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13 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Safra recorde; Conab aponta para uma colheita de 354,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26

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O primeiro levantamento para a safra de grãos 2025/26 indica mais um ciclo de crescimento na agricultura brasileira. De acordo com a pesquisa realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a primeira estimativa indica uma produção total de 354,7 milhões de toneladas de grãos para a nova safra, volume 0,8% superior ao obtido em 2024/25, e um crescimento na área a ser semeada de 3,3% em relação ao ciclo anterior, sendo estimada em 84,4 milhões de hectares na temporada 2025/26. Os dados estão no 1º Levantamento de safra do novo ano agrícola, divulgado nesta terça-feira (14) pela estatal.

Neste novo ciclo, há uma expectativa de crescimento de 3,6% na área semeada para soja se comparada com 2024/25, estimada em 49,1 milhões de hectares. Com isso, a Conab estima uma colheita de 177,6 milhões de toneladas na safra 2025/26 frente à colheita de 171,5 milhões de toneladas da temporada anterior. As precipitações ocorridas em setembro nos estados do Centro-Sul do país permitiram o início do plantio com 11,1% da área já semeada, índice ligeiramente superior ao ocorrido até o mesmo momento do ciclo passado, Nos maiores estados produtores de soja do país, Mato Grosso e Paraná, nos primeiros 10 dias de outubro, registravam 18,9% e 31%, respectivamente, da área semeada.

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Assim como a soja, é esperada uma maior área plantada para o milho em 2025/26, podendo chegar a 22,7 milhões de hectares, com uma expectativa de produção de 138,6 milhões de toneladas somadas as 3 safras do grão. Apenas na primeira safra do cereal, a Companhia prevê um incremento na área semeada em torno de 6,1%, com estimativa de colher 25,6 milhões de toneladas, crescimento de 2,8% em relação à safra passada. No Rio Grande do Sul, onde a semeadura tem início a partir do final de agosto, em 11 de outubro, já havia 83% da área semeada, 84% no Paraná e 72% em Santa Catarina. Já no Centro-Oeste e nos demais estados, o plantio ainda não foi iniciado.

Já para o arroz, a primeira estimativa para o ciclo 2025/26 indica uma redução de 5,6% na área a ser semeada, projetada em 1,66 milhão de hectares, sendo que na área irrigada a queda está prevista em 3,7% e na de sequeiro a diminuição pode chegar a 12,5%. Com a menor área destinada à cultura, a produção de arroz pode chegar a 11,5 milhões de toneladas. Na região Sul, principal produtora do grão, os produtores intensificam os trabalhos de preparo do solo e do plantio.

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No caso do feijão, por ser uma cultura de ciclo curto, a tendência é que a safra 2025/26 mantenha-se próxima da estabilidade. Somada as três safras da leguminosa, a produção está estimada em 3 milhões de toneladas. A área da primeira safra do grão deverá ter redução de 7,5% em comparação com o primeiro ciclo da temporada 2024/25, totalizando uma previsão de plantio em 840,4 mil hectares. A semeadura foi iniciada na região Sudeste do país, com 100% da área semeada em São Paulo, e em andamento nos demais estados da região. Na Bahia, terceiro maior produtor da leguminosa, e nos demais estados, o plantio ainda não foi iniciado.

Culturas de inverno

Com cerca de 40% das lavouras de trigo colhidas, a previsão aponta para uma produção em 2025 de 7,7 milhões de toneladas, 2,4% abaixo da safra 2024. Principal produto dentre as culturas de inverno, a redução prevista para a colheita decorre, principalmente, da retração de 19,9% na área cultivada, motivada por condições menos favoráveis ao cultivo no momento de decisão da implantação da atual safra.

Mercado

As primeiras projeções da Conab para a safra 2025/26 apontam um incremento nas exportações de milho. Enquanto os embarques do grão do ciclo 2024/25 estão estimados em 40 milhões de toneladas, para a nova temporada a Conab prevê uma comercialização de 46,5 milhões de toneladas. Também é esperado um incremento no consumo interno, que passa de 90,5 milhões para 94,5 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pela maior demanda de milho para produção de etanol. Ainda assim, a estimativa é que os estoques de passagem ao final da safra 2025/26 permaneçam próximos da estabilidade.

Para a soja, a previsão de redução nas exportações dos Estados Unidos e o aumento da procura global, aliados à expansão da produção brasileira, permitem prever um crescimento nas exportações brasileiras. Assim, o país deve manter-se, mais uma vez, como o maior exportador mundial da oleaginosa, podendo ultrapassar as 112,11 milhões de toneladas exportadas. Além disso, a previsão de aumento na mistura de biodiesel ao diesel e a crescente procura por proteína vegetal indicam que o volume de esmagamento de soja poderá atingir 59,56 milhões de toneladas em 2026.

No caso do arroz, mesmo com a redução na área semeada, há expectativa de manutenção de boa oferta do grão no mercado interno. Diante deste cenário, o país deverá ampliar o volume exportado do grão, alcançando 2,1 milhões de toneladas na safra 2025/26 frente a uma estimativa de embarque de 1,6 milhão de toneladas na safra 2024/25. Já as importações e o consumo no mercado doméstico deverão permanecer estáveis, em torno de 1,4 milhão de toneladas e 11 milhões de toneladas respectivamente. Com isso, para a safra 2025/26, a expectativa é de leve redução de 11,4% nos estoques de passagem, estimados em 1,82 milhão de toneladas em fevereiro de 2027, embora ainda em patamar elevado.

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Agro Mato Grosso

Inmet emite alerta de perigo para baixa umidade em 69 municípios de MT; veja como se cuidar

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta laranja, de perigo, para baixa umidade em 69 municípios de Mato Grosso, com início às 12h30 desta quarta-feira (12). A umidade relativa do ar deve variar entre 20% e 12%, aumentando o risco de incêndios florestais e de problemas de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a umidade relativa do ar ideal para o organismo humano deve ficar entre 40% e 70%. Quando os índices caem abaixo desse patamar, aumentam os riscos de problemas como irritação nos olhos, nariz e garganta, ressecamento da pele, crises alérgicas e complicações respiratórias.

Além de Cuiabá, veja os municípios impactados: Água Boa, Alto Araguaia, Alto Boa Vista, Alto Garças, Alto Taquari, Araguaiana, Araguainha, Barão de Melgaço, Barra do Garças, Bom Jesus do Araguaia, Campinápolis, Campo Verde, Canabrava do Norte , Canarana , Chapada dos Guimarães, Cláudia, Cocalinho, Confresa, Diamantino, Dom Aquino, Feliz Natal, Gaúcha do Norte, General Carneiro, Guiratinga, Itiquira, Jaciara, Juscimeira, Luciara, Marcelândia, Nobres, Nova Brasilândia, Nova Mutum, Nova Nazaré, Nova Ubiratã, Nova Xavantina, Novo Santo Antônio, Novo São Joaquim, Paranatinga, Pedra Preta, Peixoto de Azevedo, Planalto da Serra, Pontal do Araguaia, Ponte Branca, Porto Alegre do Norte, Primavera do Leste, Poxoréu, , Querência, Ribeirão Cascalheira, Rondonópolis, Rosário Oeste, Santa Carmem, Santa Cruz do Xingu, Santa Rita do Trivelato, Santa Terezinha, Santo Antônio do Leste, Santo Antônio do Leverger, São Félix do Araguaia, São José do Povo, São José do Xingu, São Pedro da Cipa, Serra Nova Dourada, Sorriso, Tesouro, Torixoréu, União do Sul, Vera e Vila Rica.

Veja os cuidados durante o tempo seco

 

Segundo o Inmet,69 municípios serão impactados pela baixa umidade em MT — Foto: Inmet

Segundo o Inmet,69 municípios serão impactados pela baixa umidade em MT — Foto: Inmet

Além dos impactos na saúde, o tempo seco também favorece a ocorrência de incêndios em áreas urbanas e rurais.

O tempo seco pode causar ressecamento da pele e desconforto nos olhos, na boca e no nariz. Diante da baixa umidade, é recomendado alguns cuidados para reduzir os impactos do clima:

  • Beber bastante água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede;
  • Evitar atividades físicas ao ar livre e exposição ao sol entre os horários mais quentes;
  • Usar hidratantes para proteger a pele do ressecamento;
  • Umidificar os ambientes com umidificadores, bacias com água ou toalhas úmidas;
  • Manter a casa limpa e arejada, utilizando pano úmido em vez de vassoura para evitar levantar poeira;
  • Evitar fumaça de cigarro e não colocar fogo em lixo ou vegetação;
  • Procurar atendimento médico em caso de agravamento de problemas respiratórios.

As autoridades também orientam que a população acompanhe os avisos da Defesa Civil e dos órgãos de meteorologia, especialmente durante o período de estiagem, quando as condições do tempo podem aumentar o risco de queimadas e comprometer ainda mais a qualidade do ar.

Agosto é marcado por calor e baixa umidade

O alerta ocorre durante um período de temperaturas elevadas em Mato Grosso. Em julho deste ano, Cuiabá registrou 38,6°C no domingo (26), segundo o Inmet. Essa foi a maior temperatura registrada na capital em 2026 até então.

Na mesma época em 2024, Cuiabá registrou temperaturas acima de 40°C por seis dias consecutivos e foi apontada como a cidade mais quente do Brasil. Na ocasião, o Inmet chegou a prever máxima de 41°C para a capital, com umidade relativa do ar entre 10% e 30%.

Em 2025, Cuiabá também enfrentou uma onda de calor e registrou algumas das maiores temperaturas do país. A capital mato-grossense chegou a superar os 40°C e teve previsão de máxima de 39°C em um dos dias mais quentes daquele período.

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Pesquisa aponta linhagens de soja tolerantes a percevejos

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Materiais podem contribuir para cultivares mais resistentes e para o manejo integrado de pragas

Por meio de um programa de melhoramento genético, pesquisadores brasileiros identificaram quatro linhagens de sementes de soja tolerantes à infestação por percevejos. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de uma cultivar capaz de reduzir a necessidade do uso de produtos químicos para controle dos insetos nas lavouras.

O grupo de trabalho, composto por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Botucatu, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), focou em duas linhagens parentais, uma tolerante e outra não tolerante a percevejos, além de 12 linhagens recombinantes – híbridos gerados a partir dos parentais, que se comportam ora tolerantes, ora suscetíveis à praga (doi.org/10.1002/ps.70904).

O experimento foi feito em duas regiões produtoras de soja, em cenários de manejo com e sem aplicação de inseticidas. Um dos campos de teste foi a Fazenda Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, em Botucatu. O outro foi a Estação Experimental do Departamento de Genética e Melhoramento de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Anhumas, no município de Piracicaba.

“Tentamos trabalhar em dois ambientes que têm certo contraste. Botucatu tem altitude mais elevada e clima mais ameno. Anhumas [Piracicaba], altitude mais baixa e ambiente mais quente. Tentamos representar um pouco da diferença de ambientes em que se cultiva soja no país”, explica Larissa Chamma, coautora do trabalho realizado durante seu doutorado no Departamento de Produção Agrícola da FCA-Unesp.

Ela ressalta que ainda se estuda muito pouco a qualidade das sementes sob ataque de pragas considerando a forma como a genética da planta reage a diferentes condições de clima e solo – embora a tolerância natural da soja seja um componente central para o manejo integrado de pragas. Essa estratégia agrícola sustentável combina diferentes métodos de controle, utilizando os agrotóxicos apenas como último recurso.

“O estudo conecta melhoramento genético a manejo de pragas e seu impacto está em não tratar apenas a tolerância ao percevejo, no sentido de aplicar ou não inseticida. Ele mostra que a resposta dos genótipos depende do ambiente e do regime de manejo. Começamos pensando sob a perspectiva do melhoramento genético e depois o artigo foi enquadrando também a questão do manejo e isso foi muito importante para que fosse publicado na PMS. A pergunta deixa de ser ‘qual linhagem é a melhor?’, e passa a ser ‘qual linhagem é mais estável e útil sob diferentes condições reais de cultivo?’”, sublinha o biólogo Rômulo Pedro Macêdo Lima, também autor do trabalho.

O professor da FCA-Unesp Edvaldo Aparecido Amaral da Silva, orientador de Chamma, ressalta que a estratégia não exclui a necessidade de fazer o manejo integrado de pragas. “A seleção e o melhoramento de sementes são parte de uma série de estratégias que podem ajudar o ambiente. Não vão eliminar completamente os inseticidas químicos, mas vão facilitar a vida do agricultor, reduzir os custos e os problemas ambientais.”

Segundo o pesquisador, 30% das lavouras de grãos – de todos os tipos, não apenas a soja – podem ser perdidas por conta de percevejos.

Quatro cenários

A equipe partiu de um estudo anterior do Programa de Melhoramento de Soja do Departamento de Genética da Esalq-USP, liderado pelo professor José Baldin Pinheiro, que abarcava inicialmente 180 linhagens endogâmicas (formadas a partir do cruzamento repetido entre indivíduos geneticamente semelhantes).

“Fizemos uma fenotipagem inicial, selecionando os materiais que continham as características que nos interessavam: resistência ao percevejo, alta produtividade e alta qualidade fisiológica de sementes. A partir dessa seleção, desenhamos um experimento para saber como esse material se comportaria em ambientes com o controle químico de percevejos e sem ele”, conta Chamma.

Em ambas as áreas experimentais foram realizadas, antes da semeadura, a calagem (adição de calcário na terra para diminuir a acidez e melhorar a absorção de nutrientes pelas raízes) e a adubação mineral de acordo com a análise do solo. O controle de plantas daninhas foi feito com herbicida e houve aplicação de fungicida quando necessário.

As sementes destinadas à exposição aos produtos químicos foram tratadas conforme as recomendações do fabricante, com fungicida, inseticida e inoculantes. As aplicações de inseticida foram realizadas com base no monitoramento de pragas: semanalmente, ou sempre que o método de “batida com pano” detectasse pelo menos um percevejo por metro quadrado.

“Nas lavouras comerciais, sabe-se quando aplicar o inseticida pelo seguinte método: eles colocam um pano no meio das plantas de soja e batem as plantas para ver quantos percevejos caíram. Se tem um percevejo por metro quadrado em uma lavoura direcionada ao cultivo de sementes, eles já sabem que têm de aplicar”, conta Chamma.

Ela lembra que as regiões de Anhumas e Botucatu apresentaram populações de percevejos acima desse limite, considerado o máximo tolerável para a produção de sementes de soja. Na região de Anhumas, a população atingiu um pico de cinco percevejos por metro quadrado, enquanto em Botucatu chegou a aproximadamente três percevejos por metro quadrado. As espécies detectadas em ambas as regiões foram Nezara viridula, Piezodorus guildinii, Diceraeus melacanthus e Euschistus heros.

Nas parcelas tratadas com inseticida, foram aplicados os compostos tiametoxam + lambda-cialotrina, clorantraniliprole + bifentrina, imidaclopride + beta-ciflutrina, deltametrina e imidaclopride + bifentrina. No tratamento sem inseticida, nenhum deles foi usado, mas o preparo do solo e o controle com herbicida e fungicida foram feitos.

“Nas duas áreas experimentais, tínhamos o grupo-controle, sem inseticida, e o outro grupo, com inseticida. Foram dois ambientes, mas tratamos como se fossem quatro, e isso foi importante, pois havia duas diferenças a considerar: a climática e a do grupo-controle. Percebemos que o ambiente em que não foi feita a aplicação de inseticida funciona melhor para filtrar os genótipos mais tolerantes à praga de percevejos, pois tem maior pressão de seleção”, detalha Lima.

Oito características fisiológicas das sementes relacionadas à germinação, ao vigor e à longevidade foram avaliadas para determinar as respostas da planta sob exposição aos percevejos. “Lançamos mão de um método robusto, com análises de interação genótipo-ambiente que incluem o uso de modelos estatísticos. Descobrimos que o fator genético tem forte influência na longevidade das sementes sob diferentes níveis de infestação por percevejos. Já o peso dos efeitos ambientais foi predominante para as características de vigor inicial da semente”, descreve Lima.

Longevidade

Em resumo, o estudo revelou que a longevidade é mais afetada pela genética do que pelos aspectos ambientais. Os cientistas, inclusive, sugerem que ela pode servir como um indicador para antecipar o desempenho geral das sementes sob estresse de pragas.

“A longevidade das sementes apresentou um controle genético comparativamente mais forte que o ambiental. Trata-se de uma característica associada à qualidade fisiológica da semente e que pode, quem sabe, um dia, ser adicionada aos programas de melhoramento genético”, estima Chamma.

“Atualmente, pouco se faz melhoramento com o objetivo de aprimorar a qualidade das sementes. Há uma demanda por outras coisas, como a tolerância da planta a doenças, ao estresse, à falta ou ao excesso de água, e a qualidade de sementes vai ficando para depois”, esclarece Amaral.

Segundo ele, a longevidade é importante porque uma semente mais longeva preserva o seu vigor, que é um componente de qualidade fisiológica. “Longevidade é tempo de prateleira, mas com vigor. Não basta a semente estar viva. Tem de estar viva e em boas condições. Quanto maior o vigor, mais capacidade de enfrentar as adversidades, germinar mais rápido, emergir, formar planta rapidamente e começar a fazer fotossíntese. É isso que o agricultor quer, porque isso traz ganhos.”

“Usar somente o manejo químico nessas grandes lavouras que temos no Brasil é insustentável, pois favorece a seleção de populações resistentes de insetos, e cria-se muita resistência. O ideal é o manejo integrado de pragas, uma combinação entre prática de melhoramento, que é o que estamos fazendo, com aplicação de inseticida, controle biológico e outras ferramentas. Assim, é possível só aplicar o inseticida químico quando realmente for necessário”, pondera Chamma.

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Agro Mato Grosso

Evandro Pellenz mantém vivo o legado da família na agricultura

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Em Sinop, o produtor rural dá continuidade à história iniciada pelo pai e já compartilha com as filhas o amor pela agricultura

O campo, para o produtor rural de Sinop, Evandro Pellenz, não é apenas o lugar onde a família produz. É também onde ele aprendeu valores que carrega para a vida e que hoje procura transmitir às próprias filhas. A história começou com o pai, que deixou o Rio Grande do Sul e chegou a Mato Grosso em 1981. Mais de quatro décadas depois, o legado construído ao longo desse caminho continua sendo cultivado pela família.

“Meu pai sempre falava que o lucro da lavoura está no capricho. Então, acho que é um ensinamento que eu sigo até hoje, que eu acho que faz sentido. E a gente vem buscando trabalhar da forma como ele ensinou a gente”, conta Evandro.

Antes de a agricultura se tornar a principal atividade da família, outros capítulos foram escritos. Ao chegar a Mato Grosso, o pai de Evandro trabalhou durante dez anos no setor madeireiro. Em 1990, deixou a atividade e passou a investir na pecuária, transformando em pastagens as áreas que antes eram utilizadas para a extração de madeira.

Foi somente nos anos 2000 que a agricultura voltou a fazer parte da trajetória da família. Mas a ligação de Evandro com a terra havia começado muito antes. Ainda criança, ele acompanhava o pai nas atividades da propriedade e, aos 12 anos, passou a viver na fazenda, onde começou a participar diretamente da rotina do campo.

“Desde pequenininho, a gente vinha no mato aqui, acompanhava, retirava de touro. Depois, nos anos 90, com a separação do meu pai e da minha mãe, a gente veio morar aqui na fazenda. Eu tinha 12 anos. Comecei a trabalhar na roça e ajudar, cuidar do gado, fazer cerca e mecanizar as áreas que a gente tem hoje”, relembra.

A convivência transformou o trabalho em aprendizado e, com o passar dos anos, o aprendizado virou profissão. Evandro encontrou na agricultura não apenas uma atividade econômica, mas uma forma de vida que passou a fazer parte de sua identidade.

“Eu acho que está no sangue essa paixão pela agricultura. Então, a gente está até hoje trabalhando na agricultura e tudo que a gente faz, a gente faz com amor. Eu acho que tudo que faz com amor tem a bênção de Deus”, afirma.

A sucessão também foi construída no cotidiano. Enquanto o pai acompanhava o desenvolvimento do trabalho dos filhos, Evandro passou a experimentar a responsabilidade de conduzir a atividade e, ao mesmo tempo, perceber o significado de ter ao lado alguém que havia sido seu primeiro exemplo no campo.

“Ele vinha e dava uma olhada nas lavouras, via como é que estava, se estava tudo bonito. Então, ele ficava contente, gostava de vir junto na colheitadeira, dar uma volta para ver como é que estava a produção. Então, eu acho que é muito gratificante para um pai ver os filhos seguindo os caminhos deles. Eu acho que é muito prazeroso”, recorda.

Hoje, essa mesma cena começa a ganhar novos personagens. As filhas de Evandro ainda são pequenas, mas já fazem parte da rotina da propriedade e encontram na época da colheita uma das maiores diversões.

Para ele, permitir que as meninas estejam perto da lavoura desde cedo é uma forma de apresentar a elas o mesmo universo que um dia lhe foi apresentado pelo pai. Mais do que ensinar sobre máquinas ou produção, é criar memórias e vínculos com o lugar onde a família construiu sua história.

“Eu acho que o caminho é trazer os filhos para junto. Igual eu sempre procuro fazer, trazer as minhas filhas junto aqui, que é a diversão delas: ir junto na colheitadeira, vir junto na roça. Então, eu acredito que, com isso, elas vão pegando amor pela agricultura e, se Deus quiser, vão seguir os passos do pai”, diz.

Na colheita, a presença delas já virou parte da rotina. Levar um lanche, acompanhar o pai na lavoura e andar na colheitadeira são momentos que, para as meninas, representam diversão. Para Evandro, pode significar o início de uma nova história.

“Sempre quando é época de colheita, a alegria para elas é estar junto na colheitadeira, indo na roça, levar lanche, participar das atividades. É uma alegria para elas. Apesar de serem pequenininhas ainda, mas a gente sente que, eu acho que essa paixão vai continuar”, conta.

Da madeira ao gado, do gado à agricultura e de uma geração à outra, a trajetória da família Pellenz é marcada por transformações. O que permanece, porém, são os valores aprendidos dentro de casa: o cuidado com o trabalho, a dedicação à propriedade e o amor pela atividade.

Foi assim que Evandro recebeu o legado do pai. E é assim que, todos os dias, ele começa a construir o próximo capítulo dessa história ao lado das filhas.

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