Agro Mato Grosso
Empresas chinesas desenvolvem novos transgênicos adaptados ao clima do Brasil

Pequim quer estimular adoção por produtores brasileiros de tecnologia chinesa na soja
A investida chinesa pode acirrar a disputa no mercado de tecnologia de sementes, que hoje tem como principais concorrentes Bayer, Basf, Corteva e Syngenta. A China tem em fase comercial cinco variedades de soja, duas de milho e uma de algodão desenvolvidas por instituições do país.
As empresas Da Bei Nong Group (DBN), LongPing High-Tech, e KingAgroot já pediram autorização à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para testar suas sementes de soja no Brasil.
A DBN, que está no Brasil há quatro anos, conseguiu liberação da CTNBio para testar em campo três variedades de soja transgênica com resistência a insetos e herbicidas. “A gente trouxe eventos de soja que já têm aprovação na China, o que gera possibilidade de plantio quase que imediato no Brasil, porque o país compra essas variedades”, afirmou Othon Abrahão, gerente geral da DBN Brasil.
Segundo ele, a expectativa é ter sementes para venda aos produtores do Brasil em 2028. Abrahão disse ainda que a empresa desenvolve pesquisas no Brasil e na Argentina com algodão e milho, em parceria com o Grupo Don Mario (GDM).
O plano da DBN, afirmou o vice-presidente de negócios para América do Sul, Suping Geng, é submeter no Brasil pedido de liberação para testes com uma nova tecnologia de soja com resistência a insetos e a dois tipos de herbicidas. “Nossa meta é chegar em dez anos a 30% de participação de mercado no Brasil com nossos genes em variedades da GDM”, disse.
O Laboratório Nacional da Baía de Yazhou, em Sanya, na província chinesa de Hain, firmou uma parceria recente com a Embrapa Soja para a troca de conhecimentos sobre agricultura tropical. “Acho bom o aumento da competição no setor, isso nos leva a produzir mais ciência e melhorar a qualidade da soja. Um país não pode depender da tecnologia de uma ou poucas empresas”, disse o pesquisador Weicai Yang, do Laboratório Nacional da Baía de Yazhou.
Ele e o pesquisador Zhixi Tian, do mesmo laboratório, participaram nesta semana do X Congresso Brasileiro da Soja, promovido pela Embrapa Soja, onde falaram sobre as pesquisas em desenvolvimento para agricultura tropical, que devem chegar ao Brasil nos próximos anos.
Um dos trabalhos consiste na seleção de genes que permitem à planta produzir mais nódulos nas raízes, favorecendo o fornecimento de açúcares para as bactérias responsáveis pela fixação de nitrogênio. “Isso pode aumentar a produtividade da planta em mais de 10%”, disse Zhixi Tian.
Segundo Weican Yang, a maioria das pesquisas tem como foco o aumento da produtividade da soja, com resistência a insetos, herbicidas e doenças, mas há tecnologias em desenvolvimento com outros fins, como uma soja com alto teor de GABA (ácido gama-aminobutírico), um neurotransmissor que tem efeitos na redução da pressão arterial e no relaxamento, e soja enriquecidas com vitaminas. Outra linha em estudo é de soja com alto teor oleico. “Nosso primeiro foco é a soja, o segundo será o algodão e o terceiro talvez seja a cana-de-açúcar”, disse Yang.
A LongPing High-Tech, do Grupo Citic, um dos maiores conglomerados econômicos da China, instalou-se no Brasil em 2017 e trabalha atualmente no país com híbridos de milho e sorgo, mas desenvolve pesquisas em biotecnologia, para trazer soja transgênica ao país. Procurada, a empresa não quis dar detalhes sobre o assunto.
A KingAgroot, que também tem autorização da CTNBio para testar soja transgênica no Brasil, desenvolve sementes com resistência a insetos, herbicidas e doenças. No mundo, o grupo já solicitou mais de 1,9 mil patentes de inovação, e 482 foram concedidas. A empresa não respondeu ao pedido de entrevista.
Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja, já esteve na China 12 vezes em missões técnicas e relata otimismo acerca da parceria da instituição com o laboratório chinês. “Eles têm muita gente e muito recurso. Estão usando a tecnologia para obter ganhos genéticos mais rapidamente. Nós exportamos 80 milhões de toneladas de soja para a China no ano passado e 97% tinham genética da Bayer. É muito importante ter mais competidores neste mercado”, disse.
A Embrapa Soja forneceu a hospedagem à jornalista
Agro Mato Grosso
A 100 dias das eleições: quem deve disputar Governo e Senado em MT

Pré-candidatos ao governo e ao Senado intensificam articulações, mas candidaturas só serão oficializadas durante as convenções partidárias, previstas para julho.
Faltando 100 dias para o primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro, o cenário político de Mato Grosso começa a se desenhar. Lideranças partidárias intensificam as articulações para disputar cargos como o Governo do Estado, o Senado e a Câmara dos Deputados, embora a definição oficial das candidaturas dependa das convenções partidárias, previstas para começar em julho.
Na corrida pelo Palácio Paiaguás, alguns nomes já aparecem como pré-candidatos. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deve disputar a reeleição após assumir o comando do Executivo com a saída de Mauro Mendes (União), que deixou o cargo no fim de março para concorrer ao Senado.
Em fevereiro, Wellington Fagundes (PL) foi o nome confirmado pelo pré-candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro, para representar o partido e concorrer ao governo de Mato Grosso.
A Executiva Nacional do PT decidiu que o partido em Mato Grosso deve apoiar o PSD com a candidatura da médica Natasha Slhessarenko (PSD) que, até a publicação desta reportagem, é a única mulher na pré-corrida ao Executivo estadual.
Outro nome que deve disputar o governo é o do atual senador Jayme Campos (União). Ele já manifestou interesse publicamente em concorrer, mas a candidatura ainda depende da definição do partido.
Também são apontados como possíveis candidatos o empresário Alex Pucinelli (Democracia Cristã), o professor universitário Caiubi Kuhn (PDT) e o empresário Marcelo Maluf (Novo).
Disputa pelo Senado
Mato Grosso elegerá dois senadores nesta eleição, o que aumenta a disputa pelas vagas.
O ex-governador Mauro Mendes (União) já confirmou a pré-candidatura ao Senado. Já o atual senador Carlos Fávaro (PSD) tentará a reeleição.
Única mulher representante na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Janaina Riva (MDB), também pretende deixar a cadeira para disputar uma vaga no Senado.
Outro nome que deve entrar na disputa é o deputado federal José Medeiros (PL) que também foi confirmado por Flávio Bolsonaro para representar a sigla. Já o ex-governador Pedro Taques (PSB) articula o retorno à política e também é citado entre os possíveis candidatos.
Agro Mato Grosso
TCE veda propaganda eleitoral nas dependências do órgão durante período eleitoral em MT

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) passa a vedar, a partir desta sexta-feira (26), a veiculação de propaganda política em suas dependências durante o período eleitoral. Editada pela Corregedoria-Geral, a Orientação Normativa nº 01/2026 proíbe o ingresso e a permanência, nos estacionamentos e demais áreas internas, de veículos que ostentem qualquer forma de propaganda eleitoral.
A vedação alcança não apenas adesivos com número ou fotografia de candidato, mas também aqueles que contenham apenas o nome do candidato ou qualquer outro elemento capaz de caracterizar propaganda eleitoral, ainda que de forma indireta.
A orientação tem como fundamento a preservação da neutralidade institucional, da impessoalidade administrativa e da adequada utilização dos bens públicos. As dependências do Tribunal, incluindo seus estacionamentos, constituem bens públicos e, por essa razão, não podem ser utilizadas como espaço para divulgação de candidaturas.
O objetivo, segundo a Corregedoria-Geral, não é restringir a manifestação política do servidor, mas assegurar a igualdade entre os candidatos, a credibilidade das instituições públicas e a confiança da sociedade na atuação do Poder Público.
O que diz a legislação
A medida tem amparo no artigo 37 da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), que veda a veiculação de propaganda eleitoral em bens públicos ou de uso comum. A Resolução TSE nº 23.610/2019, por sua vez, define como propaganda eleitoral qualquer divulgação que leve ao conhecimento geral uma candidatura, partido, federação ou coligação, ainda que de forma indireta ou dissimulada.
Por essa interpretação, a simples exposição do nome de um candidato, mesmo sem número, partido, cargo pretendido ou pedido explícito de voto, pode caracterizar propaganda eleitoral, conforme entendimento consolidado da Justiça Eleitoral.
A orientação também se apoia no Código de Ética dos Servidores do TCE-MT (Resolução Normativa nº 04/2022), que impõe aos agentes públicos uma atuação pautada pela legalidade, impessoalidade, moralidade, integridade e preservação da imagem institucional.
O que fica vedado
A Orientação Normativa nº 01/2026 proíbe o ingresso e a permanência, nas dependências do Tribunal, de veículos contendo:
• Nome de candidato;
• Número de candidato;
• Fotografia, imagem ou símbolo de candidato;
• Slogan, frase ou expressão vinculada à campanha eleitoral;
• Identificação visual relacionada a partido político, federação ou coligação;
• Qualquer outra forma de propaganda eleitoral, ainda que indireta.
A vedação aplica-se independentemente de o material conter apenas o nome do candidato ou de não apresentar pedido explícito de voto.
Restrição limitada às dependências do Tribunal
A Corregedoria-Geral reforça que a restrição se limita ao interior da instituição. Fora das dependências do TCE-MT, o servidor continua exercendo normalmente seus direitos políticos, observadas as regras da legislação eleitoral. A orientação refere-se exclusivamente ao uso de um bem público, que deve permanecer livre de qualquer manifestação de caráter eleitoral.
Agro Mato Grosso
Programa da Aprosoja MT garante imparcialidade em processos de classificação de grãos

Nos últimos quatro anos de registro, o programa já atendeu mais de 5.900 solicitações no estado
Do plantio à comercialização dos grãos de soja e milho, há muitos processos de controle de qualidade dos produtos. A classificação é uma das etapas mais importantes do processo final, pois é nela que são avaliados os níveis de umidade, os grãos avariados e as impurezas. Para trazer mais segurança aos produtores rurais, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) implementou, em 2017, o programa Classificador Legal, que tem o objetivo de assegurar o cumprimento dos padrões oficiais estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Apesar de o MAPA regulamentar e fixar os níveis adequados para a classificação, durante o processo de avaliação dos grãos podem ocorrer divergências e resultados errôneos, afetando as operações comerciais. Desde quando se passou a computar os atendimentos através de ordens de serviço, em 2021, a Aprosoja já atendeu 5.976 solicitações em todo o estado.
Esses números refletem a confiança do produtor rural no programa, afirmou o vice-coordenador da Comissão de Defesa Agrícola da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo. Ele também destacou que já utilizou o Classificador Legal e que as empresas envolvidas nas negociações dos grãos respeitam os resultados apresentados pelos profissionais do programa.
“O Classificador Legal é um balizador da qualidade dos grãos de soja e milho. É um programa de ótima qualidade e muita confiança. Quando o Classificador Legal chega à propriedade, nós que temos armazém, por exemplo, percebemos que o classificador contratado pelas tradings já respeita e admite que a classificação feita pelo Classificador Legal é imparcial. No nosso caso, sempre que o classificador veio, melhorou a nossa classificação de grãos”, disse.
O programa pode ser acionado sempre que o produtor rural tiver a necessidade de verificar a qualidade dos grãos ou quando estiver em dúvida quanto aos resultados obtidos por uma das partes envolvidas na comercialização. Nesses casos, a atuação dos técnicos do programa permite uma avaliação imparcial, fundamentada na legislação e nas instruções normativas vigentes.
Quando o objetivo é verificar a qualidade do produto entregue, o classificador realiza as aferições técnicas dos grãos, permitindo que os parâmetros analisados estejam em conformidade. Já em situações de discordância quanto aos resultados da classificação, o profissional atua como árbitro e mediador, promovendo uma análise independente que contribui para a resolução do conflito e para a transparência das negociações.
Desde o início do programa, a Região Norte de Mato Grosso foi a que mais acionou o serviço, com 2.364 chamados, seguida pela Região Sul, com 1.464, Região Oeste, com 964, e, por último, a Região Leste, com 771 chamados.
A irmã do associado ao núcleo de Sorriso, Antonio Luiz Piva, Aline Piva, foi a responsável por acionar e acompanhar o trabalho de um classificador. Ela contou a experiência que teve ao utilizar o programa por meio do Canal do Produtor.
“Aqui a gente utilizou o serviço do Classificador Legal recentemente, e foi ótimo. Na verdade, foi além do esperado. Estávamos com um problema na classificação durante um carregamento. Fiz uma solicitação pelo Canal do Produtor e entrei em contato com o classificador da região. Ele se prontificou e veio até mais rápido do que eu imaginava. Chegando aqui, foi muito ágil, seguiu todo o protocolo, conversou com as partes envolvidas e acompanhou o processo. Foi muito bom, porque ele traz transparência para a classificação”, explicou.
A experiência de Aline, na Fazenda Piva, foi tão positiva que ela afirmou ter conseguido resolver o problema. Além disso, o profissional explicou todo o processo, demonstrando cada etapa da classificação. Ela também afirmou que está indicando o serviço para colegas e vizinhos.
O engenheiro agrônomo Rafael Alari Tonetto, que trabalha com o produtor Mauro Donisete, do núcleo Araguaia Xingu, contou que também acionou e acompanhou o trabalho do Classificador Legal. Segundo ele, houve inconsistências com uma empresa, mas a situação foi resolvida. O programa trouxe mais clareza aos resultados obtidos na medição, reforçando a importância de acionar o classificador sempre que surgirem dúvidas.
“O Classificador Legal traz um pouco mais de clareza para nós na classificação. A disponibilidade dele foi muito boa, assim como a solicitude. Conversamos com ele à tarde e, no outro dia pela manhã, ele já estava na fazenda. É o que eu sempre digo: se houver dúvida, essa é uma ferramenta que está disponível pela Aprosoja MT. Isso faz com que a gente tenha um pouco mais de segurança dentro da classificação, porque sabemos que ela pode ser bastante subjetiva”, disse.
Os classificadores atuam de forma imparcial para garantir o melhor resultado no processo de classificação. Com profissionais distribuídos por todo o estado, a Aprosoja MT oferece mais segurança nas transações comerciais e mais confiabilidade aos produtores rurais que utilizam o programa. Para acionar o serviço, o agricultor pode abrir uma ordem de serviço por meio do Canal do Produtor, pelo telefone (65) 3027-8100.
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