conseguimos nortear as decisões e pressionar a Sema para soluções específicas nos pontos determinados onde a gente tem problema”.

Para ele, decisões baseadas em dados são o caminho para destravar avanços. “Existe toda uma coleta de dados, eu acho que é tomar decisões baseado em fatos e dados e não simplesmente achar que algo é o caminho mais acertado para uma solução definitiva”.

+Confira mais notícias do programa MT Sustentável – Especial CAR Digital 2.0


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Terras agrícolas disparam em Santa Catarina com avanço da soja e do arroz

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Foto: Vlamir Brandalizze/ Arquivo pessoal

O mercado de terras agrícolas em Santa Catarina seguiu aquecido em 2025, refletindo o desempenho da agropecuária no estado. Levantamento da Epagri/Cepa aponta valorização dos imóveis rurais, principalmente nas áreas com maior aptidão produtiva e forte presença de culturas como soja e arroz.

As terras de primeira categoria, consideradas as mais produtivas, registraram os maiores valores. Em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare. Já as várzeas sistematizadas, usadas principalmente para a produção de arroz, também apareceram entre as áreas mais valorizadas. Em Turvo, no Sul do estado, o valor médio alcançou R$ 164 mil por hectare.

Na outra ponta, ficaram as áreas com restrições produtivas. As terras de segunda categoria tiveram média de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis. Já as terras de terceira categoria, marcadas por maior declividade, foram avaliadas em R$ 19,75 mil por hectare em Calmon.

O levantamento ainda mostrou que o campo nativo teve valor médio de R$ 19,91 mil por hectare em Lages. As áreas destinadas à servidão florestal ou reserva legal registraram os menores preços, chegando a R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.

Segundo a Epagri/Cepa, as diferenças refletem as características produtivas e econômicas de cada região. Além da aptidão agrícola, fatores como pressão urbana, turismo e legislação ambiental também influenciam diretamente o valor das terras no estado.

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O estudo é realizado desde 1997 e acompanha os preços médios das terras agrícolas em diferentes municípios catarinenses. Os dados são divulgados no Observatório Agro Catarinense e servem de base para estudos técnicos, políticas públicas e referências usadas por produtores e prefeituras.

Como o levantamento é feito

A coleta das informações ocorre entre outubro e janeiro e considera apenas o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho envolve técnicos da Epagri/Cepa em todas as regiões do estado.

As informações são obtidas com imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, cartórios, associações de produtores e órgãos públicos. Para cada município e classe de terra, ao menos três fontes são consultadas.

De acordo com a analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, os dados passam por validação estatística antes da divulgação. O estudo considera preços mínimos, máximos e os valores mais praticados em cada localidade.

A Epagri/Cepa ressalta, porém, que os números têm caráter referencial e não devem ser usados como parâmetro único em negociações ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, qualidade do solo e topografia podem provocar grandes diferenças dentro do mesmo município.

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Agro forte sustenta valorização

A valorização das terras acompanha o avanço da agropecuária catarinense. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado cresceu, em média, 4,3% ao ano em termos reais.

Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% na comparação com 2024. A pecuária respondeu por 58% da receita gerada no campo, enquanto os grãos vieram na sequência. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do valor produzido.

Segundo a Epagri/Cepa, o desempenho da soja ajudou a puxar os preços das terras de primeira e segunda categorias no Oeste e no Planalto Norte. Já no litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também contribuiu para a valorização.

As áreas de servidão florestal e terras de terceira categoria também registraram avanço nos preços, influenciadas pelo turismo rural e pelas regras ambientais. Nas várzeas usadas para arroz, a valorização foi impulsionada pela alta do cereal nos últimos anos e pelo modelo de arrendamento, predominante em boa parte da área cultivada no estado.

*Com informações da assessoria de imprensa

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Projeção de boa safra pressiona cotações do milho, diz Cepea

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Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.

Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.

Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Aplicativo GuardeÁgua terá capacitação em nove estados do Semiárido

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) iniciam nesta terça-feira (19) uma série de oficinas sobre o aplicativo GuardeÁgua em nove estados do Semiárido. A ferramenta foi desenvolvida para identificar áreas apropriadas à construção de barragens subterrâneas, tecnologia usada para retenção de água no solo e apoio à produção agropecuária em regiões de baixa disponibilidade hídrica. A ação tem aporte financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

As primeiras capacitações ocorrerão no Rio Grande do Norte, em Santa Maria (RN), e na Paraíba, em Esperança (PB), das 8h às 17h. Também estão previstos treinamentos na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas. No caso de Pernambuco e Alagoas, o material divulgado informa que ainda há data e, em Alagoas, também cidade a definir.

Lançado em dezembro de 2025, o GuardeÁgua foi desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA. O aplicativo está disponível para Android e também tem versão web. Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, a ferramenta pode ser usada em campo mesmo sem internet, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.

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De acordo com a Embrapa, a análise considera informações de solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir desses dados, o sistema classifica a área como “Apto”, “Restrito” ou “Inapto” para a implantação da barragem subterrânea. O usuário também pode baixar um relatório em PDF com a justificativa técnica do resultado.

A barragem subterrânea utiliza lona plástica de 200 micras instalada em valas com profundidade entre 1,5 metro e 6 metros, em áreas agrícolas de declive suave. A estrutura retém a água da chuva no perfil do solo, mantendo a umidade por vários meses. Isso permite cultivo por mais tempo, além de apoio à pequena irrigação e à dessedentação animal, conforme a necessidade da propriedade.

As oficinas terão parte teórica e atividades práticas em unidades de produção familiar. Além da seleção de áreas, o aplicativo reúne orientações gerais sobre manejo conservacionista do solo, uso da água, cultivos e acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar o uso da ferramenta por técnicos e agricultores como apoio à implantação de barragens subterrâneas no Semiárido. Como a agenda desta etapa não inclui Espírito Santo e Maranhão, a cobertura do treinamento permanece restrita aos estados com metas previstas no contrato firmado no âmbito do Programa Cisternas.

Fonte: embrapa.br

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