Business
Parlamentares buscam saída para embargos do Ibama na Amazônia Legal

Produtores relatam prejuízos e cobram regularização fundiária e ambiental em audiência na Câmara
Deputados e senadores discutem alternativas para resolver a insegurança jurídica enfrentada por cerca de 4.200 propriedades rurais de cinco estados afetados por embargos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em áreas desmatadas da Amazônia Legal. As ações estudadas vão de projetos de lei a negociações voltadas à regularização fundiária e ambiental dos imóveis.
O impasse atinge municípios de Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Mato Grosso e foi debatido em audiência da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, na última quarta-feira (13).
Situação de Rondônia
Produtores rurais afirmaram que, só em Porto Velho (RO), foram emitidas 800 notificações em maio, acompanhadas de multas, apreensão de animais, equipamentos e bens, interdição compulsória das atividades, bloqueio de CPF, perda de acesso ao crédito rural e impossibilidade de comercializar a produção.
O representante da Associação Rural Mista de Extrema, em Rondônia, Aparecido Bispo de Oliveira expressou revolta. “Quando nós recebemos a notificação, corri no banco. Imediatamente foi baixada minha proposta de financiamento. Como vai ficar minha situação futura? Nós estamos quebrados, a realidade é essa. O Ibama está falindo o produtor rural”, desabafou.
Produtores de soja
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) reclamou de punição excessiva do órgão ambiental. O advogado Thiago Rocha cobrou a aplicação da lei sobre crimes de abuso de autoridade (Lei 13.869/19) para responsabilizar os agentes. “Tem que ter alguma forma de responsabilização ou a gente vai ficar enxugando gelo aqui para sempre”, afirmou.
Subcomissão no Senado
No Senado, o caso é analisado por uma subcomissão da Comissão de Agricultura com alvo nos embargos, que estariam sendo aplicados sem notificação pessoal do infrator, segundo o senador Jaime Bagattoli (PL-RO). “Nossas preocupações com os embargos preventivos e coletivos incluem a violação do devido processo legal e do direito de defesa.”
Projetos na Câmara
A Câmara analisa propostas (PDL 318/25 e PDL 508/25) do deputado Coronel Ulysses (União-AC) que propõem a anulação de decretos do governo relacionados a multas e embargos ambientais.
Reivindicações
Os produtores rurais encaminharam uma série de reivindicações aos parlamentares, entre elas:
- adequação do Código Florestal à realidade produtiva e socioeconômica da região Norte;
- suspensão das ações que resultem em confisco de produções agropecuárias;
- anistia de multas e suspensão de embargos automáticos promovidos pelos órgãos ambientais (Ibama, ICMBio e secretarias estaduais); e
- suspensão dos efeitos de registros do Banco Central que impeçam produtores multados ou embargados de acessar crédito ou manter suas atividades.
Terras de Rondônia
Especificamente em relação a Rondônia, a organizadora do debate, deputada Cristiane Lopes (União-RO) defendeu a aprovação de um projeto de lei que ela apresentou no ano passado (PL 3609/24). Segundo ela, a ideia é transferir, gratuitamente, as terras pertencente à União para o domínio do estado de Rondônia.
“Esse projeto de lei já está na Comissão de Meio Ambiente. Lutamos para a aprovação, porque é o que vai solucionar esse grave problema hoje no estado de Rondônia”, disse.
Cadastro Ambiental Rural
Cristiane Lopes se comprometeu a intermediar reuniões diretas dos produtores rurais com vários órgãos do governo federal a fim de outras soluções concretas. A deputada ainda cobrou avanço dos órgãos estaduais no processo de regularização fundiária por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Essa saída também foi defendida pelo diretor de proteção ambiental do Ibama, Jair Scmitt. “O primeiro ponto perpassa a questão da regularização fundiária e o passo subsequente também é a regularização ambiental, porque a análise do CAR consolida os direitos e a situação da propriedade. Há áreas em que você tem uma sobreposição de CAR e isso, de fato, cria insegurança jurídica”, explicou.
Desmatamento
Jair Schmitt garantiu que os embargos do Ibama são respaldados por lei (Código Florestal e Lei de Crimes Ambientais) e funcionam como medida cautelar para cessar o desmatamento e permitir a recuperação ambiental da área.
Ele citou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/Deter) que apontaram alta de 3% no desmatamento do bioma amazônico entre agosto de 2024 e junho de 2025, após sucessivos períodos de redução.
Só em Rondônia, conforme explicou, a taxa de degradação florestal por incêndio ou exploração irregular de madeira chegou a 4.818 quilômetros quadrados, muito superior à média dos últimos 10 anos e quatro vezes maior do que o recorde de 1.083 quilômetros quadrados registrado entre 2015 e 2016.
Business
Falta de mão de obra desafia o agro de Mato Grosso

A modernização das propriedades rurais elevou a necessidade de profissionais preparados para operar máquinas e desempenhar diferentes funções no campo. Em Mato Grosso, porém, encontrar mão de obra qualificada continua sendo um dos principais entraves para o setor, em um momento em que a tecnologia exige trabalhadores cada vez mais capacitados.
Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Senar-MT, revela que mais de 62% dos produtores do estado enfrentam alta dificuldade para contratar novos funcionários. A maior demanda é por operadores de máquinas agrícolas, reflexo da crescente mecanização das atividades.
Diante desse cenário, muitas propriedades têm concentrado esforços na formação dos próprios colaboradores, criando oportunidades para quem chega ao campo sem experiência e demonstra interesse em construir uma carreira no agro.
Foi esse o caminho percorrido por Bruno Miguel Pancini Nunes. Formado em Direito, ele trabalhava na advocacia quando recebeu o convite para passar uma safra como motorista de caminhão em uma fazenda. A experiência temporária acabou se transformando em uma nova profissão.
Hoje, Bruno é gerente de produção da Fazenda Bom Princípio, em Nova Mutum, onde são cultivados soja, milho e feijão. Casado e pai de duas filhas, ele afirma que toda a renda da família vem da atividade rural. “Foi o primeiro emprego no agro e é onde eu estou até hoje. A renda sai 100% daqui”.

Crescimento profissional dentro da fazenda
O ingresso definitivo aconteceu poucos meses depois da primeira safra, quando surgiu uma vaga fixa na propriedade. A partir dali, a rotina passou a ser de aprendizado constante, acompanhando de perto todas as etapas da produção agrícola.
Sem qualquer contato anterior com a agricultura, Bruno aprendeu a profissão no dia a dia, com o apoio da equipe da fazenda. “Eu cheguei aqui e não tinha noção do que era uma plantação, uma lavoura. Com o tempo fui aprendendo, o Lucas foi me ensinando, também aprendi com o agrônomo da fazenda e fui pegando experiência”, diz ao Patrulheiro Agro.
Ao longo dos anos, passou por diferentes funções até assumir a gerência. A experiência prática fez com que dominasse atividades que vão além da administração da propriedade. “Hoje em dia eu planto, colho, puxo com caminhão, fazemos carregamentos. O agro não é uma coisa só. Todo dia você está fazendo uma coisa diferente”.
A mudança de área também não deixa espaço para arrependimentos. “Não, de jeito nenhum. O agro é muito melhor. Trabalhar com isso daqui é muito gratificante e a remuneração é muito melhor do que a advocacia”.

Investimento nas equipes ganha espaço
Na Fazenda Bueno, em Ipiranga do Norte, a estratégia para enfrentar a escassez de profissionais passa pelo desenvolvimento dos próprios colaboradores. A propriedade familiar entende que reter trabalhadores depende tanto da capacitação quanto da criação de um ambiente em que as pessoas tenham perspectivas de crescimento.
Responsável pelas áreas administrativa, financeira e de recursos humanos, a agricultora Edina Ferreira Bueno observa que o desafio começa antes mesmo da contratação. “Hoje isso é um grande desafio. Você trazer o pessoal da cidade para o campo, motivar as pessoas para elas ficarem aqui e criar um ambiente atrativo, com diferenciais que façam elas quererem permanecer”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
A fazenda conta com nove funcionários, além da participação do pai e de três irmãos da família. Em vez de buscar apenas profissionais já qualificados, a aposta tem sido identificar o potencial de quem ingressa na propriedade.
Um dos exemplos é um colaborador que chegou como trabalhador temporário durante a construção da unidade de armazenagem e, ao longo de quatro anos, ampliou as responsabilidades dentro da fazenda. “Hoje ele é tratorista, está fazendo habilitação para dirigir caminhão, opera pá carregadeira e já resolve um monte de problema. O negócio hoje é você investir na sua equipe”.
Para Edina, oportunidades existem para quem deseja seguir carreira no agro. “A pessoa que tem interesse, que gosta disso, tem muita oportunidade. Esse problema é geral. Todo produtor tem essa necessidade e falta profissional qualificado”.

Profissionais de outros estados ajudam a suprir a demanda
A dificuldade para encontrar mão de obra qualificada na região tem levado produtores a ampliar a busca por trabalhadores em outros estados. Em algumas propriedades, a contratação de profissionais de fora se tornou uma alternativa para manter as operações durante os períodos de maior demanda.
É o que também acontece na Fazenda Bueno. Além da equipe fixa, trabalhadores vieram do Rio Grande do Sul, Maranhão e até do Paraguai para atender as necessidades da propriedade.
O agricultor Auri Antônio Ferreira Bueno conta ao Canal Rural Mato Grosso que encontrar profissionais na própria região nem sempre é possível. “A pessoa que vem colher para nós vem lá do Rio Grande do Sul. Dois aqui são do Maranhão que tocam o armazém. Um outro estava no Paraguai e veio morar para cá. Aqui é difícil encontrar”.
Mesmo com esse reforço, a participação da família continua sendo necessária nos períodos de colheita. “Na colheita da soja eu também ajudo a colher. Hoje a mão de obra não é fácil, então tem que ir se virando nós da família mesmo”.
+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
O post Falta de mão de obra desafia o agro de Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
Business
Moagem de cana no Centro-Sul cai 14,5% em junho, diz Unica

As usinas do Centro-Sul processaram 69,791 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em junho da safra 2026/27, contra 81,622 milhões de toneladas em igual mês do ciclo anterior, queda de 14,50%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). No período, a produção de açúcar recuou, enquanto o etanol registrou alta na comparação anual.
Ao fim de junho, 255 unidades produtoras estavam em operação na região Centro-Sul. Desse total, 235 eram usinas com processamento de cana, 11 empresas produtoras de etanol de milho e nove unidades flex.
Segundo a Unica, a qualidade da matéria-prima melhorou no mês. O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) chegou a 141,68 quilos por tonelada de cana, alta de 2,91% sobre junho do ano passado.
Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!
Mesmo com esse avanço no ATR, a produção de açúcar caiu para 3,903 milhões de toneladas em junho, volume 26,33% inferior ao registrado no mesmo mês da safra 2025/26.
Na produção de etanol, o Centro-Sul somou 3,796 bilhões de litros, crescimento de 2,47% na comparação anual. Desse total, o etanol hidratado alcançou 2,260 bilhões de litros, com recuo de 1,00%, enquanto o etanol anidro atingiu 1,536 bilhão de litros, alta de 8,06%.
A destinação da cana reforçou esse movimento. Em junho, 58,57% da matéria-prima processada foi direcionada à produção de etanol, acima dos 50,51% observados no mesmo mês da safra anterior.
O etanol de milho também ampliou participação no resultado mensal. Do volume total produzido em junho, 20,98% tiveram o cereal como matéria-prima. A produção a partir do milho chegou a 796,13 milhões de litros, aumento de 8,40% em relação a igual período do ano passado.
Os dados de junho mostram menor moagem de cana no Centro-Sul na safra 2026/27, com recuo na produção de açúcar e avanço da produção de etanol, em um mês marcado por maior destinação da cana ao biocombustível e crescimento do etanol de milho.
Fonte: Estadão Conteúdo
O post Moagem de cana no Centro-Sul cai 14,5% em junho, diz Unica apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Colheita da 2ª safra de milho em MS atinge 37,3% da área

A colheita da segunda safra de milho 2025/26 em Mato Grosso do Sul alcançou 37,3% da área cultivada até sexta-feira (31), o equivalente a cerca de 823 mil hectares. Os dados são do Projeto Siga-MS, da Aprosoja/MS. O avanço dos trabalhos está 5,4 pontos porcentuais abaixo do observado no mesmo período da safra 2024/25.
Entre as regiões do Estado, o maior avanço da colheita foi registrado no sul, com 38,6% da área já colhida. Em seguida aparecem o norte, com 37,5%, e o centro, com 33,1%.
Segundo a Aprosoja/MS, o Estado entra agora na fase de maior concentração da colheita. A entidade ressalta, porém, que a previsão de chuvas, tempestades isoladas e rajadas de vento nas regiões sudoeste, sul, sudeste e leste pode reduzir a janela para a entrada das máquinas nos próximos dias.
Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!
A estimativa para a segunda safra foi mantida em 2,206 milhões de hectares. A produtividade média projetada é de 84,2 sacas por hectare, com produção estimada em 11,139 milhões de toneladas.
De acordo com o boletim, o milho ocupa neste ciclo cerca de 46% da área cultivada com soja em Mato Grosso do Sul. Em anos anteriores, essa relação estava próxima de 75%. A mudança está associada à adoção de culturas alternativas de segunda safra, como sorgo, milheto e pastagens, em áreas fora da janela considerada mais favorável pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Com 37,3% da área colhida até o fim de julho, a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul mantém estimativa de 11,139 milhões de toneladas, enquanto o avanço dos trabalhos passa a depender também das condições climáticas previstas para os próximos dias.
Fonte: Estadão Conteúdo
O post Colheita da 2ª safra de milho em MS atinge 37,3% da área apareceu primeiro em Canal Rural.
Business21 horas agoCâmara setorial debate safra, dívidas rurais e manejo da soja em Londrina
Featured21 horas agoLatam lança voos diretos de Rondonópolis a Guarulhos e Cuiabá a Curitiba
Business20 horas agoProdutor troca escritório pela agricultura orgânica e encontra propósito no campo
Featured17 horas agoHomem é executado a tiros enquanto levava o filho para a escola em MT
Business23 horas ago‘Cardápio Forrageiro’ orienta escolha de plantas resistentes para a pecuária no Semiárido baiano
Sustentabilidade19 horas agoAlgodão avança em NY com dólar fraco e alta dos mercados vizinhos – MAIS SOJA
Sustentabilidade18 horas agoO que sustentou os preços da soja hoje? Confira as cotações em dia menos movimentado
Featured24 horas agoSTJ mantém preso advogado acusado de atropelar e matar idosa em Várzea Grande
















