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5 de agosto de 2026

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Novas rotas logísticas: como as pavimentações e a ferrovia vão redefinir o transporte em MT

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Mato Grosso está no centro de uma transformação logística que promete reduzir custos, encurtar distâncias e ampliar a competitividade do estado no cenário nacional e internacional.

A combinação de obras de pavimentação em corredores estratégicos, como a BR-163, e a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) está abrindo novas possibilidades para o escoamento da produção e para a diversificação econômica.

BR-163: do gargalo ao corredor de exportação

Durante décadas, a BR-163 foi sinônimo de atraso no transporte de grãos e carne produzidos no norte de Mato Grosso, especialmente nos períodos de chuva, quando trechos sem asfalto paralisavam caminhões por dias.

Hoje, a rodovia está praticamente toda pavimentada até os portos do Arco Norte, como Miritituba, no Pará, encurtando o caminho até os mercados internacionais.

A redução do tempo de viagem e do custo de frete já é perceptível. Transportadoras estimam economia de até 25% em relação à rota tradicional para os portos do Sudeste e Sul do país. Isso aumenta a competitividade dos produtores mato-grossenses, que passam a ter mais de uma alternativa viável para escoar sua produção.

Ferrovia de Integração Centro-Oeste: a nova espinha dorsal

A Fico, atualmente em fase de construção, ligará Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT), com previsão de integração futura à Ferrovia Norte-Sul e, consequentemente, aos portos de Itaqui (MA) e Santos (SP).

Esse corredor ferroviário permitirá transportar grandes volumes de grãos, carne, madeira e minérios com menor custo e menor impacto ambiental, já que o trem emite menos CO₂ por tonelada transportada do que o transporte rodoviário.

Além do agronegócio, setores como mineração e indústria de transformação também devem se beneficiar. Cidades como Água Boa e Lucas do Rio Verde, que já são polos produtivos, tendem a atrair novas indústrias de processamento e centros de distribuição.

Impactos econômicos e sociais

O efeito combinado da BR-163 pavimentada e da futura Fico não se limita ao transporte. A nova malha logística deve impulsionar a instalação de armazéns, terminais intermodais e até novos polos industriais ao longo do trajeto. Isso significa mais empregos diretos e indiretos, aumento da arrecadação municipal e maior integração regional.

O futuro da logística em Mato Grosso

A consolidação dessas rotas reforça o papel de Mato Grosso como um dos principais celeiros do mundo, mas também como um estado cada vez mais conectado a mercados e cadeias produtivas globais. Para investidores, transportadoras e produtores, o momento é de adaptação estratégica: aproveitar as novas rotas para reduzir custos, ampliar mercados e inovar na forma de fazer negócios.

Se o ritmo das obras for mantido, a próxima década poderá marcar a transição definitiva de Mato Grosso de um estado produtor isolado para um hub logístico e industrial integrado ao Brasil e ao mundo.

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Wilson Santos articula criação de 10 mil lotes com asfalto e água para famílias de baixa renda

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Política

Cuiabá e Chapada dos Guimarães já protocolaram projetos para receber bairros populares usando emenda milionária da Assembleia

Foto de Thomas Eliton


Thomas Eliton

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Tribunal do Júri condena assassino de mulher trans a 18 anos de prisão

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Jurados reconheceram todas as qualificadoras e determinaram cumprimento da pena em regime fechado.

Junio Santos da Silva foi condenado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá a 18 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da mulher transexual conhecida pelo nome social de Gisa, de 55 anos. O julgamento ocorreu na terça-feira (4), no Fórum da Capital.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os jurados reconheceram que o réu foi o autor do crime e acolheram todas as qualificadoras apresentadas pela acusação, afastando a tese de absolvição.

O Conselho de Sentença concluiu que o homicídio foi cometido por motivo torpe, com uso de asfixia e meio cruel, além de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Também reconheceu que o crime ocorreu em razão da condição do sexo feminino, em contexto de discriminação contra uma mulher trans.

Segundo a denúncia, Gisa foi morta na madrugada de 7 de abril de 2024, em um terreno baldio na Rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, em Cuiabá. Ela sofreu diversos golpes na cabeça e morreu após ser asfixiada.

Durante o julgamento, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva ressaltou que Gisa integra a exposição “Em Memória Delas”, do Observatório Caliandra, iniciativa do MPMT voltada à conscientização sobre vítimas de feminicídio e violência de gênero. Conforme o promotor, a inclusão da vítima na mostra representa o reconhecimento de sua identidade de gênero e reforça a necessidade de combater crimes motivados por preconceito.

Ainda conforme o representante do Ministério Público, a condenação demonstra que atos de violência motivados por discriminação não podem ser admitidos e que a atuação da acusação buscou comprovar a autoria, a dinâmica do crime e as circunstâncias que levaram à morte da vítima.

Na sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira destacou que todas as qualificadoras foram reconhecidas pelos jurados. Para definir a pena, a magistrada também levou em consideração os danos psicológicos sofridos pelos familiares de Gisa, especialmente a irmã e as sobrinhas.

Preso preventivamente desde novembro de 2024, Junio Santos da Silva permanecerá detido. A juíza determinou o início imediato do cumprimento da pena e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade.

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STJ mantém preso advogado acusado de atropelar e matar idosa em Várzea Grande

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Ministro rejeitou habeas corpus e apontou risco à ordem pública diante do histórico criminal do réu.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 71 anos, acusado de atropelar e matar a pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, em janeiro deste ano, na Avenida da FEB, em Várzea Grande.

A decisão é do ministro Joel Ilan Paciornik, que rejeitou o habeas corpus apresentado pela defesa. O magistrado entendeu que o pedido foi utilizado como substituição ao recurso adequado. Ainda assim, analisou o caso e concluiu que não há ilegalidade que justifique a revogação da prisão preventiva.

Na decisão publicada nesta quarta-feira (5), o ministro afirmou que não identificou qualquer constrangimento ilegal que autorizasse a soltura do acusado.

Ao manter a custódia, o STJ levou em consideração que o advogado, conforme os autos, conduzia o veículo em alta velocidade, atropelou a vítima, deixou o local sem prestar socorro e possui antecedentes criminais. Também pesaram na decisão uma condenação anterior ainda em fase de execução e o uso de documento falso para ocultar a própria identidade em outro processo, fatores que, segundo o tribunal, indicam risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.

O ministro também afastou os argumentos da defesa relacionados à idade do acusado, às doenças alegadas e ao fato de ele possuir residência fixa. Para o STJ, essas circunstâncias não afastam a necessidade da prisão preventiva. A Corte ainda entendeu que medidas cautelares menos severas, como monitoramento eletrônico ou comparecimento periódico à Justiça, seriam insuficientes diante do caso.

Outro argumento apresentado pela defesa foi o suposto excesso de prazo para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). No entanto, o tribunal considerou que a questão perdeu o objeto, já que a denúncia foi apresentada e recebida pela Justiça durante a tramitação do habeas corpus.

O caso

O atropelamento ocorreu em 20 de janeiro de 2026 e foi registrado por câmeras de monitoramento. As imagens mostram Ilmes Dalmes Mendes da Conceição concluindo a travessia da Avenida da FEB quando foi atingida por uma Fiat Toro conduzida por Paulo Roberto.

Com a força do impacto, a vítima foi lançada para a pista contrária e acabou sendo atingida por outro veículo. O corpo foi dilacerado.

Em depoimento, o advogado negou responsabilidade pelo atropelamento. Disse que estava com a “cabeça cheia” e alegou que a vítima teria batido em seu veículo. Também afirmou que deixou o local por receio de ser agredido por pessoas que presenciaram o acidente.

A denúncia foi recebida pela Justiça em 17 de junho. O advogado responde por homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima, com agravante por ela ser maior de 60 anos.

O Ministério Público sustenta que houve dolo eventual, por entender que o motorista assumiu o risco de provocar a morte. Além disso, ele responde pelos crimes de omissão de socorro e de abandonar o local do acidente para escapar da responsabilização penal, previstos no Código de Trânsito Brasileiro.

Antecedentes

Segundo os autos, Paulo Roberto possui histórico criminal em Mato Grosso e no Rio de Janeiro. Ele foi condenado pelo homicídio do delegado Eduardo da Rocha Coelho, crime praticado quando atuava como policial civil.

Após esse episódio, fugiu para Mato Grosso, onde utilizou a identidade falsa de Francisco de Ângelis Vaccani Lima durante anos. Com esse nome, foi condenado em Jaciara pelo assassinato e decapitação da amante, além da ocultação do corpo no Rio São Lourenço. As condenações anteriores somam mais de 30 anos de prisão.

Embora tenha inscrição ativa no Cadastro Nacional de Advogados, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) instaurou, em 2010, um incidente de idoneidade contra o acusado.

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