Sustentabilidade
Rede de ensaios cooperativos avaliou a associação de fungicidas químicos e biológicos no controle de doenças foliares em soja – MAIS SOJA

O uso de fungicidas no manejo de doenças é uma prática indispensável em culturas agrícolas como a soja, especialmente diante do potencial destrutivo que certos patógenos apresentam sobre o rendimento e a qualidade dos grãos. Visando aumentar a eficiência e sustentabilidade no controle de doenças em soja, bem como manejar a resistência de fungos a fungicidas, ferramentas de manejo vem sendo adotadas de forma associativa ao uso de fungicidas químicos.
Uma dessa ferramentas são os produtos biológicos. Contudo, mesmo com o avanço das formulações e aumento da adesão e aprimoramento no posicionamento de produtos biológicos no manejo de doenças, a eficiência dos bioprodutos no controle de doenças em soja pode variar de acordo com sua composição. Nesse sentido, conhecer a eficiência desses biofungicidas no manejo de doenças é determinante para o bom posicionamento deles no programa fitossanitário da cultura.
Dentre as opções biológicas disponíveis para o manejo de doenças em culturas agrícolas, destacam-se os produtos à base de bactérias do gênero Bacillus e metabólitos microbianos. Esses agentes atuam por múltiplos mecanismos, como a produção de compostos antimicrobianos, a competição por espaço e nutrientes, a indução de resistência sistêmica nas plantas e a formação de biofilmes que atuam como barreiras protetoras. A compatibilidade dessas soluções com fungicidas químicos permite sua integração em programas de manejo integrado de doenças, favorecendo a diversificação dos modos de ação e contribuindo para uma maior estabilidade e eficiência no controle fitossanitário (Meyer et al., 2025).
Com o intuito de avaliar a associação de fungicidas biológicos e químicos no controle de doenças foliares em soja, ensaios cooperativos em rede vêm sendo realizados desde a safra 2022/2023. De acordo com Meyer et al. (2025), na safra 2024/2025, esses ensaios foram realizados com dois protocolos de pulverizações, sendo um deles denominado PROGRAMA, combinando-se aplicações de fungicidas biológicos e químicos, isolados ou em mistura de tanque (Tabela 1) e outro protocolo, denominado SOLO, comparando-se aplicações sequenciais de fungicidas biológicos com programas de fungicidas sítio-específicos e de multissítios (tabela 2).
Tabela 1. Tratamentos do protocolo PROGRAMA, combinando fungicidas biológicos e químicos para controle de doenças foliares da soja. Safra 2024/2025.
No PROGRAMA, as aplicações de fungicidas biológicos iniciaram no estádio V4 da soja, em mistura com glifosato, com uma segunda aplicação aos 40 dias após a emergência (DAE). Dois programas com fungicidas químicos foram testados, ambos com quatro aplicações em intervalos de 14 dias, variando na inclusão de clorotalonil na segunda aplicação.
O Programa 1 de aplicações de fungicidas químicos foi composto por picoxistrobina (60 g/ha) & benzovindiflupir (30 g/ha) (Vessarya® 0,6 L p.c./ha) na segunda aplicação, azoxistrobina (94 g/ha) & tebuconazol (112 g/ha) & mancozebe (1194 g/ha) (Tridium® 2,0 kg p.c./ha) + adjuvante Strides® (0,25 % v/v) na terceira aplicação e metominostrobina (68,6 g/ha) & impirfluxan (34,2 g/ha) & clorotalonil (1142,8 g/ha) (Sugoy® 2,0 L p.c./ha) + adjuvante Iharol Gold (0,25% v/v) na quarta e quinta aplicações. O Programa 2 de aplicações de fungicidas foi empregado apenas no tratamento T4 e foi basicamente composto pelo Programa 1, com a adição de clorotalonil (1080 g/ha) (Previnil® 1,5 L p.c./ha) em mistura com Vessarya®, na segunda aplicação (Meyer et al., 2025).
Já o protocolo SOLO (tabela 2), foi composto pelas aplicações sequenciais dos fungicidas biológicos, comparados a dois programas de fungicidas químicos, sendo o Programa 1 composto por picoxistrobina (60 g/ha) & benzovindiflupir (30 g/ha) (Vessarya® 0,6 L p.c./ ha) na segunda aplicação, azoxistrobina (94 g/ha) & tebuconazol (112 g/ha) & mancozebe (1194 g/ ha) (Tridium® 2,0 kg p.c./ha) + adjuvante Strides® (0,25 % v/v) na terceira aplicação e metominostrobina (68,6 g/ha) & impirfluxan (34,2 g/ha) & clorotalonil (1142,8 g/ha) (Sugoy® 2,0 L p.c./ha) na quarta aplicação (sem aplicação em V4) e, o Programa 2, composto por uma aplicação de difenoconazol (75 g/ha – Score® 0,3 L p.c./ha) em V4 e somente fungicidas multissítios nas aplicações a partir de 40 DAE, com mancozebe (1125 g/ha) (Unizeb Gold 1,5 kg/ ha) + adjuvante Strides (0,25% v/v) na segunda e terceira aplicações e clorotalonil (1080 g/ha) (Previnil® 1,5 L p.c./ha) na quarta aplicação.
Tabela 2. Tratamentos do protocolo SOLO, comparando aplicações sequenciais de fungicidas biológicos e químicos para controle de doenças foliares da soja. Safra 2024/2025.

De acordo com os resultados obtidos na safra 2024/2025, todos os tratamentos compostos por fungicidas químicos ou por associação de fungicidas biológicos e químicos apresentaram controle de doenças foliares em relação à testemunha sem aplicação (T1), mas não diferiram entre si, apresentando níveis de controle variando de 53,2 % a 60,8 % para DFC e de 33,9 % a 43,8 % para mancha-alvo (Tabela 3). Já com relação a produtividade, no protocolo PROGRAMA, foi observada uma redução média de 12,6 % no tratamento T1 (testemunha sem aplicação), como consequência das doenças incidentes. Todos os tratamentos resultaram em aumento na produtividade em relação ao tratamento T1, entretanto, não houve diferença entre os tratamentos fungicidas avaliados (Meyer et al., 2025).
Tabela 3. Estimativa metanalítica da média de severidade de doenças de final de ciclo (DFC), mancha-alvo (M. Alvo) e respectivos percentuais de controle em relação ao tratamento T1 (C), produtividade (Prod.) e percentual de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, do protocolo PROGRAMA. Médias de 13 locais para severidade de DFC e produtividade, e de nove locais para mancha-alvo. Safra 2024/2025.

Para o protocolo SOLO, todos os tratamentos compostos por fungicidas químicos apresentaram controle das doenças foliares em relação à testemunha sem aplicação (T1), formando um grupo estatístico com maior eficiência de controle das doenças, variando de 48,5 % a 54,1 % para DFC e de 32,9 % a 39,1 % para mancha-alvo. Todos os tratamentos compostos por fungicidas biológicos apresentaram controle de DFC variando de 23,2 % a 28,2 %, e não diferiram entre si. Para mancha-alvo, apenas o tratamento T9 (B. subtilis) não diferiu de T1 (testemunha sem aplicação), com os demais tratamentos apresentando níveis de controle variando entre 18,4 % e 23,8 %. Todos os fungicidas químicos apresentaram produtividade superior a testemunha e aos tratamentos compostos por produtos biológicos (Meyer et al., 2025).
Tabela 4. Estimativa metanalítica da média de severidade de doenças de final de ciclo (DFC), mancha-alvo (M. Alvo) e respectivos percentuais de controle em relação ao tratamento T1 (C), produtividade (Prod.) e percentual de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, do protocolo SOLO. Médias de 13 locais para severidade de DFC e produtividade, e de nove locais para mancha-alvo. Safra 2024/2025.

Os resultados observador por Meyer et al. (2025), indicam que, para a safra 2024/2025, não foi possível observar resultados significativos de incremento no controle de doenças foliares em função da associação de fungicidas biológicos ao programa de controle químicos. Além disso, os autores destacam que, para as condições do presente estudo, o controle químico se sobressaiu no controle de doenças em relação ao controle biológico, não havendo melhora em eficiência com o acréscimo do controle químico em V4 ou com os produtos biológicos.
Confira a Circular Técnica completa com os resultados sumarizados da rede de experimentos cooperativos da safra 2024/2025 clicando aqui!

Referências:
MEYER, M. C. et al. AVALIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE FUNGICIDAS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS NO CONTROLE DE DOENÇAS FOLIARES DA SOJA, SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DA REDE DE EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 217, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177012/1/Circ-Tec-217.pdf >, acesso em: 28/07/2025.
Foto de capa: Maurício Stefanelo – Ceres Consultoria

Sustentabilidade
Negócios são contidos em dia de USDA; confira as cotações de soja

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com negociações mais contidas no mercado interno, enquanto os melhores negócios foram registrados nos portos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os prêmios permaneceram firmes ao longo da semana, sustentando as cotações mesmo com o recuo do dólar.
De acordo com o analista, a Bolsa de Chicago avançou após a divulgação do relatório de oferta e demanda de julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), enquanto a moeda norte-americana apresentou queda, mas sem grandes oscilações. Com isso, os preços variaram entre estabilidade e alta durante a sessão.
Silveira afirma que o produtor segue cauteloso e continua buscando preços ainda mais elevados para avançar nas negociações.
“O mercado segue com boas indicações, mas o produtor continua cauteloso, buscando cotações ainda maiores”, destaca.
Segundo o analista, a semana foi marcada por um volume expressivo de negócios, impulsionado pelas indicações mais firmes de preços. “O mercado ficou mais animado pelo ponto de vista do vendedor”, resume.
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 135,00 por saca
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 136,00 por saca
- Cascavel (PR): manteve em R$ 130,00 por saca
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 122,00 por saca
- Dourados (MS): subiu de R$ 121,00 para R$ 123,00 por saca
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 124,00 por saca
Nos portos, Paranaguá (PR) manteve a referência em R$ 141,00 por saca, mesmo patamar observado em Rio Grande (RS).
Chicago fecha em alta após relatório do USDA
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram a sexta-feira em alta, refletindo a repercussão do relatório mensal do USDA e a confirmação de uma venda de soja norte-americana para a China.
O USDA estimou a safra dos Estados Unidos em 4,475 bilhões de bushels na temporada 2026/27, o equivalente a 121,8 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior de 4,435 bilhões de bushels (120,7 milhões de toneladas). O mercado esperava uma produção de 4,457 bilhões de bushels, ou 121,3 milhões de toneladas.
A produtividade foi mantida em 53 bushels por acre.
Já os estoques finais da safra 2026/27 foram projetados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas, abaixo da expectativa do mercado, que estimava 324 milhões de bushels (8,8 milhões de toneladas). Para a temporada 2025/26, o USDA indicou estoques de passagem de 330 milhões de bushels, enquanto os analistas esperavam 337 milhões.
Outro fator de sustentação dos preços foi o anúncio de exportadores privados norte-americanos sobre a venda de 254 mil toneladas de soja para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27.
No fechamento da sessão, o contrato julho/2026 avançou 14 centavos de dólar, ou 1,18%, para US$ 11,91 por bushel. A posição novembro/2026 subiu 9,25 centavos, ou 0,78%, encerrando a US$ 11,90¾ por bushel. Na semana, o contrato novembro acumulou valorização de 3,62%.
Entre os derivados, o farelo para agosto/2026 avançou US$ 3,00 por tonelada, fechando em US$ 320,40, enquanto o óleo de soja para agosto subiu 0,77%, para 70,46 centavos de dólar por libra-peso.
Dólar recua na semana
No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou a sexta-feira com queda de 0,29%, cotado a R$ 5,1068 na venda e R$ 5,1048 na compra. Durante o pregão, a moeda oscilou entre R$ 5,0988 e R$ 5,1253. No acumulado da semana, a desvalorização foi de 1,19%.
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Sustentabilidade
CESB 25/26: Campeão da Região Norte – Sequeiro obteve 136,64 sc/ha – MAIS SOJA

Com produtividade de 136,64 sacas por hectare, o produtor Pedro Foresto Crispim, Fazenda Bela, em Goiatins (TO), garantiu o título de campeão da Região Norte, categoria sequeiro, do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja do CESB da safra 25/26.
A impressionante produtividade foi obtida em uma área de 2,68 hectares, cujas práticas de manejo foram voltadas à construção da fertilidade do solo, à preservação do perfil físico e ao manejo criterioso da cultura ao longo de todo o ciclo. O histórico da área demonstra uma rotação de culturas envolvendo soja, milho, milheto e braquiária, além de sucessivas correções da acidez com aplicações de calcário e gesso em safras anteriores, além da calagem na safra 25/26, onde também foi realizada adubação de sistema com 300 kg/ha de 00-49-00 + S a lanço.
A cultivar NEO 820 IPRO foi semeada com espalhamento entrelinhas de 50 cm, população planejada de 260 mil plantas por hectare e profundidade de 3,5 cm. O tratamento de sementes continha inseticidas e fungicidas. Para a coinoculação realizada via sulco de semeadura foram utilizados Bradyrhizobium japonicum e Azospirillum brasilense, associados ao fornecimento de cobalto, molibdênio e níquel. Antes da semeadura também foi realizada dessecação com glufosinato de amônio, glifosato e flumioxazina, enquanto a adubação de plantio contemplou 100 kg/ha de fosfato (00-49-00 + S) e 150 kg/ha de cloreto de potássio (na pré-semeadura).
Durante o desenvolvimento vegetativo, o manejo nutricional incluiu nova aplicação de 150 kg/ha de KCl em V2, reforçando o suprimento de potássio. Paralelamente, foi realizado controle de plantas daninhas com aplicações sequenciais de cletodim e glifosato, além de um programa fitossanitário voltado ao manejo de pragas e doenças. As aplicações combinaram fungicidas protetores e sítio-específicos, inseticidas com diferentes mecanismos de ação e adjuvantes.
Na fase reprodutiva, o manejo foi intensificado com aplicações foliares de macro e micronutrientes, além de nova aplicação de Azospirillum brasilense em R1. O programa fitossanitário foi mantido até R5.5, alternando fungicidas como mancozebe, clorotalonil e difenoconazol, associados ao controle de insetos por meio de inseticidas como bifentrina, acetamiprido, abamectina, piriproxifem, imidacloprido e acefato. Também foi realizada suplementação de potássio em R5.3.
Entre os principais fatores responsáveis pelo elevado rendimento, o consultor Luiz Gabriel de Moraes Junior destaca a fertilidade e perfil do solo, a genética e qualidade das sementes e as boas condições climáticas, com precipitação acumulada de 1026 mm, elevada eficiência climática e agrícola. Esses fatores permitiram expressivo peso de mil grãos (263,3 g) resultando na produtividade de 136,64 sc/ha.
A partir desse ano, os Cases Campeões do CESB passam a ser disponibilizados mediante uma taxa de contribuição simbólica. Essa mudança tem como principal objetivo garantir a continuidade e a sustentabilidade das ações promovidas pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), sempre voltadas ao fortalecimento da sojicultura nacional (CESB, 2026).
Clique aqui e confira!

Referências:
CESB. Comitê Estratégico Soja Brasil. Case Campeões, 2026. Disponível em: < https://www.cesbrasil.org.br/category/cases-campeoes/ >, acesso em: 10/07/2026.
Redação: Equipe Mais Soja, com informações dos Cases CESB.
Sustentabilidade
recorde histórico de 156,13 sc/ha

A safra 2025/26 ficará marcada na história da sojicultura brasileira. O produtor Lourival Ruthes, da Agrícola Lourival Ruthes, de Major Vieira (SC), atingiu 156,13 sacas por hectare e se tornou o Campeão Nacional da 18ª edição do Desafio de Máxima Produtividade do CESB — o maior resultado já auditado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil em dezoito anos de competição. Os resultados foram divulgados durante o Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja, realizado nos dias 7 e 8 de julho em Indaiatuba (SP).
Mas o recorde individual não é o único dado que chama atenção. A média de produtividade de todas as áreas auditadas pelo CESB nesta safra chegou a 97,25 sc/ha. Mais revelador ainda: todos os dez melhores colocados da edição estão acima de 120 sacas por hectare — um patamar que era considerado fora do alcance prático há menos de uma década.
Uma evolução que os números comprovam
A trajetória do Desafio CESB ao longo de 18 anos deixa claro o avanço da sojicultura brasileira:
Na safra 08/09, o TOP 10 do Desafio registrava média de 77,8 sc/ha. Na safra 25/26, essa mesma faixa está em 138,53 sc/ha — um salto de mais de 60 sacas em menos de duas décadas.
Outro dado que ilustra essa evolução: na safra 08/09, nenhuma das áreas auditadas ultrapassava 90 sc/ha. Em 2025/26, 72% das áreas inscritas estão acima desse patamar. A média histórica do Desafio, ao longo dos 18 anos de competição, é de 84,81 sc/ha.
A edição atual também registrou crescimento de participação: foram 5.300 inscrições contra 4.726 na safra anterior, representando alta de 12%. Produtores de 1.061 municípios e 18 estados participaram, abrangendo 4,8 milhões de hectares — o equivalente a 10% da área brasileira cultivada com soja. O número de auditorias subiu de 812 para 922 áreas, crescimento de 13,5%.
O que explica os maiores resultados: o sistema, não a ação isolada
O ponto central debatido no Fórum foi a lógica que orienta os sistemas de maior desempenho. De acordo com Luiz Silva, Diretor Executivo do CESB, os pilares que se repetem nas áreas recordistas são: implantação da lavoura com genética bem posicionada, sementes de alto vigor, construção e manejo do perfil do solo, nutrição equilibrada ao longo do ciclo, fisiologia para mitigação de estresses, controle preventivo de doenças, pragas e plantas daninhas, e assistência técnica qualificada.
“O grande aprendizado é que as maiores produtividades são resultado da integração dessas práticas dentro de um sistema de produção eficiente”, afirmou Silva.
O desejo do CESB, segundo os palestrantes, é que os sistemas de alto rendimento alcancem margem líquida acima de 40% — combinando produtividade, eficiência e rentabilidade como tripé inegociável.
Case Sul/Nacional: 156,13 sc/ha em Major Vieira (SC)
A Agrícola Lourival Ruthes colheu 156,13 sc/ha em uma área inserida em um contexto desafiador: janela de semeadura estreita na região e acúmulo de apenas 781mm de chuva no ciclo.
A cultivar utilizada foi a BMX Zeus Ipro, semeada em 11 de novembro com ciclo de 136 dias. A população esperada era de 290.000 plantas/ha e a obtida chegou a 270.000 plantas/ha, com apenas 7% de falhas. A maioria das vagens apresentou três grãos, e o Peso de Mil Grãos (PMG) alcançou 243,33g frente à referência da obtentora de 209g — com 235 grãos por planta.
Entre os diferenciais do manejo, destacam-se aplicações foliares em V4 e V6 para melhorar a deposição e absorção dos produtos e prevenção ao mofo branco, além do uso de bico cone para fungicidas em velocidade abaixo de 10km/h. Em R5.5, foi realizada aplicação para o manejo do complexo de manchas, com inclusão de mancozebe — cujo efeito, segundo o consultor Daicon Godeski Moreira, é mais fisiológico do que fungicida nessa janela. A decisão de aplicação foi tomada com monitoramento de 50% dos trifólios ainda verdes.
O custo de produção da área foi de R$ 8.163,53/ha — bem acima do custo médio das áreas auditadas na região, de R$ 4.718,06/ha. A receita bruta alcançou R$ 18.735,60/ha, com preço médio de venda de R$ 120,00/sc. O ROI da área foi de 1,29, com eficiência agronômica de 91% e eficiência climática de 83%.
Case Nordeste: 143,77 sc/ha e a oitava conquista do Grupo Gorgen

O Grupo Gorgen, com consultoria de Edinei Fugalli, sagrou-se octacampeão da Região Nordeste na categoria Sequeiro, com 143,77 sc/ha na Fazenda Barcelona, em Riachão das Neves (BA).
A fazenda totaliza 3.300 hectares de soja com média de 95,8 sc/ha. O talhão campeão apresentou eficiência climática de 82% e eficiência agronômica de 92%, com acúmulo de 1.320mm de chuva durante o ciclo e alguns momentos de estiagem.
A cultivar foi a BMX Olimpo Ipro, semeada em 3 de novembro com 126 dias de ciclo. A população almejada era de 250.000 plantas/ha, com 230.666 plantas/ha obtidas (queda de 8%). A produção sobre algodão — cultura que exporta poucos nutrientes do solo, pois apenas a fibra sai da área — contribuiu para a construção da fertilidade. A resistência de penetração do solo atinge 1,5 MPa acima de 40cm, manejada com escarificação a cada quatro anos nas áreas de algodão.
Um ponto de destaque foi a ausência de glifosato na dessecação pós-emergência. “Um sonho realizado”, segundo o consultor Fugalli. A dessecação em pós foi realizada principalmente para controle do algodão tigueira. O ROI do talhão foi de 1,90.
Case Norte: 136,84 sc/ha com chuvas bem distribuídas no Tocantins

Na Fazenda Isabela, em Goiatins (TO), o produtor Pedro Foresto Crispim colheu 136,84 sc/ha com a cultivar NEO 820 Ipro, semeada em 2 de novembro com 123 dias de ciclo. A fazenda tem 1.000 hectares totais, dos quais 435 ha de soja, com média geral de 86 sc/ha.
O acúmulo de chuvas foi de 1.026mm durante o ciclo, com boa distribuição. A eficiência climática foi de 87% e a eficiência agronômica de 91%. A população obtida foi de 220.000 plantas/ha frente a 260.000 almejadas. O PMG alcançou 263,33g contra base de 205g da obtentora.
O ROI foi de 1,55, com preço médio de venda de R$ 118/sc e lucratividade líquida de 60,86% — o que evidencia o papel da rentabilidade como objetivo central do sistema, e não apenas da produtividade máxima.
Case Irrigado: 138,97 sc/ha e o manejo de solos arenosos em Goiás

A Fazenda Lago Bonito, do Grupo Santa Vitória, em Mundo Novo (GO), registrou 138,97 sc/ha na categoria Irrigado — recorde histórico do CESB nessa modalidade. A área total da fazenda é de 234 hectares, com média de 92,82 sc/ha. A operação iniciou em 2020 e já no primeiro ano de soja, em 2022, a média foi de 78,9 sc/ha.
O solo arenoso da área (12% argila) exigiu trabalho intensivo de correção de solo, incluindo alumínio tóxico entre 20 e 40cm de profundidade, descompactação com subsolador e uso de Brachiaria piatã para descompactação e translocação de nutrientes no perfil. A chuva acumulada no ciclo foi de 929mm, dos quais 128mm vieram da irrigação.
A cultivar foi a BMX Olimpo Ipro, semeada em 1º de outubro com 129 dias de ciclo. A população esperada era de 180.000 plantas/ha e a obtida foi de 172.000 plantas/ha, com apenas 7% de falhas. O PMG chegou a 193g contra referência de 171g. O custo de produção da área foi de R$ 6.106,33/ha frente a R$ 5.160,00/ha de custo médio regional. O ROI foi de 1,62, com eficiência climática de 72% e eficiência agronômica de 93%.
Case Centro-Oeste: 118,68 sc/ha em Confresa (MT)

Na Fazenda Monte Sinai, em Confresa (MT), o produtor Rodolfo Schlatter registrou 118,68 sc/ha com a cultivar BMX Olimpo Ipro, semeada em 30 de outubro com 122 dias de ciclo. A eficiência climática foi de 93% e a eficiência agronômica de 78%, com 1.320mm de acúmulo de chuvas no ciclo e solo com boa infiltração até 40cm de profundidade.
A população almejada era de 288.000 plantas/ha, com 251.777 plantas/ha obtidas. A altura de plantas foi de 110cm, com PMG de 220g contra referência de 171g da obtentora. O ROI foi de 1,24.
Case Sudeste: 122,66 sc/ha em Cambuquira (MG)

A Agropecuária Três Irmãos, na Fazenda Floresta em Cambuquira (MG), colheu 122,66 sc/ha com a cultivar DM 54IY57 RF12X, semeada em 10 de novembro com 128 dias de ciclo. A produtividade do talhão campeão foi de 86,39 sc/ha, com média da fazenda de 85,83 sc/ha — demonstrando que o talhão auditado supera significativamente a média da propriedade.
A eficiência climática foi de 90% e a agronômica de 79%, com 1.124mm de chuva acumulada no ciclo. O PMG obtido foi de 233,33g frente à referência de 170g, resultado atribuído à fotossíntese prolongada promovida por nutrição adequada ao longo de todo o ciclo. O cálcio esteve acima de 30% da CTC até mais de 1,80m de profundidade.
O custo de produção do talhão foi de R$ 7.218,00/ha ante um custo médio regional de R$ 6.205,00/ha. O ROI foi de 1,17, e a propriedade tem como regra não passar quatro anos sem trigo ou cobertura de inverno em nenhum talhão.
O que o CESB aprendeu em 18 safras
Ao longo de dezoito edições, o Desafio CESB construiu uma das bases de informação mais abrangentes sobre sistemas de alta produtividade da soja brasileira. A leitura conjunta dos casos campeões desta safra aponta padrões recorrentes: investimento em manejo de solo e nutrição em profundidade, posicionamento preciso de cultivares, populações de plantas ajustadas ao ambiente, monitoramento rigoroso para decisões de proteção fitossanitária e, sobretudo, manutenção de um sistema de produção coerente ao longo dos anos.

Como sintetizou Sergio Abud, vice-presidente do CESB: “Mais do que apresentar campeões, o Fórum busca aprofundar a discussão técnica por trás dos resultados, transformando a experiência acumulada em milhares de áreas auditadas em conhecimento aplicável ao campo.”
O número de 156,13 sc/ha é a expressão máxima desse esforço. Mas o dado mais estratégico para o produtor talvez seja outro: 72% das áreas auditadas na safra 25/26 já passam de 90 sacas. O teto está subindo — e a distância entre os melhores e a média está diminuindo.
Redação: Equipe Mais Soja com informações da assessoria de imprensa CESB.
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