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11 de julho de 2026

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o inimigo invisível do agro

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Os casos recentes de bebidas adulteradas com metanol, que resultaram em internações e mortes no Brasil, acenderam um alerta sobre um problema muito maior: a pirataria, a falsificação e a adulteração de produtos. Esse não é um fenômeno restrito ao consumo urbano e o agronegócio também sofre diretamente com ele. Trata-se de um inimigo silencioso, mas de efeitos devastadores para a economia, a saúde e o meio ambiente.

O setor convive com sementes piratas que não entregam a produtividade prometida, combustíveis adulterados que comprometem máquinas, defensivos agrícolas falsificados que ameaçam tanto a eficácia no combate a pragas quanto a segurança humana e ambiental.

No caso das sementes, a pirataria já responde por 11% da área plantada de soja no Brasil. O prejuízo estimado é bilionário: cerca de R$ 10 bilhões por ano para o setor, de acordo com a CropLife Brasil. Além do impacto econômico, há a perda de produtividade: em média, o uso de sementes piratas resulta em quatro sacas a menos por hectare, uma redução de até 17% no rendimento. Isso significa menos produção, mais custos e um agro menos competitivo.

A situação é igualmente grave no mercado de defensivos agrícolas. Segundo a Abifina, estima-se que um quarto de todo o mercado brasileiro seja ocupado por produtos ilegais ou falsificados, movimentando cerca de R$ 20 bilhões por ano fora da economia formal.

Esses produtos, muitas vezes contrabandeados ou adulterados, não passam por qualquer controle técnico. Resultado: falhas no combate a pragas, lavouras mais vulneráveis, aumento da necessidade de aplicações e riscos sérios de contaminação do solo, da água e até de intoxicação de trabalhadores rurais. Além disso, eles enfraquecem programas de manejo sustentável e favorecem a resistência de pragas.

Por trás de cada semente certificada ou defensivo agrícola regular existe um longo caminho de pesquisa e desenvolvimento. São anos de estudos, testes de campo, avaliações de segurança e análises regulatórias que envolvem pesquisadores, universidades e empresas. Um processo que garante qualidade, eficácia e segurança para produtores e consumidores.

Quando o produtor recorre a insumos piratas, ele não apenas coloca sua lavoura em risco: ele mina o investimento em ciência e tecnologia. Isso desestimula a inovação e compromete o futuro do agronegócio, que depende justamente de novas soluções para enfrentar pragas, mudanças climáticas e o desafio de produzir mais de forma sustentável. Valorizar o trabalho da ciência é também proteger o agro de práticas criminosas.

Hoje, a realidade é dura: para quem pratica esse tipo de crime, as penas ainda compensam. O risco jurídico é baixo, enquanto o ganho financeiro é alto. Essa equação, infelizmente, incentiva a continuidade da prática e fragiliza quem trabalha de forma séria e dentro da lei.

O Congresso já percebeu a gravidade da situação e deve pautar, na próxima semana, projetos de lei que endurecem as punições para falsificação, pirataria e adulteração de produtos. Se aprovadas, essas mudanças representarão um avanço importante. Penas mais rígidas podem, sim, ajudar a desestimular o crime. Mas precisamos reconhecer que esse é apenas um dos lados da equação.

A experiência brasileira já mostrou que leis mais duras, sozinhas, não bastam. Sem uma rede eficiente de fiscalização, a impunidade continua. É preciso que os órgãos competentes atuem de forma coordenada, com recursos humanos e tecnológicos suficientes para monitorar, identificar e punir quem coloca em risco o agro e a sociedade.

Ao mesmo tempo, a conscientização de produtores e consumidores é fundamental. Comprar produtos ou insumos de origem duvidosa, muitas vezes atraídos pelo preço mais baixo, pode parecer vantajoso no curto prazo, mas traz enormes prejuízos no médio e longo prazo, tanto financeiros quanto de credibilidade para todo o setor.

Os recentes casos de bebidas contaminadas com metanol deixam claro que não se trata apenas de um problema do campo ou da indústria, mas de um risco que atravessa fronteiras e chega à mesa de todos nós. Quando a pirataria prospera, todos estamos expostos, seja no copo, no prato ou no alimento que exportamos para o mundo.

O agro não pode, e o Brasil não deve tolerar a pirataria.

*Rebecca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Safra de soja robusta? USDA divulga projeções para a oleaginosa; confira

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve inalteradas as projeções para as safras de soja e milho do Brasil na temporada 2025/26 em seu mais recente relatório mensal de oferta e demanda.

Para a soja, a estimativa permanece em 175 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como o maior produtor mundial da oleaginosa. Caso o volume se confirme, a produção representará um novo recorde para o país.

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Projeções para o milho

No milho, o USDA também manteve a projeção em 131 milhões de toneladas, sustentada pelas boas perspectivas para a segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional.

Além da produção, o órgão norte-americano preservou as estimativas para as exportações brasileiras dos dois grãos. A expectativa é de que o Brasil continue liderando o comércio global de soja e mantenha posição de destaque nas vendas externas de milho.

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Colher café na hora certa pode aumentar o rendimento e reduzir perdas, revela pesquisa da Ufes

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Foto: Ufes

Quem trabalha com café sabe que acertar o momento da colheita faz diferença na qualidade da bebida. O que muita gente ainda não imagina é que esse detalhe também pesa — literalmente — no rendimento da lavoura.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), publicada recentemente em dois dos mais respeitados periódicos científicos internacionais da área — a Experimental Agriculture, da Cambridge University Press, e a Scientific Reports, do grupo Nature — revela que o momento da colheita pode fazer toda a diferença na rentabilidade da lavoura de café. O estudo mostra que colher frutos antes ou depois do ponto ideal de maturação reduz o peso dos grãos e, consequentemente, o rendimento comercial da produção. Em alguns materiais genéticos avaliados, essas perdas ultrapassaram 60%.

O estudo foi conduzido pelo pesquisador Fábio Luiz Partelli e equipe, que acompanharam durante todo o processo de maturação seis genótipos de café Conilon registrados pela Ufes: Pirata, Bamburral, A1, Clementino, Beira Rio 8 e P1.

Ao longo de nove coletas, realizadas a cada 14 dias, os pesquisadores monitoraram o desenvolvimento dos frutos, o acúmulo de matéria seca e o peso dos grãos. O objetivo era responder a uma pergunta simples, mas extremamente importante para o produtor: afinal, quando vale a pena colher?

A resposta veio acompanhada de números que chamam atenção. Nos frutos ainda verdes, os grãos apresentaram menor formação, coloração mais escura e perdas que chegaram a quase 68% em um dos genótipos avaliados. Já quando a colheita ocorreu próximo do ponto ideal de maturação — com aproximadamente 90% dos frutos maduros — os grãos apresentaram maior peso, melhor formação e qualidade comercial superior.

Segundo Fábio Partelli, o produtor não deve olhar apenas para a cor dos frutos, mas também planejar toda a colheita de acordo com o ciclo de maturação de cada material.

“Quando organizamos os genótipos conforme o ciclo de maturação, conseguimos distribuir melhor a mão de obra e as máquinas, reduzindo perdas e aumentando a eficiência da colheita”, explica o pesquisador. A estratégia também evita que parte da lavoura seja colhida ainda verde ou permaneça tempo demais no campo, quando os frutos já começam a perder peso naturalmente.

Outro resultado interessante é que nem todos os genótipos amadurecem no mesmo ritmo. Enquanto materiais como Pirata, A1 e Beira Rio 8 apresentam ciclos mais precoces, o genótipo P1 possui maturação mais tardia. Essa diferença reforça a importância do planejamento da lavoura desde o plantio, permitindo escalonar a colheita e utilizar melhor os recursos disponíveis.

Para Partelli, colher no momento correto representa um ganho silencioso, mas altamente rentável. Não exige novos equipamentos, não aumenta a área plantada e nem depende de insumos extras. Exige, acima de tudo, conhecimento sobre a planta e organização da propriedade.

A pesquisa reforça uma conclusão importante para a cafeicultura moderna: muitas vezes, o maior ganho do produtor não está em produzir mais frutos, mas em transformar uma quantidade maior deles em grãos de qualidade e com maior peso. Afinal, quando o assunto é café, alguns dias podem representar muitos quilos a mais no terreiro — e também mais dinheiro no fim da safra.

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Lei reconhece Mara Rosa como Capital Nacional do Açafrão

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A Lei 15.464/26 concedeu ao município de Mara Rosa, em Goiás, o título de Capital Nacional do Açafrão. O texto foi sancionado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (10).

A norma tem origem no Projeto de Lei 2522/21, apresentado pelo ex-deputado João Campos (GO). A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal antes da sanção presidencial.

Ao justificar o projeto, João Campos citou dados sobre a cultura do açafrão em Mara Rosa. Segundo as informações apresentadas à época, o município respondia por cerca de 90% da produção goiana e por aproximadamente 30% da produção brasileira.

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Com o reconhecimento em lei, Mara Rosa passa a ter o título nacional associado à produção de açafrão. A medida formaliza, no âmbito federal, a identificação do município com a cultura agrícola mencionada no projeto.

Publicada nesta sexta-feira (10), a Lei 15.464/26 oficializa o título de Capital Nacional do Açafrão para Mara Rosa, município goiano citado no projeto como um dos principais polos da cultura no país.

Fonte: camara.leg.br

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