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22 de setembro de 2026

Aprosoja MT

STF suspende trechos de PEC que restringia criação de Unidades de Conservação em MT

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, por meio de liminar, trechos da emenda à Constituição de Mato Grosso que colocava restrições à criação de novas Unidades de Conservação (UCs) no estado. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (22) e tem efeito imediato.

A reportagem entrou em contato com a Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso (PGE), mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta.

A alteração na legislação estadual, proposta pelo governo e aprovada pela Assembleia Legislativa em dezembro de 2024, determinava que novas áreas de conservação só poderiam ser criadas após a regularização fundiária de pelo menos 80% das unidades já existentes. Além disso, a emenda condicionava a criação de novas áreas à existência de dotação orçamentária suficiente para as indenizações necessárias.

Ao analisar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro considerou que a norma invade competência legislativa da União e pode comprometer a proteção ambiental no estado.

“Enquanto a eficácia da norma não for suspensa, haverá entraves ao surgimento de novas unidades de conservação da natureza no âmbito do Estado de Mato Grosso, em evidente prejuízo ao meio ambiente”, afirmou.

A PGR argumentou que a emenda viola princípios constitucionais relacionados ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e ao dever estatal de garantir sua proteção.

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Na decisão, Moraes destacou que a legislação federal que rege as Unidades de Conservação estabelece apenas dois requisitos para sua criação, nenhum deles relacionado à regularização fundiária prévia ou à disponibilidade orçamentária.

“Parece ter havido excesso por parte do constituinte derivado decorrente do Estado de Mato Grosso, ao estabelecer condicionantes adicionais para a instituição de unidades de conservação no âmbito estadual”, apontou o ministro.

O projeto de emenda constitucional é de autoria do governador Mauro Mendes e foi apresentado inicialmente em dezembro de 2022. Dois anos depois, a proposta foi aprovada com 19 votos favoráveis, um contrário e quatro abstenções.

O texto também alterou a ampliação do prazo para a regularização e demarcação das Unidades de Conservação, que passa de dois para dez anos. Além disso, o substitutivo acrescentado a PEC, permite que o governo receba doações de recursos de entidades públicas ou privadas e organizações não governamentais (ONG’s) nacionais ou internacionais.

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Agro Mato Grosso

Persistência da família Ceni construiu parte da história de Santa Carmem

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Rudimar Ceni conta sobre a trajetória iniciada pelo pai, os desafios enfrentados, o trabalho que hoje divide com o filho e a fé na próxima geração, sua netinha

Na década de 70, um agricultor paranaense decidiu conhecer Sinop e encontrou uma cidade que ainda era pouco mais que uma promessa aberta na floresta. Não tinha nada por ali, mas ele se encantou com o que viu. Quatro anos depois comprou a área de terra em Santa Carmem que a família cultiva até hoje.

“Eu tenho muito orgulho do meu pai, porque ele foi um visionário. Ele veio conhecer Sinop em 1977, não tinha nada em Sinop, e ele se encantou com isso aqui. E daí em 1981 adquiriu essa área de terra. Tinha que desbravar tudo. Mas mesmo assim ele teve essa visão e veio”, conta Rudimar Ceni, produtor rural do Núcleo de Sinop da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

Naquele mesmo ano, Rudimar cursava faculdade em Curitiba e veio ao norte de Mato Grosso passar as férias de julho e conhecer a terra recém-comprada pelo pai. Voltou para a sala de aula sem conseguir tirar a região da cabeça. No ano seguinte, trancou a matrícula e resolveu criar raízes em Mato Grosso.  “Eu vim conhecer aqui em 1981, em julho. Fiquei apaixonado por isso aqui e já queria até ficar. Só que não me deixaram, queriam que eu terminasse a faculdade. Mas no ano seguinte eu não aguentei, tranquei a faculdade e em 1982 vim pra cá”, lembra. O cenário que encontrou exigia mais teimosia do que planejamento.

Não havia estrutura, e o trajeto entre Sinop e a fazenda era um obstáculo em qualquer época do ano. Os anos seguintes trouxeram um desafio: a mãe faleceu em 1993 e a família perdeu o eixo. O pai desanimou e chegou a considerar vender a propriedade. Rudimar, que mantinha um beneficiamento de madeira em Sinop, decidiu recomeçar longe dali.

“Não, eu já desisti, inclusive. Em 1993 minha mãe faleceu e o pai também deu uma boa desanimada, pretendia vender a fazenda e ir embora. Vendi o beneficiamento e fui embora para o Paraná”, afirma.

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A saída durou pouco. Em 1998, o pai mudou de ideia e decidiu entrar na agricultura. Bastou isso para que o filho refizesse o caminho de volta.“Aí eu fiquei louco e voltei pra cá de novo. E daí começamos na agricultura que está hoje”, diz.

A esposa Rudimar conheceu ainda no Paraná, onde se casaram antes de ela vir para Mato Grosso. Dessa união veio Felipe, hoje responsável por toda a parte financeira da propriedade. Ele acompanhava o avô no escritório e assumiu a função quando ele se aposentou.

A divisão de tarefas entre pai e filho funciona por afinidade.“Ele fica lá no escritório, na cidade, e eu fico mais aqui na fazenda. Eu gosto mais de ficar aqui”, revela. A sucessão já está no horizonte e ganhou uma personagem a mais. “Estou com esperança na minha neta. Estou com bastante esperança na minha neta. Ela é um espetáculo”, conta.

Aos 63 anos, Rudimar avalia que a escolha feita aos 19, segue valendo a pena em todos os ciclos que vieram depois e que ainda estão por vir. “A agricultura é uma coisa essencial no mundo, é o que leva a comida à mesa de cada um. É uma coisa que a gente tem orgulho de fazer. É cheia de riscos, a gente sabe que os riscos são enormes, mas a gente se acostumou. Vai passando um ano, vai entrando o outro e quando vê, está plantando de novo, está colhendo de novo. Eu tenho muito orgulho, sim”, finaliza.

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Agro Mato Grosso

Aprosoja MT acompanha missão ao Marrocos e reforça segurança no fertilizantes

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Entidade integrou comitiva brasileira, destacou a importância de ampliar a oferta de fosfatados e defendeu o fortalecimento da relação comercial entre Mato Grosso e Marrocos

Diretores da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participaram da missão oficial brasileira ao Reino do Marrocos, integrando a comitiva liderada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

A agenda contou ainda com a participação do embaixador do Brasil no Marrocos, Alexandre Guido Lopes Parola, e de representantes de entidades do setor agropecuário brasileiro.

Representaram a Aprosoja MT na missão o diretor administrativo Diego Bertuol, o 2º diretor administrativo Jorge Giacomelli e o vice-presidente da Região Norte de Mato Grosso, Ilson Redivo. A agenda no Marrocos incluiu o Seminário Empresarial Brasil-Marrocos, em Casablanca, reuniões institucionais em Rabat e visita ao complexo industrial da OCP Nutricrops, em Jorf Lasfar, uma das principais produtoras mundiais de fertilizantes fosfatados.

A participação da Aprosoja MT teve como objetivo colocar Mato Grosso no centro das discussões sobre segurança de abastecimento e competitividade dos fertilizantes. O estado é líder nacional na produção de soja e milho segunda safra, além de liderar o consumo brasileiro de fertilizantes e possuir elevada demanda por fontes fosfatadas, fundamentais para a construção e manutenção da fertilidade dos solos do Cerrado.

“Para Mato Grosso, essa discussão é estratégica. Somos líderes nacionais na produção de soja e milho segunda safra e temos uma enorme demanda por fósforo para manter a fertilidade e a produtividade dos nossos solos. A presença da Aprosoja MT nesta missão teve justamente o objetivo de demonstrar a dimensão dessa demanda e aproximar quem produz de quem possui capacidade para fornecer um insumo tão importante para a agricultura brasileira”, destaca o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

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Memorando amplia perspectiva de segurança no abastecimento

Um dos principais resultados da missão foi a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a OCP Nutricrops.

O documento estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao mercado brasileiro no período 2026/2027, ampliando a perspectiva de disponibilidade do insumo em um momento de incertezas no mercado internacional.

Para a Aprosoja MT, o avanço é relevante diante da elevada dependência brasileira de fertilizantes importados. A diversificação de fornecedores e a construção de relações comerciais de longo prazo podem trazer maior previsibilidade ao abastecimento e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

O entendimento também abre possibilidades de cooperação que vão além do fornecimento de fertilizantes, envolvendo pesquisa, caracterização e saúde dos solos, soluções de nutrição vegetal, inovação, agricultura de baixo carbono, capacitação técnica, logística e armazenamento.

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Relação de troca ainda pressiona o produtor

A maior segurança de abastecimento ocorre, entretanto, em um momento no qual a capacidade de investimento do produtor rural está pressionada.

Apesar do recente movimento de recuo dos preços dos fosfatados no mercado brasileiro, a relação de troca continua desfavorável ao agricultor. Em Sorriso (MT), uma das principais referências da produção de grãos do estado, a relação de troca do MAP permanece 22,4% acima da média histórica.

O cenário contrasta com o cloreto de potássio (KCl), cuja relação de troca está atualmente 4,5% melhor que a média dos últimos quatro anos. A condição mais favorável já começou a estimular em Mato Grosso as primeiras negociações antecipadas de KCl para a safra 2027/28.

“Isso demonstra que não podemos analisar apenas o preço nominal do fertilizante. Precisamos olhar para o poder de compra do produtor. O MAP pode estar recuando, mas ainda exige uma quantidade de soja superior ao padrão histórico para sua aquisição. Ao mesmo tempo, o crédito está caro e mais difícil de acessar e os preços da soja e do milho ainda não proporcionam margens que deem segurança para manter o mesmo nível de investimento”, afirma Bertuol.

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A Aprosoja MT já observa entre seus associados maior cautela na aquisição de fertilizantes e redução dos investimentos em fertilidade diante das dificuldades econômicas acumuladas nas últimas safras.

“Temos produtores reduzindo investimentos em fósforo para adequar o custo da lavoura à capacidade financeira da propriedade. Isso nos preocupa porque, quando se reduz fósforo por uma limitação financeira, não estamos discutindo somente o custo de uma safra. Estamos falando da construção da fertilidade do solo e do potencial produtivo dos próximos ciclos. Mato Grosso levou décadas investindo em correção de solo, fertilidade, tecnologia e manejo para alcançar os níveis de produtividade que temos hoje”, ressalta.

Maior oferta pode contribuir para equilíbrio do mercado

Para a Aprosoja MT, a diferença observada atualmente entre os mercados de MAP e KCl demonstra como uma relação de troca mais favorável pode mudar as decisões de investimento dentro das propriedades.

“É um exemplo claro do que buscamos. Quando existe oferta, previsibilidade e uma relação de troca economicamente viável, o produtor volta a antecipar compras e consegue planejar melhor as próximas safras. É justamente esse um dos resultados que esperamos do memorando firmado entre o Governo do Brasil e a OCP: uma sinalização de maior disponibilidade de fertilizantes fosfatados para o mercado brasileiro, trazendo mais segurança ao abastecimento e maior previsibilidade para o produtor”, destaca Bertuol.

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Segundo o diretor, a perspectiva de maior disponibilidade ocorre justamente em um momento em que o mercado sinaliza uma demanda mais cautelosa por fósforo no próximo ciclo.

“Estamos diante de um cenário que indica uma demanda mais retraída por fósforo, justamente pela perda de poder de compra e pela redução dos investimentos que já observamos no campo. Se tivermos, de um lado, uma perspectiva de maior oferta e, de outro, uma demanda mais cautelosa, podemos caminhar para um mercado mais equilibrado e para uma melhora na relação de troca. Isso é importante porque não queremos que o produtor deixe de aplicar fósforo; queremos que ele volte a ter condições econômicas de investir. Segurança de abastecimento é fundamental, mas precisa vir acompanhada de competitividade e preços que tornem viável a retomada dos investimentos em fertilidade nas próximas culturas”, conclui Bertuol.

Missão fortalece diálogo entre Aprosoja MT e Mapa

Além dos avanços comerciais, a participação na missão reforçou a aproximação institucional entre a Aprosoja MT e o Ministério da Agricultura e Pecuária.

A entidade avalia positivamente o espaço de diálogo construído com o Mapa, sob a liderança do ministro André de Paula, especialmente diante do momento de dificuldades econômicas e financeiras enfrentadas pelo setor produtivo.

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Para a Aprosoja MT, manter um canal direto entre o Ministério e as entidades representativas dos produtores é fundamental para que a realidade dentro das propriedades seja considerada na formulação das políticas agrícolas nacionais.

“A agricultura brasileira atravessa um momento que exige muito diálogo. Temos produtores enfrentando margens apertadas, crédito caro e restrito, custos elevados e dificuldades para manter o nível de investimento dentro das propriedades. Encontrar no Ministério da Agricultura abertura para ouvir quem está na ponta é muito importante. Temos conseguido construir com o ministro André de Paula um diálogo saudável, levando as preocupações dos produtores e buscando soluções para o setor”, destaca Bertuol.

Segundo o diretor, essa aproximação contribui para fortalecer a interlocução entre a política agrícola nacional e a realidade econômica enfrentada pelo produtor.

“O Ministério da Agricultura carrega uma enorme responsabilidade na representação de um setor fundamental para o país. Neste momento de dificuldade, precisamos de uma Pasta presente, com capacidade de diálogo e comprometida em compreender a realidade do campo. É essa representatividade e esse compromisso que esperamos fortalecer junto ao Mapa”, completa.

Aprosoja MT defende comércio de mão dupla com Marrocos

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Durante o Seminário Empresarial Brasil-Marrocos, em Casablanca, a Aprosoja MT também defendeu o aprofundamento de uma relação comercial de mão dupla entre Mato Grosso e o mercado marroquino.

Enquanto o Marrocos possui grandes reservas de rocha fosfática e uma indústria de fertilizantes de escala mundial, Mato Grosso reúne capacidade produtiva para ampliar sua participação no fornecimento de alimentos e matérias-primas ao país.

O milho demonstra a importância dessa complementaridade. No último ano, Mato Grosso exportou aproximadamente 1,37 milhão de toneladas de milho para o Marrocos. A cada quatro toneladas do cereal brasileiro destinadas ao mercado marroquino, aproximadamente três tiveram origem em Mato Grosso, demonstrando a relevância do estado para o abastecimento daquele mercado.

A entidade também chamou atenção durante o seminário para o potencial do farelo de soja. Diferentemente do milho, que já possui participação expressiva nas exportações mato-grossenses ao Marrocos, as compras de farelo de soja vêm apresentando redução ano após ano, cenário que demonstra espaço para trabalhar a recuperação e ampliação desse mercado.

“Defendemos no seminário uma relação de complementaridade. Mato Grosso já é um grande fornecedor de milho para o Marrocos e temos capacidade para avançar também no farelo de soja e em outros produtos. Ao mesmo tempo, o Marrocos é estratégico para nós no fornecimento de fosfatados. Queremos construir uma relação de longo prazo, na qual possamos ampliar mercados para aquilo que produzimos e, do outro lado, aumentar a segurança e a competitividade dos MISSÃO MARROCOS – MAPA | 3insumos de que precisamos para produzir”, afirma Bertuol.

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Para a Aprosoja MT, essa complementaridade pode construir uma relação comercial duradoura entre Mato Grosso e Marrocos, combinando abertura de mercados para a produção agropecuária brasileira com maior segurança no acesso a um dos insumos mais estratégicos para a agricultura do estado.

A missão também reforça a importância de Mato Grosso participar diretamente das discussões internacionais relacionadas aos insumos e mercados estratégicos para o agronegócio. Para a entidade, diversificar fornecedores, ampliar destinos para a produção, melhorar a relação de troca e fortalecer o diálogo institucional são caminhos fundamentais para devolver previsibilidade ao produtor e criar condições para a retomada dos investimentos em fertilidade, tecnologia e produtividade.

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Agro Mato Grosso

Margem apertada e custos em alta devem marcar a safra 26/27 em MT

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Aprosoja MT reforça necessidade de crédito acessível, renegociação efetiva de dívidas, além de previsibilidade tributária, para o produtor mato-grossense enfrentar o próximo ciclo

O produtor mato-grossense começa a plantar a safra de soja 2026/27 gastando mais por hectare e com a perspectiva de ganhar menos. Com a margem cada vez mais estreita, o acesso ao crédito e a renegociação de dívidas ganham ainda mais peso entre as prioridades da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) para a temporada.

O Custo Total (CT) da cultura está projetado em R$ 8.171,41 por hectare, alta de 16,69%, enquanto o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida) deve recuar 35,05% em relação à temporada anterior. As projeções são do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, o cenário é de preocupação. “Estamos vindo de quatro anos de margens pressionadas, juros elevados, insumos em preços históricos e commodities sem valorização equivalente”, afirma. A margem estreita deixa o produtor mais exposto. “Qualquer imprevisto, seja quebra de produtividade, queda no preço da soja ou aumento do custo financeiro, pode transformar rapidamente essa pequena margem em prejuízo”, alerta.

Em Campo Novo do Parecis, a delegada coordenadora, Clarete Brolio Rezende, antecipou a compra de insumos em função da constante oscilação dos preços. Agora, a preocupação está em outras despesas. “A média geral de custos é muito alta. Aqui na região também estamos sofrendo com o diesel, que está muito caro. Toda semana que vamos comprar é um preço novo”, relata.

Cortes no manejo – Entre os itens que mais pesam na conta estão os defensivos agrícolas, com alta próxima de 11%, e os fertilizantes e corretivos, que subiram 5,40%. Segundo Bertuol, a pressão sobre o caixa já aparece nas propriedades, com redução nas doses de fósforo e potássio e busca por alternativas de menor custo. “Não se trata necessariamente da melhor decisão técnica, mas da necessidade de adequar a lavoura ao caixa disponível. Isso cria um ciclo preocupante. A margem diminui, o produtor reduz investimentos para conseguir plantar, a produtividade fica mais vulnerável e a rentabilidade cai novamente”, explica.

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A área de soja deve permanecer praticamente estável, em 13,04 milhões de hectares. Já a produtividade média projetada é de 62,44 sacas por hectare, 5,43% abaixo do ciclo anterior, o que leva a produção estimada a 48,88 milhões de toneladas, recuo de 5,19%.

Diante desse quadro, o diretor recomenda priorizar eficiência, rentabilidade e preservação de caixa, com uma ressalva.  “Essa redução de custos no curto prazo não pode comprometer a capacidade produtiva da agricultura mato-grossense no médio e no longo prazo”, diz.

No milho, a tendência se repete. A área deve crescer 0,59%, para 7,48 milhões de hectares, enquanto a produtividade projetada recua 8,05%, para 119,64 sacas por hectare, com produção estimada em 53,68 milhões de toneladas.

Clarete lembra que o resultado do cereal depende do calendário da soja e aponta o clima como principal ponto de atenção. “Nós temos uma renda melhor na segunda safra, mas precisamos colher bem na primeira. Então não podemos atrasar a janela de plantio”, afirma.

Crédito na ponta – Entre as prioridades da Aprosoja MT para a temporada, Bertuol destaca a recuperação da capacidade de financiamento do produtor, uma solução efetiva para o endividamento e a contenção de novos custos e de aumento da carga tributária. “Não basta anunciar bilhões de reais em um Plano Safra se esses recursos não chegam à conta. O produtor enfrenta juros elevados, maior restrição de crédito e exigências cada vez maiores de garantias. Quando não consegue renegociar uma dívida, ele permanece inadimplente, perde capacidade de crédito e acaba empurrado para operações mais caras, justamente quando sua margem não suporta juros maiores”, avalia.

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O diretor reconhece o avanço trazido pela Medida Provisória 1.376, que autoriza linhas de crédito para renegociação de dívidas rurais e cria um fundo garantidor para produtores afetados por eventos climáticos adversos, mas observa que a aplicação ainda está lenta. “Já se passaram semanas desde a publicação e ainda não vemos, na velocidade necessária, essas renegociações sendo formalizadas nos contratos das instituições financeiras. Também falta articulação do Congresso Nacional e da Frente Parlamentar da Agropecuária para aperfeiçoar esses instrumentos. Enquanto isso, o acesso ao crédito novo fica mais difícil, e isso compromete o financiamento de uma safra que já está começando”, pontua. Para ele, negociar exige condições reais de pagamento.

“Precisamos de prazos compatíveis com a capacidade de pagamento da atividade, carência adequada e taxas de juros que o produtor consiga pagar. Caso contrário, a dívida é alongada no papel, mas o produtor não se recupera economicamente”, defende.

Na área tributária, Bertuol lembra o congelamento do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) em Mato Grosso e afirma que a entidade acompanha os efeitos da reforma tributária. “A agricultura não se sustenta apenas com anúncios de bilhões ou publicação de normas. O recurso e a renegociação precisam chegar ao produtor, dentro da fazenda”, conclui.

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