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7 de outubro de 2026

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Feijões da Amazônia têm até 27% de proteína e podem ganhar selo de origem

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Um estudo inédito realizado no Vale do Juruá, no Acre, revelou que os feijões-caupi costela-de-vaca e manteiguinha branco possuem teores de proteína de até 27%, bem acima da média mundial e dos 20% registrados em variedades de outras regiões do Brasil. A descoberta integra a tese de doutorado “Qualidade nutricional e armazenamento de feijões do Juruá no Acre”, desenvolvida pela professora do Instituto Federal do Acre (Ifac), Guiomar Almeida Sousa, sob orientação do pesquisador da Embrapa Acre, Amauri Siviero.

As análises foram realizadas no laboratório de Bromatologia da Embrapa Acre e mostraram que as duas variedades com maior índice proteico são cultivadas por agricultores familiares que ainda utilizam sistemas agrícolas tradicionais. A maioria das plantações ocorre nas praias dos rios da região durante o período seco.

Foto: Felipe Sá/Embrapa

Riqueza nutricional e benefícios à saúde

Além do alto teor de proteína, o estudo também mediu a presença de antocianinas, substâncias antioxidantes naturais que ajudam a combater o envelhecimento celular e a prevenir doenças como câncer, Alzheimer e problemas cardíacos.

Os feijões preto de arranque e preto de praia apresentaram índices dessas substências que variam de 420 a 962 microgramas por grama, valores superiores aos encontrados em variedades brancas e coloridas.

Segundo a professora Guiomar Sousa, as diferenças na composição nutricional entre as espécies estão ligadas à diversidade de ambientes e manejos da agricultura local. “Essas variedades possuem pouco ou nenhum estudo, o que mostra que ainda temos muito a aprender sobre elas”, afirma.

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Conservação e potencial econômico

Outro resultado importante da pesquisa é a boa conservação dos grãos, que mantiveram seus valores nutricionais após 12 meses de armazenamento.
Para o pesquisador Amauri Siviero, esse desempenho reflete o manejo cuidadoso das sementes por agricultores familiares, indígenas e quilombolas. “Essas sementes foram adaptadas ao longo dos anos às condições locais e ao manejo das populações tradicionais”, afirma.

Durante três anos, foram analisadas 14 variedades de feijões cultivadas nos rios Juruá, Breu, Tejo e Amônia, em Marechal Thaumaturgo, município que concentra a maior diversidade de feijões do Acre. O levantamento resultou em um mapa da distribuição das variedades crioulas do estado, confirmando a relevância da região para a conservação da agrobiodiversidade.

Segundo Siviero, o Vale do Juruá pode ser considerado um dos principais centros de conservação on farm de feijões do mundo. “Enquanto o feijão-comum é cultivado em terra firme, o feijão-caupi cresce em várzeas e pequenos roçados, em áreas de até um hectare”, detalha.

Pantio de feijão em praia do Rio Juruá. Foto: Felipe Sá/Embrapa

Caminho para a valorização

O reconhecimento do valor nutricional e genético dos feijões do Juruá abre espaço para novos mercados e políticas públicas.

Em setembro, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) lançou o Selo Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil, que poderá ser solicitado por associações e cooperativas locais.

Para o professor Eduardo Pacca, da Universidade Federal do Acre (Ufac), as variedades da região têm potencial para obter Indicação Geográfica (IG) e certificação orgânica, como já ocorre com a farinha de mandioca do Acre.

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Patrimônio agrícola e cultural

Os feijões do Juruá integram também o projeto “Registro dos Sistemas Agrícolas Tradicionais do Alto Juruá (RSAT Alto Juruá)”, coordenado pela Embrapa e parceiros como a Ufac e o Ifac.

A iniciativa tem documentado o conhecimento ancestral das comunidades ribeirinhas e suas estratégias sustentáveis de cultivo. Em agosto de 2025, a equipe percorreu 190 quilômetros pelo rio Juruá, registrando práticas agrícolas em sete municípios do Acre e do Amazonas.

De acordo com Siviero, “os feijões do Vale do Juruá se perpetuam como herança entre gerações e como práticas de conservação da agrobiodiversidade”. Ele destaca que essas tradições envolvem também cultivos de mandioca, milho, banana e tubérculos, além de festas culturais como a farinhada e o festival do feijão e milho.

Sustentabilidade e reconhecimento internacional

A pesquisadora Elisa Wandelli, da Embrapa Amazônia Ocidental, reforça que a agricultura dos ribeirinhos do Juruá é exemplo de sustentabilidade. “Vimos uma população sábia, que mostra que é possível produzir alimentos e cuidar da natureza ao mesmo tempo”, afirma.

Essas práticas estarão em destaque na COP30, em Belém (PA), onde os sistemas agrícolas tradicionais serão apresentados na AgriZone, espaço da Embrapa dedicado à inovação e inclusão.

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“Nossa presença na COP 30 reforça a importância de proteger esses sistemas e valorizar as comunidades que preservam a biodiversidade do Brasil”, conclui Siviero.

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Conab recebe propostas para credenciamento de armazéns até dezembro de 2026

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) recebe até 31 de dezembro de 2026 propostas de credenciamento de empresas interessadas em prestar serviços de armazenagem de produtos e embalagens ligados a estoques públicos e programas governamentais. O chamamento tem abrangência nacional, com entrega da documentação nas superintendências regionais indicadas no edital.

Podem participar pessoas jurídicas especializadas em armazenagem, desde que a unidade esteja inscrita no Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras de Produtos Agrícolas e com situação cadastral efetivada. As propostas devem ser entregues de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, em envelope lacrado e identificado com o número do chamamento público, nome do interessado, endereço e Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

O documento de proposta precisa ser preenchido, datado e assinado pelo representante legal da empresa, sem emendas, rasuras ou entrelinhas. Entre os documentos exigidos estão registros da empresa, inscrição estadual, contrato social ou documento equivalente, comprovantes relacionados ao imóvel, regulamento interno do armazém, certidões e documentos do fiel depositário e do responsável técnico, quando aplicável.

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O edital estabelece exigências técnicas para as instalações. As unidades devem contar com acesso compatível com o transporte dos produtos, balança com aferição vigente, equipamento de medição de umidade, itens de segurança e meios para controle de pragas. Armazéns a granel, convencionais e frigoríficos têm requisitos específicos para estrutura, equipamentos e forma de armazenamento.

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A Conab fará a análise das propostas e dos documentos e realizará vistoria prévia nos armazéns. A habilitação dependerá da verificação documental e das condições das instalações. A relação das unidades credenciadas será publicada no portal da companhia. As empresas não habilitadas receberão comunicação por e-mail com as razões da decisão.

As empresas com pedido recusado poderão apresentar recurso por escrito em até dez dias úteis a partir do recebimento da comunicação. Para as habilitadas, a assinatura do contrato de depósito deverá ocorrer em até 30 dias corridos após a comunicação de habilitação. O credenciamento terá validade de 12 meses a partir da assinatura do contrato, com possibilidade de prorrogação por interesse da Conab até 60 meses. O credenciamento, no entanto, não garante contratação nem recebimento de produtos para armazenagem.

Fonte: gov.br

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Embrapa Florestas é designada centro de referência da FAO

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) designou a Embrapa Florestas como Centro de Referência em Florestas Plantadas. O anúncio foi feito na sexta-feira (2), durante a 10ª Semana Mundial das Florestas e a 28ª Sessão do Comitê de Florestas da FAO, em Roma. Segundo a entidade, trata-se do primeiro centro de referência da FAO para florestas plantadas no mundo.

A designação tem como objetivo aproveitar conhecimentos científicos, técnicos e de políticas reconhecidos no setor florestal. De acordo com a FAO, as instituições com esse status colaboram na troca de conhecimento em áreas específicas, com assessoria técnica, dados, pesquisas, treinamento, transferência de tecnologia e outras formas de apoio aos Estados-Membros.

No caso da Embrapa Florestas, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a atuação será voltada ao desenvolvimento de florestas plantadas produtivas, resilientes e de baixa emissão de carbono, integradas a sistemas agropecuários, além do atendimento a demandas de cooperação internacional.

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Segundo dados da FAO de 2025, as florestas plantadas ocupam cerca de 304 milhões de hectares no mundo, dos quais 157 milhões de hectares correspondem a plantações florestais intensivas, predominantemente destinadas à produção. A China concentra a maior área, seguida por Estados Unidos, Rússia, Canadá, Índia, Brasil, Japão e Suécia.

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No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) indicam cerca de 10,4 milhões de hectares de florestas plantadas. Eucalipto e pinus lideram entre as espécies cultivadas, além de araucária, acácia, seringueira, erva-mate, teca, paricá, mogno-africano, castanha-do-brasil e cedro-australiano.

Entre as competências do centro de referência estão silvicultura e manejo florestal sustentável, sistemas integrados, melhoramento genético, sanidade florestal e controle biológico de pragas, métricas de carbono e mitigação de gases de efeito estufa (GEE), além de bioeconomia florestal e química verde.

Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a designação funciona como um selo de excelência e amplia a capacidade de cooperação do país em capacitação técnica, intercâmbio de conhecimento e projetos conjuntos com a FAO. O centro de referência vai operar sob demanda e mediante captação conjunta de recursos em diferentes frentes de atuação.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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El Niño muito forte eleva risco para plantio no Centro-Oeste e no Matopiba

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A perspectiva de um El Niño de intensidade muito forte entre outubro e dezembro pode limitar a implantação das lavouras em partes do Centro-Oeste e do Matopiba, enquanto o Sul deve registrar chuvas acima da média, com maior pressão de doenças. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (6) por Alexandre Stadser, assessor de agronegócios do Banco do Brasil em Canoinhas (SC), durante transmissão do BBCast Agro sobre a safra de verão 2026/27.

Segundo Stadser, o Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e por outras seis instituições federais, indica 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A previsão também aponta persistência até o início de 2027.

O boletim citado pelo assessor alerta para intensificação da seca e do risco de fogo no centro-norte do País. A configuração climática favorece chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste, enquanto Norte, Nordeste e grande parte do Centro-Oeste devem ter precipitações abaixo da média. As temperaturas devem ficar acima da média na maior parte do Brasil, com maior destaque para Centro-Oeste e Sudeste.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Para outubro, a previsão indica chuva acima do normal no Sul, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sudeste de Minas Gerais. Já áreas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste devem registrar volumes abaixo do normal.

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No Centro-Oeste, as chuvas devem ser irregulares, com reflexo sobre o avanço da semeadura. Stadser afirmou que Mato Grosso do Sul apresenta perspectivas mais favoráveis para o início da safra, enquanto Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal podem enfrentar limitações para a semeadura por baixa umidade do solo.

No Matopiba, que reúne áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o cenário de precipitações abaixo da média exige atenção para o estabelecimento das lavouras de verão. Segundo Stadser, a menor disponibilidade hídrica poderá elevar a necessidade de irrigação e aumentar a pressão sobre os recursos hídricos.

No Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, com reposição hídrica para lavouras e pastagens. Em contrapartida, o excesso de umidade pode elevar o risco de doenças fúngicas, dificultar operações de campo e manter a atenção para cheias localizadas. No Norte, a combinação de chuva reduzida e calor mais intenso tende a elevar a demanda hídrica das culturas e a limitar a umidade disponível no solo, enquanto o tempo mais seco pode favorecer operações de campo e colheita.

O quadro projetado para o El Niño entre outubro e dezembro desenha condições distintas entre as regiões produtoras, com restrição hídrica em parte do Centro-Oeste, do Matopiba e do Norte, e excesso de chuva no Sul durante o início da safra de verão 2026/27.

Fonte: Estadão Conteúdo

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