Sustentabilidade
Regulamentação dos bioinsumos: ANPII Bio defende critérios técnicos claros e simplificação dos registros para incentivar inovação e indústria nacional – MAIS SOJA

Sancionada em dezembro de 2024, a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070) abriu um novo capítulo para a agricultura sustentável no Brasil, mas sua efetividade depende da regulamentação – atualmente em elaboração por meio de um Grupo de Trabalho (GT) instituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Única entidade da indústria dedicada exclusivamente aos bioinsumos a integrar formalmente o GT do MAPA, a ANPII Bio (Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos) atua para garantir que o marco legal seja estruturado em pilares que conciliem rigor técnico, segurança e estímulo à inovação. Para isso, defende uma regulamentação baseada em ciência e risco proporcional, que reduza burocracias e agilize o acesso de novos produtos ao mercado, além do reconhecimento da multifuncionalidade dos bioinsumos, controle de qualidade adaptado à natureza de cada produto, fiscalização equilibrada e incentivos fiscais e tributários para fortalecer a indústria nacional.
Por meio de um arcabouço regulatório claro e moderno, sustenta que o país se aproxima das melhores práticas internacionais, fortalece a competitividade da indústria nacional e acelera a expansão do setor, que movimentou R$ 5,7 bilhões na última safra e deve crescer 60% até o fim da década. “É fundamental que os recursos sejam aplicados em pesquisa, expansão tecnológica e comercialização, e que a produção industrial e ‘on-farm’ possam coexistir de forma ordenada e supervisionada, fortalecendo a competitividade do setor. Além disso, os incentivos fiscais previstos pela lei são fundamentais para atrair investimentos e fomentar a pesquisa. Essa é a chave para ganharmos escala e competitividade, posicionando as empresas brasileiras de bioinsumos na liderança global deste mercado”, afirma Júlia Emanuela de Souza, diretora de relações institucionais da ANPII Bio.
“O principal desafio neste momento é criar um regulamento que facilite e amplie a adoção dos bioinsumos pelos agricultores. Com o aumento da demanda, o setor poderá se consolidar, mas surgem novos pontos de atenção: a necessidade de inovação constante, a oferta de produtos seguros, eficazes e de qualidade, e a ampliação da capacitação técnica e do acesso a informações qualificadas sobre produção e uso desses insumos”, complementa Marcus Coelho, que está à frente da Coordenação de Bioinsumos e Novas Tecnologias do Departamento de Apoio à Inovação para Agropecuária (CORBIO/DIAGRO) do MAPA.
Atuação no processo regulatório – Em 2024, a ANPII Bio teve papel decisivo na aprovação da Lei dos Bioinsumos. Atualmente, como integrante do GT do MAPA, concentra seus esforços na elaboração de uma proposta de regulamentação ancorada em três eixos principais: especialização técnica setorial, representatividade da cadeia produtiva completa e abordagem proativa no diálogo com o poder público.
Com foco exclusivo em bioinsumos, representa desde startups de base tecnológica até empresas internacionais de grande porte, reunindo experiência que vai da microbiologia aplicada às regras de registro de diferentes categorias, incluindo insumos biológicos para uso animal – uma área ainda em expansão que exige conhecimento especializado. O trabalho da entidade se concretiza na elaboração de minutas de normativas, notas técnicas e estudos de impacto encaminhados ao poder público, aliado ao diálogo direto com MAPA, ANVISA e IBAMA, a fim de propor normas viáveis e baseadas em evidências.
“A ANPII Bio tem trazido importantes contribuições técnicas, com destaque nas discussões sobre bioinsumos para a pecuária. A decisão do MAPA de envolver as entidades tem se mostrado acertada, considerando a diversidade dos bioinsumos e o trabalho de identificação e categorização detalhada dessas tecnologias, em que o conhecimento prático das associações é essencial para garantir clareza e aplicabilidade ao marco regulatório”, ressalta o coordenador do CORBIO/DIAGRO do MAPA.
Eixos estratégicos – Dentre os eixos estratégicos que a entidade defende, está uma regulamentação baseada em ciência e risco proporcional, evitando exigências genéricas que atrasam o avanço tecnológico sem trazer ganhos efetivos em confiabilidade. Além disso, propõe a aceitação de dados internacionais quando compatíveis e a criação de regras que reconheçam a flexibilidade dos bioinsumos, tanto no registro de produtos quanto na validação de metodologias desenvolvidas por especialistas.
Com isso, articula para que o ambiente regulatório seja inovador e seguro para produtores, consumidores e meio ambiente. No campo de avaliação toxicológica, por exemplo, a entidade reforça o alinhamento com os critérios da ANVISA, que preconiza dossiês técnicos e análises baseadas em normas internacionais de padronização e rotulagem, garantindo que os riscos sejam claros e compreensíveis – um princípio basilar da avaliação da segurança à saúde humana, que se dá por meio da caracterização e classificação do perigo.
“A atuação da ANPII Bio tem sido relevante ao organizar e apresentar de forma estruturada as demandas do setor produtivo. Considerando que os bioinsumos fitossanitários possuem processos produtivos complexos e suscetíveis a variações biológicas, essas medidas são indispensáveis. Por meio da participação colaborativa, o marco legal deve ser guiado por critérios técnicos que aliem segurança, incentivo à inovação e previsibilidade ao setor”, afirma Marina de Aguiar, responsável pela Gerência de Avaliação de Segurança Toxicológica (Geast), unidade vinculada à Gerência Geral de Toxicologia (GGTOX) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
Outro eixo defendido é o reconhecimento da multifuncionalidade dos produtos biológicos, permitindo registros únicos para bioinsumos com diferentes funções agronômicas. Quanto ao controle de qualidade, ele deve ser adaptado às especificidades da produção industrial e da produção “on-farm”, esta última com protocolos simplificados, mas que respeitem critérios mínimos, como presença de responsável técnico e regras claras para uso próprio. Complementarmente, defende proteção jurídica e previsibilidade regulatória, com registros de validade indeterminada desvinculados da marca comercial, além de uma legislação que fortaleça a produção nacional, a competitividade e novas tecnologias, por meio de incentivos fiscais, proteção de dados por dez anos e retorno sobre investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).
“Por meio desses pilares, não queremos criar barreiras, mas abrir caminhos: para produtores, agrônomos e consultores, distribuidores e, acima de tudo, para a sociedade, que se beneficia de alimentos mais seguros, saudáveis e sustentáveis. Nosso objetivo é que os bioinsumos sejam reconhecidos como soluções confiáveis, acessíveis e transformadoras para toda a cadeia”, continua a porta-voz da ANPII Bio.
Produtos multifuncionais – Os bioinsumos são produtos naturais derivados de microrganismos, plantas, animais e outros compostos orgânicos, com modos de ação complexos que muitas vezes combinam diferentes funções agronômicas. Um mesmo microrganismo, por exemplo, pode atuar como bioestimulante, aumentando a resistência a estresses abióticos, e como biodefensivo, controlando pragas e doenças. Essa multifuncionalidade permite que um único produto impacte a planta de várias formas simultaneamente. Sem uma legislação que permita o registo único para produtos multifuncionais, as empresas podem ser obrigadas a registrar cada função separadamente – o que gera burocracia, custos e atrasos no acesso ao mercado, sem ganhos reais de segurança.
“Por isso, desde que o bioinsumo comprove eficácia e mantenha rastreabilidade e controle de qualidade, defendemos o registro único. Para os produtores, isso significa acesso mais rápido a soluções completas, eficientes e de menor custo operacional. Esses produtos são, ao mesmo tempo, um diferencial e um desafio regulatório: bem regulados, impulsionam crescimento e desenvolvimento; mal regulados, viram entraves. Por isso, esse é um ponto essencial da regulamentação”, ressalta Júlia.
Controle de qualidade e produção “on-farm” – O controle de qualidade é outro pilar crítico. A ANPII Bio defende que as exigências sejam proporcionais ao risco e adaptadas a cada tipo de produto, diferenciadas por ativo, como microrganismo, macrorganismo ou substância, e que metodologias alternativas validadas pelas empresas sejam aceitas quando não houver método oficial. Para a produção industrial, defende rastreabilidade total e controle de lote. Já em biofábricas que manipulam ativos não microbianos ou comunidades microbianas de povos e comunidades tradicionais, com histórico seguro de uso, propõe regras que não exijam equipamentos complexos, cujo custo inviabilizaria atividades de baixo risco.
Na produção “on-farm”, defende protocolos simplificados, mas com critérios básicos de qualidade e segurança. Isso inclui o uso de cepas rastreáveis de bancos de germoplasma credenciados pelo MAPA, inóculos comerciais já registrados ou microrganismos constantes em uma lista positiva previamente aprovada pelo órgão, além da presença de responsável técnico e normas para transporte e armazenamento, garantindo qualidade microbiológica e evitando contaminações. O modelo deve ser restrito ao uso próprio, sem comercialização, para preservar padrões de qualidade e direitos de propriedade intelectual. “Acreditamos que a produção ‘on-farm’ pode coexistir com a industrial, desde que limitada ao uso próprio e supervisionada tecnicamente. Incentivamos pequenos produtores a se organizarem em cooperativas, compartilhando responsável técnico e infraestrutura, a fim de viabilizar a produção em conformidade com a regulamentação”, explica Júlia.
Um marco para a agricultura sustentável – A chamada ‘revolução dos bioinsumos’ tem transformado a agricultura brasileira, trazendo mais sustentabilidade, produtividade e inovação ao campo. Nesse cenário, a aprovação da Lei dos Bioinsumos foi um marco essencial, criando as bases para um setor mais moderno, estruturado e seguro.
Atualmente, além dos esforços para a regulamentação, o MAPA atua de forma consistente para estimular a inovação aberta no setor, com atenção especial às startups e pequenos negócios, fortalecendo a geração de soluções e a competitividade da indústria nacional. “A criação da Rede de Inovação em Bioinsumos (RIB), que articula universidades, centros de pesquisa, indústria, governo e sociedade civil, tem acelerado a geração de novas soluções e fortalecido os agentes envolvidos. Essa integração é fundamental para atrair investimentos de longo prazo e consolidar o Brasil como referência global nesta nova economia”, reforça Marcus Coelho, coordenador do CORBIO/DIAGRO do MAPA.
Para a ANPII Bio, o momento é histórico. “No âmbito do marco legal, é preciso unir esforços para que essas novas regras avancem de forma eficaz, desburocratizando sem abrir mão da confiabilidade e estimulando a modernização do setor, com uma legislação construída pelo campo, para o campo. Nosso futuro biológico começa hoje”, finaliza Julia Emanuela de Souza, diretora de relações institucionais da entidade.
Sobre a ANPII Bio:
Fundada em 1990, a ANPII Bio sempre teve como missão promover a fixação biológica de nitrogênio e promoção de crescimento vegetal como tecnologias estratégicas para uma agricultura sustentável. Com o tempo, a entidade evoluiu e, em 2024, se alinhando à dinâmica natural do mercado, ampliou o seu escopo e passou a atender também outras categorias de bioinsumos, em meio a um cenário de crescimento no uso, produção e exportação desses produtos, solidificando o Brasil como um dos principais mercados globais de insumos biológicos.
A ANPII Bio, primeira associação representativa de insumos biológicos no Brasil, vem desempenhando um papel crucial na construção de uma legislação moderna e segura junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e outros órgãos reguladores. Isso permite que o setor produtivo ofereça produtos eficientes e inovadores, com biotecnologia de ponta aplicada à agricultura sustentável.
Em parceria com a Embrapa e outras instituições de pesquisa, a entidade viabilizou estudos que diversificaram e expandiram o setor, com mais de 150 empresas desenvolvendo e comercializando bioinsumos que beneficiam agricultores, o meio ambiente e a sociedade. Além disso, sua participação em eventos científicos, feiras agrícolas, espaços de discussão e diversos fóruns relevantes, assim como seu programa gratuito de EAD, tem promovido maior entendimento sobre a tecnologia dos biológicos e contribuído para o desenvolvimento sustentável da agronomia, da agricultura e da economia do Brasil.
Atualmente, conta com 55 empresas associadas, incluindo 30 empresas produtoras e comercializadoras de bioinsumos: Agrivalle, Agripon, Agroceres Binova, Agrocete, Alltech, Alterra, Bioagro, Biocaz, Bio Controle, Bionat, Biosphera, Biota, BRQ, BSS, Elemental Enzymes, Forbio, Gaia, Geoclean, ICL, Indigo, Lallemand, Lynx Biological, Mosaic, Novonesis, Rizobacter, Rovensa Next, Spraytec, Stoller, Syngenta e Valeouro.
Para a entidade, muito já foi feito e há muito o que se fazer para que os insumos biológicos estejam ainda mais presentes na agricultura brasileira e mundial, contribuindo para a sustentabilidade da produção agrícola.
Para mais informações, acesse: www.anpiibio.org.br
Fonte: Assessoria de Imprensa ANPII Bio
Sustentabilidade
Soja reage à sinalização de Trump sobre compras chinesas e preços sobem no Brasil e em Chicago

A semana foi marcada por forte movimentação no mercado de soja, com melhora nas cotações futuras na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e reflexos positivos no mercado brasileiro. O movimento foi impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre avanços nas conversas com o presidente chinês, Xi Jinping, envolvendo possíveis compras adicionais de soja norte-americana.
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Segundo Trump, a China poderia adquirir até 20 milhões de toneladas da safra atual dos Estados Unidos. Até agora, cerca de 12 milhões de toneladas já teriam sido cumpridas dentro dos acordos firmados anteriormente, o que levou o mercado a trabalhar com a hipótese de um incremento adicional de aproximadamente 8 milhões de toneladas no curto prazo. Além disso, o presidente norte-americano mencionou a expectativa de compras próximas de 25 milhões de toneladas da safra nova, que começa a chegar ao mercado entre setembro e outubro.
De acordo com o analista Rafael Silveira, da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, uma eventual confirmação dessas compras adicionais teria impacto relevante sobre os estoques norte-americanos da safra 2025/26, hoje considerados confortáveis e próximos a níveis historicamente elevados, estimados em torno de 9,5%.
Apesar disso, Silveira pondera que há questionamentos importantes quanto à viabilidade econômica dessas aquisições. Atualmente, a soja norte-americana segue significativamente mais cara do que a brasileira, especialmente em um momento de avanço da colheita no Brasil, o que reduz a competitividade do produto dos Estados Unidos no mercado internacional.
“Se esse movimento de compras de soja norte-americana de fato se confirmar, a exportação brasileira tende a ser impactada principalmente via prêmios nos portos, enquanto a CBOT ganharia fôlego”, avalia. “No entanto, dadas as margens atuais de esmagamento na China e a clara diferença entre o flat price brasileiro e o norte-americano, não há racional econômico para que a China concentre compras nesse volume de soja dos EUA, a menos que haja algum tipo de apoio governamental, como subsídios ou incentivos indiretos”, completa o analista.
Mercado doméstico
No Brasil, o ambiente foi mais positivo ao longo da semana. Houve registro de negócios nos portos de Paranaguá e Santos, especialmente envolvendo produtores com soja disponível para entrega imediata. A segunda metade da semana concentrou negócios efetivos e avanço das cotações, configurando um cenário mais favorável à comercialização.
“Apesar de os preços ainda não serem considerados ideais pelo produtor, com as sucessivas altas em Chicago, as cotações se valorizaram, em média, cerca de três reais por saca ao longo da semana, o que ajuda a destravar parte dos negócios”, destaca Silveira.
Preços de soja no fim da semana
- Passo Fundo (RS): R$ 125,00
- Cascavel (PR): R$ 118,50
- Rondonópolis (MT): R$ 109,00
- Paranaguá (PR): R$ 128,50
- Rio Grande (RS): R$ 128,00
USDA no radar
O mercado também acompanha com atenção o relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na próxima terça-feira, dia dez, às quatorze horas. A expectativa é de um leve corte nos estoques finais de soja norte-americana da safra 2025/26.
Analistas consultados por agências internacionais projetam uma redução do carryover dos Estados Unidos de trezentos e cinquenta milhões para trezentos e quarenta e oito milhões de bushels. No cenário global, o mercado trabalha com estoques finais de soja em torno de cento e vinte e cinco milhões e quinhentas mil toneladas, acima do número indicado no relatório de janeiro.
Para a América do Sul, a avaliação é de que o USDA eleve marginalmente a estimativa de produção brasileira, passando de cento e setenta e oito milhões para cerca de cento e setenta e nove milhões de toneladas, enquanto a safra argentina pode sofrer um pequeno ajuste negativo, refletindo condições climáticas menos favoráveis em algumas regiões produtoras.
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Sustentabilidade
Trump sinaliza aumento nas compras chinesas e preços da soja melhoram aqui e em Chicago – MAIS SOJA

A semana foi marcada por intensa movimentação e melhora nos preços futuros da soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago, após declarações do presidente americano Donald Trump sobre as conversas que manteve com o presidente chinês, Xi Jinping. Trump trouxe a expectativa de um aumento da demanda de curto prazo pela soja norte-americana, impulsionando as cotações em Chicago, que se refletiu em melhora interna.
Segundo Trump, a China poderia adquirir até 20 milhões de toneladas da safra atual. Até o momento, havia o cumprimento de aproximadamente 12 milhões de toneladas, conforme acordado no ano passado. Assim, o mercado passou a trabalhar com a possibilidade de um incremento adicional de cerca de 8 milhões de toneladas de demanda chinesa. Além disso, Trump mencionou a expectativa de compras em torno de 25 milhões de toneladas para a safra nova, que começa a entrar no mercado a partir de setembro/outubro deste ano.
Caso a China efetivamente realize compras adicionais de 8 milhões de toneladas de soja no curto prazo, isso tende a pressionar de forma relevante os estoques norte-americanos da safra 2025/26, que atualmente são bastante confortáveis, próximos a níveis recordes, estimados em cerca de 9,5%. A análise é do analista Rafael Silveira, da equipe de Inteligência de Mercado de Safras & Mercado.
O analista lembra que o preço da soja norte-americana segue significativamente mais elevado do que o da soja brasileira, especialmente neste momento de avanço da colheita no Brasil, o que levanta dúvidas quanto à viabilidade econômica dessas supostas aquisições adicionais por parte da China.
“Se esse movimento de compras de soja norte-americana de fato se confirmar, a exportação brasileira tende a ser impactada principalmente via prêmios nos portos, enquanto a CBOT ganharia fôlego”, projeta. “No entanto, dadas as margens atuais de esmagamento na China e a clara diferença entre o flat price brasileiro e o flat price norte-americano, não há racional econômico para que a China concentre compras nesse volume de soja dos EUA, a menos que haja algum tipo de apoio governamental, como subsídios ou incentivos indiretos”, completa.
Mercado doméstico
Desde então o mercado doméstico esteve mais animado. Houve reporte de volumes negociados nos portos de Paranaguá e Santos, especialmente voltados a produtores com soja disponível para entrega imediata. A segunda parte da semana foi marcada por negócios efetivos e avanço dos preços, configurando uma sessão melhor para a comercialização.
“Apesar de as cotações ainda não serem consideradas ideais pelo produtor, nesta semana, com as sucessivas altas na bolsa, os preços já se valorizaram em torno de R$ 3,00 por saca, em média, o que ajuda a fomentar os negócios”, avalia Silveira.
No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu para R$ 125,00. Em Cascavel (PR), os preços estão na casa de R$ 118,50. Em Rondonópolis (MT), as cotações são de R$ 109,00. Nos portos, Paranaguá (PR) seguiu em R$ 128,50 por saca, enquanto no terminal de Rio Grande (RS) os preços estabilizaram em R$ 128,00.
USDA
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá, no seu relatório de fevereiro, indicar redução na projeção para os estoques de passagem de soja americana em 225/26. Os dados para oferta e demanda americana e mundial serão divulgados na terça, 10, às 14h.
Analistas consultados pelas agências internacionais indicam que o número para o carryover americano deverá ser cortado de 350 milhões para 348 milhões de bushels.
Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais 2025/26 de 125,5 milhões de toneladas. Em janeiro, o número ficou em 124,4 milhões.
O USDA, na avaliação do mercado, deverá elevar a sua estimativa para a safra brasileira, de 178 milhões para 179,2 milhões de toneladas. Já a previsão para a produção argentina em 2025/26 deverá ser cortada de 48,5 milhões para 48,1 milhões de toneladas.
Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua / Safras News
Sustentabilidade
Como ficaram as cotações de soja no fechamento da semana?

O mercado brasileiro de soja teve uma sexta-feira (6) de cotações mistas e ofertas pontuais. A semana foi mais favorável para a comercialização, impulsionada pela valorização de quase 5% acumulada na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).
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Segundo Rafael Silveira, analista de soja da equipe de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, o produtor permanece afastado do mercado, com ofertas aquém do esperado, enquanto os compradores cadenciam suas operações aguardando avanço da colheita.
A volatilidade dos futuros em Chicago trouxe oportunidades pontuais nos portos, com prêmios oscilando e dólar em baixa, influenciando o movimento dos players.
Os preços de soja ficaram da seguinte maneira:
- Passo Fundo (RS): permaneceu em R$ 125,00
- Santa Rosa (RS): permaneceu em R$ 126,00
- Cascavel (PR): seguiu em R$ 118,50
- Rondonópolis (MT): caiu de R$ 109,00 para R$ 110,00
- Dourados (MS): de R$ 109,50 para R$ 110,00
- Rio Verde (GO): estabilizou em R$ 111,00
- Paranaguá (PR): estabilizou em R$ 128,50
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 128,00 para R$ 130,00
Colheita de soja no Brasil
A colheita da safra 2025/26 do Brasil atingiu 13,4% da área total esperada até 6 de fevereiro, segundo levantamento da Safras & Mercado, acima dos 8,2% da semana anterior, mas ainda abaixo do mesmo período do ano passado (15,1%) e da média dos últimos cinco anos (16,8%).
Comercialização
A comercialização da safra já envolve 33,9% da produção projetada, totalizando 59,856 milhões de toneladas negociadas de uma safra estimada em 179,277 milhões de toneladas. No relatório anterior, com dados de 9 de janeiro, o número era de 30,3%. Em igual período do ano passado, a negociação envolvia 42,4%, e a média de cinco anos para o período é de 45,1%.
Chicago
Em Chicago, os contratos futuros de soja fecharam em forte alta, impulsionados pela declaração do presidente Donald Trump sobre a melhora na demanda chinesa, que trouxe otimismo ao mercado. As primeiras posições atingiram os melhores níveis em dois meses, mas o dia foi de consolidação após os ganhos da semana. O bom desenvolvimento da safra brasileira e a expectativa pelo relatório de fevereiro do USDA também seguiram no radar dos agentes.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos deverá revisar os estoques de passagem da soja americana, com redução projetada de 350 milhões para 348 milhões de bushels. Para o mercado mundial, a expectativa é de estoques finais de 125,5 milhões de toneladas em 2025/26, ante 124,4 milhões estimados em janeiro. O USDA deve elevar a estimativa da safra brasileira de 178 milhões para 179,2 milhões de toneladas e reduzir a produção argentina de 48,5 milhões para 48,1 milhões de toneladas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em março fecharam com alta de 3,00 centavos de dólar, ou 0,26%, a US$ 11,15 1/4 por bushel, e a posição maio registrou US$ 11,28 3/4 por bushel, com elevação de 2,75 centavos de dólar ou 0,24%.
Nos subprodutos, a posição março do farelo subiu US$ 0,40 ou 0,13% a US$ 303,60 por tonelada, enquanto os contratos de óleo com vencimento em março fecharam a 55,33 centavos de dólar, com perda de 0,32 centavo ou 0,57%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,64%, negociado a R$ 5,2190 para venda e R$ 5,2170 para compra, oscilando entre R$ 5,2048 e R$ 5,2538 ao longo do dia. Na semana, a moeda registrou desvalorização de 0,51%.
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