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setor respira aliviado com suco de laranja fora do tarifaço

A decisão do governo dos Estados Unidos de isentar o suco de laranja brasileiro da tarifa adicional de 40%, trouxe alívio imediato ao setor. Essa é a avaliação dos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A medida, mantém o produto sujeito à sobretaxa de 10% mais a tarifa fixa de US$ 415/t. Segundo o instituto, a decisão pode ser atribuída a dependência estrutural do mercado norte-americano em relação ao suco importado do Brasil. Este representa aproximadamente 60% de todo o volume de suco consumido nos EUA.
Para o Brasil, pesquisadores do Cepea afirmam que a isenção representa a preservação da competitividade em seu principal mercado externo e evita perdas de receita.
Reforçam, ainda, que esse cenário deve proporcionar a retomada de novos contratos de venda de laranja fruta da safra 25/26, trazendo mais clareza e liquidez ao mercado, que praticamente andou “de lado” nas últimas semanas.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
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Em reta final de colheita do milho, apenas o Sudeste de Mato Grosso não passou de 70%

A colheita do milho 2025/26 em Mato Grosso alcançou 90,66% da área de 7,3 milhões de hectares. O progresso só não é maior em decorrência da região Sudeste que está apenas com 67,59% de sua extensão colhida. O atraso na região é de 4,28 pontos percentuais em comparação ao ciclo passado motivado pelos reflexos climáticos que atrapalharam a retirada da soja das lavouras e as recentes chuvas fora de época.
Na variação semanal, as máquinas avançaram 11,74 pontos percentuais na média geral do estado. Já em relação a temporada 2024/25 os trabalhos estão 0,29 ponto percentual à frente, contudo seguem atrás da média dos últimos cinco anos de 92,68% para o período.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), há possibilidade da região Médio-Norte encerrar a colheita do milho já nesta semana. Nela as máquinas já passaram por 98,03% dos 2,6 milhões de hectares cultivados. Já na região Norte 96,52% da área foi colhida e no Nordeste 93,83%.
Na região Noroeste os produtores já colheram 91,36% da extensão e no Centro-Sul 89,39%, enquanto no Oeste 87,39%.
A previsão para a temporada 2025/26 é colher 57 milhões de toneladas de milho, com uma produtividade média de 128,64 sacas por hectare.
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Milho/Cepea: Vendedores retraídos sustentam alta dos preços no Brasil

Os preços do milho avançaram em boa parte das praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo o instituto, apesar do avanço da colheita da segunda safra em todas as regiões produtoras, o volume disponível para negócios segue limitado no mercado interno.
De acordo com o Cepea, além de a média nacional da área colhida ainda estar abaixo da registrada nas temporadas anteriores, produtores permanecem afastados das negociações nos últimos dias. Eles acompanham a alta dos preços internacionais, que pode elevar a paridade de exportação, sustentando as cotações do cereal.
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Na ponta compradora, pesquisadores do Cepea afirmam que os agentes têm priorizado o consumo dos estoques em vez de novas aquisições. A expectativa é de que os preços possam recuar com o avanço da colheita e o aumento da oferta, seja pela limitação da capacidade de armazenagem ou pela necessidade de caixa dos vendedores.
Preços do milho no último fechamento
No indicador Esalq/BM&FBovespa, a saca de 60 quilos do milho foi cotada a R$ 65,74 na última sexta-feira (24), alta de 0,29% no dia. No acumulado de julho, a valorização é de 3,40%, conforme dados do Cepea.
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Do campo ao cuidado: quando a soja transforma vidas

A rotina de Sebastião Fernando Jacinto, 55 anos, mudou completamente há cerca de dois anos e meio, quando recebeu o diagnóstico de câncer de próstata com metástase óssea. Entre sessões de radioterapia, quimioterapia e o acompanhamento da equipe médica, outro cuidado passou a fazer parte do tratamento: a alimentação. Pouco tempo depois de receber alta hospitalar, ele iniciou uma suplementação nutricional à base de proteína de soja.
Desde então, a bebida integra sua alimentação com acompanhamento da equipe de nutrição oferecida pela Associação dos Pacientes Oncológicos de Rondonópolis (APOR). Sebastião lembra da diferença que sentiu principalmente nos primeiros meses. “Essa fonte de proteína da soja deu muita energia no meu caso. Eu comecei a tomar vitaminas de manhã e à noite”.
Ao longo de oito sessões de radioterapia e dez de quimioterapia, ele percebeu que a suplementação ajudava a enfrentar os períodos de maior desgaste físico. “Você toma ela e não sente fraqueza. Você se sente alimentado”.
Hoje, o consumo ocorre conforme orientação da nutricionista da APOR, responsável por acompanhar sua evolução clínica. “Eu vou continuar tomando, mas faço acompanhamento com a nutricionista. Vou esperar a determinação da profissional. Hoje eu não tomo mais todos os dias, tomo duas vezes por semana”, comenta ao Canal Rural Mato Grosso.

Mais do que substituir o leite
Embora muitas pessoas associem a soja apenas à substituição do leite de vaca, o alimento vem conquistando espaço em diferentes estratégias nutricionais. Pessoas com alergia à proteína do leite, intolerância à lactose, algumas doenças gastrointestinais, além de vegetarianos e veganos, estão entre os públicos que podem se beneficiar do consumo.
De acordo com a nutricionista Laynara Porto Villas Bôas, a soja reúne características que fazem dela uma importante fonte de proteína vegetal. “A soja é uma excelente fonte de proteína vegetal de alto valor biológico, contendo aminoácidos essenciais”. Ela explica que, além da bebida, alimentos como tofu, proteína texturizada e proteína isolada também podem compor uma alimentação equilibrada.
Entre as bebidas vegetais disponíveis no mercado, a de soja é uma das que mais se aproxima do leite em relação ao teor de proteína. Ainda assim, a especialista orienta que o consumidor observe a composição do produto, dando preferência às versões sem excesso de açúcar e enriquecidas com cálcio e vitamina D.
A procura por proteínas vegetais também vem crescendo. Laynara observa que esse movimento tem levado a indústria a ampliar as opções disponíveis ao consumidor. “A soja deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ocupar um espaço importante na nutrição clínica e preventiva. O importante é avaliar a qualidade do produto, individualidade do paciente e o contexto alimentar como um todo”, frisa a especialista.
Ao mesmo tempo, ela destaca que muitos mitos ainda cercam o alimento. Um dos mais conhecidos envolve uma suposta alteração hormonal causada pelo consumo da soja. “Esses conceitos não são sustentados para o consumo alimentar habitual em pessoas saudáveis”, afirma.

Alimentação que devolve qualidade de vida
A mudança na alimentação também fez diferença para a terapeuta ocupacional Elaine Silvestre. Durante anos, ela conviveu com desconfortos intestinais, náuseas e estufamento sem descobrir a causa. Passou por cinco gastroenterologistas e realizou diversos exames até que, durante uma consulta com uma endocrinologista, recebeu o diagnóstico de intolerância à lactose.
A partir dali, alimentos preparados com leite passaram a ser substituídos por versões produzidas com bebida de soja e outras proteínas vegetais. “As bebidas geralmente são de soja. Gosto de algumas marcas. Há uma sem açúcar que uso quando eu quero fazer uma lasanha, um estrogonofe ou alguma coisa assim. E há uma outra que eu gosto mais para tomar no café da manhã com o café”, conta.
Ela explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que a mudança exigiu adaptação, mas os resultados apareceram rapidamente. “Desde que passei a ingerir a bebida à base de soja mudou muito minha vida. Total, eu não passo mal. Não tem estufamento, não sinto náusea mais”. A melhora permitiu que ela voltasse a ter uma rotina alimentar sem os desconfortos que enfrentava diariamente. “Se eu não como nada à base da lactose, só proteína da soja e os seus derivados, eu fico totalmente bem”.
A estudante Olívia Linhares, de 12 anos, ainda está vivendo esse processo de adaptação. A intolerância à lactose foi descoberta há poucos meses, depois que ela procurou atendimento médico por causa de dores e inchaço abdominal. “Achava que podia ser algo ligado ao glúten, porque uma amiga comentou que sentia o mesmo, mas para a minha surpresa o exame que deu intolerância foi o de lactose”, relata.
Depois do diagnóstico, ela passou a testar diferentes alternativas ao leite tradicional. Além das bebidas vegetais, começou a utilizar suplementos produzidos com proteína de soja para complementar a alimentação. “O médico falou que a proteína é essencial para a alimentação e o leite é uma, então busquei opções para fazer a substituição. Uma coisa que tenho testado para ajudar a complementar a ausência da proteína do leite é o Soy Protein, que é o mesmo que o Whey Protein, mas de soja. Gostei muito do sabor morango”, diz.
A adolescente conta que o maior desafio tem sido mudar hábitos presentes desde a infância. “É muito difícil ter que alterar a minha rotina alimentar, pois tudo praticamente leva leite”. Situações simples, como sair com as amigas para tomar um sorvete, passaram a exigir novas escolhas. “Aqui em Rondonópolis há locais que fazem zero lactose, mas parece que falta algo”.
Casos como os de Elaine e Olívia mostram uma realidade cada vez mais frequente nos consultórios. Para Laynara Porto Villas Bôas, a proteína da soja pode ser indicada não apenas como substituta do leite de vaca, mas também em dietas vegetarianas e veganas, em estratégias para aumentar o aporte proteico e como suporte nutricional em situações clínicas específicas. Ela ressalta, porém, que a recomendação deve considerar as necessidades de cada paciente e que pessoas com alergia à soja precisam evitar o alimento.

Nutrição que acompanha o tratamento
Na Associação dos Pacientes Oncológicos de Rondonópolis (APOR), a alimentação é tratada como parte do cuidado oferecido aos pacientes. A suplementação à base de proteína de soja integra esse acompanhamento quando há indicação clínica, sempre após avaliação individualizada da equipe de nutrição.
A nutricionista Emilly Mello explica que a suplementação contribui para aumentar o aporte calórico e proteico, favorecendo o ganho de peso e de massa muscular em pacientes que apresentam perda nutricional durante o tratamento. “Ela é uma suplementação que tem todos os aminoácidos, que ajuda no ganho de peso, no ganho de massa muscular, no aporte calórico e proteico”.
Ela observa que, em muitos casos, a proteína da soja também apresenta melhor tolerância digestiva do que a proteína do leite de vaca, especialmente entre idosos e pacientes submetidos a tratamentos oncológicos. “Às vezes, com o tratamento, a digestão fica mais prejudicada, então acaba que a proteína da soja acaba sendo uma alternativa melhor para eles”.
A indicação, porém, não é automática. Emilly explica à reportagem que cada paciente passa por avaliação nutricional e que alguns casos exigem maior cautela, como pessoas com alergia à soja ou pacientes com determinados tipos de câncer de mama receptor hormonal positivo. Nesses casos, a equipe analisa cuidadosamente a necessidade da suplementação antes da prescrição.
Além dos indicadores clínicos, a nutricionista acompanha a evolução dos pacientes no dia a dia. “A gente vê que ele já chega mais animadinho, está se locomovendo melhor, está conversando, está mais animado. Com a avaliação nutricional, a gente tem certeza que deu certo a suplementação”.

Da lavoura à mesa de quem mais precisa
Na APOR, o atendimento vai além do acompanhamento médico. A entidade oferece assistência multiprofissional a pacientes oncológicos de Rondonópolis e de outros 19 municípios da região, com serviços de fisioterapia, psicologia, nutrição, enfermagem, assistência social e reabilitação.
O presidente da associação, Antônio Miguel Weber dos Santos, lembra que a instituição nasceu em 2009, a partir da iniciativa de um grupo de voluntários sensibilizados com a situação de pessoas que precisavam se deslocar para tratamento. No início, o trabalho era voltado principalmente ao apoio social. Com o passar dos anos, a estrutura foi sendo ampliada até se transformar em um centro de atendimento multiprofissional.
Hoje, os pacientes chegam encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Quem regula as vagas é o SUS. Nós só prestamos o serviço”, explica Antônio. O atendimento é de segunda a sexta-feira e totalmente humanizado. A entidade possui Certificação de Entidade Beneficente (Cebas) e é a única de Mato Grosso a possuir a habilitação de Serviço de Referência em Diagnóstico Mamário – SDM Porte III do Ministério da Saúde dentro do SUS.
Foi nesse trabalho diário que a suplementação nutricional passou a ocupar um papel importante para parte dos pacientes acompanhados pela equipe.
A nutricionista Emilly Mello afirma que as doações de bebida de soja recebidas por meio do Agrosolidário, programa social da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso), passaram a fazer diferença justamente porque muitos pacientes não conseguem comprar suplementos alimentares durante o tratamento. “Tem sido de grande ajuda essa doação, porque nem todo paciente tem como comprar as suplementações que a gente passa geralmente”.
Ela explica que, muitas vezes, o tratamento provoca perda de peso e de massa muscular, tornando a suplementação uma aliada importante da recuperação. Quando esse alimento chega por meio de doações, o paciente consegue manter o acompanhamento nutricional por mais tempo.

O agro que chega à cidade
Criado pela Aprosoja Mato Grosso há 16 anos, o Agrosolidário destina a bebida produzida a partir da soja através do “Soja é Vida” para hospitais, casas de apoio, creches, escolas, instituições sociais e entidades que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. O projeto, além da bebida de soja, também fornece apoio financeiro por meio de programas sociais e culturais pelas vertentes ‘Soja é Cultura’, ‘Soja é Esporte’ e ‘Soja Social’.
Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, a iniciativa demonstra que a cadeia produtiva da soja pode gerar impactos que vão além da economia.
“A soja é uma proteína de altíssima qualidade. Hoje, se você pegar o extrato da soja, ele chega próximo a 50%, algo em torno de 46% do teor de proteína. Isso faz com que tenha um alto poder nutricional comparado com a carne que em média tem de 20 a 25%, ou seja, ajuda as pessoas no ganho de massa muscular, principalmente para idosos, para mulheres”.
Ele pontua ainda que no caso das mulheres, para além da alimentação, há medicamentos que levam soja em suas composições. “É um alimento que é riquíssimo, muito utilizado na Ásia e agora no Ocidente também cada vez mais tem crescido a demanda e o seu consumo”, salienta ao Canal Rural Mato Grosso
Segundo o presidente da Associação, o Agrosolidário nasceu justamente para aproximar essa produção de quem mais precisa. “O Agrosolidário é uma contribuição dos produtores através da Aprosoja diretamente, onde parte do nosso orçamento é reservado para fazer esses trabalhos sociais”.
Lucas destaca que milhares de pessoas já foram beneficiadas pelas doações realizadas desde a criação do programa e afirma que a expectativa é ampliar esse alcance nos próximos anos.
A vertente mais conhecida do programa Agrosolidário é a “Soja é Vida” devido às doações da bebida de soja. Somente no primeiro semestre de 2025, de acordo com informações da entidade, o projeto já enviou mais de 16 mil unidades de bebidas de soja, para cerca de 79 instituições de Mato Grosso e o Distrito Federal.
A bebida de soja é em pó e pode ser preparada com água, além de ser utilizada no preparo de vitaminas e diversas receitas, como bolos, tortas e dentre outras. A bebida está disponível nos sabores natural, chocolate, morango, uva, banana, maracujá e laranja.
Sebastião Fernando Jacinto talvez nunca tenha imaginado que um dos principais grãos produzidos em Mato Grosso faria parte da própria recuperação. Ao recordar o período mais difícil da doença, ele resume o significado que aquela bebida passou a ter em sua vida. “Ela te dá um ‘up’”.
Do campo onde a soja é cultivada até a mesa de pacientes em tratamento, pessoas com intolerância à lactose e instituições que oferecem assistência em saúde, o grão percorre um caminho que vai muito além da produção agrícola. Em Mato Grosso, ele também chega às cidades como alimento, cuidado e qualidade de vida.
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