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Produtores de soja pressionam por “Agenda Tropical Soberana” para a COP30

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) lançaram nesta quinta-feira (6), no Senado, a Carta-Manifesto dos Produtores de Soja para a COP30. O documento de 27 páginas cobra o protagonismo do Brasil na Conferência do Clima da ONU (COP30), que acontecerá em Belém, e propõe uma agenda climática soberana, baseada na ciência tropical e no desenvolvimento.
O manifesto alerta que o debate global sobre o clima tem ignorado o papel de países tropicais como o Brasil, o único grande produtor de alimentos que combina alta produtividade com conservação ambiental e geração de energia renovável em larga escala. Para as entidades, essa desconexão abre espaço para o que chamam de “neocolonialismo ambiental”.
Principais propostas para a agenda climática
O documento detalha as ações que o Brasil, sede da COP30, deve liderar para mudar o foco do debate global.
Entre as principais propostas está a criação de um Sistema Nacional de Métricas e Padrões Tropicais. Este sistema deverá articular instituições como Embrapa e INPE para produzir metodologias de medição de carbono e de produção compatíveis com os ciclos tropicais e com os sistemas de produção integrada do país. Em paralelo, as duas entidades sugerem que o país lidere a criação de um Fórum Internacional de Agricultura e Clima Tropical para formular métricas e parâmetros comuns que deem voz científica aos trópicos.
Outro ponto central é a revisão da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), a meta brasileira de redução de gases de efeito estufa. As entidades defendem que a nova meta seja submetida ao crivo do Parlamento, refletindo a proporção da responsabilidade do país.
“O Brasil responde por apenas 2,47% das emissões globais, contra 28% da China e até 15% dos EUA. As metas nacionais precisam refletir essa proporção e ser tratadas como política de Estado, não de um grupo de interesse particular”, afirma um trecho da Carta.
Alerta contra barreiras comerciais e ônus
O manifesto argumenta que 75% do aquecimento global decorre da queima de CO2, sendo que 87% deste total é fruto da queima de combustíveis fósseis. No entanto, as negociações internacionais têm se voltado cada vez mais para o uso da terra em países tropicais, o que, para os produtores, é uma distorção.
As entidades apontam que padrões unilaterais, como o Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM), assim como certificações privadas, impõem custos adicionais de 15% a 20% ao produtor brasileiro. Isso distorce a concorrência e enfraquece a cooperação, reforçando a tese do “neocolonialismo ambiental”.
Segundo a Carta, esses padrões e certificações surgem como “uma ameaça de neocolonialismo ambiental que transfere o ônus da transição verde aos trópicos”.
Diretrizes para a soberania nacional
O documento estabelece as diretrizes para uma agenda tropical, resumidas em três pilares: Verde como Valor, Clima como Desenvolvimento e Soberania como Caminho.
Em “Verde como Valor”, a proposta é incorporar as áreas preservadas nas fazendas (reservas legais, APPs) como ativos ambientais à economia, promovendo pagamentos por serviços ambientais (PSA), mercados de carbono tropicais e crédito verde.
No pilar “Clima como Desenvolvimento”, a tese é que, nos trópicos, o maior risco ambiental é a pobreza. O clima deve, portanto, ser tratado como agenda de desenvolvimento, gerando investimento, renda e inclusão.
Já “Soberania como Caminho” defende que o Brasil deve definir suas próprias metas e metodologias, respeitando a legislação nacional (Congresso Nacional, Código Florestal e Constituição Federal), e não ser mero executor de regras externas.
Oportunidade na COP30
O documento define o Brasil como peça central na solução climática global, destacando os Eixos Estratégicos que posicionam o país como líder em sustentabilidade: Segurança Alimentar, Segurança Energética, Ciência Tropical e Governança e Produtivismo Verde.
O manifesto aponta o Brasil como ativo geopolítico do século XXI no combate à fome, já que o país tem o maior potencial de expansão sustentável do planeta. Com cerca de 100 milhões de hectares de pastagens em algum grau de degradação, a meta de recuperar 40 milhões de hectares até 2035 pode elevar a produção agrícola em 25%. Além disso, o agro já responde por 32% da matriz energética nacional, integrando produção de alimentos e geração de energia renovável (etanol, biodiesel, biogás e solar).
O professor Fundação Getúlio Vargas (FGV/Rio), Daniel Vargas, que contribuiu com o documento, ressaltou que a COP30 é o palco ideal para essa mudança de narrativa.
“A COP30, em Belém, é a oportunidade histórica de o Brasil liderar uma nova agenda global. O país reúne os elementos que o mundo precisa: ciência sólida, matriz energética limpa e agricultura eficiente. É capaz de provar que é possível crescer reduzindo emissões, produzir conservando e gerar prosperidade com inclusão”, destacou Daniel Vargas, que estará no debate Agrizone COP 30.
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Demanda aquecida e compras da China impulsionam soja acima de R$ 120 em Mato Grosso

Os preços da soja disponível em Mato Grosso ganharam força nas últimas semanas e voltaram a superar a marca de R$ 120 por saca. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), a valorização é reflexo da combinação entre a demanda aquecida, o aumento do esmagamento e a alta das cotações no mercado internacional.
Durante o primeiro semestre de 2026, as indicações da oleaginosa permaneceram praticamente estáveis, variando, em sua maioria, entre R$ 100 e R$ 110 por saca. No entanto, nos últimos dias, os preços romperam a barreira dos R$ 120, registrando ganho semanal de R$ 6,10 por saca, o maior avanço para o período desde 2021.
Com isso, o indicador da soja disponível encerrou a última semana na média de R$ 121,68 por saca, valor R$ 7,40 superior ao registrado em julho de 2025.
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Segundo o Imea, parte da valorização é típica do período de entressafra, quando a oferta diminui. Porém, a intensidade da alta neste ano reforça o cenário de forte demanda pela oleaginosa. Um dos fatores é o aumento de 4,53% no esmagamento de soja no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além do mercado interno, o cenário internacional também contribuiu para a sustentação dos preços. O instituto destaca que o aumento das compras de soja norte-americana pela China impulsionou as cotações globais da commodity, movimento que também favoreceu o mercado brasileiro.
Diante desse cenário, a expectativa do Imea é de que os preços da soja permaneçam fortalecidos ao longo da entressafra, sustentados pela demanda aquecida e pelo ambiente positivo no mercado internacional.
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USDA aponta piora nas condições de milho e soja nos Estados Unidos

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta segunda-feira (27) que as condições das lavouras de milho e soja no país pioraram na comparação semanal. No milho, 63% da safra estava em condição boa ou excelente até o último domingo (26), queda de 4 pontos porcentuais. Na soja, o índice também ficou em 63%, com recuo de 3 pontos porcentuais.
No caso do milho, o percentual de lavouras em condição boa ou excelente ficou abaixo dos 73% registrados no mesmo período do ano passado. O USDA informou ainda que 78% da safra havia formado espiga, acima dos 73% de um ano antes e dos 74% da média dos cinco anos anteriores. Além disso, 25% das lavouras estavam na fase de formação de grãos, ante 24% no ano passado e 22% na média quinquenal.
Para a soja, o levantamento mostrou queda semanal de 3 pontos porcentuais na avaliação de boa ou excelente, para 63%. Há um ano, esse percentual era de 70%. O relatório também indicou que 80% da safra havia florescido, acima dos 74% observados no mesmo período do ano passado e também da média de cinco anos. Já a formação de vagens alcançou 47%, contra 39% no ano passado e na média histórica.
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No trigo de inverno, a colheita chegou a 81%, resultado superior aos 79% verificados há um ano e também acima da média de cinco anos, igualmente em 79%.
Em trigo de primavera, 53% da safra apresentava condição boa ou excelente, sem mudança em relação à semana anterior. Um ano antes, o percentual era de 49%. O USDA informou ainda que 92% da safra havia perfilhado, ante 91% no ano passado e 93% na média de cinco anos. A colheita atingia 2%, em linha com a média histórica e acima de 1% registrado no mesmo período de 2025.
Para o algodão, 46% da safra estava em condição boa ou excelente, avanço de 1 ponto porcentual na semana. No mesmo período do ano passado, a parcela era de 55%. Segundo o USDA, 81% das lavouras estavam florescendo, ante 79% há um ano e 81% na média quinquenal. A formação de maçãs alcançou 45%, frente a 42% no ano passado e em linha com a média dos cinco anos.
O relatório semanal do USDA mostrou piora nas condições de milho e soja nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que indicou avanço no desenvolvimento das lavouras e no ritmo da colheita do trigo de inverno.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Cerrado Mineiro mantém certificação de 420 mil sacas de café na safra 2025/26

A Região do Cerrado Mineiro encerrou a safra de café 2025/26 com 419,9 mil sacas certificadas pela Denominação de Origem (DO), segundo a Federação dos Cafeicultores do Cerrado. O resultado mantém o nível alcançado em 2024/25, quando a certificação subiu para cerca de 420 mil sacas, após ciclos em que o volume girava em torno de 150 mil sacas até 2022/23.
Para a federação, o desempenho consolida uma nova escala para a certificação de origem na região. Em nota, o diretor executivo da entidade, Juliano Tarabal, afirmou que o avanço reflete o amadurecimento do sistema e o reconhecimento da origem como diferencial competitivo, além da confiança de produtores, cooperativas e compradores.
No mercado externo, a Europa recebeu 132,2 mil sacas na safra 2025/26 e respondeu por 68,5% do volume internacional. A América do Norte ficou com 22%, seguida por Ásia, com 3,8%, Oriente Médio, com 3,3%, e Oceania, com 2,4%. Itália, Estados Unidos, Polônia, Reino Unido e Espanha lideraram o ranking por país e concentraram 61,3% dos cafés certificados enviados ao exterior.
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A base de rastreabilidade registrou 279 compradores ao longo da safra. O maior deles respondeu por 7,7% do volume total, enquanto os 20 principais concentraram 68,5%. Segundo a federação, esse acompanhamento permite monitorar o percurso do café certificado ao longo da cadeia.
As cooperativas filiadas à Federação dos Cafeicultores do Cerrado concentraram a maior parte das certificações no período. Entre elas estão Expocacer, Carpec, monteCCer, Coopadap, Carmocer e Coocacer Araguari. Também integram o sistema exportadores credenciados como Cafebras, NKG Stockler, Sucafina, Volcafe, Nucoffee, Dreyfus e Veloso Green Coffee.
A conexão com o consumidor final também avançou, com cerca de 10 milhões de selos da Denominação de Origem aplicados em embalagens de café comercializadas no Brasil e no exterior, alcançando consumidores em mais de 50 países. A federação atribuiu esse resultado principalmente à parceria com a illycaffè.
Para a safra 2026/27, a Federação dos Cafeicultores do Cerrado e as cooperativas filiadas estabeleceram a meta de certificar pelo menos 600 mil sacas com Denominação de Origem, volume 42,9% superior ao ciclo encerrado em junho. A Região do Cerrado Mineiro, primeira Denominação de Origem de cafés do Brasil, reúne cerca de 4.500 produtores em 55 municípios.
Fonte: Estadão Conteúdo
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