Sustentabilidade
Análise Ceema: Cotação do trigo chegou a cair, mas se recuperou um pouco durante a semana em Chicago – MAIS SOJA

Por Dr. Argemiro Luís Brum
A cotação do trigo, em Chicago, para o primeiro mês, chegou a cair para US$ 4,98/bushel nesta semana, porém, se recuperou um pouco no final da mesma, com o fechamento da quinta-feira (21) ficando em US$ 5,07, contra US$ 5,03/bushel uma semana antes.
Por outro lado, a colheita do trigo de inverno, nos EUA, chegava a 94% da área no dia 17/08, contra 95% na média histórica. Já quanto ao trigo de primavera, a colheita atingia a 36% da área, ficando exatamente na média histórica.
Por sua vez, os embarques de trigo, por parte dos EUA, na semana encerrada em 14/08, atingiram a 395.240 toneladas. Com este volume, o total embarcado no atual ano comercial atinge a 4,8 milhões de toneladas para o ano 2025/26, contra 4,64 milhões no mesmo período do ano anterior.
Na Argentina, apesar do USDA ter reduzido a safra local para 19 milhões de toneladas em seu relatório de agosto, o mercado local continua estimando uma colheita acima de 20 milhões de toneladas de trigo.

E no Brasil, os preços do cereal continuam em baixa. No Rio Grande do Sul as principais praças mantiveram R$ 70,00/saco, com a média semanal ficando em R$ 69,88. Já no Paraná os preços vieram a R$ 75,00 e R$ 76,00/saco.
Mesmo com uma produção futura esperada entre 7,5 e 7,8 milhões de toneladas, os estoques finais terminaram o ano comercial, em fins de julho/25, acima do ano anterior, puxados pelas importações. Segundo a Conab, a área nacional de trigo ficou mesmo em 2,55 milhões de hectares, com queda de 16,7% sobre o ano anterior. Como existe a expectativa de uma produtividade em alta de 19% (bastante otimista), espera-se que a colheita chegue aos números indicados. Lembrando que o recente relatório de oferta e demanda do USDA apontou uma estimativa, de colheita brasileira de trigo, de 7,5 milhões de toneladas.
De forma geral, o mercado interno brasileiro de trigo continua lento, com preços pressionados pelas baixas cotações mundiais e pela valorização do Real, que torna mais barata a importação. Nesta semana, no Paraná, as indicações para a safra velha se mantiveram ao redor de R$ 1.450,00/tonelada no CIF moinhos, com relatos de entrada de trigo paraguaio e argentino entre R$ 1.440,00 e R$ 1.450,00/tonelada, reforçando a paridade de importação como referência. Para a safra nova, os preços variaram entre R$ 1.300,00 e R$ 1.350,00/tonelada no CIF moinhos, mas sem interesse por parte do vendedor. E no Rio Grande do Sul, moinhos operaram com interesse entre R$ 1.250,00 e R$ 1.280,00/tonelada no FOB interior, enquanto produtores pediram de R$ 1.300,00 a R$ 1.350,00/tonelada. Para a safra nova, a indicação no porto de Rio Grande recuou de cerca de R$ 1.300,00/tonelada, no início do corrente mês, para R$ 1.240,00 a R$ 1.250,00/tonelada atualmente. No Mato Grosso do Sul, as ofertas para a nova safra ficaram entre R$ 1.300,00 e R$ 1.400,00/tonelada, variando conforme a qualidade. Já para trigo paraguaio, com falling number de 300, as ofertas giraram em torno de US$ 260,00/tonelada CIF moinhos, o equivalente a cerca de R$ 1.400,00/tonelada ao câmbio atual. As geadas devem reduzir a safra do Paraná e de São Paulo. O mesmo acontecerá no Paraguai, onde se espera uma quebra entre 200.000 e 250.000 toneladas devido ao fenômeno. Lembrando que o Paraguai exportou 709.000 toneladas para o Brasil em 2024/25 (cf. Safras & Mercado).
Enfim, no Rio Grande do Sul, segundo a Emater, até o dia 14/08, cerca de 4% das lavouras estavam em floração, contra 11% na média histórica. E no Paraná, conforme o Deral, 81% das lavouras de trigo estavam em boas condições no dia 19/08, contra 13% regulares e 6% ruins.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Sustentabilidade
Soja reage no mercado brasileiro com alta em Chicago e foco nos próximos dados do USDA – MAIS SOJA

Após muitas oscilações, a semana vai se encerrando com um cenário mais favorável para o mercado brasileiro de soja. A quinta foi de de maior movimentação, com fluxo mais intenso de negócios nos portos diante da melhora das cotações. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, ressalta que as altas na Bolsa de Chicago, aliadas aos prêmios firmes, favoreceram a formação de preços ao longo da sessão.
Segundo Silveira, Chicago avançou com apoio das melhores vendas da safra nova norte-americana. O dólar recuou apenas levemente, enquanto os prêmios permaneceram firmes. “A cotação no porto chamou a atenção”, afirma.
No mercado interno, também houve melhora nas indicações de compra. Apesar disso, o produtor manteve postura cautelosa. “Está fazendo jogo duro, segurando lotes e pedindo preços mais altos”, ressalta o analista.
No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos avançou de R$ 128,00 para R$ 129,00, enquanto em Santa Rosa (RS) saiu de R$ 129,00 para R$ 130,00. Em Cascavel (PR), as cotações passaram de R$ 124,00 para R$ 125,00. Já em Rondonópolis (MT), os preços mudaram de R$ 114,00 para R$ 115,00, enquanto em Dourados (MS) passaram de R$ 116,50 para R$ 117,00. Em Rio Verde (GO), a saca seguiu em R$ 117,00.
Nos portos, Paranaguá (PR) aumentou de R$ 135,00 para R$ 136,00 por saca. Em Rio Grande (RS), as referências também saíram de R$ 135,00 para R$ 136,00.
Os contratos futuros da soja fecharam em forte alta nesta quinta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). A previsão de temperaturas elevadas para a região produtora dos Estados Unidos nos próximos dias, podendo prejudicar o desenvolvimento das lavouras, garantiu a recuperação técnica dos preços.
Os agentes começaram a posicionar suas carteiras frente aos importantes relatórios que serão divulgados na próxima semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na terça, 30, saem os dados de plantio da temporada 2026/27 e os estoques trimestrais americanos em 1o de junho.
Plantio e estoques EUA
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá indicar uma área plantada norte-americana com soja de 85,37 milhões de acres, com avanço sobre o ano anterior e na comparação com a intenção de plantio, divulgada em março. O relatório de área plantada será divulgado na terça, 30, às 13hs.
A previsão é compartilhada por analistas e corretores consultados pelas agências internacionais. Segundo a consulta, o USDA deverá indicar área de 85,37 milhões de acres, acima dos 81,215 milhões de acres cultivados em 2025.
No final de março, o USDA divulgou o relatório de intenção de plantio. Naquela oportunidade, o Departamento apostava em uma área de 84,7 milhões de acres.
O Departamento vai divulgar na terça também o relatório para os estoques trimestrais americanos na posição 1o de junho. O mercado aponta estoques de 1,051 bilhão de bushels. Em 1o de março, o estoque ficou em 2,105 bilhões e em junho do ano passado os produtores tinham 1,008 bilhão de bushels armazenados.
Fonte: Agência Safras
Sustentabilidade
Produtor é autuado por plantar soja durante vazio sanitário em São Paulo

A Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo autuou um produtor rural por cultivar soja durante o período de vazio sanitário no município de Casa Branca, na região de São João da Boa Vista. A irregularidade foi identificada nesta semana, após uma denúncia encaminhada ao órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).
Durante a fiscalização, engenheiros agrônomos localizaram uma área de soja cultivada sob sistema de irrigação por pivô. Segundo os técnicos, as plantas estavam distribuídas em linhas, caracterizando um cultivo comercial e não apenas a presença de plantas voluntárias, conhecidas como soja tiguera.
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De acordo com a Defesa Agropecuária, a área apresenta indícios de que a semeadura foi realizada em fevereiro, fora da janela oficial de plantio para o município, encerrada em 10 de janeiro. Além disso, o terreno já havia recebido uma lavoura de soja na safra de verão, configurando uma segunda safra da cultura na mesma área, prática proibida pela legislação estadual.
O produtor foi autuado com base no Decreto Estadual nº 45.211/2000, por desenvolver atividade que favorece a disseminação de pragas e doenças vegetais sob restrição, e recebeu notificação para erradicar a lavoura dentro do prazo estabelecido.
Na região de São João da Boa Vista, o vazio sanitário da soja teve início em 12 de junho e segue até 12 de setembro. Durante esse período, é proibido cultivar ou manter plantas vivas de soja nas propriedades.
Segundo a gerente do Programa Estadual de Vigilância Fitossanitária, Jucileia Wagatsuma, o cumprimento da medida é essencial para reduzir o risco da ferrugem asiática, considerada a principal doença da cultura no Brasil. Ela explica que o vazio sanitário, aliado à proibição da semeadura fora do calendário e do cultivo sucessivo de soja na mesma área, ajuda a diminuir a pressão do fungo Phakopsora pachyrhizi e reduz as chances de surgimento de populações resistentes aos fungicidas utilizados no controle da doença.
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Sustentabilidade
China amplia participação nas exportações de soja do Brasil
A China continua a expandir sua participação nas exportações de soja do Brasil, consolidando-se como o maior comprador do grão brasileiro. Dados recentes mostram um aumento significativo na quantidade de soja exportada para o país asiático, refletindo a crescente dependência do Brasil em relação ao mercado chinês.
Dados das exportações de soja
Em 2015, o Brasil exportou 55 milhões de toneladas de soja, das quais 41 milhões foram destinadas à China, representando 75% do total. Em 2020, as exportações aumentaram para 83 milhões de toneladas, com a China comprando 61 milhões, o que corresponde a 73% do volume total. Para 2025, as projeções indicam que o Brasil deverá exportar 108 milhões de toneladas, com a China adquirindo 85 milhões, ou 79% do total.
Expectativas para 2026
Para o primeiro semestre de 2026, espera-se que o Brasil exporte 66 milhões de toneladas de soja, com a China comprando mais de 70% desse volume. A participação da China nas exportações de soja brasileiras permanece expressiva, destacando a importância desse mercado para a economia nacional.
Desafios e oportunidades
A relação comercial entre Brasil e China apresenta tanto oportunidades quanto riscos. O Brasil deve diversificar seus mercados para reduzir a dependência da China, especialmente em um cenário de possíveis crises no comércio bilateral. O avanço na agroindústria da soja, incluindo o aumento da produção de farelo e óleo, é uma estratégia para ampliar a capilaridade do mercado brasileiro.
Em resumo, a China se mantém como o principal parceiro comercial do Brasil no setor de soja, com um crescimento contínuo nas exportações e uma dependência que requer atenção e estratégias de diversificação.
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