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4 de maio de 2026

Agro Mato Grosso

Área de lavouras com seguro pode cair ao menor nível em sete anos

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O ano de 2025 pode ser o pior da história para o mercado de seguro rural no Brasil. O congelamento de R$ 445 milhões do orçamento do programa de subvenção federal, cerca de 42% da verba total de R$ 1,06 bilhão, vai reduzir a área segurada para menos de 5 milhões de hectares — algo inédito em sete anos — e deixar milhares de produtores sem acesso a apólices, principalmente para a cobertura da safra de soja, que pode enfrentar o fenômeno La Niña em fevereiro de 2026, na época da colheita.

Sem a garantia de recursos para a subvenção, a comercialização de apólices para a safra de verão está quase paralisada. O cenário de juros altos e margens espremidas no campo também afeta a venda de seguros, cuja contratação fica inviável para muitos produtores.

Seguradoras já estimam perdas de receita de 30% a 40% do previsto para 2025 com a arrecadação de prêmios com seguro rural. Para piorar o cenário, o governo ainda não pagou R$ 129 milhões relativos a apólices do ano passado, o que atrapalha o fluxo de caixa das companhias em um momento em que já precisam desembolsar sinistros de geadas na safra de inverno.

Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), diz que o setor se programou para cobrir até 20 milhões de hectares em 2025, com aporte de capital de risco das resseguradoras, mas os planos foram frustrados. A área segurada deve ficar entre 4 milhões e 5 milhões de hectares, desempenho semelhante ao de 2018 (4,6 milhões de hectares).

“Se não tiver o descontingenciamento, com certeza esse será o pior ano para o mercado de seguro rural depois que as coisas começaram a se encaixar”, afirma. Em 2021, a área segurada chegou a 13,6 milhões de hectares. Nos últimos anos, porém, ficou em torno de 7 milhões.

 

O orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2025 era de R$ 1,06 bilhão. Desses, R$ 67 milhões foram usados para pagar apólices contratadas em 2024. Dos R$ 992 milhões restantes, houve congelamento de R$ 445 milhões em junho, diante da necessidade do governo de controlar gastos.

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O Ministério da Agricultura ainda não sabe se o recurso do seguro será liberada após melhora nas contas do governo. “As informações sobre o desbloqueio deverão ser divulgadas pelo Ministério do Planejamento e Orçamento após o dia 30 de julho”, disse, em nota.

A verba disponível para aplicação até agosto é de R$ 547,7 milhões, sem previsão de recursos para os grãos de verão, como a soja, principal produto atendido pelo programa. Em 2024, dos 7,1 milhões de hectares segurados, 4,7 milhões foram da oleaginosa.

Tarifaço dos EUA, custos de produção em alta, margens apertadas e juros nas alturas foram a “espiral negativa” para o mercado segurador, nas palavras de Toyama. “O custo do seguro é a última linha do produtor. Se tiver que abrir mão de algo e tomar risco, ele não compra o seguro”, diz.

Baixa aderência

Na avaliação do vice-presidente da Newe Seguros, Rodrigo Motroni, as seguradoras vão sentir um “baque” neste ano. “A contratação de seguro para a safra de verão está pífia. Todo mundo está muito assustado com a baixa aderência”, diz. Segundo ele, o mercado já considera como definitivo o corte na subvenção.

Os R$ 445 milhões congelados no orçamento poderiam alcançar até R$ 37 bilhões em importância segurada se fossem destinados apenas para seguro de soja no segundo semestre, cuja taxa de prêmio é de 6%, calcula Motroni.

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Para ele, o corte na subvenção vai limitar a receita das seguradoras a 60% ou 70% do projetado no início do ano. De janeiro a maio, a arrecadação de prêmios de seguro agrícola e pecuária já caiu quase 18%, para R$ 1,6 bilhão, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

Empecilhos

Outro problema é a dívida de R$ 129 milhões que o governo tem com apólices contratadas em 2024 com subvenção. “Nunca vimos um prazo tão dilatado de pendência de pagamentos. Isso afeta e desestimula toda a cadeia”, diz Toyama. A subvenção de R$ 179 milhões para apólices contratadas para a safra de inverno também não foi paga até agora.

Também há preocupação com a janela de contratação do seguro. Para o verão, as vendas começam em maio e vão até meados de setembro. “Há um atraso na comercialização. Deveria estar no auge e está só no começo, justamente pela falta de subvenção, que afeta a decisão do produtor”, diz Leonardo Paixão, CEO da Sombrero Seguros. A empresa esperava alcançar até 400 mil hectares por ano. “Esse patamar vai diminuir. A competição está mais acirrada. Todo mundo vai perder um pouco”. A subvenção federal banca entre 20% e 40% do valor do prêmio.

Outro problema para este ano é a “anti-seleção” que a escassez de recursos para a subvenção causa, afirma Toyama. A percepção de agentes financeiros é que produtores menos tecnificados e com menor nota de crédito precisam da proteção. O cenário aumenta o risco das seguradoras. Ao mesmo tempo, agricultores do Centro-Sul “machucados” com as perdas das últimas safras tentarão garantir suas apólices, com produtos mais baratos e menos cobertura.

O Ministério da Agricultura disse que “as contratações continuam, pois há expectativa de desbloqueio do orçamento” até o fim do ano. A Pasta prevê quitar os pagamentos pendentes de 2024 até agosto. Sobre os R$ 179 milhões de subvenção de apólices da safra de inverno, não há previsão de desembolso para as seguradoras.

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Agro Mato Grosso

Valtra aposenta a lendária linha BH e lança Série M5 na Agrishow 2026

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Após 26 anos dominando os canaviais, linha histórica do trator BH dá lugar a tratores mais tecnológicos, confortáveis e preparados para a agricultura digital

A Valtra oficializou, durante a Agrishow 2026, uma virada histórica no mercado de mecanização agrícola: a aposentadoria da consagrada Série BH e o lançamento da nova Série M5, apresentada como a “evolução da lenda”. Mais do que uma troca de portfólio, o movimento simboliza a transição entre gerações de tecnologia no campo brasileiro. Com 26 anos de trajetória, o BH não foi apenas um trator — foi um marco na mecanização do setor sucroenergético. Lançado em 2000, com os modelos BH140, BH160 e BH180, a linha rapidamente se consolidou como sinônimo de robustez e confiabilidade em operações severas. Herdando a tradição dos clássicos Valtra-Valmet 1580, 1780 e 1880S, o BH se tornou o “canavieiro raiz”, dominando os canaviais e sendo peça-chave em atividades como preparo de solo, plantio e transbordo.

Evolucao - trator BH e serie M5 plantando da Valtra

Ao longo dos anos, a linha evoluiu em ciclos consistentes: a Geração 2 (2007) e a Geração 3 (2013) reforçaram sua liderança, enquanto a Geração 4, em 2017, elevou a potência para até 220 cv. Em 2018, a chegada da BH HiTech marcou o salto tecnológico com transmissão automatizada no segmento pesado. Esse histórico rendeu à Valtra, por uma década consecutiva, o reconhecimento do prêmio Master Cana como melhor trator do setor sucroenergético. Agora, esse legado ganha continuidade — e sofisticação — com a Série M5.

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A evolução da lenda

A nova linha chega com os modelos M165 (165 cv) e M185 (185 cv), projetados para ampliar a produtividade em culturas como grãos, arroz e, naturalmente, cana-de-açúcar. Segundo a fabricante, a proposta é clara: preservar o DNA de força do BH, mas incorporar inteligência operacional, eficiência energética e conforto ao operador.

Em entrevista exclusiva a Marcio Peruchi, diretamente da feira, o diretor de marketing da Valtra, Fabio Dotto, destacou que a decisão não representa ruptura, mas evolução. “O BH fez uma história muito bonita no agro. Ele evoluiu desde os anos 2000 até hoje sempre ao lado do produtor. Tudo aquilo que fez o BH ser reconhecido foi mantido.

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O que estamos fazendo agora é evoluir com tecnologias necessárias para os dias atuais”, afirmou. “Melhoramos a transmissão, trouxemos mais conforto e tecnologia na medida certa. O DNA permanece.” Essa visão é reforçada por Winston Quintas, coordenador de Marketing e Produto Trator da marca: “É uma nova era que começa. A Série M5 marca o próximo passo da evolução histórica da família BH, pensada estrategicamente para entregar máxima performance nas principais culturas do agronegócio brasileiro.”

Evolucao - trator BH e serie M5 subsolando o solo da Valtra

Tecnologia embarcada e foco no operador

A Série M5 materializa esse avanço em uma série de inovações técnicas e operacionais. O conjunto é equipado com motores AGCO Power de 4 cilindros, reconhecidos pela eficiência e economia de combustível. A nova Transmissão Power Shift HiTech 3 sincronizada permite trocas de marcha com o trator em movimento, com maior suavidade e ganho operacional — um ponto crítico em jornadas intensas no campo.

O sistema hidráulico também foi reforçado, com vazão de 205 litros por minuto, garantindo desempenho consistente mesmo com implementos pesados e em condições severas.

No campo do conforto, a evolução é ainda mais evidente. A cabine foi completamente redesenhada, com novos revestimentos, assentos aprimorados e soluções práticas como uma “cooler box” integrada — detalhe que evidencia a preocupação com o bem-estar do operador em longas jornadas.

Visualmente, o trator também marca uma nova fase, com design mais moderno e robusto, destacando o novo capô de 5ª geração.

DNA canavieiro preservado

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Mesmo com a ampliação de atuação para diferentes culturas, a Série M5 mantém uma ligação direta com o setor que consagrou o BH: a cana-de-açúcar. O tradicional kit canavieiro segue presente, incluindo eixo dianteiro com bitola de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola — elementos fundamentais para operações de transbordo com máxima eficiência.

Tradição e futuro no mesmo equipamento

Para a Valtra, o lançamento da Série M5 representa mais do que um avanço tecnológico — é a consolidação de um conceito: unir a força do passado com as demandas do futuro

“O que fizemos foi honrar a herança de força incansável da linha BH, elevando a máquina ao seu ápice tecnológico. Entregamos um trator que respeita sua história, mas que olha para frente com inteligência operacional e conforto. É o encontro entre o trabalho bruto e a agricultura digital”, resume Winston Quintas.

O fim da Série BH encerra um dos capítulos mais emblemáticos da mecanização agrícola brasileira. Já a chegada da Série M5 deixa claro que, no campo, a evolução não apaga a história — ela a transforma em base para o próximo salto.

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Agro Mato Grosso

Agro dobra empregos em 20 anos e sustenta mais de 50% da economia

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O avanço do agronegócio em Mato Grosso redesenhou o mercado de trabalho e consolidou o setor como base da economia estadual. Em duas décadas, o número de trabalhadores ligados ao agro saltou de cerca de 173 mil em 2006 para 449 mil em 2026, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) — crescimento de quase 160%.

O movimento acompanha a expansão da produção e da área cultivada. Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos, com safras que superam 100 milhões de toneladas somando soja, milho e algodão. A área agrícola do Estado ultrapassa 20 milhões de hectares cultivados, dentro de um território de cerca de 90 milhões de hectares, o que evidencia o espaço ainda disponível para intensificação produtiva.

Esse crescimento dentro da porteira puxou a geração de empregos fora dela. A cadeia do agro — que inclui transporte, armazenagem, processamento e serviços — passou a absorver mão de obra em ritmo mais acelerado, especialmente a partir de 2021, com o avanço da agroindustrialização e o aumento do volume produzido.

Leia mais:  Frente fria muda tempo e interfere no ritmo de colheita e plantio no País

O peso econômico é direto. O agronegócio responde por cerca de 50% a 55% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso, de acordo com estimativas do próprio Imea e de órgãos estaduais. Na prática, isso significa que mais da metade de toda a riqueza gerada no Estado está ligada ao campo.

Esse protagonismo se reflete na dinâmica regional. Municípios com forte presença agrícola concentram maior circulação de renda, impulsionando comércio, serviços e construção civil. O efeito multiplicador do agro faz com que cada safra movimente não apenas a produção, mas toda a economia local.

Ao mesmo tempo, o perfil da mão de obra vem mudando. A incorporação de tecnologia no campo e na indústria exige trabalhadores mais qualificados, enquanto a expansão logística amplia a demanda por serviços especializados. O resultado é um mercado de trabalho mais diversificado, que vai além das atividades tradicionais da agricultura.

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Agro Mato Grosso

Plantio e validação de clones de eucalipto para regiões do estado de MT

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O estado de Mato Grosso apresenta elevado potencial para o reflorestamento e redução da pressão sobre suas florestas nativas. Embora predominem cultivos e pastagens, observa-se crescimento gradual das áreas com plantios comerciais de árvores. Historicamente, a indústria florestal local foi abastecida por espécies nativas da Amazônia, mas a redução do extrativismo e os compromissos ambientais têm impulsionado a demanda por produtos de florestas plantadas.

O cultivo de eucalipto, antes limitado pela baixa demanda, tornou-se promissor com a instalação de indústrias de etanol de milho (como FS Bioenergia, INPASA, ALD Bioenergia, Etamil, Enermat etc), que utilizam esses exemplares como biomassa. A projeção é de 324 mil hectares plantados, com foco em áreas próximas às usinas (raio de 150 km). Além disso, a indústria de celulose EucaEnergy, prevista para iniciar operações em dezembro de 2025 no Vale do Araguaia, demandará cerca de 200 mil hectares.

Caso todos os projetos se concretizem, estima-se que uma área de cultivo de eucalipto alcance 500 mil hectares em dez anos, favorecendo também sistemas de integração laboral-pecuária-floresta (ILPF) voltados à produção de biomassa.

Entretanto, a expansão dos plantios tem ocorrido em solos arenosos e regiões com restrições hídricas, o que afeta o desempenho dos clones comerciais atuais (H13, I144 e VM01), resultando em desfolhamento, mortalidade e baixa produtividade. Essa situação foi relatada à AREFLORESTA (Associação de Reflorestadores de Mato Grosso) por produtores, que buscaram apoio da Embrapa para estabelecer uma nova rede de pesquisa com eucaliptos no estado.

A demanda crescente por biomassa para energia e secagem de grãos, somada à instalação de agroindústrias e ao Plano ABC+ MT (que prevê 285 mil hectares de florestas plantadas até 2030), reforça a atratividade do reflorestamento comercial. No entanto, os produtores enfrentam dificuldades pela falta de conhecimento sobre espécies e clones adaptados a diferentes regiões, além da adoção de práticas silviculturais prejudiciais, que favorecem problemas abióticos e bióticos. Diante disso, torna-se essencial desenvolver estratégias baseadas em pesquisa para garantir o sucesso dos projetos florestais, cujos retornos são de médio e longo prazo.

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A Embrapa, em parceria com associados da AREFLORESTA, propõe a instalação de Testes Clonais Ampliados (TCA’s) para validar clones comerciais no estado. Serão avaliados 60 clones (BRS) em comparação com três até clones já utilizados na região (H13, I144 e VM01), em parcelas de 100 plantas (10 x 10), distribuídas em sete locais (Primavera do Leste, Rondonópolis, Santa Antônio do Leverger, Brasnorte, Santa Rita do Trivelato, São José do Rio Claro e Sinop) que representam diferentes condições edafoclimáticas de Mato Grosso.

O objetivo é disponibilizar materiais genéticos com alta produtividade e características adequadas para uso energético, como alta densidade básica e alto índice de rachaduras nas toras, o que reduza custos no preparo da biomassa para o setor agroindustrial. Por se tratar de uma proposta com avaliação de clones multiespécies em uma região de alta demanda, os resultados serão de grande interesse para as empresas.

O projeto tem o potencial de provar a redução do risco da atividade florestal, o aumento da produtividade da madeira, a identificação de clones que podem ser usados ​​como genitores em futuros programas de melhoramento genético, o treinamento de estudantes e profissionais e as contribuições de um Programa de Pesquisa Florestal em Mato Grosso. O principal resultado será a indicação de clones mais adaptados, com informações acessíveis à sociedade florestal mato-grossense.

O projeto tem a Embrapa Agrossilvipastoril como proponente e responsável pela execução, e faz parte da equipe de pesquisadores da Embrapa Florestas e associados da AREFLORESTA, os quais cedem áreas experimentais e importantes com mão de obra, fortalecendo a geração de tecnologias específicas aos produtores. (com Assessoria/Embrapa Agrossilvipastoril)

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Agro MT