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16 de setembro de 2026

Business

pequenos produtores de Mato Grosso sofrem sem crédito

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Endividados, descapitalizados e sem acesso ao crédito, agricultores do norte de Mato Grosso enfrentam uma das piores crises dos últimos anos — com impactos que já ultrapassam as lavouras e ameaçam o comércio e a vida nos pequenos municípios. E, a situação pode se agravar ainda mais a partir do dia 1º de agosto caso a taxação de 50% dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil entre em vigor.

Os reflexos da safra 2023/24 ainda tiram o sono da maioria dos produtores mato-grossenses com os problemas causados pela seca. Agricultor e proprietário de uma revenda agropecuária no município de Feliz Natal, que atende diversos produtores da região, Sandro Luis Mick comenta que viu produtores colhendo entre 10 e 20 sacas por hectare, produtividade que não fechava nem uma parcela dos custos.

“Isso fez com que o produtor tivesse que buscar recursos para cumprir com os compromissos. E agora nessa safra 2025/26 estamos vendo a escassez dos créditos e juros mais altos”, diz Sandro ao Patrulheiro Agro desta semana.

Segundo ele, hoje os juros praticados chegam à casa de 1,8% ao mês. “Acaba que esse crédito ficou mais caro, mais escasso visto as questões dos riscos que estamos vivenciando no agro. E quando vamos fazer o barter, a conversão, desse produto a prazo, com o valor futuro do grão, acaba que a conta fica uma conta pesada”, completa.

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O produtor frisa ainda à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que tal situação tem levado os produtores a buscarem outras linhas de crédito, que não são compatíveis com o agronegócio. “O agro é muito sensível. A margem é muito pequena e é um setor que fica exposto ao clima. A dor do produtor é uma dor de quem está nessa cadeia do agronegócio, de quem está na venda de insumos”.

“O problema é a dívida em reais, quando tu tens que se desfazer do grão para pagar essa dívida, que seria as prestações de máquinas. E os insumos subiram. Então não tem pé e nem cabeça”, ressalta o agricultor Valcir Strapasson.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Endividamento chega a R$ 5 mil por hectare

Entre os municípios de Vera e Feliz Natal o endividamento dos produtores está em média em R$ 5 mil por hectare de planta hoje, conforme o presidente do Sindicato Rural que atende aos dois municípios, Rafael Bilibio.

“Existia a necessidade de se equipar com maquinário e o pessoal se equipou. O maquinário estava mais alto, a taxa de juros também era mais baixa lá atrás e a soja valia mais. Hoje, nós temos um cenário completamente diferente. Praticamente 40% de toda a nossa safra é em dívidas”, salienta.

A expectativa, destaca Rafael, era que o milho salvasse os produtores, uma vez que o cereal nos últimos ciclos se mostrou como uma peça-chave na rentabilidade das propriedades. Entretanto, os preços baixos pagos aos produtores na casa dos R$ 35, R$ 37 não estão ajudando como o esperado.

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“Então, o lucro também vai ser pouco. O dinheiro que circularia no comércio é o dinheiro do lucro do milho que, infelizmente, esse ano não veio e também não virá. Juro caro, produto relativamente barato e o endividamento alto está restringindo o crédito no banco. Então vai acontecer, com toda a certeza, aqui na região entre Vera e Feliz Natal de produtores ou ficar sem plantar ou reduzir drasticamente os investimentos na safra 2026. Em municípios pequenos, como Vera e Feliz Natal, se o agro não vai [bem], o município não consegue [ir bem]. O comércio e a população em geral não conseguem sobreviver a contento”.

Atualmente o preço da saca de 60 quilos da soja em Mato Grosso é comercializada em média a R$ 110, R$ 112. O que significa “uma defasagem muito grande”, de acordo com o vice-presidente do Sistema Famato, Ilson José Redivo, perante os R$ 160, R$180 negociados anteriormente.

“Só que os preços das máquinas e os preços dos insumos não se ajustaram nesse mesmo nível, nesse mesmo patamar. Está chegando no fim do poço. O agricultor já está sem respiro, não tem mais gordura para queimar. Você precisa de 50% a mais de sacas de soja para cumprir o mesmo compromisso e isso fez com que o produtor tenha se descapitalizado”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Patrulheiro Agro colheita soja foto pedro silvestre canal rural Mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Taxação dos EUA pode agravar a situação

Sem fôlego e com os custos no limite, o agro brasileiro pode enfrentar mais um desafio a partir de 1º de agosto: a imposição dos Estados Unidos de uma taxação de 50% sobre produtos importados do Brasil. A nova alíquota acende o alerta no setor produtivo, uma vez que, salienta o vice-presidente do Sistema Famato, “inviabiliza qualquer negócio com um país americano que é um grande consumidor”.

“Vai afetar com toda a certeza ainda mais e vai complicar ainda mais esse processo do produtor que já está descapitalizado”, ressalta à reportagem.

O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, afirma que um aumento das taxas, “indiretamente, impacta nas nossas exportações, impacta nos grãos de soja e milho” e ao se olhar para as importações por parte do Brasil o impacta diretamente na questão do petróleo e máquinas agrícolas, bem como na tecnologia.

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“É necessário, o mais rápido possível, que o governo brasileiro sente para negociar com os Estados Unidos, que busque a diplomacia e acima de tudo tente lutar para que não haja tarifa nem para lá cá e nem daqui para lá, para que a nossa economia vá para um caminho mais saudável e de maior crescimento”.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

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Foto: Paulo Lanzetta

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.

As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.

Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.

Exportação disputa arroz com indústrias

Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.

O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.

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Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul

A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.

Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.

Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.

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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.

Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.

Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.

No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.

Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.

Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Tecnologia brasileira reduz uso de fosfato em rações e ganha escala industrial no PR

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Uma tecnologia desenvolvida no Brasil para melhorar o aproveitamento de minerais na alimentação animal acaba de ganhar escala industrial. Em Apucarana, no norte do Paraná, uma nova unidade começa a ampliar a produção de um aditivo voltado principalmente à avicultura, com a proposta de reduzir a necessidade de fosfato nas rações.

Segundo a GFS, responsável pela tecnologia, o produto melhora a absorção e a retenção de cálcio e fósforo pelas aves. Com isso, os animais utilizam melhor os minerais presentes na dieta, o que permite diminuir a quantidade de fosfato adicionada à ração.

O aditivo é produzido a partir de óleos vegetais e substitui uma matéria-prima de origem fóssil por uma molécula renovável. Para a empresa, a inovação tem potencial para reduzir tanto a pegada de carbono da produção animal quanto os custos da indústria de rações.

“Ele aumenta a absorção e a retenção do mineral. Com isso, o animal se torna mais eficiente para utilizar esse mineral e crescer, demandando menos fonte de fósforo na dieta”, afirma Luis Angreguetto, pesquisador da GFS e Ph.D. em Ciência Animal.

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Menos extração e menor emissão de carbono

O fosfato usado na alimentação animal passa por uma cadeia de extração e processamento antes de chegar às granjas. De acordo com a empresa, cada quilo do novo produto evita a retirada de quase 8 quilos de fosfato da natureza. A estimativa também aponta que, para cada tonelada de fosfato que deixa de ser produzida, mais de 1 tonelada de CO2 deixa de ser emitida na atmosfera.

Além do ganho ambiental, a tecnologia pode trazer economia para os produtores. Estudos realizados pela GFS indicam redução de R$ 20 a R$ 30 no custo de cada tonelada de ração.

Para Douglas da Silva, gerente de integração de aves da Copacol, o uso da inovação contribui para o melhor aproveitamento dos nutrientes. “Poupando alguns nutrientes, melhorando a absorção de outros, trazendo eficiência para todo o processo”, diz.

Localização estratégica para atender grandes polos produtores

A escolha de Apucarana para a instalação da unidade também está ligada à logística. A cidade fica próxima dos principais polos produtores de carne e consumidores de ração das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O prefeito Rodolfo Mota destaca que o município funciona como um ponto de conexão entre importantes rotas de escoamento. “Apucarana é um hub logístico entre São Paulo, Mato Grosso do Sul e o Porto de Paranaguá. Duas rodovias importantes do estado chegam e se encontram em Apucarana para descer até Curitiba e também ao Porto”, afirma.

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Com a nova estrutura, a capacidade de produção do aditivo salta de 500 para 4.500 toneladas por mês. As soluções desenvolvidas pela empresa no Brasil já são utilizadas no mercado nacional e exportadas para o Chile e países da Ásia.

Segundo Fernando Blini, CEO da GFS, a tecnologia está em processo de registro na Europa e nas Américas, com foco inicial nos mercados mexicano e norte-americano. A expectativa da empresa é ampliar o número de países importadores ainda este ano e chegar a mais de 20 mercados até o fim de 2028.

Inovação também mira a suinocultura

Na suinocultura, a aposta da empresa está em fibras naturais produzidas a partir de pinos de reflorestamento. O ingrediente contribui para o funcionamento do intestino dos animais e melhora o aproveitamento dos nutrientes presentes na ração.

A inovação também é acompanhada por ações de controle sanitário. “A gente faz a fiscalização in loco das granjas de suínos e de aves que vão receber esse produto. Então, a gente vai conseguir perceber todo o processo de sustentabilidade, inovação, pesquisa e alimento seguro lá in loco, na alimentação dos animais”, afirma Celília Tomás Aquino, chefe regional da Adapar.

Com a nova unidade, a capacidade de produção de fibras chega a 1,6 mil toneladas por mês. O avanço ocorre em um mercado de grande consumo: em 2025, a avicultura de corte e postura consumiu mais de 45 milhões de toneladas de ração no Brasil, enquanto a suinocultura ultrapassou 22 milhões de toneladas.

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Para Almir Gnoatto, superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, a iniciativa reforça a importância de desenvolver tecnologias nacionais para o setor produtivo. “Não é só produzir o frango, a soja, o suíno, mas também ter esse olhar de como criar tecnologias sob o nosso domínio, para que sejamos u8cada vez mais autossuficientes nisso”, afirma.

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