Agro Mato Grosso
Deputados aprovam ‘Estatuto do Pantanal’ para evitar destruição do bioma em MT

Criação do Estatuto traz diretrizes específicas para o Pantanal, com foco em prevenção de incêndios, práticas sustentáveis e valorização das comunidades locais.
Com o intuito de proteger o Pantanal mato-grossense e evitar a destruição do bioma, a Câmara dos Deputados aprovou nessa terça-feira (2) o Estatuto do Pantanal. O texto, que já havia passado pelo Senado, agora segue para sanção presidencial e atende a uma exigência do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado ao Congresso a elaboração de uma legislação específica para a região no prazo de 18 meses.
O novo estatuto é baseado em um projeto de lei de autoria do senador mato-grossense Wellington Fagundes (PL), e foi construído a partir de anos de discussões, consultas públicas, visitas técnicas e contribuições de especialistas, comunidades locais e representantes do setor produtivo.
A proposta estabelece diretrizes próprias para o Pantanal, que até então era regido por normas pensadas para outros biomas. Entre os principais pontos estão medidas de prevenção e combate a incêndios florestais, estímulo ao ecoturismo e à pecuária sustentável, valorização da cultura e das comunidades tradicionais, além da criação do Selo Pantanal Sustentável, que certificará boas práticas ambientais na região.
Segundo Fagundes, a aprovação representa o fim de um cenário de insegurança jurídica para o Pantanal. Além disso, ele informou que a iniciativa contará com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Mudanças previstas
Como o objetivo principal do Estatuto é a preservação ambiental do bioma, o texto estabelece diretrizes próprias para o Pantanal. Entre os pontos centrais do Estatuto estão:
- Diretrizes de prevenção e combate a incêndios florestais;
- Estímulo ao ecoturismo e à pecuária sustentável;
- Valorização das comunidades tradicionais e da cultura pantaneira;
- Criação do Selo Pantanal Sustentável, certificando boas práticas na região;
- Normas gerais de conservação, recuperação e uso sustentável.
Com a sanção do Estatuto, o Congresso Nacional atende à determinação estabelecida pelo STF. Agora, as medidas de ações efetivas de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável deverão ser realizadas por meio de políticas públicas articuladas entre governo, sociedade civil e setor produtivo.
Avanço da degradação dificulta recuperação do Pantanal
O Pantanal pode enfrentar sérias dificuldades de recuperação sem a intervenção direta do ser humano, segundo especialistas.
Dados do MapBiomas mostram que o Brasil já perdeu definitivamente 1/3 da sua cobertura vegetal nativa e, somente em Mato Grosso, essa área caiu de 87% para 60%. O mesmo estudo ainda apontou que o Pantanal é o bioma com mais municípios que tiveram perdas de áreas naturais, com 82%.
Ao g1, o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, disse que é difícil que o bioma consiga se recuperar efetivamente sem nenhuma intervenção humana.
“Precisamos de programas de recuperação ambiental, isso envolve plantio de mudas e proteção de áreas, para que elas fiquem intocáveis até que se recuperem. A tendência é piorar, nós teremos situações mais difíceis no futuro, por isso a gente tem que estar preparado pra aumentar a resiliência do ecossistema”, explicou.
Para o especialista, existe uma necessidade urgente de mais envolvimento do Estado e da população no aumento da resistência do bioma, já que, segundo ele, a maior parte das áreas são particulares. Ele diz que é preciso mais tecnologia pra detecção precoce de incêndios, apoio aéreo e maior capacidade operacional de combate as chamas.
Com relação a fauna, Carlos disse que o bioma possui muitas espécies endêmicas, que são aquelas que estão ameaçadas de extinção. Segundo ele, os incêndios constantes vão dizimando as espécies que já são raras.
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Antes e depois da Transpantaneira, no Pantanal — Foto: Reprodução
🔥Queimadas em 2020
O Pantanal registrou o maior incêndio no bioma em 2020. Foram 4,5 milhões de hectares queimados e 17 milhões de animais mortos.
Várias espécies usaram estratégias para tentar fugir do fogo, mas não conseguiram devido à proporção que as chamas tomaram. Os impactos à fauna e à vegetação foram diversos, como algumas mudanças de comportamento no próprio bioma e a chegada de novas espécies.
Mesmo anos após os incêndios, os pesquisadores constaram que o Pantanal não se recuperou totalmente e que as populações das espécies não voltaram ao tamanho que eram. Pelo contrário, cerca de 75 milhões de animais vertebrados e 4,6 bilhões de invertebrados foram afetados diretamente e indiretamente.
🐆O bioma
O Pantanal abriga uma diversidade única, incluindo várias espécies ameaçadas, ao todo são:
- 🌱3,5 mil espécies de plantas
- 🐟325 espécies de peixes
- 🐸53 espécies de anfíbios
- 🐊98 espécies de répteis
- 🦜656 espécies de aves
- 🐆159 tipos de mamíferos
Onça-pintada, jacaré, tuiuiú, ipês, jacarandás e entre outros integrantes representam o Pantanal. Além disso, ele atua como regulador natural de enchentes, porque absorve e armazena água durante períodos chuvosos.
O Pantanal também funciona como um reservatório de água doce com altitudes que alcançam 150 metros. Seus recursos hidrológicos são importantes para o abastecimento das cidades, onde vivem aproximadamente 3 milhões de pessoas, no Brasil, Bolívia e Paraguai.
Nos anos 2000, a Unesco concedeu ao bioma o título de ‘Reserva da Biosfera’, além de tombá-lo como Patrimônio da Humanidade.
Agro Mato Grosso
Vídeo: Incêndio atinge área de armazenagem de usina em MT

Fogo foi controlado com apoio de brigadistas da empresa; ninguém ficou ferido e a produção da unidade não foi afetada.
Um incêndio registrado na madrugada desta terça-feira (16) mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar e brigadistas de uma usina de etanol em Sinop, a 503 km de Cuiabá. As chamas atingiram um equipamento localizado no setor de armazenagem da unidade industrial.
Os bombeiros foram acionados por volta das 4h30 para atender à ocorrência. Segundo informações iniciais, o fogo se espalhou rapidamente na área afetada, exigindo uma operação conjunta para impedir que as chamas alcançassem outros pontos do local. (Video abaixo)

Durante o combate, as equipes concentraram esforços na contenção do incêndio e na proteção das estruturas vizinhas. A atuação integrada entre os bombeiros e a brigada interna evitou que o incidente provocasse danos em outros setores considerados estratégicos para o funcionamento da unidade.
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Unidade da Inpasa em Sinop – Mato Grosso — Foto: engedelta
Em nota, a Inpasa informou que a ocorrência foi identificada rapidamente e que os protocolos de segurança foram acionados imediatamente. A empresa destacou que o incêndio ficou restrito ao local atingido e não comprometeu as demais áreas nem a produção da usina.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas e deverão ser investigadas após a conclusão dos trabalhos no local.
VIDEO:
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Agro Mato Grosso
Cai preço do milho disponível em Mato Grosso R$ 41,70

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) informou, há pouco, que caiu 0,95% a cotação do milho disponível no Estado, semana passada. A cotação fechou em R$ 41,70 na última sexta-feria.
O indicador Cepea (SP) teve queda menor, de 0,54% em relação à semana passada, assim cotado na média de R$ 64,23/saca.
O Prêmio Santos subiu 23,33% no comparativo semanal, refletindo maior demanda de tradings sobre o milho brasileiro e pela exportação e demanda mais intensa pelo milho no spot.
Agro Mato Grosso
20º Circuito Aprosoja MT inicia última semana com abertura na região Leste em Gaúcha do Norte

O evento apresentou ações da entidade e promoveu debates sobre como a geopolítica impacta o agronegócio
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) deu início, nesta segunda-feira (15.06), à última semana de programação do 20º Circuito Aprosoja MT, desta vez na região Leste do estado, com abertura no núcleo de Gaúcha do Norte. O evento reúne produtores rurais, lideranças e representantes da sociedade para apresentar as principais ações desenvolvidas pela entidade ao longo dos últimos anos, além de promover debates sobre temas estratégicos para o setor produtivo.
Nesta edição, os participantes acompanham a palestra “Geopolítica: Como o mundo funciona?”, que traz uma análise sobre os impactos do cenário internacional no agronegócio brasileiro, abordando como conflitos, transformações econômicas e decisões globais podem influenciar diretamente a produção no campo.
Ao longo dos próximos dias, a diretoria da Aprosoja MT percorrerá mais sete núcleos da região Leste, em um importante momento de prestação de contas, alinhamento institucional e aproximação com os produtores rurais. Para o delegado coordenador do núcleo de Gaúcha do Norte, Jhonatan Loss, o Circuito Aprosoja MT representa uma oportunidade de fortalecer o diálogo entre a entidade e os associados, além de ampliar o acesso às informações que impactam diretamente o setor.
“Acredito que isso é muito importante para impactar diretamente os produtores, porque ajuda a ampliar a visão sobre como funciona o sistema econômico global. Muitas vezes, um conflito fora do nosso país interfere diretamente dentro da propriedade rural, influenciando fatores como commodities, fertilizantes, frete e até a valorização da nossa moeda. Ter esse entendimento dá ao produtor mais clareza e preparo para se planejar melhor diante de situações futuras que possam ocorrer no mercado internacional”, salientou Jhonatan.
Durante a programação, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destacou a importância do debate geopolítico e como decisões mundiais impactam diretamente o setor do agronegócio mato-grossense.
“Com o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para um cessar-fogo de 60 dias e a possível reabertura do Estreito de Ormuz, surgem questionamentos importantes: como isso pode impactar o preço dos fertilizantes? Esse acordo realmente vai se sustentar? E a reabertura do estreito deve se concretizar? Durante o Circuito da Aprosoja MT, estamos acompanhando e entendendo como esses movimentos geopolíticos influenciam diretamente a agricultura mato-grossense”, destacou o vice-presidente.
Nesta edição, os participantes também acompanharam a palestra do cientista geopolítico Professor HOC, que abordou os impactos do cenário geopolítico mundial sobre o agronegócio brasileiro. Segundo o palestrante, compreender os movimentos geopolíticos é essencial para que o produtor rural possa se antecipar a tendências e avaliar os impactos que podem influenciar diretamente os custos de produção, exportações e o posicionamento do agro brasileiro no cenário mundial.
“Ainda existem muitas incertezas e pontos que precisam ser esclarecidos. E mesmo que o acordo seja assinado, há divergências entre as partes. Enquanto os Estados Unidos afirmam que o conflito está resolvido, as informações que vêm do Irã apontam para algo diferente: um acordo temporário, sujeito a novas negociações e possíveis mudanças no futuro. Isso significa que ainda não há garantia de que o fluxo de petróleo, gás e fertilizantes pelo estreito esteja totalmente normalizado. E, mesmo que seja liberado, como tenho comentado nas outras cidades e apresentações, existe um desafio operacional para retomar toda a logística. Esse processo não acontece da noite para o dia e pode levar alguns meses. Vamos continuar acompanhando e, ao longo da semana, trago as novidades para vocês”, pontuou o cientista geopolítico.
O 20º Circuito Aprosoja MT segue consolidando seu papel como ponte entre a entidade e os produtores, reforçando o compromisso de representar, informar e preparar o setor para os desafios e oportunidades do agronegócio em Mato Grosso e no Brasil. Nesta terça-feira a equipe da Aprosoja MT segue para Canarana.
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