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7 de maio de 2026

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Cade mantém Moratória da Soja até dezembro; suspensão passa a valer em 2026

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Nesta terça-feira (30), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu que a Moratória da Soja, acordo firmado por tradings e exportadoras para não comercializar grãos oriundos de áreas desmatadas na Amazônia, será suspensa a partir de janeiro de 2026. Até lá, o pacto seguirá em vigor, com validade garantida até 31 de dezembro de 2025. A decisão foi tomada pelo Tribunal durante a 255ª Sessão Ordinária de Julgamento.

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Como vai funcionar a decisão

Na prática, até dezembro de 2025 a moratória continua válida, obrigando as empresas a seguir as regras atuais. A partir do próximo ano, porém, o futuro do pacto dependerá da formalização das mudanças exigidas pelo Cade e de uma eventual nova deliberação do órgão regulador.

Em manifestações recentes, a Superintendência-Geral do Cade, o relator e o presidente da autarquia destacaram que o fim da moratória é um passo essencial para o Brasil reafirmar que sustentabilidade e legalidade não se opõem, e que políticas ambientais não podem ser usadas como pretexto para a exclusão econômica.

Aprosoja MT comemora

A decisão foi comemorada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), que entende que o fim da moratória garante maior segurança jurídica e preserva a livre concorrência. Por outro lado, organizações ambientais manifestaram preocupação com o possível enfraquecimento de um instrumento que, desde 2006, ajudou a reduzir a expansão da soja sobre áreas desmatadas na Amazônia.

Segundo a associação, há anos um acordo privado, sem respaldo legal, vem impondo barreiras comerciais consideradas injustas aos produtores, sobretudo pequenos e médios, impedindo a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas.

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Mato Grosso concentra 15% do faturamento agropecuário nacional

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso deve faturar R$ 206 bilhões com a produção agropecuária em 2026, consolidando-se como o principal motor do setor no Brasil. O valor representa 15% do Valor Bruto da Produção (VBP) do país, estimado em R$ 1,38 trilhão. Os números, baseados em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e compilados pelo DataHub (Centro de Dados Econômicos de Mato Grosso) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), mostram o estado à frente de Minas Gerais (R$ 167 bilhões) e São Paulo (R$ 157 bilhões).

O desempenho é sustentado por um mix de commodities em que o estado detém a liderança nacional: soja, milho, algodão e bovinos. Sozinha, a soja é responsável por 43% de todo o VBP mato-grossense. O milho aparece na sequência, com 21,67%, seguido pela pecuária de corte, que responde por 17,96% da receita bruta dentro da porteira.

Diferente do Produto Interno Bruto (PIB), o VBP mede o faturamento bruto real da produção (dentro da porteira), calculando o total produzido (lavoura e pecuária) multiplicado pelos preços médios recebidos pelos produtores. Na prática, é um indicador essencial para entender a saúde financeira do campo, contudo não deve ser confundido com lucro líquido, uma vez que não desconta os custos operacionais, como adubos, combustíveis e mão de obra.

Empregos e movimentação econômica

A circulação dessa receita impactou o mercado de trabalho no início do ano. Entre janeiro e fevereiro de 2026, o setor agropecuário registrou 9.066 novas vagas formais em Mato Grosso. O saldo de contratações reforça a dependência da economia estadual em relação ao ciclo das commodities e à logística de escoamento.

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Para a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, o volume financeiro se traduz em capilaridade social. “Tão importante quanto ver o volume de recursos que o agronegócio movimenta é perceber como isso se transforma em oportunidades concretas, chegando à ponta com a geração de emprego e renda para a população de Mato Grosso”.

Além das três primeiras posições ocupadas por Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, o ranking das cinco maiores economias do campo no Brasil é completado por Paraná, com R$ 150 bilhões, e Goiás, com R$ 117 bilhões.


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Geopolítica e mercados dominam debates entre produtores no Sul de Mato Grosso

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Foto: Divulgação/Aprosoja MT

Produtores rurais da região Sul de Mato Grosso recebem, entre os dias 4 e 8 de maio, uma série de debates focados no impacto das relações internacionais sobre o campo. O 20º Circuito Aprosoja MT percorre sete municípios da localidade para discutir como a conjuntura global afeta diretamente os preços das commodities, o acesso a mercados e a logística de escoamento da safra.

O evento traz como ponto central a análise do cientista político Heni Ozi Cukier, o Professor HOC. O especialista traça um diagnóstico das tensões externas e das oportunidades para o setor produtivo mato-grossense frente às mudanças de poder no tabuleiro mundial, conectando temas como logística e economia.

Além do panorama externo, a rodada de encontros serve como um espaço para a prestação de contas das ações e projetos desenvolvidos pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). O objetivo é manter o produtor atualizado sobre as frentes de defesa da categoria e os resultados técnicos obtidos na última safra.

Agenda nas cidades

A programação na região Sul começou por Alto Taquari e segue para cidades como Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde. A dinâmica de encontros regionais busca descentralizar a informação estratégica, permitindo que o conhecimento chegue diretamente à base produtiva do estado.

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Segundo a organização, a escolha do tema reflete a necessidade de entender o funcionamento do mercado para além das porteiras. “O palestrante abordará o tema ‘Geopolítica: como o mundo funciona?’, trazendo uma análise do cenário internacional e seus impactos diretos no agronegócio, especialmente em aspectos como mercados, preços e logística”.

Confira o cronograma da Região Sul:

04/05 – Alto Taquari – 18h30

05/05 – Alto Garças – 08h30

05/05 – Rondonópolis – 18h30

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06/05 – Jaciara – 18h30

07/05 – Primavera do Leste – 18h30

08/05 – Paranatinga – 08h30

08/05 – Campo Verde – 18h30


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Alta de custos e perdas de até 30% na safra desafiam produtores de soja em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O cenário para a produção de soja em Mato Grosso segue desafiador visto a alta do diesel, preços elevados de fertilizantes e perdas no campo que atingiram até 30% em algumas propriedades devido ao excesso de chuvas. Diante da forte queda de rentabilidade, os agricultores já começam a revisar o planejamento financeiro, reduzir investimentos e adotar medidas rigorosas de contenção de custos para o próximo ciclo.

Com a soja já colhida e armazenada nos silos, o produtor Thiago Strapasson acompanha o fechamento de mais um ciclo em sua propriedade de 1.440 hectares. O rendimento final ficou nove sacas por hectare abaixo da média de anos anteriores em função de problemas fitossanitários e do clima adverso. Agora, as atenções se voltam para o milho, cuja colheita se aproxima,mas ainda depende do comportamento do tempo.

“Contava certo de produzir uma safra semelhante ou melhor, e acaba produzindo menos é uma frustração grande”, afirma Strapasson. Já em Boa Esperança do Norte, o agricultor Arnaldo Alfredo Hartmann também registrou perdas severas, estimadas entre 25% e 30% por conta do excesso de umidade do meio da colheita em diante. “O investimento foi altíssimo para produzir umas 80 sacas, que a gente colhia nos outros anos nos mesmos talhões”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.

Estratégias para conter os gastos

Com a margem de lucro apertada, a estratégia no campo passa a ser o controle rígido do consumo de combustível e a otimização dos insumos. O presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, explica que o produtor rural precisará utilizar as reservas do solo e evitar práticas anuais como a calagem e a descompactação em áreas onde a intervenção não for estritamente necessária.

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soja colheita foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

“O produtor vai procurar meios de se precaver e não gastar o diesel e não aumentar o seu custo que já está apertadíssimo. Vai ser o ano em que a gente vai usar essa reserva, fracionar o seu adubo”, diz Zen. Ele reforça que a meta é manter o custo fixado entre 10 e 11 sacas por hectare, recalculando a quantidade de defensivos químicos aplicados na terra para evitar o endividamento.

Cautela e demanda por crédito

O próximo ciclo deve registrar um aumento de cerca de 15% nos custos de produção, ao mesmo tempo em que os preços de venda da soja e do milho apresentam retração. De acordo com Diego Bertuol, diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), tanto os produtores quanto as revendas estão agindo com cautela antes de fechar novos negócios para as culturas que serão plantadas no final do ano.

“É um ano do produtor repensar, ver onde ele consegue tirar um pouco e passar por essa turbulência”, analisa Bertuol, pontuando que a entidade busca junto ao governo a renegociação de dívidas anteriores. Para o presidente do Sicredi Celeiro MT/RR, Laércio Pedro Lenz, o momento exige linhas de crédito com juros controlados e subsídios federais. “É o momento de o governo federal tentar salvar a agricultura que é a galinha dos ovos de ouro do Brasil”.


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