Sustentabilidade
Especialistas debatem custos de produção de soja e milho no Brasil, Argentina e Estados Unidos – MAIS SOJA

Especialistas nacionais e internacionais discutiram os custos de produção de soja e milho no Brasil, Argentina e Estados Unidos e os desafios para a próxima safra de grãos, na quarta (29), durante o evento “Benchmark Agro – Custos Agropecuários 2025”, realizado pela CNA.
O encontro marca o encerramento do Circuito de Resultados do Projeto Campo Futuro 2025 e reuniu entidades, produtores rurais e presidentes de Federações estaduais de agricultura e pecuária para debater competitividade, terceirização para a colheita de grãos, biocombustíveis, tendências e desafios globais.
O primeiro painel do dia teve como tema “Conexão Global: Custos de Grãos e Competitividade no Mercado” e foi conduzido pelo consultor de Mercado da Terra Agronegócios, Enio Fernandes Junior.
Em sua palestra, o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Mauro Osaki, afirmou que a safra 2024/25 de soja foi espetacular em relação à produtividade, que alcançou uma média de 61,7 sacas por hectare nas principais praças monitoradas pelo Campo Futuro.
A margem bruta do grão chegou a US$ 92 toneladas no período, entretanto recuou 63% em comparação às últimas três safras. Mauro destacou que, apesar do bom cenário de produção na maioria dos estados produtores de soja, o Rio Grande do Sul apresentou queda de produtividade e aumento de custo de produção em US$ 127/t.
Já com o milho de segunda safra, a produtividade ficou acima de 7 toneladas por hectare em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul e média de 6,5 ton/ha no Maranhão e Minas Gerais. No Paraná, o resultado atingiu 5,6 toneladas por hectare em razão de geada.
Mauro informou que o custo médio do milho na safra 2024/25 variou entre US$ 140 a 146 por tonelada e a margem bruta das 3 últimas safras recuou 107%.
Argentina – Em seguida, o sócio e diretor executivo da Bedrock Farmland Wealth, Christian Bengtsson, mostrou o cenário de produção, custos e preços de soja e milho na Argentina. Ele pontuou que o país enfrenta desafios com custos associados às taxas de exportação e logística. A soja, por exemplo, paga uma taxa de exportação de 36% e o milho de 9,5%.
“Os impostos sobre exportações representam um fardo pesado para os agricultores”. Segundo ele, custos mais baixos mantêm os agricultores argentinos em atividade, mesmo com os preços menores, devido aos impostos.
Christian ressaltou também o uso de pacote tecnológico, associado ao uso de OGMs (Organismo Geneticamente Modificado), que possibilita aos produtores argentinos obter diferentes preços de soja e milho. A rotatividade das culturas, que permite uma disponibilidade maior de nitrogênio disponível no solo, também foi um ponto levantado pelo especialista.
“A fertilidade do solo e a rotação de culturas tornam a produção argentina menos dependente do uso de fertilizantes”.
Estados Unidos – Já o pesquisador do Agribenchmark em Iowa (EUA), Kelvin Leibold, falou sobre o arrendamento de terras no estado americano e os principais custos com insumos na produção de grãos.
De acordo com dados apresentados, mais de 60% das terras em Iowa são arrendadas, sendo 72% delas arrendamento fixo em dinheiro. Cerca de 100% dos contratos de arrendamento têm duração de um ano e 37% das terras pertencem a pessoas com 75 anos ou mais.
Kelvin disse que o preço da terra em Iowa subiu mais 30 mil dólares por hectare ao longo dos anos. “O último ano dourado do Estado foi em 2010, quando tivemos um aumento na demanda por etanol. Já em 2015 houve diminuição dos lucros e o arrendamento voltou ao normal”.
Sobre os custos de produção de grãos, o pesquisador destacou as sementes, que apresentaram aumento de custo em razão das OMGs. “Precisamos criar novas tecnologias para superar os desafios, já que os custos dos insumos de soja estão aumentando ao longo do tempo e afetando o preço do produto final”.
Painéis – A programação do “Benchmark Agro – Custos Agropecuários 2025” também conta com palestras sobre tendências globais e desafios estratégicos das cadeias de pecuária de corte e de leite e biocombustíveis. Além dos debates, foi lançado um estudo inédito sobre a viabilidade econômica de aquisição ou terceirização de máquinas para a safra de grãos.
Fonte: CNA
Autor:Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Site: CNA
Sustentabilidade
Instabilidade internacional causa aumento no preço de fertilizantes – MAIS SOJA

O mercado mundial de fertilizantes está passando por um período de incertezas. Conflitos internacionais como a guerra entre Rússia e Ucrânia, e as tensões entre EUA e Irã (que resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz) encareceram insumos no mundo todo. “O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, e os utilizados nas lavouras brasileiras, foram os mais afetados”, aponta o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.
Como é o caso da ureia, um dos principais insumos utilizados na cultura do milho, que apresenta um aumento de mais de 50% nos preços desde o início do ano.
De acordo com informativo produzido pela equipe econômica da Aprosoja/MS, Mato Grosso do Sul reduziu bruscamente a importação dos três principais fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio), indicando que o estado está sob cautela diante das condições globais. Informação que se torna preocupante, em um momento em que os produtores se preparam para a próxima safra.
“Segundo dados da Mosaic, cerca de 35% dos fertilizantes necessários para a próxima safra ainda não foram negociados. Esse atraso gera um efeito que encarece os custos logísticos para a movimentação deste insumo, uma vez que a demanda solicitada nos próximos meses será extensa. Além disso, a incerteza faz com que o produtor estruture o seu custo de produção sem possuir uma certeza, o que pode acabar prejudicando a sua produtividade, já que os fertilizantes representam boa parte do custo de produção”, aponta Linneu.
O governo brasileiro assumiu algumas medidas para gerenciar a dependência na importação de fertilizantes, no entanto elas apresentam soluções que terão efeito apenas a médio e longo prazo. A primeira é o avanço do Provert, Projeto de Lei 699/2023, que planeja destinar R$10 bilhões em subsídios para fomentar o setor nacional. A segunda alternativa, é o investimento na retomada e conclusão das fábricas de fertilizantes da Petrobrás, que após a conclusão, deverão produzir cerca de 35% da demanda nacional de ureia.
“Mais do que nunca, faz-se necessário o planejamento e a boa estruturação do custo de produção por parte do produtor para evitar riscos durante a safra”, finaliza o economista.
O estudo completo pode ser acessado clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS
Autor:Carolina Toffanetto (estagiária de Comunicação Aprosja/MS)
Site: Aprosoja MS
Sustentabilidade
Mercado da Soja: Recuperação em Chicago e Alta do Dólar Movimentam Preços no Brasil – MAIS SOJA

O primeiro mês cotado para a soja, em Chicago, perdeu força nos primeiros dias da semana, com o bushel chegando a US$ 11,08 no dia 24. Já no dia seguinte (25) houve forte recuperação, com o fechamento do dia batendo em US$ 11,27/bushel, contra US$ 11,22 uma semana antes. O anúncio de estatísticas de exportação estadunidenses acabaram permitindo à especulação considerar que a China está voltando a comprar soja dos EUA a partir dos acordos estabelecidos em maio.
Isso animou o mercado, pelo menos momentaneamente. Lembrando que o conflito no Oriente Médio parece ter entrado em uma trégua, a qual ainda não se pode dizer que caminhará para o encerramento do litígio bélico.
Dito isso, na semana encerrada em 18/06 os EUA embarcaram 241.045 toneladas de soja, ficando abaixo do esperado pelo mercado. Este volume elevou para 36,8 milhões de toneladas as vendas no atual ano comercial, com as mesmas sendo 19% menores do que no mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, os operadores no mercado internacional estão considerando que a tendência é baixista para os preços da oleaginosa em 2026/27, diante de safra recorde no Brasil e safra melhor nos EUA (por enquanto o clima transcorre normalmente naquele país). Hoje, apenas problemas climáticos nas safras poderiam puxar as cotações para cima em Chicago. Em tal contexto, o retorno do fenômeno El Niño está exigindo muita atenção do mercado daqui em diante.
Já no Brasil, com um câmbio que foi a R$ 5,18 por dólar durante a semana, os preços melhoraram um pouco, mesmo com Chicago, na média, mais baixo. Assim, as principais praças gaúchas voltaram aos R$ 116,00/saco, enquanto no restante do país os preços oscilaram entre R$ 105,00 e R$ 116,00/saco.
Por sua vez, nova estimativa privada sobre a área a ser semeada com soja no Brasil, em 2026/27, aponta para 49 milhões de hectares, com um pequeno aumento de 443.000 hectares sobre o ano anterior. Desta forma, se confirmada, haverá um avanço de 0,9% na área de soja na comparação com a última semeadura. Diversos são os fatores que levariam a este comportamento dos produtores brasileiros. Dentre eles tem-se: margens mais apertadas devido à alta dos custos de produção e aos preços relativamente estáveis; o aumento do endividamento; o crédito mais escasso e caro; e a preocupação com o El Niño, que pode atrasar o plantio e prejudicar a produtividade de alguns estados (AgRural).
Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), atualizou as estatísticas do complexo soja. Com isso, o esmagamento da soja no Brasil deverá chegar a 63 milhões de toneladas no corrente ano. Isso levaria a produção de farelo de soja para 48,1 milhões de toneladas e a de óleo de soja para 12,6 milhões de toneladas. A produção total de soja está estimada em 180,2 milhões de toneladas, conforme dados da Conab, enquanto as importações projetadas são de 900.000 toneladas do grão e 125.000 toneladas de óleo de soja. Já a exportação de soja em grão, pelo Brasil, está projetada em 114,1 milhões de toneladas.
As exportações de farelo devem atingir 24,9 milhões de toneladas. Enfim, as exportações de óleo de soja devem alcançar 1,65 milhão de toneladas. Em valores, o complexo soja deve gerar cerca de US$ 60 bilhões em exportações em 2026. Nos quatro primeiros meses do ano, o esmagamento de soja no país atingiu a 18,1 milhões de toneladas, com aumento de 10,1% sobre o mesmo período de 2025.
E no Mato Grosso, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), a futura produção de soja local deverá alcançar 48,9 milhões de toneladas, sendo ela 5,2% menor do que a de 2025/26. Obviamente isso dependerá dos efeitos climáticos que virão com o fenômeno El Niño.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Como ficaram os preços de soja na primeira sexta-feira do mês? Confira as cotações

O mercado brasileiro de soja encerrou a sexta-feira com baixa movimentação e negócios bastante limitados. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a ausência de negociações na Bolsa de Chicago levou compradores e vendedores a adotarem uma postura cautelosa, reduzindo o volume de operações.
De acordo com o analista, não houve registro de grandes ofertas ao longo do dia. Sem a principal referência internacional para a formação dos preços, os agentes preferiram permanecer fora do mercado.
O dólar comercial recuou levemente na sessão, mas o movimento não foi suficiente para provocar mudanças relevantes na formação das cotações da soja. O mercado permaneceu praticamente parado durante todo o dia.
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Preços no Brasil
- Passo Fundo (RS): desceu de R$ 131,50 para R$ 130,50
- Santa Rosa (RS): desceu de R$ 132,50 para R$ 131,50
- Cascavel (PR): desceu de R$ 126,50 para R$ 126,00
- Rondonópolis (MT): desceu de R$ 117,00 para R$ 116,50
- Dourados (MS): manteve em R$ 119,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 119,00
- Paranaguá (PR): desceu de R$ 137,50 para R$ 137,00
- Rio Grande (RS): desceu de R$ 138,50 para R$ 137,50
Câmbio
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou o dia em queda de 0,75%, cotado a R$ 5,1682 para venda e R$ 5,1662 para compra. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,1657 e R$ 5,1997. No acumulado da semana, a variação foi positiva em 0,02%.
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