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Empresa transforma borra de café em biomassa e cria projeto de crédito de carbono

A borra de café, um dos resíduos mais comuns do dia a dia, ganhou um novo destino sustentável nas mãos do corretor de proteína animal Luiz Zolet. Durante a pandemia da covid-19, ele desenvolveu um projeto inovador que transforma o resíduo em biomassa em forma de pellets, produto que pode substituir a lenha e gerar créditos de carbono.
A ideia surgiu em 2019, no Paraná, e deu origem à Bricoffee, empresa criada oficialmente em março de 2022. O projeto faz parte de um movimento crescente no país em busca de soluções sustentáveis e alternativas energéticas com menor impacto ambiental.
Do lixo ao combustível limpo
A inspiração para o negócio veio de forma inusitada. Ao recolher o lixo de uma vizinha, Zolet percebeu que a borra de café, após seca, ainda tinha potencial de reaproveitamento. A partir daí, começou uma série de testes e pesquisas para entender como transformar o resíduo em algo útil.
“Cerca de 8 mil toneladas de borra de café são descartadas todos os dias no Brasil. É um volume muito grande para ter como destino apenas o aterro sanitário”, explica Zolet.
Depois de tentativas frustradas de separar o óleo do resíduo, um processo que se mostrou economicamente inviável , o empresário descobriu que a borra poderia ser utilizada para a produção de pellets, também conhecidos como lenhas ecológicas.
Com apoio de uma incubadora de empresas e incentivo financeiro do governo do Paraná, a Bricoffee iniciou a fabricação da biomassa a partir da borra de café instantâneo. O produto é destinado a indústrias, comércios e residências, substituindo a lenha tradicional e reduzindo o desmatamento.
“A decomposição da borra de café leva de 50 a 60 dias. Com os pellets, tiramos do meio ambiente um passivo ambiental e o transformamos em biocombustível limpo”, destaca o fundador.
Patente e expansão
Em 2022, a Bricoffee registrou pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com base na inovação do processo de peletização e extrusão do resíduo.
Segundo Zolet, o método permite o reaproveitamento de subprodutos agrícolas, agroindustriais e florestais, resultando em um combustível sólido de alto poder calorífico, superior ao de madeiras como pinus e eucalipto.
Em agosto de 2024, a empresa transferiu sua sede para Varginha (MG), cidade reconhecida pela forte produção de café. A mudança tem o objetivo de facilitar o acesso à matéria-prima, já que o volume necessário para produção é alto e a região concentra grandes fornecedores.
Atualmente, a Bricoffee tem capacidade de produzir 12 toneladas de pellets por dia. O plano, segundo Zolet, é expandir a estrutura e instalar uma nova linha de produção até junho de 2026, elevando a capacidade para 25 toneladas diárias.
“Nossa expectativa é reduzir de forma significativa os resíduos de café e ampliar a geração de energia limpa. Queremos mostrar que inovação e sustentabilidade podem andar juntas”, afirma.
Energia limpa e economia circular
Os pellets produzidos pela Bricoffee têm aplicação em fornos industriais, aquecimento de aviários, hotéis, clubes e residências. Por substituir a lenha convencional, o produto ajuda a evitar o desmatamento e se insere em um modelo de economia circular, em que resíduos se transformam em novas fontes de valor.
A iniciativa também reforça o papel do Brasil no mercado de créditos de carbono, um sistema de incentivo criado em 1997 para estimular práticas sustentáveis.
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‘Não é fácil, mas é possível B16 ainda em 2026’ diz presidente da Aprobio

No setor de biocombustíveis, existe a consciência de que não será fácil que o governo federal teste e aprove a elevação da mistura do biodisel no diesel de 15% (B15) para 17% (B17) ainda em 2026. A constatação é do presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen.
Ele espera, no entanto, que a disponibilidade do setor ao governo federal para viabilizar a fase de testes da elevação em laboratórios, por meio de articulação institucional e investimento financeiro, seja capaz de validar ao menos um meio termo: a mistura de 16% (B16) aprovada ainda em 2026.
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A expectativa do dirigente da associação se dá num momento em que o secretário substituto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marlon Arraes, indicou o início dos testes de aumento de mistura de biodiesel ao diesel a partir de maio. O custo dos ensaios deverá ser de R$ 8 milhões.
“O Ministério tem o empenho e conta com o início dos testes em maio. Queremos e precisamos fazer com que os testes sejam iniciados o mais rapidamente possível. Estamos fazendo gestão para que tenhamos o cronograma já iniciado em maio”, afirmou o ministro, durante evento setorial na quinta-feira (23).
Segundo Arraes, os testes vão verificar o comportamento tanto dos motores, quanto do diesel com teores maiores do biocombustível e vão dar segurança para avançar na mistura no Brasil.
Os ensaios testarão as misturas de 20% e de 25% do biodiesel no diesel, como determinado na Lei do Combustível do Futuro. No atual entendimento do Ministério, um aumento da mistura obrigatória para 16% ou 17%, por exemplo, depende da validação dos testes com mistura de 20%.
A indústria de biodiesel já defendeu formas simplificadas de realizar os testes, inclusive ensaios com teores menores de 20%, mas as propostas não foram aceitas pela pasta.
Arraes afirmou que os testes serão concluídos “no menor espaço de tempo possível”. Pelo cronograma, se os ensaios começarem mesmo em maio, a conclusão deverá ocorrer em fevereiro de 2027. Nas contas setoriais, os testes podem ser realizados em cerca de 5 meses.
Se, de fato, começarem em maio, seriam finalizados às vésperas das eleições presidenciais, nas contas do setor. Será um momento político em que, geralmente, colocam-se em destaque pautas mais populistas, como benefícios sociais, e deixam-se de lado debates mais técnicos e setoriais, como a mistura.
Ainda assim, segundo Goergen, o setor segue confiante. “A Aprobio vai trabalhar para isso, mas há um reconhecimento da dificuldade”, afirmou ele ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
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Terras para estrangeiros: decisão do STF reduz compradores, avalia advogado

Após décadas de idas e vindas jurídicas, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (23), por unanimidade, que empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro precisam, sim, seguir as restrições para a compra e arrendamento de terras no país.
Para o tributarista Eduardo Diamantino, sócio do Diamantino Advogados Associados, o cenário é de pé no freio para novos negócios imobiliários. Ele conversou com o Canal Rural para analisar o que essa decisão significa, na prática, para quem investe e produz.
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Quem pode ser dono de terra?
O ponto central da questão, segundo o especialista, está na validade da Lei de 1971, que o STF acaba de confirmar como constitucional. Para Diamantino, o reflexo é imediato na limitação de quem pode operar no campo.
“O STF entendeu que a limitação é válida. Com isso, empresas com controle externo ficam mais limitadas a partir de agora. Na prática, a decisão restringe quem será produtor rural”, explica.
O advogado lembra que o setor viveu sob a expectativa de uma flexibilização que nunca se consolidou. Se nos anos 1990 o entendimento era de abertura, a postura mudou nos governos seguintes, gerando uma insegurança que o Supremo agora pacifica — mas pelo caminho do rigor.
O impacto no valor da terra
Sobre possíveis efeitos nos financiamentos, Diamantino traz faz uma ressalva importante sobre o mercado de compra e venda.
“Não vejo impacto direto para o financiamento agrícola, afinal, não existe uma compra e venda da terra nessas operações. Agora, o que muda é que diminui o número de compradores de terra no país. A decisão afasta o capital estrangeiro especificamente da compra e venda de imóveis rurais.”
O que acontece com quem já tem terra?
Para as empresas que já possuem áreas rurais e se enquadram nesse perfil de capital estrangeiro, a palavra de ordem é adequação. O STF não deve exigir a entrega imediata das terras, mas o caminho será burocrático.
“As terras detidas por empresas nessas condições devem ter uma regra transitória para se adequarem à nova decisão”, afirma o tributarista.
SRB não vai se manifestar
A decisão vai contra uma ação movida pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), que tentava derrubar essas limitações por entender que elas freavam o desenvolvimento nacional.
Autora da ADPF 342, uma das ações centrais deste julgamento, a entidade argumentava, desde 2015, que as restrições da era militar (Lei 5.709/1971) feriam a Constituição de 1988 e afastavam investimentos essenciais para a modernização do setor.
Procurada pelo Canal Rural, a SRB informou que não vai se manifestar por enquanto.
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Safra de caqui avança no Paraná, que colheu 6,2 mil toneladas e ampliou exportações


A safra de caqui no Paraná entrou no período de maior oferta entre março e junho, com presença mais ampla da fruta no mercado atacadista e no varejo. Segundo dados do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o estado produziu 6,2 mil toneladas em 470 hectares em 2023, com Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 18,2 milhões.
O Paraná ocupa a quinta posição nacional em volume produzido e em VBP na cultura do caqui. A produção está concentrada em núcleos regionais já consolidados. O Núcleo Regional de Curitiba responde por 29,1% do total estadual, seguido por Ponta Grossa, com 21,3%, Cornélio Procópio, com 11,8%, e Apucarana, com 11,4%.
Entre os municípios, Arapoti lidera a colheita paranaense, com 13,6% do volume estadual. Na sequência aparecem Bocaiúva do Sul, com 7,9%, e Porto Amazonas, com 6,2%. De acordo com o Deral, o desempenho da cultura depende de condições climáticas mais estáveis, já que a fruta apresenta sensibilidade tanto à escassez quanto ao excesso de chuva. Nos últimos dez anos, a antracnose também esteve entre os desafios fitossanitários da atividade.
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No cenário nacional, o Brasil produz cerca de 165,3 mil toneladas por ano. Em 2024, o país exportou 460 toneladas de caqui para 34 destinos, com destaque para Países Baixos, Canadá e Estados Unidos. No caso paranaense, as exportações somaram US$ 369 mil em 2025, ante US$ 106 mil em 2024, alta de 248%.
No mercado atacadista, as variedades chocolate, fuyu e taubaté registram movimentação típica de safra. Segundo informações da Seab, o produtor chegou a receber R$ 148,11 por caixa de 20 quilos, enquanto o varejo apresentou recuo de até 21% em relação ao mês anterior. Esse movimento decorre do aumento sazonal da oferta.
Segundo o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Paulo Andrade, a expectativa para os próximos meses é de manutenção de oferta elevada, ainda que oscilações climáticas possam antecipar o ciclo da fruta. A orientação técnica é acompanhar o comportamento da oferta nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa/PR), onde a maior disponibilidade tende a sustentar preços mais competitivos durante o pico da safra.
Fonte: agricultura.pr.gov.br
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